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segunda-feira, 29 de julho de 2019

Opinião | "A Costureira de Dachau" de Mary Chamberlain

A Costureira de Dachau

Classificação: 4 Estrelas

A Costureira de Dachau é o livro que nos conta a história de Ada Vaughn. Ada é jovem, ambiciosa e demasiado inocente. A conjugação destas características tornam-na numa personagem um pouco irritante e fizeram com que muitas vezes me enervasse com ela. Houve outras tantas vezes que me apeteceu saltar para dentro do livro e dar-lhe alguns abanões, principalmente porque percebemos que ela jamais irá aprender com os seus erros. 

Ada tem um talento especial para a costura, mas um dedo podre no que toca às escolhas de pessoas para construir relações. São as escolhas e as pessoas a quem se vai associando que tornam o percurso dela doloroso e cheio de sofrimento. 

Não é um livro comum relativamente ao tema da 2ª Guerra Mundial. A degradação humana que encontrei neste livro é um pouco diferente daquele que já encontrei em livros que decorrem neste espaço temporal. É diferente porque apesar de sentir pena por Ada, também me revolta imenso porque ela colocou-se a jeito daquilo que foi encontrar na vida. Uma sucessão de más escolhas conduziu-a por diferentes espaços durante a guerra, mas ela consegue superar as adversidades e a vida volta a dar-lhe uma oportunidade.

Pensei que no pós Guerra, Ada se comportaria de forma diferente. Acreditei que ela iria aprender com os erros do passado. Acho que ela tinha alguns problemas de inteligência, pois não conseguia antever consequências dos seus atos. 

É um livro com descrições muito intensas. Tem cenas duras e capazes de produzir uma enorme angústia. As personagens estão bem apresentadas pois provocaram-me sentimentos, deixaram uma marca em mim. 
O final do livro é dos mais inesperados com que já me cruzei. Um verdadeiro desespero!! Apesar de todas as más opções de Ada, o final que lhe foi reservado é injusto. Eu fiquei sem pinga de sangue, quando me apercebi do rumo dos acontecimentos. É um final forte e impactante e que, por muito tempo que passe, acho que irei sempre recordar. 

A Costureira de Dachau  é um livro com uma carga emocional muito dura e sem espaço para respirar e apreciar coisas positivas. É uma verdadeira amostra da podridão do ser humano, um retrato das pessoas que não olham a meios para atingir os seus fins e satisfazer os seus caprichos. Um livro que encaixará nas minhas memórias mais duras e tristes. 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta. 

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Opinião | "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago (Blindness #1)

Ensaio sobre a Cegueira

Classificação: 4 Estrelas

Tenho de admitir que sempre tive alguns preconceitos com os livros de Saramago. Pelo que ouvia outras pessoas falar, por aquilo que me diziam... De mãos dadas com os preconceitos andava o medo. Sim, eu tinha medo de pegar nas obras do autor e odiar. Senti que não seria algo muito justo de se escrever, ainda por cima sobre um autor vencedor de um prémio Nobel. 

Não foi uma leitura fácil. Aqui vejo-me obrigada a concordar com a Célia Loureiro. Tal como ela, acho que a escrita é uma verdadeira floresta de silvas. É genial a forma como ele articula discurso direto com indireto, mas inicialmente foi penoso para mim. Senti algumas dificuldades em adaptar-me. A partir do meio do livro, as coisas ficaram melhores. Já conseguia acompanhar melhor a história, mas a estranheza continuava lá. 

A história foi uma boa surpresa. Acho que é um daqueles livros capazes de inspirarem boas discussões em torno das interpretações que surgem desta leitura. À medida que ia lendo, dava por mim a pensar no quão bom seria ter o meu professor de Português do secundário a analisar esta obra. 
Senti-me intrigada por tanta coisa que aconteceu neste livro. Em muitos momentos pensei em Saramago e em que é que ele estaria a pensar quando escreveu aquela cena. Queria conhecer as motivações pessoais por detrás da ficção. 

Achei interessante a ausência de nomes das personagens. Não sei se é prática comum do escritor, mas aqui fez todo o sentido. Nesta história, aquilo que interessava eram as características das personagens. Interessava conhecer as suas motivações, as suas dificuldades... Era importante perceber de que forma elas passavam a lidar com a sua nova situação.

Muitas partes do livro eu interpretei como uma crítica à sociedade. A forma como os cegos viviam na clínica onde foram isolados é uma pequena amostra daquilo que nós, cidadãos, vivemos em liberdade. Há sempre aqueles que se aproveitam dos mais fragilizados, há aquele que no meio de toda a cegueira social consegue ver mais além e orientar de forma positiva os outros, há aqueles que se sentem simplesmente perdidos e desamparados e há outros que nasceram para serem lideres.
A imundice, a sujidade e as necessidades fisiológicas básicas são tão bem descritas que me causaram repulsa. Cheguei a sentir-me verdadeiramente enjoada com algumas situações.

Quero ler mais livros de José Saramago. Penso que com o hábito me consigo adaptar a escrita. Que livro do autor recomendam para uma próxima leitura?

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Opinião | "Em Nome do Amor" de Lesley Pearse

Em Nome do Amor

Classificação: 4 Estrelas

Li o primeiro livro de Lesley Pearse há mais de dez anos. Foi um presente de Natal e depois da leitura tornou-se num livro precisou. Fiquei fã da história e da escrita da escritora. Desde aí já foram vários os livros que li dela e grande maior parte deles ficaram-me na memória e no coração. Pensar em Lesley remete-me para histórias memoráveis, onde acompanhamos a vida de uma personagem de forma intensa e pormenorizada e onde o drama é usado de uma forma irrepreensível. Para mim, são poucas as escritoras que escrevem histórias dramáticas como a Lesley escreve.

Dada a minha obsessão com os livros da Lesley fiquei imensamente feliz quando recebi este livro cá em casa.

A história tem como espaço temporal os anos sessenta e retrata o contexto social e o lugar que as mulheres ocupavam na sociedade da época. 
A nossa protagonista é uma jovem mulher, Katy,  cheia de garra e que luta por aquilo que quer e defende com garra e perseverança aquilo em que acredita. 
Para além de Katy há duas outras personagens femininas com um papel muito importante na história. Gloria e Edna são duas personagens secundárias que mereciam um livro só delas. Mereciam que as suas histórias de vida fossem contadas. 


