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sábado, 31 de agosto de 2019

Opinião | "Como Não Morrer de Fome em Portugal" de Lucy Pepper


Classificação: 3 Estrelas

Quando iniciei a leitura do livro Como não Morrer de Fome em Portugal esperava encontrar um livro desinteressante que não me entusiasmasse. Como estava enganada ao deixar-me levar pelas ideias negativas que criei em volta deste livro. Eu estava completamente errada.

Gostei muito da forma como a Lucy foi expondo a sua experiência na adaptação a Portugal. Gostei da sua escrita objetiva e muito crítica, quer a aspetos culturais portugueses quer ingleses. Pareceu-me ser uma pessoa muito realista e capaz de analisar de forma coerente os meios onde se vê obrigada a interagir. Algumas passagens foram verdadeiros momentos humorísticos. 

Através da visão da Lucy também pude refletir sobre a gastronomia portuguesa e os nossos costumes. Há aspetos que nos tornam peculiares e com uma identidade muito própria. Mas como a própria Lucy frisa sempre, não é algo negativo é apenas mais um aspeto ao qual é necessário criar adaptação. 
Para além disso, a visão comparada com a realidade inglesa também mostra que os ingleses também são um povo com as suas singularidades. 

Ler sobre comida escrito por alguém habituada a outro tipo de cultura gastronómica é uma oportunidade de refletir sobre aquilo que por cá se consome. A nossa obsessão pelos ovos, o cozido à portuguesa, o arroz doce, é super engraçado viajarmos pelas ideias da Lucy e perceber que de facto talvez estejamos a abusar dos ovos, da gordura e das receitas com alimentos transformados em algo pouco apelativo. 

Gostei muito da escrita da Lucy e da forma descontraída como encarou a sua mudança para Portugal. Admirei a sua capacidade de se tornar um membro da comunidade e a gostei de conhecer as suas perceções relativamente ao povo português, ao povo inglês e aos i(e)migrantes.  

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Opinião | "Os Loucos da Rua Mazur" de João Pinto Coelho

Os Loucos da Rua Mazur

Classificação: 3 Estrelas

Estava cheia de vontade de ler este livro. Queria encontrar todas as emoções que a escrita do autor me proporcionou quando li Perguntem a Sarah Gross. Contudo, a intensidade desta história não foi suficiente para mim. Faltou-lhe o poder narrativo que encontrei no livro anterior.

Não foi um livro fácil de ler. A história é uma verdadeira manta de retalhos que se vão encaixando e que me fizeram desesperar por compreensão. Optando por fragmentar uma história entre passado e presente, com um passado marcado pelo aparecimento de muitas personagens não funcionou muito bem comigo. Foi uma enorme confusão para a minha cabeça, sempre que voltava ao passado, identificar quem eram quem e qual o seu papel na narrativa. Com o avançar da leitura a confusão foi diminuindo, mas o estrago já estava feito. Assim, como não me consegui vincular logo no início a estas personagens e toda a história, porque estava com dificuldades em assimilar tudo, tudo me pareceu distante e pouco emotivo. 

O que me deixa com mais pena é ter plena consciência do talento do escritor e que, apesar desta minha experiência menos favorável, está bem presente neste livro. Eryk, Yankel e Shionka protagonizam um dos melhores triângulos amorosos com quem já me cruzei no universo literário. O alargado conjunto de personagens não me permitiu agarrá-los no coração nem torcer por um final em específico. Senti-me muito distante deles, dos seus dilemas, das suas tristezas e dos acontecimentos terríveis que foram obrigados a viver. Eu precisava de sentir mais deles e com eles para que eles e a sua história ficassem agarrados a mim. 

Sou capaz de compreender a relevância de cada uma das personagens que foi chamada pelo escritor a contribuir para a construção desta narrativa. E apesar de, para mim, me ter gerado confusão, acredito que poderá apaixonar outros leitores. 
Os meus ideias pré-concebidos com a leitura do primeiro livro do autor fizeram-me resistir a esta história porque, lá no fundo, eu queria uma narrativa que não me fizesse dar tantos saltos narrativos e com tanta gente ao barulho. No Perguntem a Sarah Gross também acontecem saltos narrativos, mas são mais claros e têm tempo suficiente no livro para me agarrar e ficar a desejar ler o passado sempre que iniciava o presente ou vice-versa. Em Os Loucos da Rua Mazur não se verificou esse desejo, porque aquilo que lia do presente ou do passado não me apaixonava, não era 100% compreensível para mim e não me cativava o suficiente. 

É um livro com algumas surpresas, que foge ao óbvio ou àquilo que esperamos. De alguma forma conseguiu surpreender-me.

No fim da leitura senti-me muito triste e frustrada porque queria ter gostado muito mais deste livro. Sabem aqueles escritores por quem vocês desenvolvem uma certa admiração? Eu desenvolvi esta admiração pelo João Pinto Coelho, pela sua escrita ímpar, minuciosa e ilustrativa de uma enorme pesquisa para a construção de um livro com uma história coerente e cheia de emoções. Neste livro, eu consegui identificar a mesma escrita e a mesma capacidade de trabalho do autor, mas faltou-me a emoção e a minha capacidade de me sentir dentro da história a viver os horrores e as alegrias daquelas personagens.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Opinião | "Os Bridgerton Felizes Para Sempre" de Julia Quinn (Bridgertons #1.5-8.5; 9.5)

Os Bridgerton Felizes Para Sempre (Bridgertons, #1.5-8.5; 9.5)

Classificação: 3 Estrelas

Eis o último livro da série que tanto me divertiu. Julia Quinn oferece-nos histórias descontraídas e com muito humor à mistura. Admiro-lhe o talento na construção de diálogos que deixam transparecer uma diferente panóplia de emoções e na construções de enredos cativantes. Não gostei dos livros da mesma forma. Gostei mais de alguns e menos de outros, mas em todos eles me ri bastante. Foram todas leituras extremamente divertidas e que me conseguiram pôr com um sorriso nos lábios em momentos de alguma tristeza ou descontentamento com a vida real.

Os Bridgerton Felizes Para Sempre encerra a série oferecendo-nos segundos epílogos para os diferentes livros da série. Pessoalmente, em grande parte dos livro não senti falta de ler uma continuação. Fiquei satisfeita com os finais dos diferentes livros, contudo eu queria encerrar esta série.

