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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Opinião | "Pura Malícia" de Jill Mansell

Pura Malícia
Classificação: 2 Estrelas

Pura Malícia marca a minha estreia com os livros de Jill Mansell. Peguei neste livro porque continuava com vontade de ler um livro divertido e que me arrancasse algumas gargalhadas. Infelizmente os minhas necessidades não foram satisfeitas. 

Quase tudo neste livro foi aborrecimento. Páginas e páginas sem aspetos relevantes para a história, uma suposto casal amoroso sem nenhuma química ou capacidade de me pôr o coração a palpitar. Sinceramente, eu estava à espera de um enredo mais envolvente e cativante, mas dei por mim a arrastar a leitura, por vezes um pouco desmotivada porque sentia que estava num livro sem ação.

As primeiras páginas fizeram-me acreditar que me iria rir imenso com Maxine, uma rapariga de espírito livre que tinha uma maneira muito própria de ver a vida. Tem algumas passagens mais divertidas mas, na generalidade é uma personagem sem vida e sem brilho. Fica apagada pelo seu desejo incansável de sucesso e pelo seu jeito um pouco estranho de se relacionar com as pessoas.

Janey, a irmã de Maxine, foi a personagem que mais gostei. Merecia mais no livro, merecia brilhar mais. Tem uma história de vida com imensas potencialidades, porém é explorada de forma deficitária e a escritora tornou-a demasiado crédula e ingénua. Acho que ela poderia ter absorvido outro tipo de características tornando-a numa personagem com carisma e capaz de me encantar e marcar.

Por fim temos o Guy e todas as mulheres que giram em torno deste Deus Grego cobiçado por um número infinito de senhoras vazias e ocas que me fizeram revirar os olhos a cada salto agulha que soava no chão, a cada limar das unhas... Toda esta superficialidade que surge nas mulheres com que Guy vai mantendo as suas aventuras amorosas chegou a irritar-me. É um aspeto que se estende por demasiadas páginas, acabando por tornar a leitura repetitiva e aborrecida.

Os filhos de Guy acabam por salvar um pouco a história. São duas crianças cheias de vida que deixam a sua marca na vida de algumas personagens. A mãe de Maxine e Janey e o pai de Guy também me ofereceram bons momentos de leitura. Trouxeram-me situações atípicas e ligeiramente divertidas.

Como estava à espera de outro tipo de leitura não sei muito bem se deva apostar noutro livro da escritora. Se alguém desse lado for fã da escritora e tiver uma boa sugestão para mim, por favor, deixe nos comentários. Pode ser que tenha um livro capaz de fazer rir e divertir.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Opinião | "Depois da Meia Noite" de Diana Palmer

Depois da meia-noite

Classificação: 2 Estrelas

Quando peguei neste livro sabia que não iria ler uma história inesquecível. Sabia que seria uma história simples e com alguma sensualidade à mistura. 

A verdade é que não tenho muito a escrever sobre este livro. Foi uma leitura tão mediana que não deixou qualquer tipo de marca em mim. 
Temos a história de dois homens com interesses políticos e que as circunstâncias os tonaram inimigos. Para complicar ainda mais estas relações a irmã de um deles apaixona-se pelo outro. 
Partindo desta premissa, a leitura leva-nos por momentos de paixão (muito instantânea para o meu gosto), para intrigas e discussões e para um final onde tudo acaba bem. 

Parece ser uma boa companhia para uma tarde de praia. Considero que este livro também pode ser um livro de transição, ou seja, um livro para ler depois de sairmos de uma leitura que nos esgota as emoções - assim diminuímos a probabilidade de arruinar uma leitura seguinte.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Opinião | "O Diário de um Mago" de Paulo Coelho

O Diário de um Mago

Classificação: 2 Estrelas

Houve um tempo em que a minha mente era mais filosófica e dada a cenas metafísicas. Nesse tempo eu fui uma enorme consumidora dos livros de Paulo Coelho. Senti-me como se tivesse a ser invadida por algo superior que me alimentava a alma e a minha mente inquieta. 
Depois deixei Paulo Coelho para trás e só agora é que voltei a pegar num livro dele. 

Não sabia de que é que o livro falava, por isso fiquei extremamente admirada quando me apercebi do seu conteúdo. O livro é narração da viagem de Paulo Coelho pelos caminhos de Santiago. Achei este aspeto curioso porque ando há imenso tempo por fazer o caminho a pé entre Braga e Santiago de Compostela. Já partilharam comigo que é uma caminhada especial e onde facilmente nos perdemos em reflexões pessoais. Infelizmente nunca surgiu a oportunidade. 

Esta não foi uma leitura arrebatadora. Li-o quase todo em apenas duas viagens para Braga. A escrita é simples o que facilita imenso a leitura. Achei interessante a parte dos exercícios que o autor foi convidado a fazer ao longo do caminho. Interpretei-os mais como uma espécie de exercícios de meditação. Em alguns casos até senti vontade de os experimentar, mas outros não me despertaram qualquer tipo de interesse. 

Foi uma leitura ligeira e que me fez pensar naquilo que o tempo e as vivências provocam em nós. Eu não sou a mesma pessoa. Estou diferente da adolescente que devorava livros de Paulo Coelho como se dentro deles vivesse a maior das verdades espirituais. Apesar disso, hoje sou uma pessoa que é o resultado das vivências enquanto adolescente. Por isso esta leitura foi satisfatória. Não foi uma leitura desagradável, contudo não me proporcionou os mesmos sentimentos que provavelmente proporcionaria há alguns anos atrás.  

