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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Opinião | "Perfume de Paixão"de Jude Deveraux (Edilean #4)

Perfume de Jasmim (Edilean, #4)

Classificação: 5/5 Estrelas

Já não pegava num livro da Jude Deveraux há dois anos. Geralmente são leituras que guardo para os meses mais quentes porque me fazem sonhar e me deixam mais descontraída. Este ano, depois de tantas situações stressantes que já tive merecia uma leitura assim. 

Perfume de Paixão é um dos livros cuja ação decorre no passado. Através do livro fiquei a conhecer Cat, filha de Angus e Edilean (2º livro da série). É uma rapariga aventureira, cheia de garra e que me cativou logo desde o início. É uma personagem que tem tanto de doce como de divertido. Uma verdadeira amazonas com um toque de classe e sensibilidade.
A Cay junta-se Alex, um homem desprovido da sua liberdade. Este casal funcionou muito bem. Há química entre eles, há companheirismo e há amizade. Um casal literário que me encheu o coração e que me inundou de amor. Não sei como é com vocês, mas comigo, quando leio um livro com uma boa história de amor é como se tudo o que é positivo entrasse dentro de mim e me deixasse mais otimista e mais feliz. Para mim, este género de livros são uma excelente forma de quebrar com os pensamentos mais negativos.

Para além da diversão proveniente das interações entre Cay e Alex, o aparecimento dos irmãos de Cay foi também um momento com a capacidade de me arrancar umas boas gargalhadas. São divertidos, inteligentes e muito ternos e protetores com a Cay.
Ainda não escrevi sobre o Alex... Gostei dos muitos mistérios que foram construídos à sua volta. Gostei de o ver fraquejar perante uma Cay que lhe limpou o coração do passado e lhe ofereceu aquilo que amor deve oferecer a toda a gente.

Tal como nos livros anteriores, a autora apresenta uma escrita fluída e recorre muito ao discurso direto. Desta forma, eu nem dei pelo avançar das páginas e em pouco mais de 24 horas terminei o livro. A história viciou-me ao ponto de sentir dificuldades em largar o livro. Aproveitei todo o meu tempo livre para ler.

Na estante sobre apenas um livro desta autora e desta série. Não sei se ele resistirá até ao próximo Verão. 

sábado, 24 de agosto de 2019

Opinião | "O Menino de Cabul" de Khaled Hosseini

O Menino de Cabul
Classificação: 5 Estrelas

Depois de ter lido Mil Sóis Resplandecentes fiquei com vontade de ler mais livros de Khaled Hosseini. É um autor com uma escrita muito bonita e com histórias duras e que me permitem conhecer uma realidade completamente diferente da que eu conheço.
Já há algum tempo que andava atrás d' O Menino de Cabul na biblioteca. Assim que o apanhei, trouxe-o... Mas devia antes tê-lo comprado, assim como o Mil Sóis Resplandecentes. Gostei tanto dos dois que gostaria de os ter na minha estante. 

Chorei com O Menino de Cabul. Foi uma história que mexeu com a  minha sensibilidade. Eu já sou sensível por natureza, mas quando uma história aborda assuntos relacionados com as crianças sinto o eu coração a quebrar mais facilmente.

O nosso narrador é Amir. Um pré-adolescente afegão que lutava pelo afeto e reconhecimento do pai. Ele sentia que nunca era suficientemente bom aos olhos do pai. Para agravar a situação o talento dele estava um pouco longe das expetativas paternas. Tudo isto moldou imenso a sua personalidade e condicionou a forma como ele decidi lidar com Hassan.
Hassan era o seu amigo mais fiel. Que fazia qualquer coisa por ele. Um doce de miúdo e de pessoa. Infelizmente pertencia a uma classe social inferior e isso fazia com que Amir, por vezes, fosse um pouco cruel.

Pelo meio surge um pré-adolescente tirano, Assef. Um miúdo que, aos olhos da nossa sociedade, é um delinquente. Uma personagem muito bem construída, que me ofereceu umas valentes náuseas. É daqueles miúdos odiosos que só estão bem a fazer mal aos outros. É duro assistir ao seu comportamento. As atitudes dele para com Amir e Hassan ofereceram-me momentos de leitura muito duros. Hassan fez-me chorar... Chorei de revolta, chorei pelo sofrimento dele, chorei pela injustiça de tudo...
Mas o mundo é curioso... E, tal como na vida real, há pessoas que são capazes de nos surpreender. Hassan é feito de bondade e de amor. E é um material tão sólido que ele consegue sempre ver para além do comportamento menos positivo daqueles que o rodeiam. Ameio o Hassan, mas sofri muito com o percurso de vida dele.

Amir também me fez sofrer, porque transformou as coisas boas dele em comportamentos tóxicos e isso consumiu-lhe o amor e a amizade. Acho que a Soraya e o Sohrab ajudaram Amir a se perdoar, a perdoar o seu passado e mostrar-lhe o lado bom do ser humano. A Soraya mostrou-lhe que podemos usar as nossas capacidades em favor do outro, ajudando o outro a superar as suas fragilidades. Sohrab ajudou Amir a organizar as emoções do passado, ajudou-o a ser forte, mostrou-lhe que é bom dar de nós aos outros, quando tudo é feito de forma positiva.

Rahim Khan é uma personagem que eu considero muito importante na história. Ele representa o lado paternal orgulhoso na vida de Amir. Rahim oferece a Amir o amor e o reconhecimento pelas suas capacidades, acabando por colmatar um pouco as falhas paternas. É alguém que conhece Amir muito bem e conseguiu sempre ver mais além ao ponto de conduzi-lo da melhor forma possível.

É uma história com muitos contornos tristes. Há passagens que são de uma brutalidade capaz de me sugar as palavras e a alegria.
Apesar de toda a dureza da história, eu acho o livro maravilhoso e com uma escrita extremamente cativante. Quero muito ter os livros do autor. Li-os porque existem na biblioteca, mas gostei tanto das histórias que, um dia, gostaria de os adquirir para a minha biblioteca pessoal.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Opinião | "O Ano da Dançarina" de Carla M. Soares

O Ano da Dançarina
Classificação: 5 Estrelas

O Ano da Dançarina foi uma leitura maravilhosa. Daquelas que me completa os sentidos e me enche a alma de energia positiva. 
Eu adoro a escrita da Carla. Mesmo quando há algo na história que não gosto ou com que simplesmente não me identifico tanto, a leitura continua a ser bastante prazerosa por que as palavras têm uma espécie de magia que me encanta e me liga ao livro.
Este livro, para mim, conseguiu reunir tudo. Por um lado encontrei o encanto de uma história bonita e cheia de acontecimentos inesperados, por lado tudo tudo me foi dado a conhecer através de uma dança de palavras muito bem coreografada. 