Katy sonhava com mais para a sua vida, mas quando o destino trocou-lhe as voltas e vê-se abraços com um problema para resolver. O pai é acusado de ser o responsável pelo incêndio na casa da Glória. Confiante na inocência do pai, acaba por se meter num grande sarilho. 
Hilda, a mãe de Katy, é outra personagem feminina muito intrigante. Tem uma personalidade muito peculiar e que não mostra muita empatia por ninguém. 

Este é um livro de personagens cheias de contrastes e recantos obscuros. Pessoalmente, o que mais gostei foi conhecer esses recantos desconhecidos e cheios de histórias ocultas. Foram esses recantos que me fizeram conhecer um bocadinho melhor as personagens e me trouxeram lembranças daquilo que é o estilo da Lesley.

Este livro careceu de profundidade. Faltou-lhe aquele toque de detalhe muito característico na forma de contar histórias desta escritora. Há partes muito apressadas, comparativamente a outros livros. Há determinadas cenas e personagens que mereciam mais protagonismo.

O epílogo ofereceu-me um vislumbre daquilo que foi o futuro de Katy. Porém eu não queria apenas o vislumbre, eu queria o pacote de experiências completo. 
Apesar de ser um dos livros mais sintéticos da autora, mantém a mesma qualidade comparativamente a outros livros que já li da escritora, mantém a intensidade de emoções e a capacidade de nos contar uma história que ficará na minha memória.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Opinião | "Uma Noite no Expresso do Oriente" de Veronica Henry

Uma Noite no Expresso do Oriente

Classificação: 4 Estrelas

Assim que terminei este livro a minha vontade era fazer as malas e apanhar o Expresso do Oriente em direção a Veneza. Fiquei encantada com a viagem que as personagens fizeram e para além disso adoro andar de comboio, ou seja, seria uma viagem ideal para mim.

Começando por fazer uma análise mais abrangente do livro, Uma Noite no Expresso do Oriente agrega um conjunto de personagens diversificadas, com diferentes histórias que têm em comum o destino de viagem e o meio de transporte. 
Não é um livro complexo, nem emocionalmente exigente. A escrita é fluída e objetiva, o que se traduziu numa leitura rápida e descontraída.

As histórias de vida que vamos conhecendo ao longo destas páginas remetem-nos para situações de vida comuns a muitas pessoas. E, ao mesmo tempo que vamos conhecendo a suas ações durante a viagem, o seu passado é-nos apresentado de forma a justificar um pouco a presença daquelas pessoas e a importância daquela viagem para elas.
Riley e Sylvie são amigos especiais, que se juntam especificamente para fazer esta viagem de comboio. Apesar de já terem sido muitas as viagens a bordo deste comboio, esta será especial. Gostei de conhecê-los. É uma história de amizade muito bonita e muito altruísta. 
Emmie e Archie trazem um fina camada de humor e amor. É divertido assistir à forma como ambos vão para juntos a esta viagem. Têm um lado divertido e despreocupado, mas quando mergulhamos na sua história de vida, o drama surge e fez-me desejar muito um final feliz para ambos, independentemente da existência ou não de um romance.
Stephanie e Simon são protagonistas daquilo a que eu gosto de apelidar como dramas familiares. Dois adultos, dois adolescentes e necessidades psíquicas e emocionais distintas. Stephanie é a madrasta ("boadrasta") e gostei de ler sobre ela e sobre a forma como ela se integrou na família e sobre o impacto das suas opiniões nos comportamentos de todos. É bom ler sobre famílias reconstituídas onde a madrasta não é diabolizada.
Imogen e Danny são um casal que pretende quebrar preconceitos. Foi o passado deles que mais gostei de conhecer. Admirei o percurso de Danny e a forma como ele tentou evoluir a partir do meio complicado em que cresceu. Senti falta de mais pormenores acerca deles, queria mais momentos de interação e de diálogo. 
A par de todas estas histórias atuais, há uma história passada que envolve Adele, William (avós de Imogen) e Jack. Esta história fez-me devorar páginas só para chegar às páginas onde estava descrita esta história. Senti-me demasiado ligada a estes acontecimentos passados. A autora contou muito bem esta história e muniu-se de elementos narrativos bastante apelativos. 

Esta leitura foi uma surpresa muito agradável. Não esperava gostar tanto quanto gostei. Li algumas opiniões menos favoráveis ao livro, por isso contava com uma leitura satisfatória, mas sem me causar emoções positivas. Felizmente aconteceu o contrário! O livro encantou-me e as histórias aqueceram-me o coração e encheram o meu espírito de positividade. 

sexta-feira, 29 de março de 2019

Opinião | "A Caminho do Altar" de Julia Quinn (Bridgertons #8)

A Caminho do Altar

Classificação: 4 Estrelas

Ler um livro da série Bridgertons é entrar em histórias repletas de momentos divertidos, acompanhados de um romance capaz de produzir alguns suspiros e com personagens muito próprias e que espelham o estilo da escritora. Para mim, tem sido muito bom ler estes livros! Sou fã da série e, geralmente, pego num destes livros quando preciso de uma história mais ligeira e quando estou a precisar de alegrar a alma. 

Este é o oitavo livro da série. Falta-me apenas um para terminar e já sinto saudades desta família tão cheia de peculiaridades. 
Aqui conhecemos a história de Gregory, o último irmão da família ainda solteiro. Um homem de paixões intensas que nem sempre tem o discernimento necessário para olhar de forma mais profunda para os seus sentimentos. Não fui abalroada pela paixão intensa. Foi demasiado amor à primeira vista para me cativar. Porém, à medida que a narrativa evolui, vou sentido mais afinidade com o Gregory.
Irritou-me aquilo que o levou a apaixonar-se... Foi demasiado simplista, sem grande envolvimento e não me ativou os sentidos. 

Lucy conquistou-me quase instantaneamente. Gostei dela e da forma descontraída como lidava com as atrações que eram dirigidas à sua melhor amiga. Admirei a inteligência dela e irritei-me com a sua forma de ser tão certinha (acho que foi o choque com a minha própria personalidade), até porque houve alturas em que me pareceu que a inteligência dela não estava a ser usada na sua máxima expressão. 