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Opinião | "A Minha Avó Pede Desculpa" de Fredrik Backman

A Minha Avó Pede Desculpa
Classificação: 2 Estrelas

Parti para esta leitura cheia de expetativas. Esperava encontrar um livro ternurento, emotivo e com uma relação entre avó e neta daquelas de nos ficar gravada no coração.
Infelizmente não consegui absorver estas sensações, nem sentir todas as coisas positivas que estava à espera. Foi uma leitura satisfatória que ficou um pouco longe de tudo aquilo que eu idealizei para este livro. 

Diverti-me bastante com as primeiras páginas e com a Avozinha peculiar da Elsa. Foi engraçado descobrir o lado aventureiro e o comportamento "fora da caixa" que esta idosa tinha. Por vezes, Elsa era mais responsável do que ela. 
Com o avançar da história, a minha relação com as personagens e com o conteúdo foi azedando. Esta má relação começou com a confusão que se instalou na minha cabeça  quando a quantidade de personagens ia aumentando. Foram muitas personagens e cada uma com um motivo específico para entrar na história. Era muita informação para uma história que eu esperava ser mais simples. 

Quem me acompanha há mais tempo sabe que eu não sou fã de Harry Potter, por isso lidar com as enormes referências a esta personagem literária também foi um aspeto que me desmotivou um pouco. Contudo, reconheço que este mesmo aspeto poderá funcionar como um ponto positivo para quem é fã da série que, consequentemente, conseguem perceber melhor o carácter destas referências. 

Outro aspeto que me desencantou foi a forma estereotipada como abordam a questão do divórcio o impacto dele na vida das crianças.

A Elsa não foi um criança literária capaz de me deixar fortes lembranças. O seu comportamento e a sua rotina não parecia de uma menina de 8 anos. Houve momentos em que ela se comportava de uma forma demasiado infantil para a a idade. Para além deste aspeto, ainda me questionei se uma criança acerca do desenvolvimento cognitivo de uma criança de 8 anos e forma como interpretam as histórias. Do meu ponto de vista, as crianças de 8 anos já têm capacidade para distanciar aquilo que é a realidade das histórias e aquilo que é o mundo real. 

Perante esta minha experiência com o livro e os aspetos que mencionei, fico com algumas dúvidas relativamente à faixa etária a quem posso recomendar este livro. Para crianças de 8 anos poderá ser um pouco complexo e com demasiadas personagens e com demasiado conteúdo narrativo. Por outro lado, sinto que para crianças mais velhas poderá ser um livro aborrecido. 

Sei que há mais um livro deste autor publicado em Portugal e tem opiniões bastante favoráveis, por isso quer dar uma nova oportunidade ao autor e sedimentar melhor a minha opinião relativamente ao trabalho deste escritor. 

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Opinião | "Revelação Inesperada" de Andrea Kane (Pete 'Monty' Montgomery #2)

Revelação Inesperada (Pete 'Monty' Montgomery, #2)

Classificação: 2 Estrelas

Este é um daqueles livros (desgraçados) que vem parar à estante e acaba por lá ficar infinitamente à espera de uma oportunidade para ser lido. Isto acontece porque outros mais apelativos se vão cruzando no caminho das leituras.

Desde que adquiri este livro, através de uma promoção da Editorial Presença, que nunca me senti particularmente atraída por ele. Não tenho uma explicação racional para tal facto, mas a verdade é que ele foi ficando por ler porque não sentia uma vontade intensa de me atirar a ele. 
Porém achei que já estava na estante há demasiado tempo e merecia ser lido. Aquilo que acabou por acontecer é que os meus receios em relação ao livro acabaram por se confirmar. 

Revelação Inesperada é um policial e retrata um crime que ficou mal resolvido no passado.
A resolução deste crime deixou-me a pensar durante imenso tempo. Não pensem que foi pela sua complexidade ou por ter aspetos rebuscados e capazes de desafiar a mente mais hiperativa. Isso aconteceu porque identifiquei facilmente quem tinha sido o criminoso. Ora foi algo tão óbvio e com motivações tão claras que durante muito tempo me interroguei acerca da forma como as coisas foram conduzidas no passado ao ponto de não conseguirem resolver um mistério tão básico.

Aquilo que posso partilhar com vocês é que o livro não me surpreendeu, não me deixou em suspense e nem despertou em mim aquela vontade de ler de forma desenfreada só para desvendar o que estava por detrás dos acontecimentos.

Como referi anteriormente, foi um livro com um criminoso e motivações previsíveis. Aliado a esta parte policial é desenvolvido um romance que não foi capaz de me aquecer o coração. Não me emocionou nem me despertou aqueles sentimentos queridos que geralmente surgem em mim quando leio uma boa história de amor.

O final trouxe ligeiros apontamentos de surpresa. Foram estes pequenos apontamentos finais que me permitiram atribuir duas estrelas ao livro. Se não fosses estes aspetos inesperados para mim, facilmente teria atribuído uma estrela a este livro. Com o final da leitura não ficou em mim o interesse em ler outros livros desta escritora.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Opinião | "O Bom Inverno" de João Tordo

O Bom Inverno
Classificação: 2 Estrelas

O Bom Inverno foi uma leitura que não me fez sentido. Apesar de ter compreendido a história e eu não consegui perceber o intuito da história. 
Talvez seja eu que espere que as histórias que leio tenham um propósito, que me conduzam ao longo de um enredo coerente, com personagens que se afigurem como reais e que eu possa entender qual ou quais os objetivos associados a tudo o que se vai desenrolando com a evolução da narrativa. No fundo, procuro enredos coesos e consistentes e que se consigam materializar na minha mente. Este livro esteve um pouco longe de me oferecer isso. Não consegui entender o porquê de grande parte dos acontecimentos, não senti coerência, não consegui perceber o interior daquelas personagens, as suas motivações e os seus reais interesses.