Assim que comecei a ler facilmente viajei no tempo. Entrar nestas páginas é respirar o ambiente de 1918. No livro povoam muitos elementos que me permitiram ver com clareza tudo o que vivia nessa época. Achei que algumas referências aparecem um pouco forçadas ao longo da narrativa, mas na sua maioria foram pertinentes e permitiram-me sentir uma boa contextualização da época e da agitação que se vivia num Portugal marcado pela participação na Primeira Guerra Mundial e pela instabilidade política. 
São poucos os livros que li que se debruçam sobre este período histórico. Eu sou, por natureza, muito curiosa. Com os anos e com o amadurecimento passei a apreciar de forma especial os romances históricos. Saciam a minha curiosidade, permitem-me visitar outras épocas e outros costumes e deixam-me bonitas histórias de amor que a minha alma romântica recordará até eu ser bem velhinha. E neste livro vivem todos estes aspetos que foram tão bem desenhados pela mão da Carla. Quando mais leio dela, mais sinto que o dom dela centra-se neste género literário. Ainda me falta ler O Cavalheiro Inglês, mas adorei o Alma Rebelde e os momentos do passado descritos no livro A Chama ao Vento foram a parte que mais gostei do livro. Por tudo isto, acho que a Carla tem mão para este escrever este género. 

Afinal, o que é que esta história pode oferecer aos leitores? Para mim, há muitos pontos de interesse. O Nicolau traz-nos as dificuldades de sobreviver ao pós-guerra. Só muitos anos mais tarde se começou a falar em Stress Pós Traumático, mas de certeza que ele já estava presente. Pelas mãos da Carla e através da pele de Nicolau, consegui perceber bem o que a guerra faz a quem dela faz parte. Um homem interessante, cheio de ângulos muito bem explorados no livro e que protagoniza uma das histórias de amor mais bonitas do mundo literário que eu já conheci. 
Para além de Nicolau, toda a sua família tem um contributo muito importante. Todos os seus irmãos têm as suas particularidades, mas eu tenho que destacar Bernarda. Uma mulher à frente do tempo e a quem a família alimenta os sonhos. Adorei-a desde o primeiro momento em que apareceu. Amei o espírito livre dela e gostava de ter a sua audácia. É fiel e a amizade que constrói com Cecília teve um enorme significado para mim. Talvez porque tenha olhado para elas duas e identificar tudo aquilo que eu valorizo e respeito numa amizade. 
Também a Cecília me ficou no coração... Mas é algo que terão de descobrir com a leitura. É forte, inteligente, sensível e reúne um conjunto de aspetos que a tornam especial. 

São todas estas personagens que dão corpo a uma sem fim de acontecimentos que me marcaram a leitura. Não há lugar para aborrecimentos! Eu não tive tempo para isso. O livro tem a dinâmica necessária capaz de me deixar presa às personagens, aos momentos e amor que brota no meio do desespero.
No fim só queria ter a oportunidade de abraçar todas as personagens. Perante esta impossibilidade só me restou fechar o livro, abraçá-lo, fechar os olhos e sonhar com toda a energia positiva e de esperança que recolhi do livro. 
É com orgulho que escrevo sobre ele. Esta obra representa o que de melhor se faz a nível da literatura nacional. Para todos aqueles que gostam de históricos, corram para ler este livro. Todas as vossas expetativas serão superadas. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Opinião | Deixa-me Odiar-te de Anna Premoli

Deixa-me Odiar-te

Classificação: 5 Estrelas

Devorei este livro em poucos dias. Andava com uma enorme necessidade de ler um livro descontraído, que me fizesse rir e com um bom final feliz. A Daniela satisfez esta minha necessidade ao enviar-me um livro capaz de preencher os requisitos de uma leitura agradável.

Deixa-me Odiar-te é a história de Jennifer e Ian, dois colegas de trabalho que partilham, inicialmente, uma certa animosidade. Divergências, afirmação profissional e visões diferentes adensam o conflito e eles cortam relações... Até um cliente exigir o trabalho dos dois. A partir daqui começa um desfilar de acontecimentos divertidos, que me arrancaram um sem fim de gargalhadas. 

Ian reúne todos as condições que o excluem da lista de relações da Jennifer... Porém é engraçado assistir ao longo do livro que apesar das diferenças muitas coisas os aproximam. Ambos são inteligentes e apreciam o desafio mental que cada um desperta no outro. É este desafio mental que os leva a conversas e reflexões mais profundas e que são capazes de lhes mostrar que ali poderá existir qualquer coisa bonita e especial.

Muitas opiniões alertam para a previsibilidade do livro e destacam isso como um aspeto negativo. Eu não encaro assim. Eu sabia que o livro iria ter um final feliz e deduzia como tudo iria terminar, mas isso jamais estragou a minha experiência de leitura. Acho que o mais importante é ir apreciando, aos poucos, todos os acontecimentos caricatos que fazem rir, deixar que o coração se derreta naquelas cenas em que Jennifer e Ian conseguem deixar as discussões de lado e deixar que a diversão tome conta da leitura, abandonando o aborrecimento por já se saber como tudo irá terminar. Ou seja, o saber antecipadamente a forma como tudo iria terminar não me aborreceu em nada nem estragou a diversão e encanto que esta leitura me proporcionou.

É o livro ideal para todos os leitores que apreciam uma boa comédia romântica. Por todos os momentos alegres que pautam o livro, considero que é uma leitura ideal para combater aqueles sentimentos mais negativos e pessimistas. Toda a história é potenciadora de pensamentos positivos, alegre, descontraído... Um verdadeiro antidepressivo em forma de livro. 


segunda-feira, 8 de julho de 2019

Opinião | "Desaparecidas" de Tess Gerritsen (Rizzoli & Isles #5)

Desaparecidas (Jane Rizzoli & Maura Isles, # 5)

Classificação: 5 Estrelas

A minha paixão pelos livros da Tess Gerritsen começou logo no primeiro livro que li. Uma escrita muito realista capaz de me transportar para cenários macabros e capazes de me revirar o estômago. A experiência profissional da escritora permite-lhe oferecer aos leitores descrições detalhadas e muitos precisas. Isto é uma excelente forma de conferir realismo às histórias e que, pessoalmente, me deixa mais agarrada à leitura. 

Um aspeto interessante neste livro é que a parte criminal aprece mais diluída permitindo que outros elementos narrativos ganhem espaço e ofereçam novos olhares e novas interpretações. Por isso, para aqueles leitores que não apreciem policiais marcados pelas investigações criminais, pela descrição de cenários de crime e pela descrição de autópsias este livro poderá ter a capacidade de lhes proporcionar uma boa leitura.
Tal como os anteriores há um crime para resolver, mas com contornos pouco marcados pelo sangue e por por mortes dolorosas. Para além disso, ao mesmo tempo que assistimos ao desvendar do mistério que é em si um crime, também temos uma agente da polícia a viver os momentos finais da sua gravidez e ao seu nascimento enquanto mãe. 
Se por um lado, os crimes nos levam a refletir sobre a prostituição, a forma como jovens inocentes são colocadas à disposição dos caprichos de homens com poder, por outro temos todos os desafios que a maternidade traz aos novos pais. Na minha opinião, a autora conseguiu um excelente equilíbrio entre estas duas dimensões da história. 

