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quarta-feira, 13 de março de 2019

Opinião | "Loanda" de Isabel Valadão

Loanda
Classificação: 1 Estrela

Esta leitura acompanhou-me durante muitas semanas. Foi uma leitura prolongada porque me obriguei a terminar o livro e porque tinha a esperança de retirar algo de positivo de toda esta história. Consegui terminar e sobreviveu a minha desilusão perante o tempo que insisti na leitura.

De um modo geral tudo neste livro funciona de forma muito artificial. Os diálogos não são naturais, não nos transmitem interação entre as personagens e deixaram-me aborrecida. Não me mostrava o que estava a acontecer, apenas me contava. 
Aliado a tudo isto temos personagens pobres, mal caracterizadas e com comportamentos previsíveis e sem grande impacto emocional. 
Inicialmente até fiquei com expetativas positivas relativamente ao que iria encontrar. Gostei da premissa inicial de Maria Ortega. Infelizmente, este bom inicio dissolveu-se por meio de coisas mal explicadas, desinteressantes e em que senti que ela perdeu parte da sua essência inical. 
A relação que ela construiu com Anna de São Miguel foi muito forçada e estava sempre tudo bem entre elas, mesmo em assuntos capazes de fraturar a relação entre ambas. 
Também não consegui perceber a necessidade da escritora em usar sempre o nome completo quando se referia às personagens. Quebra o ritmo de leitura. 

Os elementos históricos que vão povoando o livro estão bem descritos, porém nem sempre os senti bem interligados com o conteúdo ficcional que a autora quis transmitir. Várias vezes me senti aborrecida, facilmente me perdi na leitura e tive necessidade de voltar atrás e reler.

Não foi uma leitura positiva para mim. Porém, vocês poderão ter uma experiência de leitura diferente. Por isso se têm este livro na estante ou têm algum interesse nele, tentem ler. Poderão gostar!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Opinião | "A materna doçura" de Possidónio Cachapa

A Materna Doçura
Classificação: 1 Estrela

A materna doçura marca a minha estreia com o autor Possidónio Cachapa. No Goodreads, este livro tem classificações variadas. Porém, mais de metade, correspondem a uma classificação de 4 estrelas. Em média apresenta uma classificação razoável, 3.65, daí eu estar à espera de uma leitura, no mínimo, satisfatória. Infelizmente foi, para mim, uma leitura difícil porque nada nesta história fazia com que o meu interesse crescesse.

A minha leitura foi um misto de frustrações. Senti-me, muitas vezes, perdida. Perdida numa narrativa confusa, pois em algumas situações não encontrei elo de ligação entre alguns acontecimentos. Ao mesmo tempo que me afundava na confusão, a minha atenção diminuía ao ponto e ter de voltar atrás para reler passagens que já tinha lido. 

Para além do sentimento de confusão, foi o sentimento de nojo. Senti-me algo enjoada com um comportamento próprio do Sacha e o seu interesse num tipo estranho de pornografia. Isto causou-me uma enorme repulsa. Até consigo compreender as origens de tal interesse, mas a forma fria e pouco profunda como o autor foi expondo toda a situação foi motivo de grande insatisfação para mim.

Um aspeto que gostei, em alguns momentos deste livro, foi a escrita. Houve alturas do livro em que a escrita era agradável e bonita. O autor conjugava bem as palavras e isso tornou a leitura menos penosa.

Sei que existe, pelo menos, mais uma obra do autor. Como em alguns momentos da leitura gostei da escrita, pretendo dar mais uma oportunidade ao autor. 
Para quem já leu outros trabalhos do autor, o que é que têm a dizer? 

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Opinião | "Abraça-me para Sempre" de Carla Ribeiro

Abraça-me para Sempre
Classificação: 1 Estrelas

Este conto foi o escolhido para o mês de Agosto. "Atirei-me" a ele por causa do título, na esperança de encontrar algum toque romântico no meio da fantasia. Infelizmente não consegui encontrar fantasia nem romance. O conto é pequeno e os assuntos são pouco explorados. Tudo é demasiado superficial. 

Abraça-me para sempre é um conto simples, que se debruça sobre o amor fraterno. São dois irmãos que estão perante uma situação delicada (eu não consegui perceber muito bem qual é a sua situação e o seu propósito). A escrita simples e fluída permite uma leitura rápida, mas é o texto é vazio de conteúdo estimulante e significativo. Não tem elementos que nos fiquem na memória, não provoca qualquer tipo de emoções. Carecia de ser mais desenvolvido e com um corpo narrativo mais interessante, coeso e pautado por situações concretas e claras. 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Opinião | "Sorrisos quebrados" de Sofia Silva (Quebrados #1)

Classificação: 1 Estrela

Nota: Esta opinião contém spoilers

Desde já quero pedir desculpa aos meus leitores pelo uso de spoilers na opinião a este livro, mas não os consigo evitar. Quero fundamentar muito bem a classificação que atribui e que poderá surpreender-vos, uma vez que é um livro muito bem cotado no Goodreads e já conquistou imensos leitores.

Assim que saiu este livro admito que fiquei curiosa com a história, ou não fosse eu uma fã de romances com drama à mistura. A Denise foi uma querida e emprestou-me o seu exemplar (depois da experiência dela, acho que ela queria era ver-me a destilar frustração e impaciência - brincadeira). 
Comecei a leitura já um pouco reticente. Aquele entusiasmo inicial diminui à medida que a Denise partilhava comigo algumas das suas impressões sobre o livro. 