Quando ao conteúdo que este livro nos oferece sinto que fui gostando mais dele à medida que ia avançando nas páginas. A minha explicação  para tal sentimento deve-se ao facto de as últimas histórias estarem mais presentes na minha memória. Porém, achei que o 2º Epílogo do livro A Caminho do Altar era o que menos me acrescentava. Tinha ficado mais que satisfeita com a forma com que este livro terminou.

Fiquei muito satisfeita com os epílogos que abordaram personagens secundárias dos livros da série, nomeadamente os filhos de Philip. Adorei a história de Violet e Edward! Continuo a achar que estes dois mereciam um livro exclusivo para conhecermos a história de amor deles. Não posso deixar de referir aquele epílogo que mais me deixou satisfeita e que foi o meu preferido. O meu preferido foi o final da história de Francesca e Michael (A Bela e o Vilão). Francesca era a Bridgerton com quem mais me identificada e gostei muito de revê-la e ler sobre um final que ela merecia.

Na minha opinião, este livro apesar de ser dispensável foi uma boa forma de terminar a série. A sua leitura permite-nos uma viagem pelos locais e pelas personagens tão bem construídas pelas mãos de Julia Quinn. Com a leitura desta série ficou a certeza de querer acompanhar o trabalho desta escritora.

*****
Opiniões aos outros livros da série

  1. Crónica de Paixões e Caprichos
  2. Peripécias do Coração
  3. Amor e Enganos
  4. A Grande Revelação
  5. Para Sir Phillip com Amor
  6. A Bela e o Vilão
  7. Aquele Beijo
  8. A Caminho do Altar

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Opinião | "Às cegas" de Josh Malerman (Bird Box #1)

Às Cegas
Classificação: 3 Estrelas

As primeiras páginas deste livro foram bastante interessantes para mim. Este meu interesse foi desencadeado pelas teorias que comecei a formular na minha cabeça. Foram páginas que me remeteram para as minhas aulas de Psicologia Social onde abordamos as dinâmicas de grupo e a pressão que os elementos dentro de um grupo podem exercer sobre outros.

Li o livro sempre com esta teoria em mente. Infelizmente o livro seguiu outra direção e as minhas teorias psicológicas sobre o assunto permaneceram apenas na minha cabeça. Tenho de admitir que fiquei um pouco desiludida porque, para mim, teria sido mais interessante se a história tivesse evoluído com base na minha teoria.

Quando Daniela viu que eu tinha terminado a leitura pediu-me Vá descarrega lá todas as tuas queixas, frustrações e todos os defeitos que tens para apontar (só ela conhece muito bem as minhas paranóias com livros deste género). Porém, acho que a desiludiu! A verdade é que não tenho nada de negativo ou que me tivesse irritado para partilhar com ela.
Do meu ponto de vista, a narrativa está bem construída, há situações que nos deixam em suspense, há situações que provocam algum medo e as personagens aparecem bem enquadradas em todos os momentos da história. Apesar destes aspetos positivos, a história não funcionou comigo. Neste livro em particular, as coisas fizeram-me sentido contudo, não me senti entusiasmada com a história. É um daqueles casos em que a opinião que formo do livro é fundamentada no meu gosto pessoal e naquilo que me entusiasma enquanto leitora.

Não me senti particularmente tocada por nenhuma das personagens. Gostei da Malorie e admirei a sua capacidade de sobrevivência e senti que Tom era um excelente líder. Porém não me marcaram, nem se tornaram memoráveis para mim. No fundo, o que me ficou desta história e que acho que irei recordar serão as circunstâncias de vida que as personagens passaram a ter de enfrentar.

Eu senti falta de alguma adrenalina enquanto li o livro. Quando um livro chega uma determinada etapa, parece que a narrativa fica congelada. A história passou a ser alimentada por incompatibilidades geradas pela convivência forçada e entrou numa espécie de rotina que não me oferecia novas sensações ou revelações. Fiquei aborrecida, senti que a história não nos podia oferecer muito mais dadas as circunstâncias, mas ao mesmo tempo seria uma oferta limitada tendo em conta o caminho escolhido para o desenvolvimento da narrativa.

Quando chego ao final, as coisas começam  a animar um bocadinho. Foi dinâmico, intenso e com sentido tendo em conta as circunstâncias. A única coisa  que me deixou triste foi constatar que a minha teoria saiu completamente ao lado. Sim, ainda alimentei a minha teoria até às últimas páginas. Afinal de contas a esperança é a última a morrer.

Penso que para quem adora livros que se encontram neste género literário vão adorar ler e conhecer esta história. Para aqueles que, como eu, são os mais céticos e racionalistas vale a pensa descobrir este livro e sair da nossa zona de conforto. É uma forma de nos fazer pensar noutras alternativas e quebrar um pouco a nossa linha racional.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Opinião | "A Rapariga que veio do frio" de Gilberto Pinto

A Rapariga que veio do frio
Classificação: 3 Estrelas

Fui atraída pela capa e pelo título deste livro. Da capa seduziu-me a beleza e o mistério que deixa transparecer. Do título nasceu a curiosidade em conhecer a história para a qual me apontada. Não me arrependo de ter sido seduzida, pois foi uma livro que gostei de descobrir e ofereceu-me uma história interessante e que correspondeu às expetativas. 

Não li a sinopse antes de ler o livro. Fui lê-la apenas no fim e por mera curiosidade. Acho que ela pode criar expetativas irrealistas no leitor. O livro traz-nos muito mais do que tráfico de mulheres e assassinatos. É uma narrativa que nos leva ao interior do país e às margens do rio Douro, ao mesmo tempo que deambulamos pelas ruas da cidade do Porto. 
É um livro onde conhecemos famílias e os seus mistérios e neste cruzar de segredos e modos de vida que a narrativa ganha dimensão e se expande para além do crime. No fundo, o autor desenvolve uma história de poder, de relações e de segredos que é despoletada pelo abuso e tráfico de mulheres de leste. Porém, o foco nos crimes e na forma como eles são cometidos é menor comparativamente a todo o contexto em que eles surgem.