Foi muito interessante assistir aos dilemas da Jane e ver retratado naquelas páginas as grandes dificuldades que as mães e os pais passam nos primeiros dias de vida dos seus bebés. É claro que foram as dificuldades de Jane que ficaram mais nítidas. A questão das visitas, a delegação de tarefas, as saudades da atividade profissional e as questões sobre ser boa mãe no meio de hormonas instáveis foram algumas das problemáticas foram aspetos muito bem retratados através do comportamento da Jane. Acho que o livro acaba por passar uma mensagem muito importante sobre a maternidade e os seus desafios. Eu, que não tenho filhos, consegui perceber cada uma das dúvidas e cada uma dos medos de Jane. Assim como consegui colocar-me no papel dele e compreender as suas necessidades.
Ao longo destes episódios maternais, Gabriel aparece como um pai presente compreensivo mas também mais receoso. Passou a valorizar a própria vida e a vida daqueles que ama de um modo ligeiramente diferente. Estou muito curiosa para ler o livro seguinte e ver como é esta nova família se irá harmonizar.

Conhecer a Mila e a sua história mexeu-me com os nervos. Foi duro conhecer tudo aquilo a que foi sujeita. Há só ali um espaço temporal que não ficou muito claro para mim, porém não afetou a minha compreensão da história. A par da Mila temos a Olena, mais impulsiva, mais agressiva... Apesar de deduzir qual a sua história de vida, merecia um momento dela. Ela é uma personagem importante e foi a co-protagonista de um dos raptos mais interessantes e mais bem descritos com que já me cruzei no mundo literário. A sensação de aflição é horrível e a vontade de devorar as páginas para saber como tudo terminará é aflitiva.

Desaparecidas deu-me imensa vontade de ler. Fez-me aproveitar todos os momentos que tinha livres só para ler mais um pouco e ir desvendando a história.
Sofri horrores com aquele final. Foi muito angustiante, muito intenso e que me provocou calafrios.
Para quem gosta de mistério e não resiste a um bom thriller esta série, e em particular este livro, são de leitura obrigatória. Até agora, foi o livro da série que mais gostei. 

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Opinião | "O Jardim das Flores de Pedra" de Deborah Smith

O Jardim das Flores de Pedra

Classificação: 5 Estrelas

Eu não resisto a uma bonita história de amor. Se lhe juntarem drama, segredos familiares e personagens femininas fortes, a probabilidade de ter uma boa leitura aumenta. 
Comecei a ler Deborah Smith há dois anos. Aquele primeiro livro selou um amor pelas suas histórias que permanece até hoje. É uma autora que considero intemporal, ou seja, não me vejo a desgostar de ler as suas histórias. 

O Jardim das Flores de Pedra é um livro sobre as mulheres Hardigree e sobre a sua força. Uma força que é a metáfora do seu ramo de negócio, o mármore. Swan é a matriarca. Fria, distante e de porte régio vale-se da sua mão de ferro para gerir o negócio e manter a reputação da família Hardigree. Darl é a sua neta e será aquela que a desafiará. 
É uma história para acompanhar em duas épocas distintas. No passado solidificam-se os segredos e as tragédias. No presente, é preciso derreter o gelo para chegar às camadas mais profundas de cada uma das personagens e dos segredos que encerram. 

Eu gostei de ler os dois momentos da história. Do passado guardo a importância da inocência e do amor descomprometido que Eli e Darl oferecem. Guardo a história singular de Swan que merecia um livro só para nos contar a história dela e os desafios que a vida a obrigou a enfrentar e condicionou as suas escolhas. Guardo o amor e a união da família Wade que procuram vencer os preconceitos e lutar pelas suas necessidades. É nesta família que vive um amor entre irmãos bonito e especial. Eli e Bell conseguem passar a importância da união, do respeito e a necessidade de se proteger aqueles que amamos. Ficou também a amizade que Darl oferecia aqueles que lhe tocavam o coração e a nobreza de Eli em ser justo e leal àqueles que ama, sejam eles família ou amigos.

Quando cheguei ao presente foi fácil divertir-me com o humor negro e mordaz que Darl e Sawn usavam durante a sua comunicação. Adorei naquilo que Darl se tornou e na forma que decidiu usar os seus conhecimentos e formação. É uma mulher corajosa, mas ainda com fantasmas do passado a vaguear em volta dela. Sem querer tropeça em Eli, sem saber que realmente é ele. E é assim que as suas amarras se soltam e os fantasmas começam a querer soltar-se. 

É um romance ao estilo de Deborah Smith e que acaba por seguir um pouco a fórmula dos livros anteriores que já li. Porém, aos meus olhos, isso não lhe retirou o encanto nem destruiu a capacidade da história me emocionar e me empurrar por uma leitura compulsiva. Apesar deste compulsão há momentos que quis ler mais devagar para que a história não acabasse tão depressa. 
Do meu ponto de vista é um livro que merecia integrar uma série. Há três personagens femininas que mereciam o protagonismo que apenas um livro individual lhes consegue oferecer. Este livro não retirou intensidade à história nem a força de carácter às personagens, porém sinto que cada uma delas merecia algo mais.

Se, tal como eu, gostam de uma história de amor bonita, de encontros e desencontros e de segredos que minam a vida de quem os guarda, então atirem-se à leitura deste livro. Quase de certeza que vos tocará no coração. 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Opinião | "Os Últimos Dias dos Romanov" de Robert Alexander

Os Últimos Dias dos Romanov

Classificação: 5 Estrelas

Nada sabia sobre os Romanov até ter lido o livro A Imperatriz Romanov de G. W. Gortner. Infelizmente, quando abordamos a Revolução Russa nas aulas de História do 9º ano a família imperial e a história em torno da mesma não é abordada nem mencionada. 

Fiquei atormentada pela história desta família. Ao ler Os Últimos Dias dos Romanov senti-me enjoada, revoltada, angustiada com todas as atrocidades que foram cometidas. Independentemente das razões que conduziram ao fim da monarquia na Rússia, nada justifica a forma como toda a operação foi conduzida. Nada justifica o silêncio que se manteve durante anos perante os acontecimentos de 17 de Julho de 1918. Não sei como é que os militares envolvidos neste massacre conseguiram seguir com as suas vidas tendo em conta as atrocidades que fizeram.

Este livro, misturando ficção com realidade, narra os últimos dias do último czar da Rússia e da sua família quando estiveram em cativeiro numa zona que pertence à Sibéria. Acompanhamos rotinas, os medos, os receios e as partilhas entre os elementos da família imperial e as pessoas que a serviam.
Sinto que tive uma maior compreensão deste livro porque tinha lido A Imperatriz Romanov. Atenção, eles não dependem um do outro. Contudo, o livro editado o ano passado pela Topseller ofereceu-me uma visão pormenorizada do que era a família real Russa, o luxo subjacente ao seu estilo de vida, as relações entre os diferentes membros e deixou-me perceber de que modo a monarquia russa começou a deteriorar-se.
Este conhecimento prévio permitiu-me uma maior compreensão e interpretação destes últimos dias dos Romanov. Permitiu-me perceber melhor a relação entre Nicolau e Alexandra, tendo sempre um olhar muito crítico relativamente a ambos e ao comportamento que os atirou para aquela situação.