Visão geral do livro
Este livro tem uma das edições mais bonitas que já me passou pelas mãos. A capa está muito bem conseguida e o interior acompanha esta delicadeza. Mas a beleza do livro fica por aqui. Com uma escrita mediana, cheia de frases feitas e detentoras de uma filosofia barata que nos transforma os diálogos numa experiência surreal. Nós não comunicamos com as pessoas usando, constantemente, frases que parecem retiradas daqueles livros de citações. Este estilo de escrita fica pior nos diálogos. Quando é narração uma ou outra frase destas, inserida de forma correta e com sentido, não me atrapalha. Já nos diálogos faz-me trepar paredes por me sentir afastada da história, pois tudo me soa artificial. 

A partir de agora vão começar os spoilers...
Depois de partilhar com vocês esta visão mais geral tenho de destacar certos aspetos da história que a tornam pouco credível aos meus olhos. Sim, eu sei,é um livro e não a realidade. Mas quando escrevemos um romance com características contemporâneas ou inserido no género YA, ou mesmo numa romance de época não queremos que ele pareça real aos nossos olhos? Eu gosto de sentir essa aproximação à realidade. Gosto de me apoderar da história e pensar fogo isto parece mesmo que está a acontecer aqui ao meu lado. 

O prólogo tem logo um conjunto de situações mal explicadas. Paola decide fugir do marido violento, que está em casa, pois ela até sabe quais as escadas evitar para que não seja ouvida pelo marido que está... não sei onde, mas pelo comportamento da nossa personagem feminina ela sabe onde ele está. Mas, qual milagre ou poder do teletransporte, ele aparece-lhe no carro. Podem dizer, que há vários caminhos para ir para o carro, que ela não se apercebeu... A mim parece-me pouco credível pela forma como ela descreve o seu percurso até ao carro. Então o Roberto está sentado na parte traseira do carro e consegue agredi-la dali com uma facilidade que me deixou a pensar (sim, fui-me colocar na parte traseira do carro para testar). Poderia ser possível, mas os movimentos ficam muito limitados e tendo em conta a estrutura física da Paola não acho que tenha sido a opção mais correta. 

A narrativa avança e temos a Paola numa clínica. Não consigo perceber de onde vem o dinheiro para a Paola ficar tanto tempo numa clínica. Dá a sensação que ela é uma "dondoca" que nunca precisou de fazer nada na vida e que os pais financiam todas as suas necessidades. E depois a "clínica" é um tanto ou quanto irreal ao misturar pessoas com incapacidade física com a pessoas que estejam a lutar contra traumas e sofrimento psicológico muito específicos. Geralmente, não se misturam estes grupos em comunidades terapêuticas, uma vez que as necessidades são muito diferentes. Mais um ponto que não abona para a criação de uma cenário real. Também aqui assisti a uma das conversas mais estranhas entre a Paola e o seu psicólogo. Foi uma espécie de consulta, com os diálogos cheios de frases feitas, sem realismo, sem emotividade e sem expressividade. E claro, era uma "clínica" tão descontraída que até permitia que os pacientes recebessem visitas no quarto e até dessem umas cambalhotas na cama.

O André também me causou muita comichão mental. Ele transpira sexo por todos os lados do corpo. Só procura a Paola para sexo, ou para sexo e depois para uma espécie de conversa. Nunca senti o carinho e amor a nascer entre os dois, nunca vi aquela relação crescer com diálogos, momentos de interação realistas... Entre eles, era tudo uma questão física. Houve um momento em que o meu cérebro parou!! Quando li a passagem em que o André experimenta um sexo algo selvagem, com direito a palmadinhas. Como é que uma mulher, sujeita a tamanho sofrimento numa relação abusiva  e cheia de violência, consegue sentir prazer com uma experiência sexual tão dura e exigente (logo num dos primeiros encontros)? Sei que cada caso é um caso, mas a probabilidade de tal acontecer na realidade é ínfima. Não gostei deste André, não gostei da forma dramática que a autora o pintou. Era um homem que vivia para o trabalho, para a filha e para o sexo. E é isto que nos oferece esta personagem. Para mim, tornou-se vazio e sem empatia nenhuma. 
A dinâmica entre André e Paola não é muito cativante e  só piora com a tentativa de provocação de ciúmes com o Jorge. Ah! O Jorge é outra alma quebrada, que apenas serve para introduzir mais drama e não trazer nada de novo e significativo à história e às personagens.

A Sol é uma criança amorosa. Gostei de algumas coisas dela e de algumas intervenções dela, mas a carga dramática que lhe foi atribuída não faz sentido. Ela foi vítima de negligência física e emocional grave quando ainda era uma bebé de colo. Felizmente, não ficam memórias desse género em bebés. É irreal o contexto que a escritora criou. Teria feito mais sentido se ela pegasse por possíveis marcas físicas no corpo! Como ela descreve que a menina foi queimada com pontas de cigarro, poderia ter explorado por aí, criado algumas inseguranças, jogar com o facto de pertencer a uma família monoparental, onde a mãe está ausente. Agora torná-la numa criança antissocial e atribuir como causa desse comportamento algo que ela vivenciou com meses de idade, não faz sentido.
A explicação para o facto de ela não ser filha do André também não é convincente. Tenho casos na família em que os avós são morenos de cabelo castanho, o mesmo acontece nos pais e os filhos nascem loiros e com olhos claros. A genética não é algo tão linear-

Por fim, quero escrever sobre o contexto social criado pela autora. Acho que ela faz uma mistura entre o contexto português e o brasileiro. Não está bem clara essa caracterização. No Brasil, até há uns tempos atrás (agora não faço ideia como esteja) os estudos universitários eram gratuitos. Vi muito gente vir para Portugal com boas bolsas de doutoramento e com tudo pago. Pelo que me contavam só pessoas de nível socioeconómico muito baixo, que vivem em favelas é que facilmente abandonam os estudo. Posso estar enganada, mas dado o lugar onde o André e os pais viviam não me parecia uma zona de famílias com poucos recursos. Eu colocá-lo-ia na classe média-baixa aqui em Portugal. Teriam apoios e ele poderia estudar. A questão dele não ter terminado os estudos por causa da Sol, também está mal explicada. Quando a criança nasceu ele já tinha idade suficiente para ter terminado o curso. Acho que houve aqui uma falha de cálculos. 

