Mostrar mensagens com a etiqueta Célia Correia Loureiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Célia Correia Loureiro. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Opinião | "A Lucidez" de Célia Correia Loureiro

A Lucidez

Classificação: 4 estrelas

Para mim, opinar sobre um conto nem sempre é fácil. Na minha cabeça tenho de reforçar a ideia de que um conto é algo limitado em termos de número de páginas/ palavras, objetivo e que é assim que devo olhar para ele. Não quero, nem posso, que a minha ânsia em saber mais acerca da estória se intrometa na minha análise do mesmo.

Eu gostei muito de ler este conto... Aliás como todo o trabalho que tenho vindo a conhecer da Célia. Sim, na minha cabeça, instalou-se aquela ânsia de querer ler mais sobre Irene, de ir mais longe na loucura que, segundo aqueles que a rodeiam, a veio visitar. 
Um conto muito bem escrito que tem como pano de fundo uma sociedade conservadora onde a forma como se olha para a saúde mental assusta os nossos contemporâneos (ainda há muita coisa a melhorar, mas é o olhar pelo passado que nos permite ver que muita coisa mudou para melhor). 

Gostei muito da Irene. Apesar de a ter conhecido muito pouco consegui empatizar com ela e com a sua dor. Uma mulher lúcida perante as fragilidades que não a permitem ser feliz nem conhecer o amor pleno. É tamanha a sua lucidez que vai sabe que precisa de mais e persegue aquilo que acha que pode conter a sua felicidade.

Espero que estas personagens conheçam outros caminhos, num lugar onde o número de  páginas não limite aquilo que podemos conhecer delas. 
Aproveitem para conhecer o trabalho da Célia. Se estão indecisos em pegar em obras mais extensas da autora, façam o download dos contos gratuitos da autora e vão ver que para além de não se arrependerem, irá nascer vós aquela curiosidade literária que vos atirará de forma compulsiva às palavras e às estórias que a Célia decidiu partilhar connosco.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Opinião | "O Funeral da Nossa Mãe" de Célia Loureiro

O Funeral da Nossa Mãe
Classificação: 5 Estrelas

A minha experiência com os livros da Célia resumia-se a dois encontros agradáveis. Um com um conto, e outro com uma leitura beta onde procurei usar o olhos de lince e ajudar a autora. Estes dois encontros, foram a porta de entrada para a curiosidade. Após estas leituras e fiquei com vontade de conhecer mais sobre o trabalho da Célia e sobre as histórias que ela nos tinha para contar. 

O Funeral da nossa mãe chegou no Natal e pelas mãos de uma amiga. Foi ocupar o seu lugar na estante, mas sabia que não iria lá passar muito tempo sem que eu me atirasse a ele. 
Eu adoro alfazema! Recorro, muitas vezes, ao seu efeito relaxante. A capa trouxe-me esse cheiro, assim como muitos dos acontecimentos com que nos vamos cruzando ao longo das páginas.

Eu gostei muito da escrita da Célia, tal como já tinha acontecido em livros anteriores. Contudo, acho que ela exagera em algumas descrições e na narração de alguns acontecimentos. Enrola muito, recorre a metáforas e/ou comparações elaborados para nos mostrar sentimentos, situações... E isso, às vezes, torna a leitura mais lenta. O que é engraçado é que, se em outros livros eu poderia ficar aborrecida de morte e atirar o livro para um canto, com este tal não aconteceu. E porquê? Porque a conjugação entre enredo, personagens e escrita funcionou tão bem que facilmente seguimos embalados pela força dos acontecimentos e pela nossa curiosidade por saber por onde é que as personagens vão seguir. 

Outra situação curiosa tem que ver com a própria narrativa. À medida que ia lendo, procurava imaginar o que é que as personagens iriam fazer, e pensava Humm, de certeza que a Célia não vai seguir pelo caminho x. É demasiado óbvio. Porém, em alguns casos, a Célia foi mesmo por aí, mas a leitura, em nenhum momento, se tornou aborrecida ou fastidiosa por nos depararmos com algo que já esperávamos que acontecesse. E, na minha opinião, é genial.