Eu fiquei agarrada a esta história e a esta família. Ler este livro, deixou-me ainda mais agarrada a esta família e aos mistérios que encerra. Há muito por explicar relativamente ao assassinato dos Romanov e, infelizmente, penso que não serão reveladas novas informações.

Os Últimos Dias dos Romanov apresenta um final que não é verdadeiro, tendo em conta a pesquisa que fiz posteriormente. Contudo gostei da forma como terminou e como nos apresentou um alternativa ligeiramente mais feliz perante a tragédia que a família encerra. Apesar de saber que não espelha a realidade, dei por mim a pensar "E se...?!".
Senti muita emoção, amor e tensão nestas páginas. Ao ler este livro pude perceber um pouco mais sobre a Rússia e sobre a sua história. Permaneceu a vontade de fazer a mala e ir até São Petersburgo conhecer as ruas e o Palácio de Inverno, conhecer os tesouros dos Romanov e visitar os seus túmulos.
Fico feliz por saber que houve quem não desistisse de procurar Nicolau e a sua família. Apesar de muitos anos se terem passado, a família Romanov teve direito a ser sepultada de forma digna.

É inexplicável todas as sensações e emoções que este livro me provocou. Dei por mim a vaguear na internet procurando mais informações sobre a família e sobre a história da Rússia. Pesquisei imagens do Palácio de Inverno, da Catedral de São Pedro e São Paulo. Procurei perceber um pouco melhor os motivos que levaram sucessivos governos de um país a ignorar um acontecimento tão sangrento. Não obtive nenhum conclusão, mas fiquei preocupada. É um elemento relativamente recente na História mundial, mas por algum motivo, por interesses políticos, por aspetos que eu não consigo enumerar, decidiram não estudar muito bem o que passou naquela madrugada de Julho.

Penso que seja este olhar inconclusivo sobre a vida dos Romanov e sobre tudo o que aconteceu no passado que alimentaram a minha curiosidade. Tenho consciência da imperfeição da Rússia imperial, das suas fragilidades, do modo demasiado luxuoso em que viviam os membros da nobreza, da pobreza da população e do seu descontentamento perante as escolhas de Nicolau, muito influenciadas por Alexandra. Apesar disso, dou por mim a questionar-se se isto justifica o fuzilamento de tanta gente, incluindo crianças inocentes e de as atirar para o esquecimento sepultando-as de forma a tentar esconder a atrocidade cometida.
Ainda hoje ao pensar neste livro e na leitura das últimas páginas me arrepio e sou capaz de sentir o medo que ficou impregnado na sala daquela casa.  


sexta-feira, 31 de maio de 2019

Opinião | "Uma verdade muito simples" de Jodi Picoult

Uma Verdade Simples
Classificação: 5 Estrelas

Há um aspeto que eu aprecio muito nos livros de Jodi Picoult que é a sua capacidade de criar personagens muito humanizadas e com muitas dimensões interiores. Não consigo categorizas as personagens em boas ou más, porque todas elas têm comportamentos que podem ser classificados de bons e de menos bons. Esta forma de construir personagens está muito bem ilustrado através das personagens que figuram neste livro.
Esta leitura também foi uma forma de constatar que os livros da Jodi Picoult são bons para acabar com a minha falta de vontade de ler. Andava a ler muito pouco. Simplesmente não me apetecia ler e tinha dificuldade em me entregar às histórias. Assim que comecei a ler este, os sentimentos adversos fugiram e agarrei-me à leitura com unhas e dentes.

Uma Verdade Simples mostra-nos o quotidiano de uma comunidade amish. Eu não fazia ideia da existência desta comunidade nem das suas características. Ao longo destas páginas (e com alguma pesquisa adicional) fiquei a conhecer quais os princípios que regem o comportamento dos elementos desta comunidade. É uma comunidade com as suas particularidades e ao longo do livro é interessante conhecê-las e refletir sobre o impacto destas nos comportamentos e vivências das personagens. 
Katie é a personagem que mexe com as engrenagens da história. Não foi difícil sentir empatia por esta jovem que se vê presa em dois mundos e apesar da sua lealdade em relação a um deles, foi incapaz de resistir ao sentimento inebriante que só a sensação de liberdade nos pode oferecer.

Apesar da vida de Katie apresentar imensas mudanças, ela será a alavanca que impulsionará mudanças na vida de Elli. 
Elli é a advogada que aparece para defender Katie. É engraçado assistir à relação que as duas vão construindo e de que forma os desejos opostos de cada uma servem para curar as feridas que cada uma guarda na alma. 

E no meio de todos os silêncios, de muitas das coisas que não foram ditas surge Coop. Como gostei deste homem e da forma como ele e Elli se encaixavam. São daquelas personagens literárias que gostei de conhecer e que eu gostava que existissem na realidade. 

Ao longo de muitos avanços e recuos há coisas importantes que sobressaem e que se intrometeram nas minhas reflexões. Até que ponto é que limitarmos ou condicionarmos as nossas vidas em função de uma cultura nos impede de crescer enquanto pessoas? Até que ponto é que essa mesma cultura nos pode afastar daqueles que amamos? E a pressão social do grupo? Como é que essa pressão nos molda e nos formata enquanto pessoas?
Mas por outro lado, quão importante é abrandar e prestar atenção às coisas mais simples da vida? Quão importante é sentir que pertencemos a um espaço, a uma comunidade onde nos sintamos amados(as)? 
E é aqui que reside a magia de Jodi Picoult, ou seja, a sua capacidade de nos fazer gostar e não gostar das situações e das personagens. Fui confrontada com diferentes pontos de vista e tudo está encaixado de forma a me fazer pensar sobre eles. Isto para mim é magnífico e torna um livro muito especial.

E depois um final que foi capaz de me deixar sem palavras e me deixou a pensar. Afinal, se eu fosse a Elli o que faria? Tomava a mesma decisão dela ou outra? Ainda hoje, passadas três semanas do fim da leitura, não tenho uma resposta concreta para algo que, considerando os diferentes pontos de vista, tem múltiplas formas de ser resolvido.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Opinião | "Uma Voz Perdida na Guerra" de Cesca Major


Classificação: 5 Estrelas

Precisei de uns dias até me conseguir sentar e escrever uma opinião para este livro. O final do livro apertou-me o coração de uma forma difícil de descrever. Não me levou às lágrimas, mas apanhou-me de surpresa e precisei de digerir os acontecimentos e as consequências desses mesmos acontecimentos. 

Acabei por começar a opinião fazendo referência ao impacto que o final deste livro teve em mim. Mas preciso de vos escrever sobre a experiência desta leitura, experiência esta que contribuiu para todas as emoções sentidas no final.

Uma Voz Perdida na Guerra leva-nos a uma pequena aldeia francesa e ao quotidiano de diferentes pessoas que é afetado pela 2ª Guerra Mundial. É um livro que inova na forma como nos apresenta este período da história, pois não lemos sobre a vida nos campos de concentração nem das zonas de batalha. É um livro que vai mais além e nos mostra outra face da Guerra. Mostra-nos a vida de pessoas que não estão diretamente num cenário de guerra e que procuram fazer uma vida dentro da normalidade possível. Conhecemos pessoas que sofrem com o medo de serem judeus, com o medo que a guerra lhes roube a pouca tranquilidade que têm, com saudade por aqueles que se aventuram pelas trincheiras ou com medo de viver um amor. 