Apesar de ter gostado do livro, de me ter rido e divertido com as cenas caricatas que Julia Quinn tão sabe escrever não me senti fascinada nem encantada com este livro. Faltou-me o entusiasmo que surgiu na leituras dos primeiros livros da série. Não penso que seja cansaço na leitura dos volumes da série, nem do facto de ler muitos livros da autora. Passou quase um ano desde que li o livro anterior e neste espaço de tempo não li nenhum outro livro da autora.  Por isso, acho que foram mesmo os conteúdos da história que não tiveram o mesmo efeito em mim. 

Mesmo perante aspetos que não funcionem tão bem, a leitura não fica comprometida porque os diálogos são rápidos e divertidos e a escrita de Julia Quinn cativa a nossa atenção.
Curiosa para ler o final desta série. 


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Opinião | "Amor Cruel" de Colleen Hoover


Classificação: 4 Estrelas

Amor Cruel é o quarto livro da Colleen Hoover que leio e há um aspeto que posso afirmar com toda a certeza que a escrita da autora tem um toque emocional muito especial. Mesmo escrevendo sobre assuntos amplamente abordados na literatura e no cinema, mesmo usando clichés ao longo dos seus livros e mesmo sabendo como eles terminam é inegável o cunho pessoal. Em cada descrição e em cada diálogo sobressai uma sensibilidade especial para transformar palavras, ações e personagem em emoções muito realistas. Perante isto só vos posso dizer que sou incapaz de resistir a estes livros.

Logo no início deste livro é possível verificar esta sensibilidade. As emoções começam logo nas primeiras páginas e isso agarrou-me logo à história.
Eu gostei da história, gostei da carga emocional que envolvia o Milles assim como a forma como essa carga cresceu ao longo da narrativa. 
Contudo, neste livro, aconteceu-me algo curioso. Adorei todo o conteúdo narrativo, mas embirrei um pouco com as personagens ao ponto de não criar grande afinidade com elas. Para mim, Milles e Tate apresentam uma elevada maturidade para a idade, porém bem sempre essa maturidade acompanhava as ações e comportamentos que eles apresentavam. Esta inconsistência entre comportamento e personalidade chateou-me e irritou-me um bocadinho.
Apesar desta minha irritação consegui perceber que existia ali muito sofrimento e que isso estava a interferir na lucidez das personagens.

Outro aspeto que me impediu de dar um pontuação mais elevada ao livro foi a forma como a relação foi construída. Senti que houve uma enorme valorização da relação física, mesmo quando eu já esperava algo mais daquela relação entre Tate e Miles. Demoraram a evoluir enquanto casal, pareceu-me que estavam demasiado focados na relação física mesmo quando se sentia a necessidade de desbloquear alguma coisa entre eles e apresentar uma maior profundidade emocional. 

Também acho que a autora não esgotou algumas situações importantes. Senti que ela foi superficial em alguns assuntos e apenas nos contou certos acontecimentos, principalmente no que respeita ao passado de Milles. 

Li este livro de uma forma voraz porque muito facilmente fui envolvida pela história e consumida pela minha necessidade de procurar mais respostas para as minhas dúvidas.
Acho que este livro é o ideal para todos aqueles e aquelas que são incapazes de resistir a um bom romance. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Opinião | "O Silêncio da Chuva de Verão" de Dinah Jefferies

O Silêncio da Chuva de Verão
Classificação: 4 Estrelas

O Silêncio da Chuva de Verão marca a minha estreia com a autora Dinah Jefferies. Estive atenta às suas publicações anteriores e todas elas me tinha despertado interesse, por isso estava curiosa por conhecer as suas história e a forma como ela as decide contar.
Não tive um início de leitura fácil. As coisas acontecem de forma lenta. Fui conhecendo a Índia colonial aos poucos, pelos olhares de Eliza, de Jay e de Clifforf. De forma lenta e compassada fui-me apropriando dos sons, dos cheiros e dos elementos que caracterizam a cultura indiana. Eu queria mais emoção, mais dinamismo, mas agora que terminei a leitura sei que precisava deste saborear lento dos elementos. Tudo para que o final do livro entrasse diretamente para o meu coração.

Eliza é uma inglesa que vai para a Índia colonial viver com a família real indiana. Gostei de ler sobre a forma como ela apreende uma cultura que não lhe era totalmente desconhecida. Gostei de a ver com o Jay. A autora construiu um romance bonito em torno deles dois. Na minhas perspetiva só lhe faltou um leve toque que conferisse ao romance deles mais emotividade. Acho que a autora poderia ter brincado mais com as sensações e construído diálogos mais expressivos. Isso fazer-me-ia sentir mais próxima deles e apreciar ainda mais o amor doce com perfume de sândalo e pincelado com os tons quentes que povoam a Índia.

Não posso esquecer de referir que o livro tem uma componente histórica que gostei de conhecer. A relação dos impérios europeus sobre as suas colónias é um aspeto pouco abordar em termos de literatura e de fição. Por isso, gostei muito de ler e conhecer estas particularidades e rivalidades entre britânicos e indianos. Acho que aqui Eliza teve um papel fundamental, trouxe uma voz mais neutra. Uma voz que vibrava com o fascínio pelas cores e perfumes indianos, que se entristecia perante as agruras com que muitos indianos conviviam e que se indignava com a forma como os britânicos exerciam o seu poder naquela colónia.

É um livro que irei guardar na memória e no coração. Um livro para reler mais tarde e redescobrir os mistérios do amor e da sua imprevisibilidade. Reler sobre um amor que aproxima e que faz quebrar convenções culturais. Um amor que alimenta as mudanças sociais e dos interior das pessoas. 

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Opinião | "A Aia" de Eça de Queirós

A Aia
Classificação: 4 Estrelas

Em Setembro decidi ler um conto que li, pela primeira vez, há mais de 17 anos. 
É um conto envolto em boas memórias. E essas boas memórias diziam-me que tinha gostado. Por vezes, as nossas memórias são enganadoras, por isso é sempre bom fazer uma atualização da leitura. Neste caso, as memórias não estavam erradas. Voltei a gostar muito do conto e da sua mensagem.