A primeira parte do livro é bastante aborrecida. O narrador é um escritor com um ego demasiado intenso, que não diminui com o seu estado depressivo. Foi uma fase do livro muito chata para mim, onde me irritei com o narrador, com o seu discurso derrotista e com as relações que ele foi criando.

Numa segunda parte, o registo da narrativa muda de forma substancial. Surgem novas personagens que deveriam ser fonte de mistério, mas que, do meu ponto de vista, trazem uma carga misteriosa fraca pois foram  mal explorados pelo escritor.
Apesar de estar curiosa por saber como tudo iria acabar, foi uma desilusão não conseguir encaixar na minha mente uma explicação mais ou menos lógica que me permitisse perceber o comportamento de algumas personagens e as suas motivações. Foi tudo tão confuso e tão pouco esclarecido que me senti grande parte do livro entre o desespero pela leitura estar a ser penosa e a curiosidade em saber como tudo iria culminar. 

Dadas as opiniões positivas que vi relativamente às obras deste escritor português, não me vou deixar marcar por esta experiência menos positiva. Tentarei ler outro livro para, assim, construir uma opinião mais sólida em relação ao estilo do autor, às suas histórias e à sua escrita. Por isso, deste lado, aceitam-se sugestões. 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Opinião | "Uma paixão" de Danielle Steel

Uma Paixão

Classificação: 2 Estrelas

O primeiro livro que li da escritora Danielle Steel foi uma verdadeira aventura. Fiquei presa à história logo nas primeiras páginas e isso levou a ler imensos livros desta escritora. 
Esta vasta experiência permite-me um olhar mais crítico quando olha para o conjunto global das histórias que fui conhecendo. Desta forma posso afirmar que existem livros com histórias memoráveis e muito bem escritas e outros com histórias mais medianas que apenas cumprem a função de entreter. Uma paixão insere-se no último grupo de livros, com uma história simpática, ligeira mas que não me incendiou os sentidos nem colocou o meu cérebro a trabalhar. 

No geral é um livro com uma escrita pobre. Descrições um pouco aborrecidas onde se conta muito e mostra pouco e diálogos pouco explorados e com pouca expressividade.
As personagens são demasiado prevíeis, encaixando em personalidades muito banais e sem interesse. Faltou-lhes atitude, irreverência e carácter. Era personagens com comportamentos bons e personagens com comportamentos maus, faltou-lhe uma certa dose de humanismo para que elas se tornassem reais. Assim temos o Bill e a Adrian, os bons da história, aqueles para quem a vida foi ingrata e no oposto temos o mauzão do Steven sem coração e egoísta que faz com que a dinâmica da narrativa se altere. 

É uma leitura que facilmente se desvanecerá da minha memória. Foi agradável, ajudou a descontrair mas não me agarrou nem mexeu com as minhas emoções.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Opinião | "O nosso reino" de Valter Hugo Mãe

O Nosso Reino
Classificação: 2 Estrelas

O nosso reino é a minha leitura de estreia com um autor português com muitas opiniões positivas. 
Para mim, foi uma leitura estranha. A escrita conseguiu-me proporcionar sentimentos contraditórios, ou seja, houve momentos em que a prosa poética me deixava encantada e outros em que me aborrecia.  Os momentos de aborrecimento talvez estejam associados aos momentos da narrativa em que me sentia um pouco perdida e sem grande ligação à história e às personagens. É um livro escrito apenas com letras minúsculas e sem pontuação que nos indique os momentos de diálogo. Esta particularidade não facilitou a minha relação inicial com o livro. No início isto fez-me um pouco de confusão. Com o avançar da leitura este aspeto acabou por ficar esquecido e não interferiu em nada com a restante leitura, uma vez que na minha cabeça eu fazia a construção da narrativa. 

O livro é narrado por uma criança, porém houve momentos do livro em que achei que a linguagem e as observações feitas não se enquadravam no perfil de uma criança. Um aspeto curioso prende-se com a leitura de algumas passagens pois me recordaram o Carlitos da série Conta-me como foi que passou há uns anos na RTP. Gostei muito de ler sempre que consegui associar as passagens às lembranças da série. Tal como a série, a ação deste livro situa-se no período histórico da ditadura. Foi interessante ler e reconhecer a repressão, os preconceitos e as formas de viver tão castradas da sociedade portuguesa de outrora. 

O que eu mais gostei no livro e que acho que não foi tão desenvolvido como deveria, prende-se com a santidade do nosso narrador. Eu queria ter lido e conhecido mais desta realidade. Queria aceder a mais sentimentos dele e à forma como isso interferia nas suas relações.

Nem sempre me consegui apropriar da história e me sentir envolvida pelo enredo que Valter Hugo Mãe criou. Ficou apenas a curiosidade de ler outras obras do autor e desfrutar da escrita com toques poéticos que oferecem a certas passagens uma tonalidade única e especial.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Opinião | "Regras para descolagem" de Carolina Paiva

Regras para Descolagem
Classificação: 2 Estrelas

Regras para descolagem foi a minha última leitura do mês de Novembro. É sempre uma alegria ver uma pessoa da blogoesfera a aventurar-se pelos mundos da escrita. E, independentemente da minha experiência com a leitura, quero louvar e parebenizar a Carolina pela escrita cuidada, clara e apelativa que usou para nos contar esta história.