De forma a acedermos às diferentes visões, a autora escolheu contar-nos a história na voz de diferentes personagens: Adeline, Isabelle, Paul, Sebastian e Tristan. 
Gostei da forma como todas estas personagens intervêm. Da Adeline guardo a angústia que se apoderou dela e da dificuldade de enfrentar os seus medos enquanto é cuidada pelas freiras. É uma personagem que nos narra a sua experiência uns anos depois da Guerra. 
Da Isabelle guardo a sua leveza de ser, o seu espírito livre e sonhador e a forma como amou Sebastian apesar de todas as dificuldades. O amor foi recíproco, tanto que do Sebastian me ficou a forma como ele venerava Isabelle e da forma como ele expressou o seu amor por ela. 
O Paul deixou-me a coragem de um rapaz que deixa tudo para ir defender a pátria, mas quando volta é capaz de enterrar os seus próprios fantasmas para dar e receber amor. 
Por fim, o Tristan, uma criança de nove anos, deixa-me a inocência que tolda a forma como olha para a Guerra e para as clivagens que ela conta. Mostra-me que o preconceito numa criança é muito fruto daquilo que os adultos que a rodeiam lhe passam. É um espírito livre e aventureiro, com atitudes que me demonstram o quanto as crianças são capazes de simplificar coisas que, na realidade, são extremamente complicadas. E, no fim, deixou-me o seu maior ato de generosidade. 

Acho que este é um daqueles livros que encantará os fãs de livros com narrativas que decorram durante este período histórico como aqueles que os têm evitado por estarem cansados de verem narrativas a irem sempre na mesma direção e relatando aspetos semelhantes. 
É um livro que tem romance, mas ao mesmo tempo nos leva a lutas pela sobrevivência, a angústias pessoais e ao terror que só uma guerra consegue semear. 

Como já escrevi anteriormente, o final apanhou-me de surpresa (Atenção: não leiam a nota da autora que está no final do livro sem terminarem a leitura. Leiam-na apenas no fim. Aliás ela aparece no final por alguma razão. Porém se forem como eu, por vezes a curiosidade leva-nos a melhor). Fui surpreendida pelos acontecimento e pelo sentimento de frustração que só um final em aberto é capaz de nos deixar. 

É um livro que vale cada minuto que perdi com ele. Houve momentos em que me vi a poupar na leitura para não o terminar tão depressa. E houve outros momentos em que parei a leitura de forma propositada para pensar naquilo que estava a acontecer (é certo que ando muito reflexiva e com muitos períodos de introspeção e que esta leitura só os ativou um pouco mais). 
Portanto, arrisquem-se a mergulhar nas fantásticas histórias de vida que este livro nos permite conhecer.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Opinião | "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá" de Jorge Amado

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: Uma História de Amor
Classificação: 5 Estrelas

Para terminar as minhas tarefas de 2018 faltava-me publicar a opinião ao último lido no ano passado. Para a última leitura do ano decidi pegar num livro que já tinha lido, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá de Jorge Amado. Só o tinha lido uma vez e foi há mais de quinze anos. 

O que me ficou na memória de adolescente romântica daquela primeira leitura foi a sensação deter adorado a história. Esta sensação foi corroborada nesta nova leitura. 
É uma história feita de palavras simples, de personagens diferentes mas com problemas iguais a tantas outras. Um história onde mostra as diferenças entre os seres vivos e o facto de elas não serem impeditivas no estabelecimento de relações de amor ou de amizade.

É igualmente interessante refletir sobre a forma como facilmente julgamos os outros. Ao longo deste livro, o Gato Malhado é facilmente criticado e olhado de lado por todos os outros. Não o conhecem verdadeiramente, mas mais facilmente fazem juízos de valor do que lhe dão o benefício da dúvida e deixam espaço para que ele mostre aquilo que de verdadeiro vive dentro dele.

O livro está escrito em português do Brasil, mas em nada condiciona a leitura. A linguagem é simples e a narrativa apelativa. Aspetos que se conjugam de uma forma que me cativou logo nas primeiras linhas. 

Foi uma boa forma de fechar o meu ano literário de 2018. Mesmo com o seu final triste, gostei imenso de reviver toda a história, refletir sobre a mensagem do livro e reencontrar personagens muito peculiares.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Opinião | "A Imperatriz Romanov" de C. W. Gortner

A Imperatriz Romanov
Classificação: 5 Estrelas

Depois de uma sucessão de leituras que me deixaram insatisfeita, A Imperatriz Romanov chegou para fazer renascer em mim a vontade de ler e o interesse nos livros. Foi uma leitura tão boa, que está a dificultar a minha relação com a leitura que escolhi depois. 

Pouco sabia da família Romanov. Pouco sabia da importância que esta família tinha para a Rússia e para História da Europa. Conhecia o fascínio das pessoas perante as histórias em volta desta família. Porém estava longe de imaginar a teia de acontecimentos e relações que iria encontrar.

Utilizando uma escrita clara, simples e muito cativante o autor escolhe dar voz à Minnie, Maria Fedorovna, para nos fazer chegar dramas, casamentos, tragédias, riqueza e o glamour que se vivia na corte Russa. A narrativa descrita na primeira pessoa fez com que me sentisse mais próxima das personagens e dos locais que iam sendo descritos. 
Estava tudo tão bem apresentado que fez nascer em mim uma vontade enorme de conhecer os locais que iam aparecendo. 

Se Maria Feodorovna está descrita de forma fiel à pessoa que foi na realidade eu adorá-la-ia conhecer, assim como à sua irmã. Gostei dela, admirei a sua audácia e a sua coragem. Consigo imaginá-lo como uma imperatriz forte, com os seus valores e interesses e que sempre procurou o melhor para a Rússia. Foi posta à prova diversas vezes, mas foi no final que a sua essência mais humilde veio ao de cima. Acredito que, como humana, terá os seus defeitos, mas aquilo que sobressaiu aos meus olhos foi a imagem de uma mulher com valores, opiniões muito próprias e bastante inteligência. Fiquei curiosa por conhecer mais da sua vida quer enquanto imperatriz (apesar de o livro ser bastante detalhado, com certeza que existiram coisas que não foram abordadas) quer nos momentos finais da sua vida e a sua saída forçada da Rússia. Também queria saber mais acerca da Xénia e da Olga. Como terão lidado com a queda da dinastia Romanov? Onde e como viram após a saída da Rússia?

Ao longo da leitura fui-me dedicando a algumas pesquisas no sentido de contextualizar aquilo que lia com imagens da Catedral de São Pedro e São Paulo, o Palácio de Inverno, as jóias da família Romanov e os seus ovos da fabergé. O livro teve a capacidade de me deixar fascinada e obcecada com esta família, o seu estilo de vida e todos os acontecimentos paralelos em que estiveram envolvidos. 

Enquanto lia as partes finais do livro pensava no quanto este livro poderia ser interessante para os alunos que estão a estudar a Revolução Russa. Considero que, de uma forma lúdica, os alunos poderiam ter neste livro uma boa introdução aos acontecimentos relacionados com este período da História da Rússia.