A escrita deste conto é muito simples, porém acompanha uma história bastante forte. É um conto sobre lealdade e sacrifício. Um conto onde o altruísmo prevalece perante as necessidades pessoais.

Esta leitura fez-me pensar no facto de que eu leio muito pouco Eça de Queirós. Gostei tanto do pouco que já li, que me sinto quase na obrigação de ler mais. Uma situação a mudar nos próximos tempos. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Opinião | "Tabu" de Jess Michaels (Albright Sisters #2.5)

Tabu (Albright Sisters, #2.5)
Classificação: 4 estrelas

Tabu é, até ao momento, o meu livro preferido da série. Achei que esta história é mais credível do que a anterior, há uma construção das personagens mais cuidada e que me trouxe  personagens com uma personalidade distinta, especial e cativantes. Para além destes aspetos, toda a construção da relação entre os dois personagens principais é mais interessante e traz-nos algum drama que apimenta um pouco toda a situação. 

Relativamente ao casal, à forma como se conhecem, se apaixonam e se separam são aspetos comuns a outros livros. Um homem de classe alta, que se apaixona por uma mulher de uma classe social inferior e os pais do homem a não aceitar a relação e fazer o que lhes está ao alcance para terminar a relação. Ficam afastados durante uns tempos até que se reencontram. As diferenças sociais que os caracterizam ditaram um conjunto de situações que aparecem nos momentos certos ao longo do livro.

Como é de prever, Tabu é um livro cheio de cenas eróticas, algumas bem ousadas, que estão bem escritas e contextualizadas. Senti que havia uma ligação emocional e especial entre os dois e isso fez-me sentir mais envolvida com o livro. Senti que a história fluía de forma espontânea e capaz de me captar a atenção e o interesse relativamente à forma como tudo iria terminar.

É claro que o final é previsível, mas isso não me retirou o gosto em ler um final feliz e cheio de coisas bonitas.
Resta-me o último livro da série e não sei muito bem o que esperar. Espero gostar tanto como este, ou pelo menos como o primeiro.  


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Opinião | "Lavrar o mar: Um Novo Olhar Sobre o Relacionamento Entre Pais e Filhos" de Daniel Sampaio

Lavrar o Mar - Um Novo Olhar Sobre o Relacionamento Entre Pais e Filhos
Classificação: 4 Estrelas

Gosto imenso de ler as reflexões de Daniel Sampaio. Gosto da forma como ele escreve sobre os assuntos. Numa linguagem simples e objetiva, Daniel Sampaio, dá corpo a informações muito úteis para os pais e para os profissionais que trabalhem em crianças e jovens.

Pessoalmente identifico-me imenso com a abordagem sistémica que ele defende. Identifico-me com a sua forma de ver o mundo e de olhar para os problemas que se interferem na vida das crianças, dos jovens e das famílias.

Em Lavrar o Mar, o assunto chave são os adolescentes, a sua relação com o contexto social e com a família. Em poucas páginas, Daniel Sampaio aborda os temas que fazem parte da vida dos jovens, de que forma eles interferem no seu crescimento cognitivo e pessoal e deixa indicações muito importantes para os pais. Mais do que lhes dar "fórmulas" milagrosas (que não existem) para a resolução de situações causadoras de mau-estar no seio das famílias, o autor fornece elementos essenciais para que os pais possam pensar e analisar o seu comportamento à luz da interpretação que fazem destas palavras.

Para mim, Daniel Sampaio, será sempre um autor de referência no meu caminho profissional. Gosto de refletir sobre as suas reflexões e visões do mundo.
Mais do que um livro para profissionais, Lavrar o Mar, é um excelente livro para os pais de adolescentes e pré-adolescentes. Deveria ser de leitura obrigatória para pais. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Opinião | "Ao fechar a porta" de B. A. Paris

Ao Fechar a Porta
Classificação: 4 Estrelas

Nota: Esta opinião contém spoilers (estão identificados)

Eu estava com elevadas expetativas para este livro. A Denise vibrou com ele e achou-o fenomenal. Isto criou uma espécie de pressão em mim, porque tinha receio de quebrar a beleza do livro aos olhos da Denise. E claro, ela disse logo que perdia a esperança em mim (qual "assassina" de livros). 

Com esta miscelânea de sentimentos lá parti para a leitura. O início causou-me sintomas de ansiedade. Houve momentos em que me senti verdadeiramente angustiada com a Grace e a situação em que ela se encontrava. Este momento inicial do livro é mesmo bom, tão bom ao ponto de me sentir claustrofóbica com as situações que iam acontecendo. 

Grace e Jack têm uma relação muito rápida, porém a autora foi inteligente nesse aspeto. A alternância entre passado e presente acaba por esbater essa rapidez e faz com que tudo nos parece credível aos nossos olhos. E é assim que nasce um casal perfeito que me cortou a respiração em alguns momentos. 

É uma narrativa que avança depressa nem há partes muito aborrecidas. Porém chega a um momento em que a história parece entrar num momento mais estagnado, onde não acontece nada de suficientemente significativo. Não me chegou a causar aborrecimento, pois a escrita é fluída e já estava bastante envolvida com as personagens, os seus dilemas e as suas angústias. O que me aconteceu foi não me sentir muito impressionada com o que passou a acontecer. Foi como se o livro perdesse um pouco de suspense e as cenas deixaram de ter grande impacto em mim. 

Há aspetos em que o livro merecia mais. A dada altura Jack conta o seu segredo. Foi demasiado rápido, acho que seria importante contextualizar melhor este segredo de Jack e desenvolver melhor as coisas. ALERTA SPOILER - O Jack chega a referir que o nome foi alterado, para parecer mais credível e ter impacto nos outros, mas nunca sabemos qual era o seu nome verdadeiro e como é que ele tratou do processo. Dadas as circunstâncias deste segredo como é que ele chegou ao patamar profissional em que se encontra? O que é que ele faz nas suas viagens à Tailândia enquanto deixa a Grace no quarto? Porquê é que preferia a Millie para induzir o medo, quando o conseguia na perfeição com a Grace? Para mim estas foram algumas das pontas soltas que me causaram alguma insatisfação. - FIM SPOILER

Fiquei um pouco amargurada com aquele final. Foi até um conjunto de sentimentos agridoces. Gostei do diálogo entre a Grace e a Esther, mas acho que foi tudo demasiado rápido. A autora não deu o espaço suficiente para que o clímax crescesse e se findasse de forma mais completa e coesa. 