A minha experiência com a leitura foi satisfatória. Em alguns momentos senti-me um pouco confusa porque não sabia se estava num momento presente ou num momento passado. Na minha opinião, optar por escrever capítulos delimitados no tempo e com as indicações temporais poderia-me ter facilitado a leitura, a compreensão dos acontecimentos e a embrenhar-me mais na realidade que a autora decidiu escolher.
Estes pequenos pormenores aproximar-me-ião mais de Lourenço e permitir-me-ião criar outro tipo de empatia com ele. Esta personagem precisava de profundidade, precisava de mais interações e acontecimentos para o perceber melhor e o contextualizar nas diferentes fases e desafios da sua vida.

O livro é pequeno e, caso tenham disponibilidade, conseguirão lê-lo num dia. A escrita simples e fluída facilita imenso a leitura e ajuda a colmatar as pequenas imperfeições que a narrativa apresenta.

Espero que este livro seja a porta de entrada para outras obras. Tenho a certeza que a escrita e a narrativa se irão aperfeiçoar, pois sobressai o potencial de crescimento e de aperfeiçoamento.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Opinião | "A Terra Toda" de José Manuel Saraiva

A Terra Toda

Classificação: 2 Estrelas

Mais uma estreia no projeto Português no Masculino que não correu muito bem. Foi ligeiramente melhor comparativamente ao livro do mês anterior, mas faltou muito para me convencer. 

A Terra Toda é um livro estranho, que apresenta conteúdos que colidem com o meu lado profissional. Ora, este aspeto, aguçou ainda mais o meu desconforto com o livro. Isto porque senti que toda a narrativa entre Clara e Rafael foi forçada, sem qualquer tipo de elo de ligação que me parecesse credível e onde faltou comunicação, interação e a vontade do autor me mostrar aquelas personagens. O autor limitou-se muito a contar a história. Não me deu elementos concretos que me permitissem conhecer melhor as personagens, as suas motivações e as suas personalidades. Este aspeto torna a leitura aborrecida, faz com que ela se prolongue ao longo dos dias e fez nascer em mim o "tédio literário" (ficar sem vontade de ler).

A Clara é qualquer coisa de incompreensível. Odiei esta personagem e a forma como ela gere a sua vida e as suas relações. É um facto que não tive a oportunidade de a conhecer de forma mais profunda. E aquilo que conheci apenas me deixou revoltada com a sua forma de ser e a forma como lidava com o seu trabalho. O seu mau profissionalismo deu-me volta aos nervos e não me permitir olhá-la com melhores olhos.

Do Rafael acho que ficou muito por dizer e muito por mostrar. Nem simpatizei, nem antipatizei com ele. Simplesmente não me senti ligada a ele, não me senti próxima nem entusiasmada por conhecer as suas ideias e formas de pensar. 

A narrativa é simples, tem bastante diálogo e parece ser uma leitura rápida. Mas, dada a minha animosidade para com as personagens e o cenário, a leitura arrastou-se mais tempo do que aquele que acho necessário para terminar uma leitura com estas características. 
Espero que nos próximos dois meses que me restam para o projeto, me cruzo com autores lusos mais cativantes. Aceitam-se sugestões!!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Opinião | "Sedução Perigosa" de Jess Michaels (Albright Sisters #2)

Sedução Perigosa (Albright Sisters #2)
Classificação: 2 Estrelas


Sedução Perigosa é o segundo livro da série Albright Sisters e conta-nos a história de Penelope. Depois de um primeiro livro com uma história que eu considerei razoável, esperava que a qualidade aumentasse e que a história fosse um pouco mais rica relativamente à descrição e carácter das personagens para que a componente erótica fosse mais interessante. Infelizmente, achei que a construção da narrativa teve qualidade inferior, quando comparada com a do outro livro.

Penelope tinha tudo para ser uma personagem desafiante e engraçada. Mas deixou-se levar pelas suas necessidades básicas que ficou um pouco parvinha. Acho todo aquele erotismo lhe queimou os neurónios "pensantes" ao ponto de ela se deixar ludibriar tão facilmente. Para quem já leu o livro deve estar a perceber do que estou a falar. Este aspeto deixou-me um pouco desiludido. Não gosto de ver livros onde a mulher é reduzida a condições mais baixas de inteligência, onde não é valorizada e onde não lhe dão um verdadeiro papel principal. Neste livro em particular, Penolope é frágil, precisa de acarinhada e cuidada. E depois a facilidade com que ela se entrega a Jeremy é um pouco frustrante. Sim, eu sei que este livro é do género erótico, mas para mim é importante criar um contexto apelativo, credível e que sustente toda história que se encaixa.

Ainda deu para rir com algumas situações e permitiu-me descontrair e fazer uma pausa entre leituras mais densas e que exigem mais de mim em termos cognitivos.
Continuo a achar que o género erótico é interessante para uma leitura a dois. Até casais que estejam a passar algum problema em termos de relacionamento, penso que estes livros poderiam ser uma primeira tentativa na resolução dos seus problemas, antes de passar para uma ajuda de profissionais. Para os que não têm problemas, poderia ser uma boa forma de apimentar relações. 
Este poderia dar algumas ideias e ajudar a satisfazer algumas fantasias. 
Os livros podem ser boas ferramentas de trabalho e de ajuda na superação de alguns problemas. Não têm só o objetivo lúdico, nem são apenas um hobby... Eles têm a capacidade de nos levar mais longe de nos modificar enquanto pessoas, de nos ajudar a colocar no lugar do outro. São por vezes espelhos da nossa realidade e fazem-nos pensar em caminhos alternativos para a nossa própria superação. Neste sentido, apesar de não achar o livro uma obra prima enquanto produto literário, poderá ser uma obra que possa ajudar, dar ideias... ou proporcionar momentos divertidos e de descontração. 

terça-feira, 17 de julho de 2018

Opinião | "Longe do meu coração" de Júlio Magalhães

Longe do Meu Coração
Classificação: 2 Estrelas

Nunca tinha lido nada de Júlio Magalhães. Foi mais uma aventura que decidi correr. Não foi uma leitura magnífica, mas satisfez algumas das minhas necessidades enquanto leitora. 