Para aqueles que, como eu, são fãs de Romances Históricos este livro irá apaixonar-nos. A cada acontecimento desvendado cresce o interesse e o fascínio por um país que ainda guarda resquícios de uma atmosfera muito própria. Aos meus olhos é um país cheio de mistérios e de mundos para descobrir. 
Aos que arriscarem ler este livro desejo que sintam o mesmo fascínio que eu senti e que fique em vós a vontade de ler mais sobre os Romanov e de conhecer outras obras do autor. Curiosa para ver outras vidas este autor desenhou em palavras. 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado em troca de uma opinião honesta.


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Opinião | "A Sereia de Brighton" de Dorothy Koomson


Classificação: 5 Estrelas

Quando pego num livro da Dorothy Koomson sei, à partida, que me trará bons momentos de leitura. Gosto tanto da sua faceta romântica como de ser surpreendida por todo as outras facetas que ela tem vindo a assumir. Sinto que é uma escritora em constante crescimento, que abraça diferentes histórias e diferentes formas de as contar.

A Sereia de Brighton, o seu livro mais recente, é um exemplo extraordinário da sua versatilidade enquanto escritora. As primeiras páginas deixaram-me muito intrigada, despertando em mim o interesse ao mesmo tempo que fortalecia a minha ligação ao livro e às personagens. Dei por mim muito envolvida com tudo o que ia acontecendo, tão envolvida ao ponto de me mexer com os nervos de uma forma muito particular. Isto aconteceu porque a estava tudo tão bem construídos que me estava a enervar o facto de não ter certezas de nada, de estar a desconfiar de tudo e de todos ao mesmo tempo que a angústia de não saber o que é que realmente tinha acontecido tomava conta dos meus pensamentos.

Dorothy Koomson superou-se em cada página, em cada reviravolta da história e na forma como escolheu contá-la. Poderia ser mais uma simples história de duas adolescentes negras que descobrem uma mulher morta numa praia e que têm de lidar com muitos problemas depois disso, em particular sentirem na pela o racismo. Mas a autora vê mais longe e consegue inserir elementos inovadores, situações inesperadas e personagens que não são categoricamente boas ou más. Aliás todas as personagens são complexas e dento deles existe um conjunto de emoções, vivências e personalidades muito diversificados. Esta particularidade intrigou-me, deixou-me a pensar na forma como somos capazes de construir uma identidade capaz de cegar os outros. Afinal de contas a natureza humana e complexa e dá-nos a capacidade de nos reinventarmos de forma positiva ou negativa. E aqui a autora consegue fazer isso de uma forma muito interessante, as personagens são mais do que aquilo que elas nos permitem ver.

Não vou destacar nenhuma personagem em particular, porque o meu prazer nesta leitura residiu muito em descobri-las, em conhecer cada uma das suas camadas e em aceder a sua essência real. Na minha opinião, quanto menos soubermos delas e do livro no geral maior será o nosso grau de surpresa. E apesar das minhas desconfianças (que no fim até se vieram a revelar corretas) o meu grau de confusão era tanto que simplesmente me rendi a condição de leitora que procura conhecer aquilo que a escritora tem para nos oferecer.

O fim não foi aquilo que mais desejei, mas depois de tudo o que aconteceu sei que não poderia ser diferente. Por isso, este livro não foi aquilo que o meu lado emocional desejaria, mas foi aquilo que o meu lado realista acredita ser o mais acertado e o mais correto perante as circunstâncias que conhecemos ao longo do livro.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Opinião | "Um por um" de Chris Carter (Robert Hunter #5)

Classificação: 5 Estrelas

O entusiasmo dominava o meu espírito no momento em que iniciei esta leitura. Foi um entusiasmo que nunca se esgotou e manteve-me agarrada à história e às personagens até à última palavra. Como já havia constatado no livro anterior que li, o autor sabe escrever e sabe como conquistar os leitores. Para quem gosta de policiais o livro será soberbo. Para aqueles que não são grandes fãs do género, correm um sério de risco de começarem a gostar deste género literário. 

Afinal, o que é que distingue este livro de outros livros do mesmo género? As personagens cheias de "esquinas" obscuras que nos surpreendem a cada virar de página, os crimes e toda a linha de investigação é desenhada e pensada ao pormenor para que não fique nada por explicar e a escrita fluída e simples que torna a leitura uma experiência agradável e cheia de prazer.

Ao longo do livro dou por mim a apreciar cada pista, cada cena de crime sem estar preocupada em descobrir o responsável pelo assassinato daquelas pessoas. Acho que um dos segredos do sucesso destes livros para comigo, é o interesse e a curiosidade em descobrir o que é que motiva o/a criminoso/a a cometer tais atrocidades. No fundo, acaba por ser mais importante descobrir as motivação e a explicação que sustenta toda a carga narrativa, deixando a descoberta do/a responsável um pouco em segundo plano. 

Comparativamente ao livro anterior que li (O escultor da morte), Um por um mexeu mais com o meu sistema nervoso. É uma história muito sensitiva, que mexe com o nosso interior. Tive situações em que me senti enjoada, outras em extrema agonia só por imaginar o sofrimento e outras completamente perplexa com a inteligência do autor para construir um enredo deste calibre. 
À parte de toda a complexidade inerente à investigação criminal é um livro que nos deixa a pensar no comportamento humano, na crueldade que habita nas pessoas, na ausência de escrúpulos e no gosto mórbido das pessoas relativamente à morte e à tortura. É apenas ficção, mas acaba por trazer para discussão estes aspetos interessantes e importantes relacionados com o comportamento humano. Acredito que, se tudo fosse real, não andaria muito longe daquilo que o autor nos descreve.
Assim, temos um excelente policial que abre caminho a discussões e reflexões mais intrigantes. 

Para aqueles que ainda estão reticentes em pegar no livro por ele integrar uma série, podem já eliminar todos os "nãos" que vos impedem de ler. É um livro que pode ser lido de forma independente dos outros. Em nenhum momento a não leitura dos volumes anteriores interferiu com a compreensão da história. Relativamente às personagens "residentes", o autor é sensível e deixa alguns apontamentos que nos permite compreender as personagens e as suas escolhas. 
O que é que ainda vos impede de dar uma oportunidade a este autor?

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião sincera.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Opinião | "Perguntem a Sarah Gross" de João Pinto Coelho

Perguntem a Sarah Gross
Classificação: 5 Estrelas

Ainda não sei muito bem o que escrever sobre este livro. Esperava encontrar uma boa leitura, mas não esperava que me encantasse tanto como me encantou. É um livro onde a beleza nasce da crueldade do mundo e das pessoas. É um livro onde há amor, esperança, luta, sacrifício e amizade. É um livro onde a escrita flui de uma maneira tão encantadora e realista que fiquei presa às personagens e aos maravilhosos cenários criados pelo autor. Há diferentes cenários, dos mais bonitos aos mais dolorosos e obscuros, mas em todos eles há um traço de realismo que foi muito fácil imaginar-me ali. 