Foi por estes aspetos que não atribuiu uma classificação superior a este livro. Eu gostei do livro, mexeu comigo em alguns momentos e achei credível. Só lhe faltaram algumas coisas para o tornar perfeito.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Opinião | "As últimas linhas destas mãos" de Susana Amaro Velho

As Últimas Linhas Destas Mãos
Classificação: 4 Estrelas

Quando saiu este livro, senti-me atraída para ele. Foi o título que me agarrou e transportou a minha mente para diferentes cenários possíveis, mas em todos eles havia uma bonita história de amor por trás. Então, aproveitei a generosidade da Coolbooks no dia Mundial no Livro e usei o código de oferta para pedir este livro. E ainda bem que o fiz...

As últimas linhas destas mãos é uma história de amor roubada pelo tempo. Uma história de amor narrada no presente, com os fantasmas do passado a reclamar atenção. O amor desta história é corrosivo e, como o tempo desgastou Alice, deixando-a vazia de emoções positivas. Toda ela foi terreno fértil para a tristeza e isso abriu caminho a dores e frustrações naqueles que habitavam o mundo dela. E tudo chega até nós, leitores, pelas mãos de Alice em cartas que espelham amor e dor, esperança e desespero; e pelas palavras daqueles a quem o amor corrosivo contaminou e minou, os filhos Teresa, Henrique e Sebastião, a irmã Cristina e o ex-marido Sebastião. Todos eles trazem um visão de Alice e da dor que a ausência emocional dela deixou.

Foi tão simples sentir as dores, as frustrações, o desespero na ânsia de tirar Alice do poço onde se meteu. E esta facilidade de apropriar dos sentimentos destas personagens advém da escrita. É uma escrita poética, daquelas que nos embala e nos faz perder a noção do tempo. A Susana soube costurar as palavras, um verdadeiro trabalho de alta-costura. E nas palavras que tecia e juntava, soube criar um trabalho final com descrições que nos transportam para os locais e para os momentos. Senti os cheiros a canela e alfazema. Senti a leveza da brisa de verão que imiscuiu na saia de Alice enquanto ela dançava, feliz, com o amor que lhe deu luz e, no instante seguinte, lha roubou. Ouvia o desespero silencioso de Teresa que tentava, a todo o custo, acender de novo a luz interior da mãe. Mas, teve de baixar os braços dessa tarefa e usá-los para aconchegar os irmão, carentes de afeto e imersos numa incompreensão perante as fragilidades da mãe.

Também temos segredos que minam relações e que põem à prova as ligações entre as pessoas. A mensagem que autora consegue passar acerca do impacto dos segredos naqueles que os partilham está, também, muito bem conseguido. Fez-me desejar quebrar as mordaças que calavam as pessoas para que determinadas personagens se pudessem libertar das dores, das angústias e dos silêncios ruidosos que começaram a fazer parte da família.

Houve apenas dois aspetos que me deixaram insatisfeita: dos diálogos e o final. Relativamente aos diálogos falta-lhe a expressividade que tão bem sobressai ao longo da narrativa. São rápidos e sem aquelas descrições que oferece aos diálogos aquele tipo de dimensionalidade que os torna, aos meus olhos, reais. O final, demasiado apressado, não deixou espaço para que as emoções se transformassem perante os meus olhos. As personagens precisavam de tempo e de espaço para partilhar os sentimentos que as verdades deixaram a descoberto. E eu precisava de os sentir, de os ver e de um olhar final sobre a vida destas personagens. Teresa fechou parte da história, mas do meu ponto de vista foi parca nas palavras.  

Apesar destes dois aspetos gostei muito de ler este livro. Sem dúvida que a Susana Amaro Velho vai ficar debaixo do meu olho. Estarei atenta a novas publicações. Temos aqui alguém que consegue dar corpo a uma história simples e coesa, com uma premissa já tantas vezes usada, através de uma escrita elegante e encantadora. Acho que, dificilmente vou esquecer a beleza impressa em muitas das frases deste livro. Perdi a conta à quantidade de citações que retirei do livro, e tenho dificuldade em eleger aquele que mais tocou o meu coração. 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Opinião | Contos

Felicidade Clandestina

Conto: Rostos de Carnaval
Classificação: 4 Estrelas

Mais uma vez, em poucas palavras, Clarice Lispector consegue transportar-me para os dois mundos que podem cobrir a infância: o mundo da fantasia aliado ao sonho, e o mundo da floresta negra aliado ao sofrimento e às necessidades.
Neste conto temos uma menina que sonhava com o Carnaval. Sonhava com a alegria que esta quadra encerra. Porém, o destino e as suas condições impediam-na de viver o lado alegre e festivo do Carnaval. Ao longo do conto assistimos às mudanças do lado mais negro da vida desta criança oferecendo-lhe um rasgo de boas vibrações no meio da tristeza e da dor.

Conto: Come, meu filho
Classificação: 2 Estrelas

Este conto é demasiado curto para me permitir uma opinião mais complexa.
É um conto que nos transposta para a exigente "idade dos porquês". Então encontramos uma criança curiosa, cheia de perguntas e uma mãe que apenas está preocupada com a refeição do filho. É um conto interessante do ponto de vista em retrata a relação entre mães e filhos.

Conto: A quinta história
Classificação: 4 Estrelas

Este conto está muito engraçado. Partindo do mesmo assunto, a autora consegue dar-nos quatro histórias que ficam todas reunidas numa só: a quinta história.
A forma como as palavras são conjugadas e como os acontecimentos estão encaixados deixa sobressair a inteligência da autora na construção de histórias.

Conto: Tentação 
Classificação: 3 Estrelas

Tentação é um conto sobre a diferença. Uma menina diferente, num mundo de iguais, que encontra um ser que com ela partilha essa diferença. São atraídos um para o outro, mas ainda não estavam preparados para caminharem em conjunto.
Aquilo que mais gostei neste conto é a ternura que está associada à história.