Fui positivamente surpreendida pela escrita clara e apelativa. Esta qualidade permitiu-me criar uma boa ligação com o livro e deixou-me interessada em conhecer novas obras deste escritor.

A forma como este livro começa é muito boa. Adensou a minha curiosidade e espicaçou a minha vontade em conhecer mais da história. E consegui manter este interesse praticamente até ao final. 
Apesar desta relação positiva, houve aspetos na narrativa que não me permitiram dar uma pontuação mais elevada ao livro. 
Do meu ponto de vista há situações no livro que não ficaram bem esclarecidas e outras que me deixaram em dúvida. Não os posso referir aqui todos, pois corro o risco de estragar a leitura a quem se decida aventurar nestas páginas. De entre diferentes aspetos destaco a Aleksandra e todo o mistério que a envolve. Pessoalmente pensei que existiria alguma ligação entre a história dela e a história principal do livro, mas quando cheguei ao fim do livro nem sequer tive oportunidade de ver esclarecidos os assuntos que a ocupavam. 
Para além deste aspeto há uma carta que Leonardo recebe quase no início do livro e que várias vezes é referida ao longo da história. Estava muito curiosa por conhecer o conteúdo desta carta e o autor privou-me de satisfazer este meu interesse. Pelo contexto e pelo desenrolar dos acontecimentos eu consigo deduzir o que lá estava, mas senti-me enganada e frustrada porque sempre achei que a carta tinha a relevância suficiente para constar destas páginas.

Chegada à reta final do livro senti que ficaram coisas por dizer e mostrar. Não sei se foi propositado e o autor tem em vista uma continuação ou se foi um pouco de descuido. Mesmo que haja uma continuação, penso que alguns aspetos deveriam ter sido esclarecidos e concluídos. Aquilo que senti foi que o escritor teve pressa em terminar a história que dada a sua evolução consistente merecia uma final mais marcante e conciso.
Apesar destes pequenos pontos de desinteresse acho que é um livro que merece ser lido. Tem uma escrita de qualidade, tem uma história interessante e é uma excelente oportunidade de apreciar o bom trabalho de um escritor português e a quem os leitores devem dar uma oportunidade. 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Opinião | "Marina" de Carlos Ruiz Záfon

Marina
Classificação: 3 Estrelas

Marina, levaste todas as respostas contigo. Esta é a última frase deste livro. Assim que a li, fiquei um pouco confusa relativamente às palavras que deveria usar para descrever a minha experiência de leitura e os sentimentos que me provocou. 

Eu gostei da leitura, mas não me tocou naquele lugar especial onde guardo as histórias especiais e que de alguma forma deixam marcas em mim. A justificação para tal acontecimento remete-me para a fraca ligação que construí com as personagens. 

Este livro traz-nos uma história que resulta da conjugação de vários olhares e de acontecimentos que nos levam a histórias paralelas. Óscar Drai é o guia, aquele que nos conduz pelas diferentes descobertas e nos dá a conhecer diferentes personagens. Juntamente com Marina, Óscar conta-nos a sua história, a história dela, a história de ambos e a histórias de todos aqueles que se enlaçam no caminho de ambos. Nestas páginas encontramos muita aventura, muito mistério e algumas revelações inesperadas e surpreendentes.

O grande motor de toda a história é um segredo. Um segredo de uma família que Óscar e Marina querem desvendar. E enquanto se perdem por Barcelona à procura de respostas, perdem o coração um para o outro. Assim, começamos a ver uma bonita amizade a transformar-se em algo mais complexo, onde o amor de Óscar se vai alimentando da coragem e do mistério que envolvem Marina. São passagens bonitas, mas onde senti falta de emoção. Senti falta daqueles diálogos e passagens que me fazer suster a respiração na expetativa do que está para vir. 

Apesar desta ligação mais fria que desenvolvi com o livro, acho que não esquecerei o desfecho de todo o mistério, assim como não esquecerei o final. Aí senti um ligeiro aperto no coração perante a tragédia que se abateu. Aí senti qualquer coisa que me derreteu um pouco.

Penso que aqui está uma leitura com todos os ingredientes capazes de me encantar e de transformar este livro numa leitura memorável. Contudo, estive longe de me sentir envolvida pela história e pelas personagens. Nada deste livro se apoderou de mim e por isso não vivia história, apenas a li. 

Talvez um dia ainda volte a pegar neste livro. Talvez este não tenha sido o momento certo para me perder nesta história.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Opinião | "Falta de Provas" Harlan Coben

Falta de Provas

Classificação: 3 estrelas

Penso que as expetativas que tinha relativamente ao autor estragaram um pouco a forma como me relacionei com o livro. A Daniela sempre me falou muito bem de Harlan Coben. Aquilo que ela me transmitia fez-me crer que iria encontrar um livro capaz de preencher os requisitos de uma excelente leitura. E foi com isto em mente que iniciei a leitura.

De uma forma geral eu gostei do livro e da história que nos traz. Porém são sentimentos muito superficiais. Não me senti envolvida pela história, nem me senti muito ligada às personagens. Faltou-me, também, aquela vontade desenfreada de descobrir o que estava por detrás de todos os acontecimento em torno do desaparecimento da adolescente e do que havia sucedido ao Dan. Sentia alguma curiosidade, mas queria senti-la de forma mais intensa. Houve até momento do livro que me aborreceram. Tinha a sensação que as coisas não avançavam de forma interessante. Talvez esta minha sensação estivesse relacionada com a minha falta de ligação às personagens. Não as conseguia sentir reais, quer pela forma como elas iam sendo descritas, quer pelos diálogos pouco expressivos. São personagens que não saltaram das páginas para a minha imaginação.

O final foi surpreendente q.b. Sinceramente já não sabia o que esperar. Fui perdendo o interesse ao longo da leitura por isso não estava expectante relativamente ao final. Contudo, tinha uma certeza, não esperava um final bombástico nem arrebatador. Acabei por encontrar um final congruente com a dinâmica do livro, que não deixou pontas soltas e que respondeu a todas as dúvidas lançadas ao longo do livro. No entanto, ficou longe daqueles finais memoráveis que muitas vezes acompanham este género de livros. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Opinião | "Força do Desejo" de Jess Michaels (Albright Sisters #3)

Força do Desejo (Albright Sisters #3)
Classificação: 3 Estrelas

Força do Desejo encerra a série erótica Albright Sisters de Jess Michaels. A autora mantém-se fiel ao estilo de escrita e do tipo de histórias que constrói. Portanto, não foi surpreendente, não foi uma leitura de tirar o fôlego... Foi uma leitura simpática, agradável, que entreve, mas que daqui a uns dias irá desvanecer-se da minha memória.

