Mostrar mensagens com a etiqueta Tiago Rebelo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tiago Rebelo. Mostrar todas as mensagens

domingo, 29 de abril de 2018

Opinião | "O homem que sonhava ser Hitler" de Tiago Rebelo

O Homem Que Sonhava Ser Hitler
Classificação: 3 Estrelas

Houve uma fase da minha vida em que eu devorava livros de Tiago Rebelo. Facilmente me apaixonava pelas suas histórias e li-as de forma compulsiva. Aliás, costumo até apontar um dos livros dele como um dos meus livros preferidos de sempre. Contudo, não senti a mesma magia com os livros que li mais recentemente (excetuando o livro O último ano em Luanda). 

O homem que sonhava ser Hitler foi mais um dos livros sem magia. Gostei, a temática é relevante e interessante mas a forma como a história nos é contada é, por vezes, aborrecida. O autor passa muito tempo a contar, contar, contar e mostra pouco das personagens, da suas interações e das suas personalidades. Ao longo da leitura senti falta desta dimensão da escrita que tem a magia e o dom de nos transportar para a realidade literária. 

A história centra-se em dois inspetores da Polícia Judiciária (PJ) e num partido de extrema direita que vai semeando o caos e o medo por onde põe as mãos. O caso que liga estes dois intervenientes é a agressão a um miúdo de 7 anos. Esta agressão desencadeia um conjunto de descobertas e ligações com uma tonalidade sinistra e perigosa. 

Relativamente aos termos da investigação e da ação da PJ aquilo que transparece é um excelente trabalho de investigação do escritor. Em todos os momentos cruciais do desempenho dos nossos polícias e do trabalho de desenvolvido por esta força de segurança denotava-se um cuidado em explicar as coisas de forma clara e pormenorizada. 

Como escrevi anteriormente, gostei do livro. Apenas não gostei com mais intensidade, não gostei tanto como estava à espera de gostar. A escrita do livro é fluída e simples de ler. Apenas lhe falta expressividade e um tipo de emoção que já encontrei em outros livros do escritor. No meu caso não foi uma leitura rápida. O livro arrastou-se ao longo de uns dias mais pelo tempo escasso para ler e não pelo desinteresse na história. 

Acho que, para quem nunca leu Tiago Rebelo, é um autor a quem devem dar uma oportunidade. As histórias são interessantes, com mais ou menos complexidade, mas que nos conseguem dar bons e prazerosos momentos de leitura. 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O último ano em Luanda [Opinião]


O Último Ano em Luanda

Autor: Tiago Rebelo
Ano: 2008
Editora: Editorial Presença
Número de páginas: 480 páginas
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse
Em 1974, uma revolução em Lisboa apanha de surpresa centenas de milhares de portugueses que vivem em Angola. A partir desse dia inicia-se a derrocada imparável de uma sociedade inteira que, tal como um navio a afundar-se, está condenada à destruição e à ruína. Em escassos meses, trezentos mil portugueses são obrigados a largar tudo e a fugir.
É neste cenário de total desorientação social e de insegurança generalizada que Nuno, um aventureiro que há anos atravessa os céus do sertão angolano no seu avião, Regina e o filho de ambos se movem, numa extraordinária luta para sobreviverem à violência diária, às perseguições políticas, às intrigas e traições que fazem de Luanda uma cidade desesperada. Esta é a história de coragem e abnegação de um casal surpreendido, tal como milhares de outros, num processo de degradação que se deve à recusa do Exército em defender os seus próprios compatriotas, ao desinteresse dos políticos e à intervenção militar das duas potências mundiais envolvidas numa guerra fria .

Opinião
Esta foi a minha última leitura de 2013 e apesar de ter demorado algum tempo a ler, tal não se traduz numa má leitura, muito pelo contrário.

O último ano em Luanda é um livro que reflecte um período da história de Portugal que tanto tece de bom como de mau.
Seis anos antes da Revolução de Abril, Regina e Nuno partem para Luanda. Os laços amorosos que os ligavam não eram sólidos e as motivações de cada um para partirem eram algo divergentes. Regina  pela sua relação com a família, Nuno por causa de um passado pouco transparente. Apesar disto, em Luanda, conseguiram construir uma vida e formar uma família. Nuno aprendeu a olhar para Regina com amor e Regina sempre aceitou os negócios pouco claros de Nuno. Mas isto são apenas os pormenores românticos de um livro que nos oferece muito mais.