Conto: O ovo e a galinha
Classificação: 1 Estrela

Senti-me extremamente ignorante a ler este conto porque não cheguei a perceber qual a mensagem que a autora queria transmitir, nem qual a intenção dela perante toda a filosofia acerca do ovo, da galinha e do amor.
Uma leitura confusa, que me aborreceu e me frustrou. 

Conto: Macacos
Classificação: 2 Estrelas

Mais um conto estranho de uma menina que escolhe como animal de estimação um macaco.
Penso que, com este conto, a autora pretendia mostras que os animais devem ser tratados com respeito e não ajustá-los às nossas necessidades. Contudo não estou bem certa de ter feito uma boa interpretação da mensagem do conto.

Conto: Menino a bico de pena
Classificação: 3 Estrelas

Este conto é uma breve reflexão sobre o crescimento, a aprendizagem e as potencialidades de desenvolvimento de uma criança. E ao longo de todo este caminho, há uma personagem que tem de ser valorizada: a mãe.
É um conto bastante simples, muito fiel ao estilo metafórico que a autora deixa sobressair em alguns dos seus trabalhos. 

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Opinião | "Regresso a casa" de Deborah Smith

Regresso a Casa
Classificação: 4 Estrelas

Descobri Deborah Smith, pela primeira vez, o ano passado com o livro Doces Silêncios. Aí nasceu o meu gosto pela autora e a certeza de que queria ler mais livros dela para formar uma opinião mais coesa. Através da Porto Editora foi-me dada a oportunidade de ler um novo livro de Deborah Smith. E aqui solidifiquei o meu gosto e admiração pelas histórias simples e cheias de significado que são criadas por esta autora.

Regresso a Casa é uma história de esperança. Da esperança que se renova no abraçar de novas oportunidades de vida. As personagens vivem a verdadeira lenda da Fénix que renasce das cinzas. Ursula Power e Quentin Riconni renascem sob os fantasmas e frustrações das suas ações passadas. Duas pessoas que vivem situações diferentes de vida, mas que deixaram as mesmas marcas e inseguranças no corações de cada um deles.

Adorei a Ursula e a sua perspetiva prática. Senti-me ligada a ela e ao seu amor pelo natureza e pelas paisagens bravias das montanhas. Admirei a sua resistência perante um sem fim de adversidades que lhe apareceram sem ela as pedir. Ao mesmo tempo fiquei sensibilizada com a sua atitude orgulhosa e carregada de uma esperança que nem sempre era fácil de segurar.

Se gostei de Ursula, não podia deixar de lado Quentin. Com fantasmas mais negros, revi-me na sua instrospeção e na perseverança em arrumar algumas das "gavetas" emocionais que não lhe permitiam abrir-se aos sentimentos puros e felizes.

São várias as personagens que desfilam por estas páginas. Cada uma com o seu papel especial e com o seu contributo para a construção de uma narrativa coesa e cheia de mistérios pessoais e familiares que me deixaram agarrada ao livro.
Só há aqui um aspeto que não me permite dar uma pontuação mais elevada ao livro. Arthur é um irmão especial da Ursula. Não ficou muito claro, para mim que tenho conhecimento sobre o tema, sobre o que de facto interferia no seu desenvolvimento saudável ao nível das mais diversas áreas do desenvolvimento. Faltou à autora fazer um pouco de pesquisa acerca do assunto em causa para nos dar algo mais realista.
Se por um lado falhou nesta caracterização, reconheço o valor que ela estabeleceu na relação entre Quentin e Arthur. Ela mostrou aqui algo que muitas pessoas têm dificuldade em fazer. Quentin ajudou o Arthur no desenvolvimento de comportamentos adultos, adequados ao seu nível de compreensão e onde afastou a visão infantilizada que as outras personagens tendiam a passar. A meu ver é um bom ponto de reflexão para quem se vê em situações semelhantes,

Regresso a casa é muito mais do que os fantasmas e as lutas de Ursula e Quentin. É muito mais do que a esperança que os envolve, de mansinho, e os conduz em direção de um  mundo mais feliz. É muito mais que os problemas de Arthur. Este livro é uma história sobre famílias e sobre relações. É um livro que nos mostra o valor das pessoas na nossa vida e de que forma as nossas escolhas de vida condicionam o nosso caminho e destroem a nossa imagem aos olhos de quem amamos. Mas ao mesmo tempo, este livro mostra os sacrifícios que fazemos por aqueles que amamos e no quanto eles nos deixam presos a emoções que nos fazem doer o coração.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela Porto Editora em troca de uma opinião honesta.


quinta-feira, 24 de maio de 2018

Opinião | "O Psicanalista" de John Katzenbach

O Psicanalista
Classificação: 4 Estrelas

Eu desconhecia por completo a existência deste livro até a Denise me falar dele. O entusiasmo que ela deixava transparecer em relação a este livro semeou em mim a vontade de o ler. Acabei por me cruzar com ele na biblioteca e decidi requisitá-lo. 

O Psicanalista tem um início muito enigmático. Senti-me seduzida com as personagens que iam aparecendo, com as pequenas circunstâncias que iam adensando o mistério e com as reações umas vezes ponderadas, e outras vezes impulsivas, do nosso terapeuta. A par da sedução, achei que esta primeira parte tinha um desenvolvimento um pouco lento. Quase que o livro me pareceu uma metáfora do modelo psicanalítico, ou seja, um início mais lento, onde os pormenores nos são apresentados de forma mais exaustiva uma vez que nos parece que ainda temos um número interminável de sessões pela frente. Contudo, à medida que o subconsciente transporta tudo para o consciente, onde todas as emoções e coisas reprimidas ficam a descoberto, o processo acelerasse e encaminhamo-nos para o final do processo terapêutico. 

Não foi uma leitura de amor à primeira vista, mas senti-me conquistada e envolvida à medida que avançava na leitura. Foi muito engraçado assistir a todo o processo de descoberta de si próprio por parte do Dr. Starks, ao mesmo tempo que se envolvia na descoberta de Rumplestiltskin.