Longe do meu coração tem uma história interessante e que me diz alguma coisa, mas não está contada de forma apaixonante. É uma escrita simples, mas em que o autor se limita a contar a história e não aprofunda nos sentimentos nem reações das personagens. Fiquei triste, porque a ideia de base da história é interessante, as personagens têm imenso potencial, mas parece que tudo ficou bloqueado.

A minha relação com a temática do livro tem a sua costela mais sentimental. Sou filha e neta de emigrantes. O meu pai não precisou de ir a "salto" para lado nenhum, mas passou muitas dificuldades. O meu avô foi a "salto" para França e, tal como o Joaquim, nunca contou a ninguém as condições em que a viagem se realizou. Relativamente às dificuldades que viveu enquanto Português em França contou algumas, mas preferia recordar quando conseguiu vir a Portugal, naquilo que trazia para os filhos e nas idas da minha avó a Paris. Esteve lá 30 anos. Veio com imensos problemas de saúde e com com a dependência do álcool que por locais da cidade luz o deve ter ajudado a encobrir a solidão e a miséria em que vivia. Já faleceu há dez anos, mas as suas histórias enquanto emigrante ainda vão pairando nas conversas. 
Parte da família do meu pai também vive em França. Também eles relatam as dificuldades inicias de se viver num novo país, mas que eram suportáveis comparativamente à fome e à miséria que passavam em Portugal.  

Bem, foram estes sentimentalismos que me aproximaram um pouco da mensagem do livro. É uma realidade da história de Portugal que merecia um pouco mais de atenção. Devem existir imensos Joaquins por este Portugal fora que hoje, graças ao trabalho árduo em França, gozam de uma reforma pacata e desafogada. Outros tantos não devem ter feito as pazes com o seu país Natal e dão asas à sua felicidade na terra que os acolheu.

Apesar da escrita ser muito pobre, consegui perceber muito bem as dificuldades dos Portugueses que na década de 60 arriscaram um vida em busca de melhores condições e foi interessante perceber que o trabalho árduo foi recompensado.
Acabei por ficam feliz com o final desta história. É um livro bom para os dias mais quentes e em que nos apetece ler algo mais "ligeiro" e que não exija muito esforço cognitivo da nossa parte. 
Foi mais um autor masculino que fiquei a conhecer. Ainda darei uma nova oportunidade ao autor para perceber se ele consegue usar outro estilo de escrita que seja mais cativante e me faça apoderar das personagens e dos acontecimentos. 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Opinião | Contos

Felicidade Clandestina

Conto: Rostos de Carnaval
Classificação: 4 Estrelas

Mais uma vez, em poucas palavras, Clarice Lispector consegue transportar-me para os dois mundos que podem cobrir a infância: o mundo da fantasia aliado ao sonho, e o mundo da floresta negra aliado ao sofrimento e às necessidades.
Neste conto temos uma menina que sonhava com o Carnaval. Sonhava com a alegria que esta quadra encerra. Porém, o destino e as suas condições impediam-na de viver o lado alegre e festivo do Carnaval. Ao longo do conto assistimos às mudanças do lado mais negro da vida desta criança oferecendo-lhe um rasgo de boas vibrações no meio da tristeza e da dor.

Conto: Come, meu filho
Classificação: 2 Estrelas

Este conto é demasiado curto para me permitir uma opinião mais complexa.
É um conto que nos transposta para a exigente "idade dos porquês". Então encontramos uma criança curiosa, cheia de perguntas e uma mãe que apenas está preocupada com a refeição do filho. É um conto interessante do ponto de vista em retrata a relação entre mães e filhos.

Conto: A quinta história
Classificação: 4 Estrelas

Este conto está muito engraçado. Partindo do mesmo assunto, a autora consegue dar-nos quatro histórias que ficam todas reunidas numa só: a quinta história.
A forma como as palavras são conjugadas e como os acontecimentos estão encaixados deixa sobressair a inteligência da autora na construção de histórias.

Conto: Tentação 
Classificação: 3 Estrelas

Tentação é um conto sobre a diferença. Uma menina diferente, num mundo de iguais, que encontra um ser que com ela partilha essa diferença. São atraídos um para o outro, mas ainda não estavam preparados para caminharem em conjunto.
Aquilo que mais gostei neste conto é a ternura que está associada à história.

Conto: O ovo e a galinha
Classificação: 1 Estrela

Senti-me extremamente ignorante a ler este conto porque não cheguei a perceber qual a mensagem que a autora queria transmitir, nem qual a intenção dela perante toda a filosofia acerca do ovo, da galinha e do amor.
Uma leitura confusa, que me aborreceu e me frustrou. 

Conto: Macacos
Classificação: 2 Estrelas

Mais um conto estranho de uma menina que escolhe como animal de estimação um macaco.
Penso que, com este conto, a autora pretendia mostras que os animais devem ser tratados com respeito e não ajustá-los às nossas necessidades. Contudo não estou bem certa de ter feito uma boa interpretação da mensagem do conto.