Ao longo destas páginas é-nos apresentado o lado menos bonito da conquista da nossa liberdade. Infelizmente, Portugal continuou numa situação económica e social muito precária e por vezes essa parte fica esquecida nos manuais de história e não ficamos a conhecer o outro lado da revolução. 
Foi um período marcado pela instabilidade e por enormes dificuldades. Estas dificuldades foram ainda mais sentidas em Angola, uma colónia Portuguesa que com o 25 de Abril ganhou a sua independência. 
Foi muito difícil para os Portugueses residentes em Angola libertarem-se e abandonarem tudo aquilo que foram construindo. Com a instabilidade política que instalou em Angola, com o aumento constante da violência, os Portugueses sentiram-se ameaçados e largaram tudo e regressaram a Portugal. No livro, todos estes aspectos estão muito bem retratados. O autor conseguiu passar a angústia, o medo, a tristeza, a dor, a perda de uma forma extremamente realista, incapaz de deixar os leitores indiferentes.

Todo o conteúdo histórico está relatado de forma bastante compreensível. Gostei muito de ficar a conhecer o outro lado da história, um lado que nem sempre aprece detalhadamente retratado. 
Temos muito com que nos orgulhar pelas conquistas do 25 de Abril, porém existe um lado mais negro que nem sempre nos recordamos dele, que é facilmente esquecido. Mas é também este lado menos bonito que torna a nossa conquista ainda mais importante. Acho que nos devemos lembrar sempre daquilo que o 25 de Abril nos trouxe, aprender a valorizar a nossa liberdade. Penso que facilmente, nós que não sentimos na pele a opressão, por vezes, não damos muito valor a liberdade e aos princípios de Abril.

Aquilo que menos gostei no livro e que fez com que não lhe atribuísse cinco estrelas foi a forma como o autor narrou toda a história. O autor fez muitos saltos e recuos temporais tornando, por vezes, a história um pouco confusa e dificulta a compreensão mais clara dos factos.

Uma leitura que aconselho. Um livro que nos mostra o lado mais difícil do 25 de Abril, o lado negro da Guerra Colonial, guerra que ainda hoje assombra muitos daqueles que a tiveram de enfrentar.

Boas leituras e deixem-se invadir pelas palavras. 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Breve história de amor [Opinião]


Breve História de Amor

Autor: Tiago Rebelo
Ano: 2011
Editora: Edições Asa
Número de páginas: 168
Classificação: 2 Estrelas

Sinopse
Breve História de Amor é o desfile de retratos autênticos sobre relações quotidianas. Caminhos do acaso que levam homens e mulheres a cruzarem os seus destinos, por vezes, nas circunstâncias mais surpreendentes. 
Pessoas que se encontram, ou se reencontram, que se unem ou se separam, sentimentos intensos e irreprimíveis que determinam as suas vidas e alteram bruscamente e sem aviso os seus destinos.
Através de uma descrição intensa e cirúrgica, Tiago Rebelo conduz-nos aos pensamentos mais íntimos das personagens que tantas vezes se confundem com os nossos. 
Autor de romances bem conhecidos do público, como O Tempo dos Amores Perfeitos, O Último Ano em Luanda ou Uma Noite em Nova Iorque, Tiago Rebelo oferece aos leitores a versão original das melhores histórias publicadas ao longo de mais de um ano na revista Domingo, do Correio da Manhã, e ainda o conto inédito Amores Indeléveis.

Opinião
Já li quase todos os livros publicados de Tiago Rebelo e quase sempre fico com boa impressão dos seus livros. Cada um traz-nos uma história simples e de fácil leitura. São livros muito bons para intercalar com livros com narrativas mais densas.

Breve história de amor é um livro onde nos são apresentadas histórias de amor que podem acontecer a qualquer pessoa. Quase todas as histórias espalham essa universalidade através da identificação das personagens: ele e ela.
É um livro que nos proporciona uma leitura agradável, mas não nos causa arrebatamento. São histórias tão pequenas que dificilmente nos deixam algo na nossa memória. São boas para o momento deixando pequenos restos de aspectos bonitos das diferentes formas de amar. Não acontece com todas as histórias, mas devido à brevidade que cada uma delas assume faz com que sejam facilmente esquecidas.

Gostei do tom realista que o autor emprega. Sem finais exageradamente felizes ou irrealistas. Gostei do facto de serem histórias comuns de pessoas comuns e que podem acontecer a qualquer pessoa.

Esta pode ser uma boa leitura de Verão. Um livro pequeno que facilmente se lê numa tarde passada na praia ou num esplanada.

Deixem-se invadir pelas palavras.
Boas leituras!
Silvana