O final é arrebatador. Se houve coisas que eu fui deduzindo, outras houve que me apanharam completamente de surpresa. É um final excelente que faz justiça à inteligência, tenacidade e criatividade das personagens. 
Considero que é um livro escrito de uma forma muito inteligente e que, apesar de ter sido uma leitura que se arrasta (como aconteceu comigo), reconheço que nunca perdi o interesse pela história e pela forma como tudo se iria enredar de forma a juntar as pontas soltas e nos oferecer um final digno de permanecer na memória.

Quero deixar umas palavras à Denise que se vê abraços com um pequeno desinteresse em relação ao livro que agora já está na estante dela. Acho que deves arranjar um tempinho na tua longa lista literária e agarrares neste livro. Não o deixes a ganhar muito pó na tu estante nem a desesperar pela tua atenção. Vais ter de insistir um bocadinho em algumas partes, para não deixares esmorecer o teu interesse, mas tenho a certeza de que, quando chegares ao fim, vais dizer: VALEU A PENA. Como é que eu deixei este livro tanto tempo à minha espera. 


terça-feira, 24 de abril de 2018

Opinião | Contos

Felicidade Clandestina
Este mês continuei a apostar nos contos da Clarice Lispector. Espero ir lendo alguns contos durante o mês e terminar o livro assim que me seja possível. Hoje vou deixar-vos a opinião a três contos.

Conto: Uma amizade sincera
Classificação: 4 Estrelas

Este é um conto que fala sobre a vida de uma amizade. Apresenta-nos o seu início, o seu desenvolvimento e o seu fim. 
É conto simples mas carregado de significado. O tempo, a vida e a nossa própria evolução pessoas, em algumas vezes "atropela" as amizades, que podem modificar-se ou terminar. E este conto mostra-nos mesmo isso. O impacto que o crescimento e as nossa vivências têm nas nossas relações de amizade.

Conto: Duas histórias a meu modo
Classificação: 1 Estrelas

Este conto foi, para mim, uma verdadeira confusão. Duas personagens, duas situações e algo que as liga e/ou afasta (confesso que não percebi bem) originaram um conto estranho e que não me conquistou. 

Conto: O primeiro beijo
Classificação: 4 Estrelas

Este conto é muito engraçado. Achei uma forma muito original de se falar em crescimento. 
Aqui temos um rapaz a descobrir a sua sexualidade de uma forma muito original. Apesar deste estranho primeiro beijo, todas as emoções internas que esta descoberta faz emergir são muito importantes. 

sábado, 14 de abril de 2018

Opinião | "Aquele beijo" de Julia Quinn (Bridgertons #7)

Aquele Beijo (Bridgertons #7)
Classificação: 4 Estrelas

Estou triste!!!! Só me falta conhecer a história de um irmão Bridgerton. Estes livros são tão agradáveis que torna difícil a despedida.

O sétimo livro da série conta-nos a história de Hyacinth, a irmã mais nova deste clã, e Gareth St. Clair. Os livros anteriores já me tinham espicaçado a curiosidade relativamente a esta Bridgerton. O que me ficou de leituras anteriores é que estamos na presença de uma miúda cheia de personalidade, com a resposta certeira e preparada a disparar daquela boca e com uma enorme vontade de viver. Este livro veio confirmar aquilo que já pensava dela. Para além destas características sobressai o seu espírito aventureiro e uma vontade incrível de viver e sentir tudo de todas as formas que lhe sejam permitidas. É uma mulher diferente daquelas que desfilam na sociedade Londrina, pois desafia as leis do recato feminino e as tarefas e comportamentos que devem ter as mulheres da alta sociedade. 

Fartei-me de rir com a Lady Dunbury, com a conversa entre Anthony e Gareth, da forma como George se referia a Gareth e do jeito um pouco desajeito de Haycinth para lidar com o amor.

Não foi dos meus preferidos da série. O final deixou-me um pouco furiosa e senti falta de acontecimentos mais marcantes entre Haycinth e Gareth. Apesar de reconhecer, sem qualquer dúvida, e de transparecer no livro de que eles são perfeitos um para o outro eu precisa de mais algum conflito e dinamismo entre os dois. Precisa de interações que fizessem com que a leitura se tornasse mais marcante para mim. 

Estando quase no final da série, dá para perceber que Julia Quinn oferece-nos sempre leituras agradáveis e divertidas. É uma autora que se mantém fiel a si mesma e ao seu estilo de escrita. 
Eu sou fã desta família e de todas as personagens que, através deles foram arrastadas para estas páginas. Quero continuar a acompanhar o trabalho desta escritora e só espero continuar a encontrar a originalidade, as histórias marcantes e com aquele toque de amor tão especial que me deixa mais feliz quando termino a leitura. No fundo, para mim, é um livro que ajuda a aliviar a carga cinzenta que, muitas vezes, tem pairado sobre mim. 

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Opinião | "À morte ninguém escapa" de M. J. Arlidge (Helen Grace #2)

À Morte Ninguém Escapa (Helen Grace #2)
Classificação: 4 Estrelas

Trouxe este livro da biblioteca na expetativa de me cruzar com um bom policial. Quando cheguei a casa e fui ver o Goodreads fiquei triste por ver que era o segundo volume de uma série. Gosto de ler séries por ordem mas, geralmente, acontece-me sempre o inverso. Como era um policial achei que começar no segundo volume não iria interferir muito na minha compreensão da história. E, de facto, foi isso que sucedeu. Consegui compreender tudo apenas ficando a frustração de não saber tudo, de forma pormenorizada, sobre as personagens residentes, ou seja, aquelas que já tinham um passado descrito no volume anterior.

Toda a equipa da polícia tem um história passada que me pareceu ter sido muito bem explorada no livro anterior. Contudo, ao longo do livro vão sendo dadas algumas informações que nos ajudam a contextualizar as situações e os comportamentos das personagens, o que nos ajuda a perceber em que medida as relações na equipa estabelecem neste livro, tendo em conta as suas vivências anteriores.
Portanto, se não têm o livro anterior e estão a hesitar na leitura deste, podem avançar sem medo de ficarem sem perceber o que vive nestas páginas. Aquilo que de certeza irão sentir, tal como eu, é um vontade exacerbada de ler o volume anterior. Só para ter a certeza de que não vos escapa nada deste universo.