As personagens deste livro estão muito bem construídas. Carolina é das que mais destaco. Sentimos que ela é humana porque conseguimos gostar e não gostar dela ao mesmo tempo. Se num momentos sentimos empatia pelos sentimentos que exprime, no momento seguinte estamos a condenar as suas atitudes de tão estúpidas que são. Ela sacrificou muito por aquilo que ela sempre desejou. Apesar de não concordar com a forma com que ela conseguiu construir a sua vida, consigo entendê-la. 
Lourenço é um homem que, a mim, me foi indiferente. Não lhe reconheci a força de carácter, não lhe encontrei determinação. Achei-o um resignado com a vida, com o sofrimento e com a amargura. E este tipo de personalidade condicionou a forma como olhei para ele ao longo da leitura. 
Ingrid é a inconsequente. Uma mulher a quem a vida também lhe ensinou muito. Achei a revelação final (não vou spoilar ninguém) uma grande lição de consciência. No fundo, ela pagou pelos atos inconsequentes que foi tendo. Penso que ela merecia um bocadinho mais no livro. Aliás, acho que só ela e a sua vida dava uma brilhante história. Houve coisas da personalidade dela que iam pairando na história, como por exemplo, o espírito livre, o não querer exercer medicina, a sua emotividade e luxuria no relacionamento com Lourenço... Tantas coisas complexas que a tornam numa personagem com uma história própria. 

Quanto às irmãs, gostei de partes delas. Alguns características de personalidade e alguns acontecimentos não fizeram muito sentido para mim. Ao longo do livro fui remoendo algumas coisas que achei que estavam um pouco desenquadradas. Mas as justificações e os desfechos que a Célia deu a toda a história a e a todas as personagens convenceram-me e aceitei o ponto de vista que a autora apresentou. 

Quero continuar a acompanhar o trabalho da Célia. E partilho o que lhe disse em privado, será umas tristeza se ela ou alguma editora nos prive de acedermos ao talento dela para nos contar histórias. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Opinião | Cinzas e Neve


Cinzas e Neve

Autora: Célia Correia Loureiro
Ano: 2012
Número de páginas: 24 páginas
Classificação: 5 Estrelas
Sinopse: Aqui

Opinião
É difícil sentir-me satisfeita como leitora quando leio um conto. Ao fim de cada conto lido sinto sempre que falta qualquer coisa. Ou é a história que não foi profunda o suficiente, ou porque ficaram muitas pontas soltas ou por qualquer outra razão inerente ao conteúdo do conto. Porém, a minha experiência com este conto foi totalmente diferente.

Até ao momento, da escritora Célia Loureiro só tinha lido um livro e foi como leitora beta. Quando me cruzei com este conto, achei que poderia ser uma boa escolha para o desafio Português no Feminino. E, de facto, foi uma excelente escolha. Adorei!!!

Tanto a minha experiência com livro como com este conto, sinto que a Célia tem uma maneira muito própria de trabalhar as palavras. Ela consegue juntá-las numa dança de conteúdo harmoniosa e muito cativante.

Cinzas e Neve dá-nos a conhecer a história de um casal afastado pelo destino e pelas personalidades. No fundo, não lhes foi permito viver o amor que os unia. Afastaram-se e reencontraram-se. E é neste reencontro que ficamos a saber tudo o que os uniu e os afastou, aquilo que foi condicionando as suas vidas e as suas perspectivas em relação a um futuro próximo.

É um conto carregado de sentimentos, de lágrimas, sorrisos e recordações. Um conto onde não fica nada por contar e onde ficamos a conhecer o Henrique e Cristina através dos olhos e da voz de Cristina. Nunca sabemos onde esta voz nos vais levar. Vamos seguindo, embalados  nas palavras, sem saber que final nos vai ser oferecido. Final este, que só ficamos a conhecer na última frase do conto.

Dos vários contos que já li, este foi o que mais gostei até ao momento.