Fim dos spoilers!!

Faltam muitas coisas a este livro. Aspetos que um bom trabalho de revisão por parte de um leitor beta teria ajudado a autora a esclarecer e completar. É normal ficarmos muito ligados à nossa história  e não darmos conta de algumas imperfeições. Aliás, quando não temos conhecimento de causa acerca dos temas acabamos por utilizar uma versão romanceada ou conduzir a narrativa através de erros sucessivos.
A autora precisa de perceber melhor a diferença entre o contar e o mostrar. Ela conta muito e mostra pouco e isso não satisfaz um leitor assíduo. Escrever: Roberto deu-me um estalo na cara é diferente de Eu tentava desviar-me das investidas do Roberto. A sala era um labirinto demasiado simples para que eu me pudesse esconder. E, quando menos esperava, uma mão forte e certeira atingiu o o meu lado esquerdo da face. A sua passagem deixou o calor, o ardor e vermelhidão de uma mão que só conhecia a força da violência. Na minha cabeça ficou a humilhação de, mais uma vez, sucumbir a essa mesma violência.

Deve pesquisar mais e melhor sobre os assuntos que quer retratar no livro para que não caia em incongruências e coisas irrealistas. 
Não é um livro sobre abusos físicos e violência doméstica. Considero que seja um livro de superação dos traumas, de viver a felicidade para além do do sofrimento. 

Esta opinião não é um destilar de veneno. Quero que ela seja útil a quem a lê, quero quebrar um bocadinho o feitiço de encantamento e a sobrevalorização que está a ser criada em volta do livro. No fundo, é a minha visão dos acontecimentos é o meu desencanto por um livro que prometia tanto e que os leitores me fizeram acreditar que valia esse tanto. 
Nem sou muito de expor as fragilidades de um livro assim, em opinião. Quem já levou com a minha caneta azul da censura em revisões de leitora beta sabe que eu não perdoou. Acho que chego a ser um pouco obsessiva com a história e desconstruo muito do que é escrito. A minha intenção é sempre ajudar a tornar os livros melhores e mais realistas. 
Não sei se a Sofia vai ou não ler a minha opinião. Se a ler e achar ofensiva, peço desculpa por isso. Quero apenas escangalhar-lhe este livro para que ela tenha hipótese de mudar no futuro e eu ter a oportunidade de vir aqui escrever e vibrar com a evolução dela.
Aos meus leitores, as maiores desculpas pela imensidão de texto que aqui mora. 

terça-feira, 10 de julho de 2018

Opinião | "Florbela, Apeles e eu" de Vicente Alves do Ó

Florbela, Apeles e Eu
Classificação: 1 Estrela

Se tivesse de escolher uma palavra que refletisse a minha experiência de leitura com este livro, seria sofrimento. Foi um sofrimento terminar o livro, foi um sofrimento vaguear por uma história narrada de forma complexa e com uma escrita demasiado poética, foi um sofrimento ver o escritor a dialogar com a Florbela e com o Apeles... E assim, três semanas se passaram, enquanto ia lendo o livro aos poucos e em que tive necessidade de meter outras leituras pelo meio de forma a conseguir sobreviver enquanto leitora. 

Há uns valentes anos atrás já tinha lido uma biografia sobre Florbela Espanca. Foi para um trabalho da universidade, em que elaboramos o perfil psicológico dela. Não me lembro da pessoa que escreveu a biografia que li, mas na altura gostei e contribuiu para que o me fascínio (que já vinha da escola e da análise dos seus poemas) para com esta poetiza e escritora portuguesa aumentasse. Ora, desde aí, tudo o que está relacionado com Florbela Espanca e certo que passará pelas minhas mãos. 
Assim que vi este livro na biblioteca sabia que precisava de o trazer. Estava tão entusiasmada que o embate com a realidade foi maior. 

Não fui conquistada por nada no livro. Fui divagando na leitura na esperança de chegar ao fim o quanto antes. O livro tornasse aborrecido devido à escrita demasiado elaborada e cheia de contornos poéticos e à forma como a vida da escritora nos é apresentada.

Esperava mais. Esperava uma narrativa clara, sem interferências do escritor que só tornaram o livro mais fastidioso. 
Apesar de tudo, o livro não matou o meu interesse pela escritora. Num futuro breve quero conhecer melhor a obra que nos deixou e perder-me nos poemas cheios de angústias, dores interiores e fantasmas emocionais. 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Opinião | Contos

Felicidade Clandestina

Conto: Rostos de Carnaval
Classificação: 4 Estrelas

Mais uma vez, em poucas palavras, Clarice Lispector consegue transportar-me para os dois mundos que podem cobrir a infância: o mundo da fantasia aliado ao sonho, e o mundo da floresta negra aliado ao sofrimento e às necessidades.
Neste conto temos uma menina que sonhava com o Carnaval. Sonhava com a alegria que esta quadra encerra. Porém, o destino e as suas condições impediam-na de viver o lado alegre e festivo do Carnaval. Ao longo do conto assistimos às mudanças do lado mais negro da vida desta criança oferecendo-lhe um rasgo de boas vibrações no meio da tristeza e da dor.

Conto: Come, meu filho
Classificação: 2 Estrelas

Este conto é demasiado curto para me permitir uma opinião mais complexa.
É um conto que nos transposta para a exigente "idade dos porquês". Então encontramos uma criança curiosa, cheia de perguntas e uma mãe que apenas está preocupada com a refeição do filho. É um conto interessante do ponto de vista em retrata a relação entre mães e filhos.