É engraçado como nos faltam palavras quando nos cruzamos com um livro mediano. Não nos aqueceu as emoções, pois não foi uma leitura entusiasmante, nem as arrefeceu porque não teve o poder de nos irritar ou de nos deixar chateados. Foi aquilo que senti com este livro. Não me arrebatou o coração, nem me fez espumar de raiva por algo mau que lá pudesse haver.

Houve momentos em que me senti a ler As Cinquenta Sombras de Grey. Isto deixou-me um pouco aborrecida. Procuramos sempre alguma originalidade nos livros. Sim, é difícil ser-se originam no meio de tantas publicações sobre diferentes temas. Neste livro em particular, as semelhanças são evidentes, mas em alguns momentos até se consegue destacar. 

Tal como nos livros anteriores, Beatrice vive aquilo que aconteceu às irmãs. Primeiro há uma ligação sexual, há um momento de epifania, em que Beatrice e Gareth vêm as estrelas e encontram o amor e uma ligação hiper - mega especial, mas não partilham sentimentos. Vão continuando a partilhar o corpo e tudo aquilo que ele lhes pode dar, mas só depois de um momento dramático é que há a tão esperada declaração. 
Apesar de gostar de ler livros eróticos, por vezes a fórmula encontrada pelos autores aborrece-me um pouco. Estes são todos muito parecidos. Eu esperava um rasgo de mudança e alguma ousadia da autora em criar cenários de relação diferentes. A ousadia e a exploração por cenários diferentes foram aspetos reservados às cenas eróticas. 

Foi bom terminar esta serie e conhecer uma nova autora. Vou querer ler outros livros da autora e procurar pela sua inovação. Contudo pretendo dar um bom espaço temporal para me conseguir desligar desta forma e apreciar a leitura com outros olhos.
Recomendam algum livro em especial da autora?

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Opinião | "Hotel Sunrise" de Victoria Hislop

Hotel Sunrise by Victoria Hislop
Classificação: 3 Estrelas

Comecei esta leitura com uma enorme vontade de desbravar intensamente aquelas páginas. Os livros anteriores que li de Victoria Hislop deixaram boas recordações e estava curiosa para ver o que este livro reservava. 
Longe de ser um leitura compulsiva, Hotel Sunrise convida a uma leitura mais lenta e mais atenta. O início foi um pouco confuso para mim. Estava a custar-me imenso envolver-me com a história, estava com dificuldades em compreender e assimilar o contexto histórico a que o livro reportava e não me estava a sentir muito cativada com o conteúdo daquelas páginas.

Perante estas dificuldades a leitura avançou devagar e de forma pausada, numa tentativa de amar a história. Paixão, já não iria acontecer, mas o amor poderia nascer da relação com aquelas palavras. E o amor apareceu. Não foi intenso, não foi fulminante e não me arrebatou tanto como aconteceu nos outros livros. Foi um amor confortável e aconchegante e que me levou a pesquisar sobre Famagusta. 

Famagusta é a cidade onde grande parte da ação narrativa se desenrola. É uma cidade Cipriota, muito relacionada com o turismo. A descrição da cidade é maravilhosa e dá vontade de mergulhar os pés naquela água. Associa a esta cidade temos o Hotel de luxo Sunrise, os seus proprietários Aphroditi e Savvas e, dos vários empregados destacam-se elementos de duas famílias com origem distintas. Os cipriotas turcos e os cipriotas gregos.

Eu tinha um desconhecimento total acerca da história do Chipre e penso que isso dificultou um pouco a minha compreensão inicial. Apesar de as coisas se irem clarificando à medida que a narrativa avança, ainda ficaram resquícios de dúvidas e coisas por esclarecer. Claro tudo porque não sei nada acerca das origens deste pais e em como ele foi construído.

Conseguimos perceber as rivalidades, que são mais alimentadas pelo políticos do que pelos habitantes (como deve ser na maioria dos casos) e vamos acompanho as vidas pacatas das personagens até que a guerra se instala. E é a partir daqui que o livro ganha outra dimensão para mim. Foi aqui que o amor nasceu. Passei a perceber melhor as personagens, apesar de terem ficado lacunas na caracterização de Afrodite de Savvas. São duas personagens importantes, mas que são pouco desenvolvidas. Aphroditi é uma mulher que vai aprender a confiar nos seus instintos da pior maneira possível. Tive pena de ela e Savvas terem sido um pouco desprezados no fim. Parece que a autora os queria despachar e não nos deixou grandes pormenores.

É interessante ler sobre as movimentações de guerra e sobre as estratégias de sobrevivências das pessoas. De que forma a nossa personalidade se modifica só para garantir a nossa sobrevivência e há aqueles que apenas a tentam esconder para que depois de se revele da pior maneira. 

Apesar de ter gostado do livro reconheço que ele poderá não ser do agrado de todos os leitores. O início um pouco lento, a falta de conhecimento em relação ao contexto em que a história se desenrola e as personagens pouco desenvolvidas poderão levar alguns leitores a desistir, o que é uma pena. Insistiam um pouco para descobrirem o outro lado da narrativa, um lado que nos prende e nos deixa curiosos. 

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Opinião | "As Calhoun" de Nora Roberts

As Calhoun (Calhouns # 1, 2, 3 & 4)
Classificação: 3 Estrelas

Num só livro conseguimos ter quatro histórias que se encaixam e nos oferecem momentos descontraídos. Não foi dos melhores livros que li da autora, porém foi uma leitura leve, descontraída e que ajudou a que a minha mente desligasse dos problemas e do stress do dia a dia. 
No geral tem descrições do espaço muito boas, que deixam aquela pontinha de inveja por não podemos saltar diretamente para aqueles penhascos, ouvir as gaivotas e sentir o aroma do mar e das flores dos jardins que povoam aqueles espaços.  

(Escrevi uma opinião para cada livro da série que integra este livro. Foram escritas à media que ia lendo).