Perguntem a Sarah Gross traz-nos a história de duas mulheres: Sarah Gross e Kimberly Parker. Só no fim é que conseguimos perceber o que aproxima e distância estas mulheres e apesar da ênfase da história ser dedicada a Sarah, Kimberly também nos traz assuntos obscuros, dolorosos e que na década de sessenta ainda eram muito difíceis de abordar e obter reconhecimento pelo sofrimento que impõem. 
Sarah oferece os dois lados lunares. Com ela atravessei noites de lua cheia, onde amor e a vivacidade de uma jovem irradia energia positiva para todo lado; como também atravessei noites de lua nova, cheias de dor, incerteza e sofrimento. Mas mesmo  nas noites escuras da vida, Sarah sempre foi uma mulher estóica no seu sofrimento e nunca o seu olhar perdeu o desafio de quem não teme as investidas de ódio por parte dos outros. 

O livro está muito bem retratado e reflete muito bem o enorme trabalho de pesquisa feito pelo autor. Os capítulos do livro dedicados à vida nos Guetos em Cracóvia, assim como as vivências das personagens nos campos de concentração em Auschwitz estão descritos de uma forma crua,  detalhada e muito realista. Causou-me imensa tristeza ler estas passagens. Posso dizer que são quase cinematográficas pois permitiram-me criar imagens muito nítidas na minha cabeça e tornar esta história inesquecível.

O final apanhou-me completamente desprevenida. Não esperava aquele final e a forma como tudo se encaixou. Achei que o autor conduziu e terminou todas as narrativas para cada uma das personagens de uma forma irrepreensível. Sem pontas soltas e onde nada ficou por esclarecer. 

Gostei imenso de ler este livro. Nestas páginas encontrei o que de melhor se faz em Portugal. Encontrei a dedicação de um escritor na criação de uma história memorável. Encontrei amor e paixão em cada palavra que ia lendo. A escrita é tão bonita e envolvente que me deixou com uma inveja saudável. Também eu gostaria de envolver as palavras daquela maneira tão especial e tão cheias de vida e sentimento.

Recomendo vivamente este livro e estou cheia de curiosidade de ler o outro livro publicado pelo autor. Espero que ele continue a dar voz à sua paixão para que eu continue a dar asas à minha memória e à minha imaginação enquanto me perco numa das suas histórias.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Opinião | "Acordo com o Marquês" de Sarah MacLean (Scandal & Scoundrel #1)

Acordo com o Marquês (Scandal & Scoundrel, #1)
Classificação: 5 Estrelas

No meu caso, ler livros deste género costuma ser sempre uma aposta segura. Acordo com o Marquês veio reforçar esta minha opinião e deu-me a conhecer uma nova autora que me deixou cm vontade de explorar outras obras da sua autoria.

Com uma escrita simples, diálogos intensos repletos de emoções e momentos divertidos, este livro ofereceu-me uma excelente leitura e levou-me a adotar um comportamento que há muito não tinha. Pela primeira vez em meses, vi-me a ler o livro devagar para poupar o livro e, assim, conseguir prolongar a leitura e não me desfazer das personagens tão cedo.

Sophia Talbot e Rei são as duas personagens centrais deste livro. Por um lado temos uma jovem que chegou à aristocracia por meios menos convencionais, e por outro temos um aristocrata de puro sangue azul que se dedica a arruinar a reputação das boas mulheres da sociedade. Ambos têm muitas coisas que os afastam, mas há uma que os aproxima: a forma como veem a alta sociedade. 
Parecem mesmo uma dupla improvável, ambos com personalidades muito fortes e que me conquistaram logo nas primeiras páginas. Assisti a uma relação que cresceu e se foi transformando em algo muito positivo para os dois. Senti que a ligação foi aumentando de intensidade à medida que se iam conhecendo, deixando-me o coração derretido sempre que tinham conversas mais profundas e que exploravam o lado mais privado de cada um.

Para quem, como eu, é fã deste género de livros, tenho a certeza de que o Acordo com o Marquês deixará marcas positivas na memória daqueles que se aventurarem a lê-lo. E, claro, ficarão extremamente curiosos e em pulgas para acompanhar as histórias das restas Borralheiras dos ésses. 

No meu caso, o livro ficará na estante para que, em momentos mais tristes, o possa folhear, abri-lo e ler algumas partes que me animem. 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião sincera.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Opinião | "Verão em Edenbrook" de Julianne Donaldson (Edenbrooke, #1)

Verão em Edenbrooke (Edenbrooke, #1)
Classificação: 5 Estrelas

Há livros que nos proporcionam verdadeiros momentos de diversão, ternura e romance. Verão em Edenbrook reúne todos os ingredientes que me fizeram vibrar a cada página desfolhada. 

Este livro é um romance de época que está bem contextualizado, pois para mim foi fácil transportar a minha mente para o guarda-roupa, para os cenários e para os acontecimentos da época. Para dar corpo este cenário, a autora mostra-nos um conjunto de personagens muito interessantes, bem caracterizadas e que me deixaram com vontade de as conhecer. 

Marianne e Philip são os protagonistas desta história. Conseguem ter tanto de divertido como de amoroso. Acima de tudo, aquilo que mais gostei de ver neles foi a amizade crescente. Foi nesta construção que os ficamos a conhecer melhor e que nos apercebemos de quantas camadas envolvem os seus corações. Diverti-me imenso com as interações deles dois, dos momentos divertidos que partilhavam e senti-me verdadeiramente tocada com as conversas mais sérias e com os pequenos flashes de amor que iam brilhando a cada conversa, a cada brincadeira e cada pequena piada que ambos partilhavam. 

Este livro foi direto ao meu coração. Transmitiu-me sensibilidade, amor, amizade... Um sem fim de emoções positivas que me deixaram verdadeiramente encantada com o talento da autora.
Assim, numa escrita simples e recorrendo a uma narrativa cheia de contornos especiais e engraçados, a autora apresenta-nos a sociedade de uma época com características especiais, onde as personagens desfilam de forma a dar um contexto muito realista a toda a história. 
Tenho a certeza que os leitores não vão resistir a esta bonita história de amor envolvida pela cores mágicas da amizade. 

Quanto a mim, vou ficar de olho na autora, assim como no volume seguinte. Será que a Cecily vai despertar da futilidade e conhecer os sentimentos puros e genuínos da irmã? Espero mesmo que sim.

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião sincera. 


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Opinião | "Duplo crime" de Tess Gerritsen (Rizzoli & Isles #4)

Duplo Crime (Jane Rizzoli & Maura Isles, #4)
Classificação: 5 Estrelas

Quando este livro me chegou às mãos fiquei logo entusiasmada para o começar a ler. É uma série da qual gosto particularmente. É uma série policial, misturada com boas doses de suspense e mistério. Tenho um fascínio especial pelas análises aos locais de crime, a investigação criminal e o detalhe técnico da descrição das autópsias. Estas são características muito particulares desta série e reconheço que poderão não ser do agrado de todos os leitores.

É ingrato escrever uma opinião para este livro. Tenho de ter cuidado naquilo que escrevo, pois até aquilo que me parecem simples pormenores, poderão estragar a leitura de quem pega nestes livros para ler. Penso que, o grande interesse deste género de livro é saber o menos possível e aventurar-se na leitura.