Conto: A quinta história
Classificação: 4 Estrelas

Este conto está muito engraçado. Partindo do mesmo assunto, a autora consegue dar-nos quatro histórias que ficam todas reunidas numa só: a quinta história.
A forma como as palavras são conjugadas e como os acontecimentos estão encaixados deixa sobressair a inteligência da autora na construção de histórias.

Conto: Tentação 
Classificação: 3 Estrelas

Tentação é um conto sobre a diferença. Uma menina diferente, num mundo de iguais, que encontra um ser que com ela partilha essa diferença. São atraídos um para o outro, mas ainda não estavam preparados para caminharem em conjunto.
Aquilo que mais gostei neste conto é a ternura que está associada à história.

Conto: O ovo e a galinha
Classificação: 1 Estrela

Senti-me extremamente ignorante a ler este conto porque não cheguei a perceber qual a mensagem que a autora queria transmitir, nem qual a intenção dela perante toda a filosofia acerca do ovo, da galinha e do amor.
Uma leitura confusa, que me aborreceu e me frustrou. 

Conto: Macacos
Classificação: 2 Estrelas

Mais um conto estranho de uma menina que escolhe como animal de estimação um macaco.
Penso que, com este conto, a autora pretendia mostras que os animais devem ser tratados com respeito e não ajustá-los às nossas necessidades. Contudo não estou bem certa de ter feito uma boa interpretação da mensagem do conto.

Conto: Menino a bico de pena
Classificação: 3 Estrelas

Este conto é uma breve reflexão sobre o crescimento, a aprendizagem e as potencialidades de desenvolvimento de uma criança. E ao longo de todo este caminho, há uma personagem que tem de ser valorizada: a mãe.
É um conto bastante simples, muito fiel ao estilo metafórico que a autora deixa sobressair em alguns dos seus trabalhos. 

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Opinião | "O ano francês" de Daniela S. Antunes Rodrigues

O Ano Francês
Classificação: 1 Estrela

Esta opinião poderá conter spoilers.
Não é fácil escrevermos sobre um livro do qual não temos uma visão menos positiva. Neste sentido, aquilo que pretendo com esta opinião é reunir um conjunto de aspetos que possam ajudar a autora na escrita de uma futura obra. 

Em termos formais, a escrita é boa, apesar de ter pelo meio alguns floreados desnecessários e não encontrei erros ortográficos. Quando nos centramos na narrativa, tudo se afasta daquilo que se possa chamar um livro apelativo e com uma história com uma sequência compreensível.
Tudo é muito confuso, não há uma continuidade temporal que nos permita acompanhar os acontecimentos e as motivações por detrás dos mesmos. Foi muito difícil para mim perceber todo o contexto das personagens, de onde vinham, por onde iam e para onde iam. A certa altura, Carlota e Pierre aparecem à procura da meia irmã de Carlota, mas falta a contextualização dessa viagem. Nunca consegui acompanhar a relação de Carlota e Pierre. Começam por um relacionamento conflituoso e terminam apaixonados. Perdi-me nos meandros desta relação pois a autora não me mostrou como isso aconteceu. Não houve conversas, não houve troca de olhares, não houve mostra de gratidão quando o Pierre a ajudou no momento em que ela mais precisava.
As personagens aparecem sem grande contextualização. Parecem que caem ali de paraquedas e eu fiquei um pouco abanada com o contributo dos mesmos para o desenrolar da narrativa (aqui estou a referir-me ao tio que chegou do Oriente).

Se por um lado há personagens que aparecem assim, também há aquelas que desaparecem sem que eu perceba o momento em que isso aconteceu e como aconteceu. O irmão de Pierre, Albert, não teve o melhor comportamento, é certo, mas seria importante para a história percebermos tudo o que lhe aconteceu e para onde ele foi no final.

Sendo um livro de época, as referências históricas são muito limitadas. Existem algumas referências ao vestuário e algumas formas de comportamento, mas são tão esbatidas que me foi difícil contextualizar em que ano decorriam tais acontecimentos.

Depois é toda a forma como o livro está escrito. Há diálogos que não aprecem quando deviam aparecer, não há ligação entre os acontecimentos e as personagens não ganharam dimensão aos meus olhos, ou seja, há falta de boas caracterizações físicas e psicológicas das personagens.

Por exemplo, na página 45:

- Teremos de parar um pouco, aqui os cavalos estão a precisar de descanso. Não importa aos senhores, pois não?
Só no final da fala é que que percebi que era o cocheiro, porque não nos é dada essa indicação.
E depois, continua assim:

Importava. Contudo, que poderiam eles fazer? Pierre saiu do coche para falar com o cocheiro, para saber quanto tempo seria necessário guardar até os cavalos estarem de novo prontos para partir.
- Bem, senhor, então... Os animais têm de comer, que o que não lhes falta é bebida! (...)
Em vez de termos uma resposta de Pierre, como seria normal, temos uma intromissão do narrador e voltamos ao diálogo. Na minha perspetiva ficaria melhor assim:

- Importa sempre um pouco. - Pierre soltou um suspiro aborrecido. - Estamos com pressa de chegar ao nosso destino, mas de nada nos serve uma parelha de cavalos cansados e com fome, só nos atrasaria mais. Tem ideia de quanto tempo será necessário para termos os cavalos prontos?
- Talvez uma hora e meia senhor, e estaremos prontos para avançar. - o cocheiro fez um pequeno aceno de cabeça e retirou-se para tratar dos cavalos.

(ATENÇÃO, não sou nenhum supra sumo da escrita, porém os anos de leitura têm-me mostrado o que funciona e o que não funciona num livro.)