Cortejando Catherine - 3 Estrelas
Este é a história que inaugura o livro. Ao longo da história vamos acompanhando uma narrativa no presente e outra no passado. Infelizmente tem poucas páginas o que impede que as duas histórias cresçam de forma equitativa e que ganhem a intensidade necessária para me fazer vibrar mais com as personagens e com os acontecimentos. Comparativamente a outras obras da autora que já li, este parece ser um livro mais leve e ligeiro. 
Integrando um série é esperado que a narrativa vá crescendo ao longo da história. 

Um homem para Amanda - 3 Estrelas
Tal como senti com a história anterior, esta peca por tudo acontecer demasiado depressa. É tudo muito instantâneo entre as personagens e os acontecimentos precipitam-se. Não há espaço para o amor crescer e a relação se intensificar.
Tal como aconteceu com Catherine e Trent, Amanda e Sloan tiveram uma atração imediata, pincelada por toques místicos. Estavam destinados um ao outro e dá a sensação que bastou isso para caírem nos braços um do outro.   
Apesar desta minha pequena insatisfação, gostei ligeiramente mais do que o anterior e gostei dos momentos divertidos que vão existindo. Apreciei os pequenos relances de mistério e o meu fascínio pela história do passado aumentou. A história desta Bianca daria um bom livro.

Pelo amor de Lilah - 4 Estrelas
Até agora esta foi a história que mais gostei. Talvez se deva ao facto de a história do passado ter tido mais expressão e de se terem feitos avanços acerca da vida de Bianca. Desta vez, também fiquei mais convencida relativamente ao personagem masculino, Max. Achei-o mais interessante comparativamente aos personagens masculinos anteriores. Max trouxe um colorido diferente à história, mostra-nos outro tipo de abordagem ao amor (apesar de também ter aquela característica particular de ter sido instantânea).
Lilah é a mais mística das irmãs, mas tem a mesma relação parva com os homens. Estas irmãs parecem bipolares. Querem afirmar a sua independência e mostrar que não precisam de ninguém para as defender, mas basta um pouco de romantismo e charme por parte dos homens para elas se derreterem todas.
Cada vez mais o meu interesse cresce relativamente a Bianca, Christian e Fergus. Estes antepassados da família Calhoun são muito interessantes, cheios de mistérios e com uma história que merecia um livro só para eles. 

A rendição de Suzanna - 3 Estrelas
Este foi de todas as histórias aquela que estava a começar melhor. Toda eu me empolguei quando vi um Holt a não se derreter ao aparecimento de uma Calhoun... Como foi fácil enganar-me. É que meia dúzia de frases à frente, este Holt já só pensava em como seria perder-se num beijo e no corpo da Suzanna. Aqui acabou por não parecer assim tão estranho pois eles já se conheciam da adolescência.
Nesta história manteve-se o mesmo registo das anteriores: mulheres fortes que dizem querer uma coisa, mas mostram coisas diferentes e querem coisas diferentes e homens completamente rendidos à beleza ofuscante destas mulheres. Vale pela leveza da história, pelas paisagens e pelas expressões sensitivas que estão presentes neste livro, com mais destaque nestas duas últimas.
A história de Bianca foi concluída e adorei. O livro vale muito por esta história e pela forma como tudo é desvendado e encaixado no presente.

Penso que está será uma boa leitura para as vossas férias.

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião sincera. 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Opinião | Contos

Felicidade Clandestina

Conto: Rostos de Carnaval
Classificação: 4 Estrelas

Mais uma vez, em poucas palavras, Clarice Lispector consegue transportar-me para os dois mundos que podem cobrir a infância: o mundo da fantasia aliado ao sonho, e o mundo da floresta negra aliado ao sofrimento e às necessidades.
Neste conto temos uma menina que sonhava com o Carnaval. Sonhava com a alegria que esta quadra encerra. Porém, o destino e as suas condições impediam-na de viver o lado alegre e festivo do Carnaval. Ao longo do conto assistimos às mudanças do lado mais negro da vida desta criança oferecendo-lhe um rasgo de boas vibrações no meio da tristeza e da dor.

Conto: Come, meu filho
Classificação: 2 Estrelas

Este conto é demasiado curto para me permitir uma opinião mais complexa.
É um conto que nos transposta para a exigente "idade dos porquês". Então encontramos uma criança curiosa, cheia de perguntas e uma mãe que apenas está preocupada com a refeição do filho. É um conto interessante do ponto de vista em retrata a relação entre mães e filhos.

Conto: A quinta história
Classificação: 4 Estrelas

Este conto está muito engraçado. Partindo do mesmo assunto, a autora consegue dar-nos quatro histórias que ficam todas reunidas numa só: a quinta história.
A forma como as palavras são conjugadas e como os acontecimentos estão encaixados deixa sobressair a inteligência da autora na construção de histórias.

Conto: Tentação 
Classificação: 3 Estrelas

Tentação é um conto sobre a diferença. Uma menina diferente, num mundo de iguais, que encontra um ser que com ela partilha essa diferença. São atraídos um para o outro, mas ainda não estavam preparados para caminharem em conjunto.
Aquilo que mais gostei neste conto é a ternura que está associada à história.

Conto: O ovo e a galinha
Classificação: 1 Estrela

Senti-me extremamente ignorante a ler este conto porque não cheguei a perceber qual a mensagem que a autora queria transmitir, nem qual a intenção dela perante toda a filosofia acerca do ovo, da galinha e do amor.
Uma leitura confusa, que me aborreceu e me frustrou. 

Conto: Macacos
Classificação: 2 Estrelas

Mais um conto estranho de uma menina que escolhe como animal de estimação um macaco.
Penso que, com este conto, a autora pretendia mostras que os animais devem ser tratados com respeito e não ajustá-los às nossas necessidades. Contudo não estou bem certa de ter feito uma boa interpretação da mensagem do conto.