Conto: Menino a bico de pena
Classificação: 3 Estrelas

Este conto é uma breve reflexão sobre o crescimento, a aprendizagem e as potencialidades de desenvolvimento de uma criança. E ao longo de todo este caminho, há uma personagem que tem de ser valorizada: a mãe.
É um conto bastante simples, muito fiel ao estilo metafórico que a autora deixa sobressair em alguns dos seus trabalhos. 

sábado, 26 de maio de 2018

Opinião | Contos

Felicidade Clandestina

Continuo a dar continuidade ao livro da Clarice Lispector para tentar terminar este livro de contos. Como são 25, vou lendo os que consigo ao longo dos meses. Aqui fica a opinião aos contos que li este mês.

Conto: Uma esperança
Classificação: 2 estrelas

Este é um conto curto que nos fala da esperança recorrendo a uma abordagem metafórica. Dado o tema e complexidade que o mesmo encerra, achei que a história ficou um pouco vazia. Senti falta de uma maior desenvolvimento para me inteirar mais acerca da forma como a autora contextualiza a esperança e no formato que ela lhe pretende dar.
Foi um conto confuso e necessitava de uma maior desenvolvimento.

Conto: Os desastres de Sofia
Classificação: 3 Estrelas

Os desastres de Sofia foi o conto mais longo deste livro que li até agora. Tenho sentimentos ambivalentes em relação à história que nos foi apresentada. Se por um lado achei engraçado e olhei com alguma ternura para o facto de o conto nos trazer o amor de uma menina pelo seu professor, por outro achei que, para uma criança de nove anos, o enredo e os sentimentos complexos eram demasiado artificias.  Em certas alturas, achei que o tom narrativo se inclinava para uma sensualidade que em nada tem que ver com a idade da personagem principal.

Conto: A criada
Classificação: 3 Estrelas

Mais um conto bem pequeno (uma página e meia) que nos fala da Eremita. Uma criada que tinha os seu lado encantador e o seu lado negro. Gostei desta dualidade de impressões e no quanto o seu lado recatado e silencioso encobria as sombras que ela ia semeando.

Conto: Uma história de tanto amor
Classificação: 3 Estrelas

Achei este conto muito engraçado pela amizade peculiar que me deu a conhecer. Aqui conhecemos uma menina que faz das galinhas o seu animal de estimação. Uma menina que fica triste porque o galo não consegue amar nenhuma galinha em especial. 
Neste conto também está subjacente a ideia de que podemos amar os outros, mesmo que os outros não gostem de nós. Assim era a amizade entre a menina e as suas galinhas. Ela sabia que da parte delas não havia aquela reciprocidade de amigo, mesmo assim, achava que elas mereciam o seu amor e sua consideração.
A parte final foi a que eu menos gostei. A forma como a menina passa a encarar a morte das suas galinhas e a forma como se alimentou de uma galinha em particular foi estranha e não gostei muito. 

terça-feira, 24 de abril de 2018

Opinião | Contos

Felicidade Clandestina
Este mês continuei a apostar nos contos da Clarice Lispector. Espero ir lendo alguns contos durante o mês e terminar o livro assim que me seja possível. Hoje vou deixar-vos a opinião a três contos.

Conto: Uma amizade sincera
Classificação: 4 Estrelas

Este é um conto que fala sobre a vida de uma amizade. Apresenta-nos o seu início, o seu desenvolvimento e o seu fim. 
É conto simples mas carregado de significado. O tempo, a vida e a nossa própria evolução pessoas, em algumas vezes "atropela" as amizades, que podem modificar-se ou terminar. E este conto mostra-nos mesmo isso. O impacto que o crescimento e as nossa vivências têm nas nossas relações de amizade.

Conto: Duas histórias a meu modo
Classificação: 1 Estrelas

Este conto foi, para mim, uma verdadeira confusão. Duas personagens, duas situações e algo que as liga e/ou afasta (confesso que não percebi bem) originaram um conto estranho e que não me conquistou. 

Conto: O primeiro beijo
Classificação: 4 Estrelas

Este conto é muito engraçado. Achei uma forma muito original de se falar em crescimento. 
Aqui temos um rapaz a descobrir a sua sexualidade de uma forma muito original. Apesar deste estranho primeiro beijo, todas as emoções internas que esta descoberta faz emergir são muito importantes. 

domingo, 19 de novembro de 2017

Opinião | "Morte súbita" de J. K. Rowling

Morte Súbita
Classificação: 2 Estrelas

Este foi o livro que demorei mais tempo a ler durante este ano (espero não repetir nova proeza de estender a leitura de um livro durante 3 semanas). Foi uma leitura bastante aborrecida e custou-me imenso ler. Só senti algum interesse nas últimas 150 páginas. Tendo em conta que é um livro com quase 500, estão a ver o grau de sofrimento. Devem-se estar a perguntar porque é que não desisti da leitura... E eu nem sei bem que resposta dar a essa pergunta. Talvez por estar com esperança que melhorasse, talvez porque é raro desistir de uma leitura, talvez por me ter interessado nas dinâmicas de um pequeno grupo de personagens (Krystal e Terri Weedon).