Este é o quarto livro da série e dirige o seu foco para a personagem da Maura. No fundo, todas as coisas que irão acontecer, terão como ponto de partida a vida passada de Maura.
Neste enorme foco sobre a médica-legista, a nossa polícia Jane Rizzoli acaba por ir para segundo plano. Fiquei um pouco triste porque queria ter acompanhado mais da sua vida pessoal e de como esta a lidar com todos os desafios que descobri nos livros anteriores.

Achei muito interessante como as coisas foram emergindo. Consegui ficar presa a tudo e a minha curiosidade aumentava a cada página lida. E o mais cativante de tudo é descobrir a forma engenhosa como, a partir de um crime, se desenlaça uma teia de situações que me deixaram rendida à mestria e inteligência da autora para tecer uma história assim.

A cada livro que leio da série, reforço o meu gosto por ela. Com este meu gosto crescente, tenho uma enorme vontade de conhecer mais livros.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Opinião | "És o meu destino" de Lesley Pearse (Belle #3)

És o Meu Destino (Belle #3)
Classificação: 5 Estrelas

Nota: Esta opinião contém spoilers relativamente aos livros anteriores da série. 

Os livros têm aquele poder especial de nos proporcionar sensações diversas. Há livros que nos despertam sorrisos, outros que nos levam às lágrimas, outros que nos deixam zangados, outros que são uma grande fonte de indiferença... E depois há os livros da Lesley Pearse que me oferecem todas estas sensações num único livro. 

Sou uma fã incondicional da autora. Vibro com as histórias dela, choro, sofro pelas personagens e amo-as como se fossem pessoas reais que me enchem o coração de sentimentos muito positivos. Andava desejosa por terminar a série Belle. Desde o primeiro livro que me apaixonei pelo misterioso Étienne e pela corajosa Belle. Queria saber como é que funcionavam eles enquanto casal. E não me desiludi!! Senti o amor entre eles em cada página em que eles apareciam e ainda me apaixonei mais por este homem de um olhar que pode ser frio e caloroso ao mesmo tempo. 

Mas a personagem central deste livro é Mariette, filha de Étienne e Belle. Nas primeiras páginas do livro, estava muito irritada com esta jovem. Era de uma rebeldia aterradora e que deixava os pais muito preocupados. Porém à medida que o livro foi avançando e estas personagens foram engolidas pela Segunda Guerra Mundial, assisti a um crescimento ímpar desta jovem. Ela passa por grandes desafios. Foram tão intenso e tão bem escritos que não consegui evitar as lágrimas. 

Quem se atreve a "mergulhar" nestes livros sabe que vai encontrar drama, muito drama. Sei que, muitas vezes, os livros desta autora são criticados por isso mesmo. Eu não sinto que as situações dramáticas são exageradas ou descontextualizadas. Consigo ver tanto realismo, tanto sentimento, tanta empatia na forma como a Lesley escreve, que o drama surge de forma natural e apelativo ao leitor. 

Senti-me em casa ao rever personagens antigas. Foi uma leitura que me encheu o coração e que cria em mim um comportamento antagónico. Se por um lado quero ler de forma desenfreada para conhecer o mais rapidamente possível a história e o desenrolar dos acontecimentos, por outro não quero que o livro acabe e me deixe a ressacar por mais e mais. 

Tenho plena consciência que este género de livros não agradará a toda a gente. Há particularidades que podem afastar os leitores sem paciência para os dramas ou para o romance. 
Este é um livro sensível, com muitos acontecimentos traumáticos, mas que possui também aventuras, romance e situações engraçadas. 

É uma série que, daqui a alguns anos quero reler e espero sentir as mesmas emoções que senti agora. 
Mesmo que tenham o pé atrás relativamente a livros com estas características, experimentam pelo menos um da autora. Ela tem uma escrita muito boa e fluída e pode ser que se deixem conquistar por ela e pelas personagens femininas cheias de força e de garra. 

sábado, 6 de janeiro de 2018

Opinião | "Emocionário" de Cristina Núñez Pereira

Emocionario: Di lo que sientes
Classificação: 5 Estrelas

Queria que a minha primeira leitura do ano fosse especial. Queria um livro que me transmitisse positividade e força. Então decidi pegar no Emocionário, um livro infantil que me foi oferecido por uma amiga especial, no meu último aniversário. 
É um livro que aborda os sentimentos de uma forma simples e muito cativante. As ilustrações são de uma beleza singela e que me deixavam agarrada às páginas.

Recorrendo a um texto simples, com exemplos quotidianos, a autora vai expondo os sentimentos humanos, seguindo uma sequência muito lógica. 
É um bom livro para ler com as crianças e explorar o mundo emocional dos humanos. Através do livro podemos mostrar-lhes o quanto todas as emoções são importantes e de que forma elas se manifestam no nosso interior e exterior. 

Uma leitura bem pequenina, mas muito saborosa para este início de 2018. 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Opinião | "O Escultor da Morte" de Chris Carter (Robert Hunter #4)

O Escultor da Morte (Robert Hunter, #4)
Classificação: 5 Estrelas

Esta foi a minha última leitura de 2017 e posso dizer que terminei o meu ano literário da melhor forma possível. Sempre gostei de livros deste género e, ao longo dos anos, sempre fui apostando neles. De toda a minha "bagagem" literária no que respeita a livros deste género afirmo que este é um dos melhores livro que já li. 

O escultor da morte traz-nos um assassino muito peculiar, com uma mente complexa e que dificultou a minha tarefa em descobrir quem é que ele era e quais as suas motivações. Houve coisas que até
Tudo o que é construído e descrito em torno dos crimes está muito bem escrito e tudo encaixa com uma perfeição soberba. Senti-me, muitas vezes, arrastada para todos aqueles cenários macabros e uma atração enorme pela inteligência de Robert Hunter. 

Na minha opinião, em termos policiais está muito bem conseguido. Há descrição de todos os procedimentos de recolha de dados e de autópsia, assim como da análise das pistas e da evolução da investigação. Tudo é-nos apresentado de forma metódica e organizada, transformando-se numa metáfora perfeita daquilo que deverá acontecer numa investigação real. 

Há um bom equilíbrio entre a parte profissional e pessoal das personagens, havendo espaço para conhecer outros lados das suas vidas. Acho este aspeto muito importante porque me permitiu criar laços e ligações as personagens, deixando o rasto da curiosidade relativamente às obras anteriores e àquilo que o autor ainda nos quer apresentar. 

É uma leitura muito, muito boa. Logo nas primeiras páginas eu fiquei presa aos acontecimentos e dava por mim a fazer expressões de espanto à medida que ia avançando na leitura. Só não foi uma leitura compulsiva devido à falta de tempo, porque a vontade que eu tinha era de ler sem parar para descobrir tudo o que havia para descobrir. 

Considero que para os leitores que gostam deste género literário irão vibrar a cada página virada. Para os que não gostam, este poderá ser um livro que os conquiste (a não ser que sejam sensíveis a cenas com descrições mais sangrentas e violentas). 

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião sincera.
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