Conto: Menino a bico de pena
Classificação: 3 Estrelas

Este conto é uma breve reflexão sobre o crescimento, a aprendizagem e as potencialidades de desenvolvimento de uma criança. E ao longo de todo este caminho, há uma personagem que tem de ser valorizada: a mãe.
É um conto bastante simples, muito fiel ao estilo metafórico que a autora deixa sobressair em alguns dos seus trabalhos. 

terça-feira, 26 de junho de 2018

Opinião | "Limões na Madrugada" de Carla M. Soares

Limões na Madrugada
Classificação: 3 Estrelas

Iniciei esta leitura cheia de expetativas. Já tinha lido outros livros da Carla M. Soares e ficou sempre a sensação de boas leituras e de históricas cativantes. Esperava tanto uma história que me encantasse e quebrasse o ciclo de ressaca literária em que me encontro, que logo nas primeiras páginas fiquei frustrada perante o aborrecimento que me invadia. Era aborrecido avançar na leitura e ficar com a sensação que não acontecia nada. Assim, senti falta de ação, de acontecimentos que marcassem a leitura de forma mais significativa e senti falta de algo que me ligasse às personagens. Acabei por me sentir muito distante da história e das personagens que cheguei a passar por fases que nem me apetecia ler.

Adriana é a personagem principal desta história. Ela procura desvendar o passado da família paterna que ficou em Portugal. Pessoalmente, nunca senti que Adriana tivesse grande vontade ou necessidade de descobrir o que motivou a partida dos pais para a Argentina. Mesmo nos últimos capítulos, enquanto conversava com o pai, houve ali uma brecha do passado que se abriu, mas não senti que isso tivesse grande eco em Adriana. Não senti a curiosidade borbulhante a nascer dentro dela ao ponto de a empurrar na busca pelo passado. Nunca a vi interrogar-se acerca da partida dos pais. Acho que essa interrogação foi nascendo de forma ligeira quando ela já estava em Portugal.
Talvez Adriana, ao vir a Portugal, estava a tentar fugir dos seus próprios fantasmas, aqueles que a inquietavam no presente e relacionados com a sua própria vida. 

Sensivelmente a partir de metade do livro, os acontecimentos surgem de forma uma pouco mais intensa o que acabou por melhor a minha leitura. Apesar desta melhoria, nunca cheguei a empatizar nem com a história nem com nenhuma das personagens. 

Apesar do meu desencanto com a história, quero realçar um ponto muito positivo e que confere uma qualidade especial ao livro: a escrita. Carla M. Soares faz com que as palavras se entrelacem numa dança suave e envolvente. E assim, mesmo com uma história simplista, sem grande impacto e que não fez o meu coração palpitar, consegui retirar o prazer de palavras escritas numa sintonia muito própria. O livro tem uma escrita muito bonita, que fluiu de forma muito suave ao longo da minha leitura, deixando um rasto de boas sensações.

sábado, 23 de junho de 2018

Opinião | Emoções Proibidas (Albright Sisters #1) de Jess Michaels

Emoções Proibidas  (Albright Sisters, #1)
Classificação: 3 Estrelas

Jess Michaels era uma autora desconhecida para mim. Já me tinha cruzado com pessoas aqui no mundo dos blogs literários que conheciam os livros da autora, mas nunca tinha tido a oportunidade de os ler. Assim que vi na biblioteca o livro que reunia todos os livros de uma série da autora, achei que poderia ser uma boa oportunidade de ler, ao mesmo tempo que começava e terminada uma série sem ter de andar a mendigar por todos os livros.

Sabia mais ou menos o que ia encontrar. Este género de livro segue uma linha muito semelhante. Claro que existem aqueles que nos conseguem surpreender pois têm um toque especial de criatividade. Não foi o caso deste livro. A história é muito linear, não há grandes elementos transformadores e geradores de surpresa e as personagens seguem um percurso simples.
Uma das coisas que mais estranhei foi a introdução precoce de cenas sensuais. Elas começam logo nas primeiras páginas e transformaram-se numa ligação demasiado fulminante e com uma intensidade exagerada entre Miranda e Rothschild. Achei que estas duas personagens não tiveram o tempo suficiente para crescer enquanto casal, nem em descobrir tudo aquilo que atormentava cada um deles.

Foi frustrante não aceder a todos os lados obscuros de Rothschild. Pareceu-me um homem interessante e com um passado nubloso e cheio de recantos obscuros. Acabou por ser mal explorado e não tive grandes informações em relação a ele. Achei engraçada a aproximação do livro à série 50 sombras (talvez este livro tenha sido uma inspiração à série uma vez que a sua publicação original ocorreu bastante antes da série), numa época história totalmente diferente.

Acredito que as histórias possam evoluir e que a escrita da autora cresça nas próximas obras. Desta forma, espero surpreender-me com que ainda tenho para ler. Optei por não ler a série toda de uma vez para não correr o risco de me aborrecer ou cansar com as histórias. Assim, estou a meter outros livros pelo meio até chegar o momento de dar continuidade à série.

sábado, 16 de junho de 2018

Opinião | "Laços Familiares" de Danielle Steel

Laços Familiares
Classificação: 3 Estrelas

Já me considero experiente no que respeita à leitura de livros da autora Danielle Steel. Já perdi a conta à quantidade de livros que li. Na memória dos favoritos guardo A Mansão Thurston e  Mensagem do Vietnam. Foram os livro que, até ao momento, mais gostei da autora e ainda nenhum outro me conseguiu conquistar como estes dois.

Laços Familiares foi apenas uma leitura agradável e que ficou longe de me arrebatar. Nestas páginas encontrei uma história simples que se debruçava sobre as vivências familiares, a amizade e o amor. Em alguns momentos senti que a autora estava a ser um pouco repetitiva nos conteúdos abordados e na forma como se referia aos comportamentos e pensamentos das personagens.

Relativamente às personagens senti-me um pouco desligada delas. Senti falta de algo que me fizesse senti-las como reais. Em certos momentos pareceram-me personagens muito fabricadas e com tonalidades de futilidade que me deixaram um pouco aborrecida.

Apesar de tudo, a escrita simples e a história pouco complexa consegui uma leitura descontraída e pouco exigente. Foi o livro ideal depois de um leitura pesada e que me desorganizou as emoções. 
Continuarei a ler livros da autora na busca de histórias intensas e personagens inesquecíveis.

sábado, 26 de maio de 2018

Opinião | Contos

Felicidade Clandestina

Continuo a dar continuidade ao livro da Clarice Lispector para tentar terminar este livro de contos. Como são 25, vou lendo os que consigo ao longo dos meses. Aqui fica a opinião aos contos que li este mês.