A premissa do livro e todo o enredo criado em volta da mesma não é desinteressante. Porém, a forma como a autora lhe decidiu dar corpo é que torna tudo demasiado aborrecido. Em primeiro lugar é um núcleo de personagens muito extenso; em segundo, esperar mais de 150 páginas pelo funeral de um homem e ler acerca de várias reações à sua morte até chegarmos ao funeral sem que na significativo aconteça no livro e de fazer trepar paredes; e, em terceiro, falta ação, faltam conflitos que nos façam ler de forma compulsiva. 

O título é um bocado desadequado. Sim, tudo começa com uma morte súbita e essa morte condicionará muito do que as personagens vivem, mas é a disputa por um lugar e as intrigas em torno da população de uma comunidade pequena que merecem destaque. Neste sentido, o título em inglês está muito mais adequado ao foco central da temática do livro.

A autora é muito conceituada junto daquelas que amam Harry Potter. Eu não faço parte desse grupo. Li o primeiro livro da série acerca de dois anos e foi não fiquei fã, mas reconheço-lhe a criatividade e o facto de escrever bem. Por isso, sendo este um livro para adultos esperei identificar-me mais com este enredo. 

Como escrevi mais atrás, as últimas 150 páginas são mais interessantes. As coisas começam a acontecer com outro ritmo, outra intensidade e preenchidas por momentos que nos deixam curiosas. Gostei bastante do final e da forma como o livro termina. Foi este final que salvou o livro de levar 1 estrela. Porém, não considero que o final tenha compensado todo o aborrecimento que se vive até chegar até ele.

O meu aviso para quem pretenda ler este livro é que não crie altas expetativas. Esperem por um livro que demora a desenvolver e em que as coisas acontecem de forma lenta e nem sempre com grande interesse ou impacto. Por vezes, tudo parece demasiado banal e isso gerou-me muito aborrecimento, frustração e sensação de que a história não tinha muito para me oferecer.

domingo, 22 de outubro de 2017

Opinião | "A síndrome de Peter Pan" de Eliana G. Pyhn

A Síndrome de Peter Pan
Classificação: 2 Estrelas

Estava com bastante curiosidade para ler este livro. Queria saber mais sobre esta síndrome e conhecê-la de forma mais minuciosa. 

Este livro encontra-se organizado em duas partes que vão alternando ao longo do livro. Temos a descrição da aproximação de um homem e de uma mulher através da internet e uma outra parte onde a autora vai explicando em que consiste a síndrome de Peter Pan e faz a ponte para a relação de Miguel e Virna. 

Gostei bastante de ler a parte em que era explicada a síndrome e o paralelismo que fazia com as personagens e os seus comportamentos. Era bastante informativa e elucidativa. Porém acho que havia uma tendência para idolatrar a Virna e denegrir a imagem de Miguel. Apesar de o Miguel ser apontado como o infantil e ser ele a "levar" com o rótulo da síndrome de Peter Pan, Virna também tem alguns comportamentos infantis e é um tanto ou quanto ingénua para embarcar num relacionamento à distância e tendo em conta as "condições" que Miguel lhe foi apresentando.

Na minha opinião, o livro e toda a narrativa em volta do mesmo ganharia outra dimensão se o relacionamento  não tivesse sido online. Isso seria uma mais valia pois teríamos acesso aos comportamentos em contexto real e permitir-nos-ia conhecer melhor a essência de Miguel e de Virna. 

É uma leitura leve e que, apesar de abordar um aspeto mais técnico não torna a leitura aborrecida. Acho que até poderá ser interessante para quem não é da área da psicologia pois, de uma forma simples, consegue passar algumas mensagens interessantes.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião sincera.

Leitura com o apoio de:

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Opinião | "Desaparecidos" de Caroline Eriksson

Desaparecidos
Classificação: 2 Estrelas

Nota: Esta opinião contém spoilers. (Desculpa, mas só assim consigo justificar a minha relação menos positiva com o livro).

Desaparecidos foi a minha estreia com a autora Caroline Eriksson. Quando vi o livro, e tendo em conta a bom experiência da Denise, estava à espera de me sentir muito mais envolvida na narrativa. 

Se me pedissem para descrever o livro numa palavra, eu escolheria confusão. Devem estar a pensar, mais isso é bom para um livro do género. Bem... seria se esta confusão tivesse lógica. Tem alguma! No final, consigo alinhar alguns dos momentos e perceber algumas situações, porém acho que a forma como a autora conduziu tudo e o fim que lhe deu simplesmente não funcionam para mim.
Na minha opinião, ela tentou pegar em algum comum, desaparecimentos, e procurou dar-lhe uma roupagem diferente daquela que vai povoando livros dos género. É preciso ter cuidado quando alinhamos neste tipo de estratégias. É preciso criar algo com coerência e que faça sentido. ALERTA SPOILER - Como é que a filha de um homem reage tão bem a uma mulher que não conhece e que para além disso é amante do pai???  Como é que uma criança de oito anos pode empurrar um adulto de uma janela, um lugar que é mais alto do que ela??? Apesar de este último ter uma resolução mais ajustada, não faz sentido a ideia que ela criou! - FIM SPOILER

Outro aspeto menos positivo foi uma narrativa paralela que ali juntaram. Simplesmente pegaram em adolescentes e colocaram-nos na ilha só porque até poderia funcionar e criar aqui uma relação complicada para fazer a Greta pensar. Infelizmente chegamos à Greta... Um dos comentários numa das abas do livro é que ela é uma personagem muito bem construída. Andei o livro todo à procura desses sinais. A autora, na minha perspetiva, não a conseguiu tornar perturbada o suficiente e isso deixou-a a meio caminho da boa construção. Há coisas nela que, simplesmente, não encaixam. Falta-lhe uma dimensão psicológica muito mais negra e que deveria ser adensada pela carga negativa que ela viveu na infância.