Helen Grace é uma detetive e uma personagem de destaque. Achei-a uma mulher complexa e interessante que, tal como a cebola, se reveste de imensas camadas para o leitor ir descobrindo aos poucos. Ao contrário da cebola, que já sabemos o que vamos encontrar, com a Helen cada nova camada desvendada é uma surpresa. Fiquei fã dela, da sua inteligência e da sua capacidade de resiliência. Parece ter um feitio e uma energia muito peculiares, mas também isso a tornou interessante ao meu olhar. Não posso, também, deixar de destacar Charlie e Steve, que me fizeram pensar nas escolhas que temos que fazer na vida e que ganhos ou perdas essas escolhas implicam. O Tony e Nicole que me mostraram que o amor e a dedicação assumem diferentes formas e que não têm limites, mesmo quando as nossas fragilidades nos começam a pregar partidas, conduzindo-nos a um conjunto inexplicável de sarilhos e de erros.

Relativamente aos crimes que nos vão sendo apresentados nestas páginas, inicialmente pareceram-me simplistas, fazendo-me esperar um desfecho pouco intenso, pouco cativante e muito diferente daquilo que encontrei. Felizmente, fui engana e os meus preconceitos foram completamente destruídos. À medida que avançava na leitura e que os acontecimentos e as descobertas iam sendo reveladas, tudo se foi adensando no sentido de me baralhar as ideias e me mostrarem que a realidade poderá ter diferentes formas de ser construída, olhada e apreendida.

Sofri com o desfecho do livro. Tenho a certeza que a Helen queria algo diferente, mas a sua chefe não tinha uma sensibilidade nem um tacto especial para lidar com as pessoas. Sofri pela Carrie e espero que ela se assuma perante a vida e que não fique refém do medo e da opressão.
Parece-me ser uma série de grande qualidade e que eu quero acompanhar.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Opinião | "Felicidade Clandestina" de Clarice Lispector

Felicidade Clandestina
Conto: Felicidade Clandestina
Classificação: 4 Estrelas

Andava com muita curiosidade em ler alguma coisa desta autora. Este conto que li faz parte do livro de Português do 9º ano (tem o texto integral) e tem sido abordado nas aulas de forma recorrente. 
Na semana passada, como tinha que ler o conto de Março para o meu projeto, peguei no dito livro e li o conto em menos de 15 minutos. Fiquei agradavelmente surpreendida como, em poucas páginas, a autora numa escrita muito simples e clara, nos consegue trazer um conto repleto de significados. 

É o conto que aborda um tipo de felicidade que me diz muito. No fundo, assistimos à felicidade que um livro pode gerar numa criança com poucos recursos. 
Temas como o bullying, o prazer pela leitura, as necessidades sentidas por populações mais carentes e as diferenças socioeconómicas que criam abismos entre pessoas figuram de forma muito clara ao longo destas linhas. 
Narrado na primeira pessoa, consegui facilmente aceder aos sentimentos da nossa narradora e da importância dos livros na vida dela. Os livros trazem uma "felicidade [algo] clandestina" que muitas pessoas não compreendem.

É um conto para sonhar, para nos perdermos na inocência da infância e na importância relativa que as coisas têm na vida das pessoas. 

Eu fiquei fã e já "arranjei" o livro com o restantes 24 contos para ler. 

sexta-feira, 30 de março de 2018

Opinião | "Escrito na água" de Paula Hawkins

Escrito na Água
Classificação: 4 Estrelas

O ano passado li A rapariga no comboio e foi mediana. Foi uma leitura um pouco aborrecida e, em certos aspetos previsível. Por esta razão, quando comecei a ler este livro estava com expetativas baixas e sem saber muito bem o que ia encontrar. Às primeiras páginas do livro fiquei logo curiosa com todo o contexto que nos era apresentado. 

De uma forma geral, este livro apresenta uma enorme evolução comparativamente ao livro anterior. A história é mais interessante, a forma como a autora a narra deixa mais espaço ao nosso interesse e curiosidade e o leque de personagens é mais interessante devido às descrições mais pormenorizadas. Comparativamente ao livro anterior, a autora consegue criar uma narrativa mais coesa e interessante onde as personagens têm o seu lugar, a sua voz e a sua função. Funcionou igualmente bem a narração na primeira e na terceira pessoa. A escrita clara e objetiva facilita a nossa compreensão e não há lugar para confusões quando nos surge a narração numa perpetiva diferente. 

Todas as personagens que desfilam nestas páginas são detentoras de lugares interiores especiais. Em algumas fica a insatisfação de não saber mais. Entre elas destaco a Jules, a Lena, a Nell e a Helen.

Jules e Nell são irmãs que se afastaram, os motivos que ditaram este afastamento são claros, porém abarcam algumas inconsistências. O momento que dita o afastamento delas ocorre ainda elas são adolescentes, porém não obtemos grandes informação das suas vidas desde essa altura até à atualidade. Esta lacuna informativa torna pouco o distância que cresceu entre elas um pouco estranha, pois não sabemos o que foi acontecendo depois desse acontecimento que, dado a natureza do mesmo, poderia dar aso a diferentes dinâmicas entre elas.

Lena intrigou-me profundamente. Uma adolescente estranha com uma relação com a mãe que eu não fiquei a perceber muito bem. Para além disto, os momentos finais entre ela e Mark ficaram um pouco no vazio. Penso que foi intencional por parte da autora. Não nos conta, dando-nos apenas alguns indícios para que sejamos nós a deduzir, mas eu gostaria de ter visto as coisas preto no branco.

Helen a personagem mais estranha do livro. Gostaria de saber melhor que tipo de relação ela mantinha com o sogro (outro homem estranho - mas que foi bem contextualizado). Houve momentos distintos no livro que me faziam pensar em laços relacionais diferentes. É uma mulher um pouco vazia, inerte que parecia que havia qualquer coisa nela que borbulhava no seu interior, mas não se libertava.

Foi uma ótima leitura. Gostei muito da forma como terminou. Pessoalmente não esperava parte do desfecho que obtive. Foi um elemento surpresa muito bom para fechar a narrativa e nos deixar a pensar sobre aparências e elos de lealdade que vamos criando ao longo da vida.