Acho que melhor recomendação que posso deixar à escritora é para ela ler muito. Acredito que para crescermos enquanto escritores temos que ser bons leitores. Ao lermos bons livros conseguimos perceber como funciona a sua estrutura, as interações das personagens e a forma como os acontecimentos têm de ser encaixados numa narrativa coesa e compreensível.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta. 


terça-feira, 20 de março de 2018

Opinião | "Mortalha para uma enfermeira" de P. D. James

Mortalha Para Uma Enfermeira
Classificação: 1 Estrela

Mortalha para uma enfermeira é um livro que nos conta a história de dois crimes ocorridos numa escola de enfermagem.
Pela sinopse esperava algo mais intenso e com um ritmo de leitura mais entusiasmante. Porém, o que encontrei ao longo da leitura foi bastante diferente. E foi essa diferença que me foi desmotivando para a leitura e fez com que eu arrastasse o livro ao longo de duas penosas semanas.

Foram vários os aspetos que tornaram a leitura confusa, desinteressante e aborrecida:
1) O elevado número de personagens: Médicos, enfermeiras, estudantes de enfermagem, polícias, porteiro e outras que foram surgindo lá pelo meio, foram tantas e nem sempre com grande relevância para a história e que apareceram de passagem que cheguei a uma altura em que tive dificuldade em reconhecê-las e em identificar a sua posição na narrativa e nas relações que estabeleciam. Comecei a confundi-las e já nem sabia muito bem quem é que era responsável pelo quê. Foi mais fácil com as estagiárias. Apareciam mais vezes, foram descritas as suas interações e isso facilitou um pouco o reconhecimento.

2) Escrita e sequência narrativa: há escritores que conseguem usar as palavras de forma cativante e, sem querer o leitor é enredado no mundo que decidiram criar. Tal não se verificou aqui. Quer a escrita, que a sequência dos acontecimentos é aborrecida e monótona. Ao fim de ler duas, três páginas já me sentia sonolenta. Senti falta da envolvência no mundo criado pela autora e de algo que espicaça-se a minha curiosidade e vontade de saber mais. Não foi particularmente entusiasmante descobrir o que tinha acontecido e o que motivou os crimes porque, a certa altura, a leitura tornou-se em algo automático, sem emoção e eu desliguei-me dos acontecimentos, das personagens e de toda a história que foi sendo criada. 

O livro tem uma boa classificação no Goodgreads, por isso eu posso ser a ovelha tresmalhada do rebanho e dada a minha esquisitice não consegui absorver a verdadeira essência do livro e da história. Por isso, olhem para a minha opinião como uma forma de vos baixar as expetativas, mas nunca para desistirem  da leitura. Felizmente que somos todos diferentes e há livros que tocam as pessoas de formas muito diversificadas. Assim, se tiverem oportunidade, peguem no livro e depois partilhem aqui comigo o que resultou e o que não resultou com a vossa leitura. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Opinião | "Orbias - As Guerreiras da Deusa" (Orbias #1) de Fábio Ventura

Orbias - As Guerreiras da Deusa (Orbias, #1)
Classificação: 1 Estrela

Esta leitura foi um verdadeiro desespero. Nunca mais lhe via o fim e fui insistindo porque queria terminar um livro que é de um autor nacional e está integrado no meu projeto de Português no masculino. Caso não tivesse estas motivações acho que ao fim de 50 páginas já estava a arrumar este livro para o lado. 

Quem me segue há algum tempo e já sabe dos meus gostos literários poderá estar a pensar Ah, implicaste com o livro porque é fantasia. Até poderia ser, mas eu consigo ler fantasia e até gosto de alguns autores. É certo que não é o meu género de eleição, mas consigo apreciar os livros da Juliet Marillier, gostei muito de betar os livros da Liliana Lavado. No fundo, tudo depende da forma como me consigo envolver com a história e as personagens.

A este livro falta o essencial para que me sentisse cativada. Concretamente, não preencheu os requisitos mínimos.
1) Estilo de escrita: Muito infantilizada, diálogos quase inexistentes e um exagero na forma de nos contar os factos. É um livro onde tudo nos é contado e nada é mostrado. São páginas e páginas de texto onde são descritos os mundos, aquilo que as personagens veem e aquilo que fazem. Não há espaço para nos mostrar emoções e interações. Este aspeto torna o livro demasiado aborrecido e que faz com que a leitura se arraste. 

2) Personagens: são de revirar os olhos. Não estão desenvolvidas e aquilo que nos é mostrado é um comportamento pouco adulto, onde não se sente a responsabilidade que começa a assentar sobre os seus ombros e que conhecem-se hoje e amanhã, de forma quase transcendente e sem que isso seja mostrado ao leitor, se tornam os melhores amigos. As paixões assolapadas e pouco contextualizadas também figuram nestas páginas. Tudo aquilo que as envolve não me fez sentir absolutamente nada por elas. Foram-me indiferentes e não permanecerão na minha memória.

3) Narrativa: Poderei reconhecer alguma originalidade e esforço em nos apresentar algo diferente no que respeita à fantasia, porém a forma como o autor concretizou tudo à volta da sua ideia esfumasse na forma aborrecida com que nos expõem os factos. O livro é narrado na primeira pessoa, a duas vozes, ou seja, são duas as personagens com voz ativa. Ao longo do livro grande parte dos capítulos é narrado por Noemi, contudo há outros narrados por Lorelei e, às vezes, tornou-se confuso fazer esta passagem (apesar de o autor no inicio do capítulo colocar o nome da personagem a quem ele pertencia). 

A forma como tudo se desenvolve acaba por ser desinteressante muito pela forma simplista com que o texto é narrado. Até poderia ter sido uma leitura interessante se houvesse atitudes mais maduras e congruentes das personagens, ou seja, que as personagens agissem de acordo com a maturidade e responsabilidade que lhes passou a ser exigida. 

Dada esta má experiência não pretendo ler o livro seguinte. Não fiquei com o mínimo interesse de saber o que irá acontecer a estas personagens. Tenho a certeza que, daqui a uns dias, nem me lembrarei de nada que figure no livro. 
Penso que o publico mais juvenil poderá gostar um bocadinho mais do livro. A linguagem simples e os comportamentos típicos destas idades poderá aproximar mais o livro desse público. 

domingo, 28 de janeiro de 2018

Opinião | "A Boneca de Kokoschka" de Afonso Cruz

A Boneca De Kokoschka
Classificação: 1 Estrela

Acho que está será das opiniões mais difíceis de escrever desde que tenho o blog. Não vai ser fácil expor a minha posição perante um livro que é adorado por imensas pessoas e que tem imensos fãs. 
Parti para a leitura deste livro cheia de esperanças: a sinopse prometia coisas interessantes e a elevada pontuação no goodreads deixaram-me na expetativa de me ir cruzar com mais um bom trabalho de um autor português.
Infelizmente não encontrei nada que me fizesse sentir ligada ao livro ou que me levasse a amar toda a história contida naquelas páginas.

Foi uma leitura muito difícil. A meio do livro, já desesperada por não ver nada de significativo a acontecer nem me estar a sentir ligada à leitura, fui ler opiniões (geralmente só gosto de ler as opiniões aos livros depois de os ler, raramente leio um livro por ter lido/visto opiniões de outras pessoas) para ver o que não estava a bater certo comigo. 90% das opiniões a este livro eram maravilhosas. Atribuíam-lhe os mais elevados elogios, mas eu continuava sem os encontrar no livro.

A muito custo consegui terminar a leitura. Pouco ou nada me ficou do livro. Uma escrita muito confusa e, muitas vezes, me pareceu refletir a preguiça de abordar de forma coerente e exaustiva e os assuntos que se propunha abordar.
O título e a sinopse são enganadores, porque vi muito pouco daquilo que eles me fizeram antever.
Achei que a escrita tinha muito pouca expressividade e emotividade. São páginas de texto corrido, com apontamentos de diálogo que não nos mostram a essência nem da história nem da narrativa. Eu não consegui ver beleza nem escrita, nem na narrativa porque não conseguia perceber qual a intenção do autor, nem o que é que ele me queria contar. A dada altura, e depois de ter lido as opiniões, comecei a sentir-me muito burra pois estava desesperada por tentar perceber, interiorizar e assimilar todas as maravilhas que as opiniões atribuíam a este livro.

Chegamos a uma parte do livro, em que outro livro aparece. Penso que o autor quis ser original na forma como numerava os capítulos desse outro livro. Pessoalmente, não fez qualquer sentido. É irreal e despropositado.

Sou daquelas pessoas que acha que não é preciso grandes floreados, nem formas rebuscadas de narrar uma história para se fazer um bom livro. Acredito, como em tudo na vida, que less is more. Que pegarmos numa ideia e transformá-la em algo estruturado, coerente e abordado de forma a esgotarmos o assunto poderemos ter um excelente livro. Nem sempre a originalidade está na forma irreverente como procuramos fazer as coisas.

Estou mesmo triste por não ter conseguido sentir este livro de uma maneira mais completa. Sinto-me frustrada por não ter encontrado a beleza e a genialidade que grande parte das opiniões deixa transparecer.
Ainda quero dar uma nova oportunidade ao autor. Quero ler outro livro para ver se a leitura corre melhor e se consigo sentir aquilo que os outros leitores conseguem.
Têm alguma sugestão para mim?

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Opinião | "A linha ténue do passado" de Mónica Cortesão Gonçalves

A Linha Ténue do Passado
Classificação: 1 Estrela

Gosto sempre de dar uma oportunidade aos autores portugueses. Cabe-nos a nós não deixar que o trabalho deles fique esquecido. Nestas minhas aventuras por novos autores nacionais tenho-me cruzado com agradáveis e desagradáveis surpresas. Mas é certo, só poderemos formular estas nossas opiniões se dermos uma oportunidade aos livros e, consequentemente aos autores que os fazem nascer.

A linha ténue do passado marca a minha estreia com a autora Mónica Cortesão Gonçalves. Ganhei este livro num passatempo e estava na estante há algum tempo. Infelizmente, esta foi um leitura pouco agradável. É um livro muito pobre, com maus diálogos e com personagens mal exploradas e apresentadas. 

Eu gostei da premissa que está por detrás de todo o enredo. Temos um passado familiar para descobrir, uma casa de familiar para explorar e alguém que se sente curioso a desvendar todas estas particularidades em busca de respostas. A curiosidade ainda se aguça mais ao saber que ali há um pouco das vivências de núcleo familiar durante a 2ª Guerra Mundial.

Infelizmente, a forma como a autora deu corpo a tudo o que povoava a sua imaginação não correu bem. A autora precisava de amadurecer a sua escrita, ler mais obras no sentido de perceber qual a dinâmica que está por detrás da construção de um livro, nomeadamente na construção dos diálogos e da sequência narrativa.
Os diálogos são bastante artificias, com pouca expressividade e aborrecidos. Isto dificultou imenso a minha ligação às personagens. Outro aspeto pouco positivo é o facto de a autor se limitar a contar o que vai acontecendo, mas precisa de mostrar, precisa de nos dar acesso ao interior e exterior das personagens e não se limitar a escrever o que aconteceu. Todos estes aspetos fizeram com que eu sentisse este livro como uma leitura bastante artificial, apressada e pouco realista.

Para mim, um bom escritor tem que ser um bom leitor. Aprendemos imenso a ler os outros e a refletir sobre como os outros escrevem e constroem as suas histórias. Penso que a autora ganharia muito se lesse mais e de forma atenta e reflexiva. Penso que iria melhorar de forma exponencial o seu processo de escrita.
Que este livro seja apenas uma primeira experiência de onde possa retirar as suas aprendizagens para, num futuro, fazer melhor.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Opinião | "Mar de papoilas" de Amitav Ghosh (Ibis Trilogy #1)

Mar de Papoilas

Classificação: 1 Estrela

Mar de papoilas estava esquecido na estante há imenso tempo. Por algum motivo que eu não consigo explicar, era uma leitura que ia sempre adiando (talvez pressentisse que o livro não era para mim).
Parti esperançada para esta leitura porque: 1) era um romance histórico e 2) foi finalista do Man Booker Prize 2008. 

Infelizmente foi das leituras mais penosas que fiz este ano. 
Neste livro, o autor entrelaça diferentes personagens, cada uma com a sua história pessoal, mas todas têm algo em comum. É este aspeto comum que condicionará a vida de todas elas e a forma como tudo se desenvolve.

Apesar de achar a premissa do livro bastante interessante, a forma como foi contada e desenvolvida é extremamente aborrecida. Há partes que foram dolorosas de ler para mim. A sensação que tinha era que lia, lia, lia e a narrativa pouco avançava. 
Da minha perspetiva, este livro é povoado de boas personagens. Todas elas têm um carácter muito particular e as coisas que passam deixam-lhes marcar. Porém, a narrativa não consegue extrapolar toda esta potencialidade. Optando por escolher um modo lento de nos apresentar os acontecimentos fez com que me sentisse muito aborrecida e com ânsia de ver o livro a chegar ao fim. Eram tantos pormenores, tantas cenas encaixadas que pouco interesse ofereciam que a dimensão das personagens acabou engolida por estes mesmos acontecimentos.

Só depois ter lido o livro é que percebi que ele é o primeiro de uma série. Fiquei fula com aquele final, mesmo agora sabendo que é uma série acho que poderiam ter oferecido um pouco mais ao leitor. Termina tudo de uma forma muito pouco conclusiva. Compreendo que se tenham de deixar pontas soltas, só no caso deste livro acho que o autor foi ao extremo.

Sei que é um livro que facilmente vai cair no esquecimento. Daqui a umas semanas se me perguntarem sobre ele eu pouco irei conseguir indicar.
Talvez as pessoas que tenham mais paciência para grandes momentos de descrição e narrativas que se arrastam por páginas e páginas sem que algo de significativo aconteça, poderá gostar mais deste livro do que eu.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Opinião | "Mors Tua, Vita Mea: A tua morte, a minha vida" de Vanessa Santos

Mors Tua, Vita Mea: A tua morte, a minha vida
Classificação: 1 Estrela

Li o livro Mors Tua, Vita Mea: A tua morte, a minha vida a convite da autora Vanessa Santos. Tenho que agradecer-lhe o convite e a oferta do livro. Obrigada, Vanessa!

Infelizmente não foi uma leitura muito agradável. É um livro que apresenta algumas falhas, falhas essas que tornam a leitura difícil e nos oferece pouco prazer. 
Os problemas começam desde logo com a forma como livro está estruturado. É uma estrutura confusa e pouco coerente, como já partilhei com a autora, temos a sensação que estamos a ler dois livros. E depois os erros ortográficos que são bastante significativos. Desde logo, estes aspetos quebram o ritmo de leitura. 

Em relação ao enredo, este é pobre em termos de aspetos essenciais para a nossa compreensão da estória. A autora "perde-se" com reflexões paralelas que, em alguns casos, tornam a leitura um pouco aborrecida. Este aborrecimento advém do facto de estarmos a ler algo que não nos ajuda em nada para a compreensão da narrativa, nem para conhecer melhor as personagens que povoam aquelas páginas. 

Há situações relacionados com as personagens e com as relações que elas estabelecem que, aos meus olhos, pareceram forçadas. Não me soaram naturais, fluídas e que encaixam bem umas com as outras. Os diálogos também mereciam mais investimento. Era importante para mim sentir que estava a ver a cena. Desejei muito que autora me mostrasse as coisas, em vez de, simplesmente, mas contar. Queria envolvência, queria ver sentimentos a nascerem e a cruzarem-se em momentos de romance e conflito. 

No seguimento do que já escrevi, vem a minha impressão relativamente às personagens. A Sara precisava de se mostrar mais adulta e madura. Em certas ocasiões parecia mais uma adolescente do que uma jovem adulta. Hélio e Cláudio mereciam uma melhor apresentação e contextualização do seu papel e função na narrativa. 

Fico triste por não oferecer palavras melhores à Vanessa. Antes de publicar a opinião "falei" abertamente com ela e esmiucei muito mais sobre os pontos negativos do livro. Ela foi de uma humildade louvável. "Ouviu" e partilhou comigo a sua visão sobre o livro. Tendo em contas estas qualidades, queria ter palavras mais inspiradoras para descrever esta minha experiência com o livro. Porém, eu considero que devemos sempre ser honestos com aquilo que escrevemos sobre os livros que lemos. Só assim passamos uma visão verdadeira e conseguimos ajudar os autores que ainda estão a iniciar o seu percurso. 
Desejo muito que a Vanessa não fique por aqui e que cresça enquanto escritora. E que nós estejamos aqui para assistir. 


terça-feira, 11 de abril de 2017

Opinião | "Para sempre não é muito tempo" de Carolina Pascoal

Para Sempre não é muito tempo
Classificação: 1 Estrela

Para mim, está será uma das opiniões mais difíceis de escrever porque me deparei com um livro de um nível bastante inferior ao que estou acostumada. Torna-se ainda mais difícil porque é o primeiro livro da escritora e não deve ser nada agradável assistirmos a um impacto negativo nos leitores logo ao primeiro livro.

Começo por apontar dois aspetos que gostei: a capa e a cidade onde se desenvolver a narrativa. Relativamente à capa, acho que está bem conseguida e é apelativa. Coimbra é a cidade que serve como pano de fundo à maioria dos acontecimentos desta estória. É uma cidade que eu conheço muito bem e pela qual tenho um carinho enorme. Por tudo isto, foi muito bom revisitar alguns cantos da cidade que nunca morre no coração de por quem lá passou.