Alex é homem que merecia que o seu lado negro e sombrio emergisse mais nesta narrativa. Ficou de forma muito superficial. 
Este livro iria funcionar se fosse narrado a mais vozes e de forma mais clara, objetiva e com mais acontecimentos interessantes. 
Penso que alternar capítulos entre Greta, a mãe de Greta, o Alex, a Smilla e a esposa de Alex traria uma maior dimensão ao livro e permitir-nos-ia conhecer mais das personagens, das situações. Para ficar melhor alteraria alguns aspetos da narrativa. É um livro que precisa de uma reestruturação no que acontece e na forma como acontece.

E é agora que a Denise me mata, esfola e prepara as coisas para escrever um policial sombrio e mórbido, onde eu sou o cadáver perfeito. Mas antes que ela deixe a sua raiva tomar conta das suas ações, deixo-lhe o título: "A rapariga que tornava os crimes imperfeitos".  

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Opinião | "Se eu fosse tua" de Meredith Russo

 Se Eu Fosse Tua
Classificação: 2 Estrelas

Se eu fosse tua foi um livro que, quando saiu, não me despertou grande atenção nem espicaçou a minha curiosidade. Assim que ele me chegou aqui a casa pelas mãos da Denise, li a sinopse e achei que o tema era suficientemente forte para o livro me "encher as medidas". Infelizmente, ficou um bocadinho aquém da sua potencialidade.

Amanda é uma jovem que vivia num corpo que estava longe de corresponder aos seus sentimentos mais profundos. Munida de toda a sua coragem embarca numa mudança de sexo. Deixa de ser o Andrew e passa a ser a Amanda.
Dada toda a complexidade que este processo acarreta eu senti falta de alguma profundidade psicológica. Na minha opinião, a autora não "mexeu na ferida" de forma profunda e esgotante de modo a fazer-me sentir todos os medos, ansiedade, insegurança, sofrimento que trespassou cada um dos dias desta jovem e dos seus pais. 
Dada a força e a inovação da temática, o livro merecia ter ido mais longe. Eu precisava de entrar bem mais a fundo no mundo interior da Amanda para sentir como ela, para a acompanhar neste processo de transformação exterior, interior e de relação com o próximo. 
Apesar de saber de períodos de grande sofrimento para a Amanda, esse sofrimento não chegou até mim. Penso que não consegue sair daquelas páginas e desprender-se das palavras que são usadas para nos narrar os acontecimentos.

Em relação a todos os acontecimento que contribuem para a construção da narrativa, penso que também carecem de algumas novidades e desenvolvimentos que saíssem do padrão normal que é utilizado na construção destes livros. 
A dada altura já estava aborrecida com a quantidade de vezes que a palavras "linda" aparecia. Irritou-me esta pobreza de vocabulário para caracterizar uma personagem. Eu consigo perceber a importância do aspeto físico para a Amanda, mas será que não a conseguíamos de definir recorrendo a outros aspetos? Ela era muito mais que invólucro físico que a dava a conhecer ao mundo. 

Apesar desta minha visão mais descontente com este livro, quero destacar a importância de personagens como a Amanda. É de valorizar este aspeto inovador e que, até ao momento, eu nunca tinha lido nenhum livro que se dedicasse a abordar as questões de transgénero e toda a descriminação que, infelizmente, ainda existe relativamente a estes assuntos.
Por esta razão, este seria um excelente livro para discutir as relações interpessoais, a descriminação, o bullying e a importância de aceitarmos e sabermos lidar com as diferenças.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Opinião | "A fronteira do perpétuo" de Teresa Poças


Classificação: 2 Estrelas

Li este livro a convite da Editorial Novembro. Acedi ao pedido porque é um livro de poesia e fiquei logo curiosa por ler os poemas. 
Eu gosto muito de ler poesia, apesar de não o fazer com grande frequência. Para mim, a poesia é uma expressão de sensibilidade. Acaba por ser um jogo de palavras que guarda muitos sentimentos e deixa transparecer a sensibilidade de quem escreve.

A fronteira do perpétuo consegue reunir poemas onde as palavras se arranjam de forma a transmitir os mais variados sentimentos. Apesar de, aparentemente, a maioria dos poemas tentar transmitir sentimentos ligados à solidão e a sentimentos mais negativos, em alguns deles eu consegui vislumbrar a esperança e vontade de ser diferente. No fundo, é como se, em alguns poemas, transparecesse a ideia de que o sofrimento é finito e que há outras coisas para além dele. 

Neste livro encontramos poemas que convidam à reflexão:

"A batalha mais difícil é sempre aquela que criamos com nós mesmos
Porque a guerra que declaramos aos outros,
Mesmo que perdida,
Nunca é culpa nossa"
(excerto de Autoadversário, p.63)

Este pequeno excerto remete-nos para as batalhas que travamos com nós próprios e com os outros, ao mesmo tempo que nos convida a olhar para estas batalhas do nosso ponto de vista. Sendo nós a criá-las, quer connosco quer com os outros, temos tendência a encontrar um "bode expiatório". 

Houve alguns poemas que não me parecem ter uma escrita e uma estrutura tão poética, daí não ter atribuído uma classificação mais alta. 
Foi uma leitura agradável, ajudou-me a relaxar e a desanuviar de uma leitura mais densa que me está a custar terminar.

Espero que a autora nos possa brindar, num futuro próximo, com poemas mais complexos ou até mesmo com um texto narrativo. 

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.
Uma leitura com o apoio da: