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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Opinião | "Marina" de Carlos Ruiz Záfon

Marina
Classificação: 3 Estrelas

Marina, levaste todas as respostas contigo. Esta é a última frase deste livro. Assim que a li, fiquei um pouco confusa relativamente às palavras que deveria usar para descrever a minha experiência de leitura e os sentimentos que me provocou. 

Eu gostei da leitura, mas não me tocou naquele lugar especial onde guardo as histórias especiais e que de alguma forma deixam marcas em mim. A justificação para tal acontecimento remete-me para a fraca ligação que construí com as personagens. 

Este livro traz-nos uma história que resulta da conjugação de vários olhares e de acontecimentos que nos levam a histórias paralelas. Óscar Drai é o guia, aquele que nos conduz pelas diferentes descobertas e nos dá a conhecer diferentes personagens. Juntamente com Marina, Óscar conta-nos a sua história, a história dela, a história de ambos e a histórias de todos aqueles que se enlaçam no caminho de ambos. Nestas páginas encontramos muita aventura, muito mistério e algumas revelações inesperadas e surpreendentes.

O grande motor de toda a história é um segredo. Um segredo de uma família que Óscar e Marina querem desvendar. E enquanto se perdem por Barcelona à procura de respostas, perdem o coração um para o outro. Assim, começamos a ver uma bonita amizade a transformar-se em algo mais complexo, onde o amor de Óscar se vai alimentando da coragem e do mistério que envolvem Marina. São passagens bonitas, mas onde senti falta de emoção. Senti falta daqueles diálogos e passagens que me fazer suster a respiração na expetativa do que está para vir. 

Apesar desta ligação mais fria que desenvolvi com o livro, acho que não esquecerei o desfecho de todo o mistério, assim como não esquecerei o final. Aí senti um ligeiro aperto no coração perante a tragédia que se abateu. Aí senti qualquer coisa que me derreteu um pouco.

Penso que aqui está uma leitura com todos os ingredientes capazes de me encantar e de transformar este livro numa leitura memorável. Contudo, estive longe de me sentir envolvida pela história e pelas personagens. Nada deste livro se apoderou de mim e por isso não vivia história, apenas a li. 

Talvez um dia ainda volte a pegar neste livro. Talvez este não tenha sido o momento certo para me perder nesta história.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Opinião | A Sombra do Vento (O cemitério dos livros esquecidos #1)


A Sombra do Vento (O Cemitério dos Livros Esquecidos #1)



Autor: Carlos Ruiz Zafón
Ano: 2004
Número de páginas: 507 páginas
Classificação: 5 Estrelas
Sinopse: Aqui


Opinião
Há livros para os quais me é difícil arranjar as palavras certas para os descrever. É difícil porque os sentimentos que me provocam não são facilmente demonstrados por palavras. A Sombra do Vento é um desses livros. Aquilo que senti ao lê-lo tornou-se de tal forma avassaladora que tenho dificuldade em encontrar as palavras que sejam capazes de fazer justiça à grandiosidade da história que foi criada.

O encantamento com este livro não foi imediato. Tivemos um início de relação complicado. Para mim, foi difícil afeiçoar-me às personagens, foi complicado entrar na história e senti-la, tive dificuldade em compreender o mundo criado pelo escritor ao ponto de comprometer o meu sentimento de envolvência com o mistério que ia nascendo no início do livro. Hoje, olhando para trás na leitura, sinto-me muito triste por não ter conseguido captar na totalidade aquilo que se passou nas primeiras páginas. O facto de andar com pouco tempo e pouca disposição para as leituras fez com que prolongasse a leitura do livro. Porém, este livro carece de uma leitura inicial mais ritmada, constante e prolongada para perceber toda a dinâmica que envolvia os acontecimentos. (Andava tão cansada na altura da leitura que lia duas páginas e os olhos já queriam fechar).

Antes de me debruçar sobre a beleza das histórias que compões estas páginas, quero destacar a beleza da conjugação de palavras que o autor no oferece. Carlos Ruiz Zafón é um verdadeiro maestro na construção de frases. Ele articula as palavras num tom melodioso que me fazia reler passagens apenas pela conjugação de palavras usadas para fazer descrições e construir diálogos. Adorei a escrita do escritor, ao mesmo tempo fez-me sentir incompetente no uso das palavras e da linguagem.

No que toca ao enredo que faz parte deste livro, temos uma conjugação de momentos passados e presentes. Duas histórias distintas que se tocam no presente.
No presente temos o jovem Daniel que é enfeitiçado pelas obras do autor Julián Carax que descobriu no cemitério dos livros esquecidos, Foi com base nestas leituras que Daniel partiu à descoberta das raízes do escritor. Esta ânsia leva-nos ao passado e à história de Julián.
Em ambas as histórias houve aspetos que me tocaram. Na de Daniel, o que me tocou foi o assistir ao seu crescimento e ao ser poder de auto-análise. Ele conhecia-se muito bem e sentia-se triste perante algumas das suas particularidades, principalmente a sua falta de coragem. Daniel é sensível, um "amante" dos livros e das palavras e que muito facilmente se deixava envolver pelas pessoas. Felizmente teve a sorte de se cruzar com pessoas que o compreendiam e aqui destaco a brilhante personagem de Fermín. Eu sou muito sensível às amizades e seu que, aqui, entre eles, formou-se um amizade com amarras tão fortes que nada as conseguia quebrar.
A única coisa que me deixou mais insatisfeita foi o não ter visto maus interação entre Bea e Daniel. A relação deles tornou-se tão bonita que eu queria ver mais.
Também fiquei triste com a atitude de Tomás, irmão de Bea e amigo de infância de Daniel. Não consegui compreender na totalidade os sentimentos negativos que alimentou por Daniel e que não lhe permitiram restabelecer a amizade no futuro que o livro nos apresenta por breves momentos.
E depois temos a história de Julián Carax, e que história!!! Ao longo da leitura, o mistério foi-me alimentando a curiosidade e era ela que me fazia continuar com a leitura. Julián é o amigo do drama e da tragédia e vive de um amor interrompido. É esse o amor que o alimenta e que o motiva para a escrita. Não vou esquecer a amizade entre ele e Miquel. Quando no livro chego à parte em que Miquel mostra até onde pode levar a sua amizade, parei! Parei para assimilar a sua atitude e a sua grandiosidade. Como diz Fermín no final do livro são pessoas como esta [de bom coração] que fazem deste mundo cão um sítio que vale a pena viver.

Haveria tantas mais coisas para dizer acerca do livro, mas tudo parece insignificante.  Foram muitas as personagens com forte carácter e com relevância que desfilaram ao longo destas páginas. Fumero, Núria, o pai de Daniel, a família Aldaya, o pai de Núria, Palácios... Tantas e tão importantes que tornam o livro uma viagem inesquecível ao mundo das palavras.

Um livro brilhante e que um dia conto reler com mais dedicação e atenção.