Conto: Uma esperança
Classificação: 2 estrelas

Este é um conto curto que nos fala da esperança recorrendo a uma abordagem metafórica. Dado o tema e complexidade que o mesmo encerra, achei que a história ficou um pouco vazia. Senti falta de uma maior desenvolvimento para me inteirar mais acerca da forma como a autora contextualiza a esperança e no formato que ela lhe pretende dar.
Foi um conto confuso e necessitava de uma maior desenvolvimento.

Conto: Os desastres de Sofia
Classificação: 3 Estrelas

Os desastres de Sofia foi o conto mais longo deste livro que li até agora. Tenho sentimentos ambivalentes em relação à história que nos foi apresentada. Se por um lado achei engraçado e olhei com alguma ternura para o facto de o conto nos trazer o amor de uma menina pelo seu professor, por outro achei que, para uma criança de nove anos, o enredo e os sentimentos complexos eram demasiado artificias.  Em certas alturas, achei que o tom narrativo se inclinava para uma sensualidade que em nada tem que ver com a idade da personagem principal.

Conto: A criada
Classificação: 3 Estrelas

Mais um conto bem pequeno (uma página e meia) que nos fala da Eremita. Uma criada que tinha os seu lado encantador e o seu lado negro. Gostei desta dualidade de impressões e no quanto o seu lado recatado e silencioso encobria as sombras que ela ia semeando.

Conto: Uma história de tanto amor
Classificação: 3 Estrelas

Achei este conto muito engraçado pela amizade peculiar que me deu a conhecer. Aqui conhecemos uma menina que faz das galinhas o seu animal de estimação. Uma menina que fica triste porque o galo não consegue amar nenhuma galinha em especial. 
Neste conto também está subjacente a ideia de que podemos amar os outros, mesmo que os outros não gostem de nós. Assim era a amizade entre a menina e as suas galinhas. Ela sabia que da parte delas não havia aquela reciprocidade de amigo, mesmo assim, achava que elas mereciam o seu amor e sua consideração.
A parte final foi a que eu menos gostei. A forma como a menina passa a encarar a morte das suas galinhas e a forma como se alimentou de uma galinha em particular foi estranha e não gostei muito. 

domingo, 29 de abril de 2018

Opinião | "O homem que sonhava ser Hitler" de Tiago Rebelo

O Homem Que Sonhava Ser Hitler
Classificação: 3 Estrelas

Houve uma fase da minha vida em que eu devorava livros de Tiago Rebelo. Facilmente me apaixonava pelas suas histórias e li-as de forma compulsiva. Aliás, costumo até apontar um dos livros dele como um dos meus livros preferidos de sempre. Contudo, não senti a mesma magia com os livros que li mais recentemente (excetuando o livro O último ano em Luanda). 

O homem que sonhava ser Hitler foi mais um dos livros sem magia. Gostei, a temática é relevante e interessante mas a forma como a história nos é contada é, por vezes, aborrecida. O autor passa muito tempo a contar, contar, contar e mostra pouco das personagens, da suas interações e das suas personalidades. Ao longo da leitura senti falta desta dimensão da escrita que tem a magia e o dom de nos transportar para a realidade literária. 

A história centra-se em dois inspetores da Polícia Judiciária (PJ) e num partido de extrema direita que vai semeando o caos e o medo por onde põe as mãos. O caso que liga estes dois intervenientes é a agressão a um miúdo de 7 anos. Esta agressão desencadeia um conjunto de descobertas e ligações com uma tonalidade sinistra e perigosa. 

Relativamente aos termos da investigação e da ação da PJ aquilo que transparece é um excelente trabalho de investigação do escritor. Em todos os momentos cruciais do desempenho dos nossos polícias e do trabalho de desenvolvido por esta força de segurança denotava-se um cuidado em explicar as coisas de forma clara e pormenorizada. 

Como escrevi anteriormente, gostei do livro. Apenas não gostei com mais intensidade, não gostei tanto como estava à espera de gostar. A escrita do livro é fluída e simples de ler. Apenas lhe falta expressividade e um tipo de emoção que já encontrei em outros livros do escritor. No meu caso não foi uma leitura rápida. O livro arrastou-se ao longo de uns dias mais pelo tempo escasso para ler e não pelo desinteresse na história. 

Acho que, para quem nunca leu Tiago Rebelo, é um autor a quem devem dar uma oportunidade. As histórias são interessantes, com mais ou menos complexidade, mas que nos conseguem dar bons e prazerosos momentos de leitura. 

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Opinião | "Confissões" de Kanae Minato

Confissões
Classificação: 3 Estrelas

Confissões foi o último livro enviado pela Denise para o nosso Empréstimo Surpresa. Parti para a leitura sem criar expetativas, apenas sabia que era um livro que ela tinha adoro e que a surpreendeu. Quando terminei a leitura fiquei sem saber o que escrever acerca do livro e sem saber que classificação lhe dar. Foi um leitura que me provocou sensações estranhas e no meio dessa estranheza fiquei bastante indecisa sem saber muito bem o que fazer. 

Começando por uma análise mais global, acho que a forma como foi escrito, a escolha das personagens a quem foi dada a voz e toda a sequência que se foi instalando. Contudo, em certos aspetos torna-se repetitivo e cheguei a sentir-me aborrecida por, em alguns momentos, ter de ler novamente sobre a mesma situação.
A linguagem é simples e a escrita bastante acessível. 

Relativamente à narrativa senti-me estranha ao lê-la. Não tenho filhos e só consigo imaginar aquilo que Moriguchi sentiu ao perder a filha, contudo não sei até que ponto é que forma que ela usou para vingar a morte da filha seja legítima ou se até não está a usar uma vingança infantil. Assustei-me com a frieza dela e com a forma calculista para desenhar tal plano pouco tempo depois de sentir uma dor tão atroz.

Relativamente aos pré-adolescentes que vão ganhando protagonismo, acho que há certas coisas que me pareceram demasiado à frente para miúdos de 12/13 anos, que se inserem num padrão de desenvolvimento mais ou menos normal. Excetuando um deles que foi bastante estimulado pela mãe, os outros pareceram-me alunos que respeitavam os padrões normais, com maior ou menos apetência para as tarefas escolares. Estes aspetos fizeram-me olhar para eles com alguma desconfiança.

O final acabou por me surpreender um bocadinho. Contudo achei que foi tudo demasiado ficcional. Senti falta de qualquer coisa que me fizesse acreditar em tudo aquilo que aconteceu com aquelas personagens. 

Nunca me senti ligada ao livro, em nenhum momento me emocionei ou me senti incomodada com os acontecimentos. Não achei que fosse um mau livro, considero que foi apenas um livro que cumpriu a sua função de entreter mas não deixou qualquer tipo de marcas. Talvez não tenha funcionado muito bem comigo, o que acaba por ser curioso. Achei este livro bastante racional, o que poderia fazer um click positivo com a racionalidade que vive dentro de mim, mas tal não aconteceu. Bem... talvez a dose entre razão e emoção não estivesse no equilíbrio perfeito afastando-se da minha mente emotivo-relacional. 

segunda-feira, 12 de março de 2018

Opinião | "Morreste-me" de José Luís Peixoto

Morreste-me
Classificação: 3 Estrelas

Parti para este leitura sem grandes expetativas e sem esperar o que quer que seja do livro. Com uma experiência anterior com o autor não tinha corrido muito bem não queria falhar com este livro também. Por isso, mantive a mente aberta e comecei a leitura de forma livre e despreocupada.

O livro é muito pequeno. Li-o numa viagem de uma hora de autocarro. Num registo muito intimista e sentimental, o autor liberta todas as suas emoções relacionadas com o falecimento do pai.
Apesar de ser um livro de leitura fácil e rápida, o autor apresenta-nos uma escrita muito própria. É uma escrita com alguns "floreados" que nem sempre me entusiasmaram. Para mim, muitas vezes, uma escrita mais simples tem poderes especiais  e consegue transmitir de forma bem mais eficaz aquilo que cada pessoa sente no seu interior.

Foi uma leitura satisfatória, sem grandes entusiasmos ou alvoroços, mas que me permitiu concluir com sucesso a leitura de uma obra deste autor.

Em relação a ler obras futuras do autor, não sei, tenho as minhas dúvidas e reservas. Como não me senti entusiasmada com este livro, como ele não me tocou de uma forma muito profunda, tenho receio de me perder com uma obra mais extensa. Tenho dúvidas em relação ao meu entusiasmo com a abordagem que José Luís Peixoto faz das palavras.

Futuramente, decidirei se me aventuro por outras obras ou não. Quem, como eu, sente relutância em "pegar" neste autor poderá começar com este livro e ver como se adapta a este género de escrita. Como é um livro pequeno é mais fácil suportar a leitura para o caso de não se estar a gostar muito.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Opinião | "Caçadores de Cabeças" de Jo Nesbø

Caçadores de Cabeças
Classificação: 3 estrelas

Caçadores de cabeças marca a minha estreia com este autor norueguês. Geralmente, e da minha pequena experiência literária, os nórdicos têm uma aptidão especial para criarem livros de mistério/crime muito cativantes e que nos deixam agarrados às páginas. Portanto, estava com grande curiosidade em conhecer este livro. 

A forma com este livro inicia não é muito cativante. As situações, a vida das personagens e as suas relações parecem arrastar-se pelas páginas não me proporcionando momentos que me permitissem aproximar delas. Achei que a escrita era pouco emotiva, não passava emoções sentimentos. Porém penso que a justificação para esta característica prende-se com o facto de estamos perante um livro cheio de raciocínio lógico sem grande espaço para as emoções.

Foi uma leitura cheia de altos e baixos. Houve momentos muito interessantes, outros que me deixaram verdadeiramente repugnada e outros que me foram indiferentes. Mas assim que cheguei ao final, fiquei de boca aberta. A forma descarada e inesperada com que o autor nos consegue enganar e de deixar qualquer leitor sem palavras. 
Algumas passagens do final tive de ler duas vezes, e cheguei a voltar atrás no livro para ver se me tinha escapado alguma coisa. Eu estava completamente rendida àquele final e à forma como tudo se encaixou e desencaixou. 
É um livro que vale muito pelo final surpreendente que o autor nos apresenta. Apesar de sentirmos que há coisas no livro que não nos cativam ou que parecem pouco interessantes, o autor consegue elevar-se ao criar um final inteligente, lógico e inesperado.

Para este final em muito contribuiu a inteligência de Roger, um homem inteligente e que trilhou um caminho de forma surpreendente. 
Quem estiver com ideias de ler este livro, deve fazê-lo sem qualquer reservas. E se ao longo da leitura sentir que algo não seja cativante, a ordem é para que não se desista, porque o final irá, sem dúvida surpreender todos os leitores.


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Opinião | "O encontro" de Vergílio Ferreira

Contos
Conto: O encontro
Classificação: 3 Estrelas

O encontro veio até mim através de uma miúda do 9º ano, a J., que precisava de ler o conto e de escrever o seu resumo. Para que eu a pudesse ajudar tinha de ler o conto. Surgiu aqui uma excelente oportunidade de ler alguma coisa de um autor que li no secundário e fiquei a gostar.

Estava a ler o conto ao mesmo tempo que a J. e ia sentindo algumas das suas dificuldades. Numa escrita difícil e uma narrativa onde há muitos "buracos" no que respeita à contextualização das personagens e da ação foi difícil motivá-la para a leitura (tinha sido obrigada pela professora de português). Enquanto líamos, ia contextualizando-a e vendo o que é que ela estava a perceber. 

Como o conto é pouco desenvolvido deixa muito espaço à nossa imaginação. Temos como personagem principal um engenheiro que deixa a grande cidade, Lisboa, para se estabelecer numa pequena aldeia do interior. O seu comportamento não é do agrado da população e geram-se ali algumas inimizades. 

À medida que avançava na leitura ia conseguindo contextualizar-me em alguns aspetos, mas outros são produto da minha dedução tendo em conta os acontecimentos. 

Apesar de um início de leitura complicado e confuso, eu gostei de ler este conto, particularmente da forma como terminou. Foi um final que apanhou de surpresa, mas que fez sentido tendo em conta a carga dramática que o autor parece querer dar ao seu texto.