Os problemas deste livro são vários, infelizmente, passo a enumerá-los:
  1. O desenvolvimento da narrativa - da minha perspetiva a estória que nos é narrada é extremamente pobre, cheia de expressões clichés e com pinceladas de psicologia que não dignificam a formação que a autora teve (falo por conhecimento de causa). Não interessa ao leitor os chavões da psicologia, nem as metáforas, nem as reflexões que devem ser circunscritas a um contexto de terapia. Seria muito mais interessante usar os conhecimentos de psicologia para fazer crescer a narrativa em acontecimentos, mostrar-nos personagens com pensamentos e comportamentos complexos... No fundo aplicar o conhecimento e não transmiti-lo.
  2. Os personagens - todos eles muito pobres, demasiado artificiais e nada reais aos meus olhos. Não me identifiquei com nenhuma personagem. Demasiada futilidade em algumas, comportamentos improváveis, uma caracterização medíocre e demasiada infantilidade em pessoas de quem já se exigia alguma maturidade dado o contexto socioeconómico em que se encontravam. Precisavam de estar à altura. 
  3. Diálogos - muito, muito pobres. Somos confrontados com a ausência de descrições coerentes das expressões das personagens e dos seus comportamentos. As conversas de Leonor com a prima do Porto fizeram-me revirar os olhos devido ao discurso estupidificado e sem nexo algum. Uma partilha de psicologia barata que em nada abona à nossa perceção da narrativa. 
  4. O início e o fim do livro - o início pareceu um daqueles chavões de cinema que em nada ajudam no estabelecimento da relação entre os leitores e as personagens que habitam aquelas páginas. Eu precisava que a escritora me apresentasse sentimentos, que colocasse a nu o interior de um homem que já não sabia como viver. E o fim, para mim, foi o pior que a autora poderia ter escolhido. Penso que não revela crescimento das personagens, não nos traz nada de novo e, simplesmente, é aquilo que logo no início achamos que vai acontecer, ou seja, é tudo demasiado previsível.   
Quero, com esta opinião, possibilitar à escritora uma reflexão sobre este seu primeiro trabalho. Talvez não fosse má ideia entregar o manuscrito, antes de publicá-lo, a um ou dois leitores-beta. Se é algo que pretende fazer ao longo da sua vida, acho que se deve ler vários livros, de géneros diferentes e absorver a mecânica da escrita e da construção da narrativa. Tornar-se mais observadora daquilo que a rodeia e não cair na tentação de nos contar uma estória e sim de nos mostrar as personagens, de nos mostrar os seus comportamentos, sentimentos, dilemas. Contar é diferente de mostrar e aquilo que nos cativa enquanto leitores é quando o escritor nos mostra o que está para além das palavras imprimidas naquelas páginas.

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Opinião | "Peónia Vermelha" de André de Oliveira

Peónia Vermelha
Classificação: 1 Estrela

Peónia Vermelha é daqueles livros em que a expressão less is more se aplica na perfeição. Explicando-me melhor, se o livro se tivesse centrado na premissa que origina toda a a narrativa e todos os acontecimentos se desenrolassem de forma consistente e coerente com essa mesma premissa teríamos um livro com um enorme potencial. 

Eu esperava bem mais deste livro. Em primeiro, porque a temática que a sinopse nos permite antever é interessante e me despertou curiosidade e, em segundo lugar, porque foi um livro falado na internet e que tinha sido alvo de uma leitura beta. 

De entre muitas coisas que me foram desapontando ao longo da leitura, foi a necessidade do autor em misturar tantas temáticas ao ponto de a ideia centrar do elixir da juventude que estava a ser produzido por uma farmacêutica. À medida que vamos lendo, aquilo que eu senti, foi que a mistura de tantas temática ficou aborrecido e iam perdendo o interesse porque o autor não as esgotava em termos estruturais e em termos emocionais. 

Relativamente às personagens, senti que a sua caracterização é reduzida e pouco profunda. A dada altura aquilo que me saltou ao olhar foi a futilidade que preenchia a vida de alguns. Para além disso, a forma como o autor foi construindo o mundo em torno delas gerou-me alguma confusão em assimilar o processo de vida de cada um. Penso que o autor deveria limitar as desgraças e as coisas que preenchem o interior das suas personagens. Seria muito mais agradável se elas tivessem, para nós, circunstâncias bem definidas na narrativa e situações de vida boas e más de uma forma mais equilibrada. 

No meio de tanta festa, traições, amores e desamores e inseguranças, a situação da farmacêutica acaba por se mostrar pouco. Senti que ficou esbatida e que foi pouco explorada. 

Sendo o primeiro livro do autor, desejo que este seja um livro de transição e crescimento. Espero que quando abraçar um novo projeto literário consiga dar-lhe mais consistência e coesão narrativa. 

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Opinião | "Maria, vai-te deitar! e outros contos" de Lubélia Sousa

Maria vai-te deitar! e outros contos
Classificação: 1 estrela

Maria vai-te deitar! e outros contos é um livro que reúne um conjunto muito diversificado de contos infantis. 
É um livro com bastante falhas, até a nível ortográfico, o que acho a leitura desde logo desaconselhável para crianças. Neste sentido, o livro carece de uma revisão profunda de forma a corrigir os erros ortográficos e, em alguns contos, a própria estrutura da narrativa.

Quanto ao conteúdo dos contos, penso que alguns deles não são adequados a crianças muito pequenas. O conteúdo é denso, pouco interessante e de difícil compreensão tendo em conta o desenvolvimento cerebral de crianças entre os 3 e os 6 anos. 

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Opinião | "Olívia" de Catarina Magalhães

Olívia

Classificação: 1 Estrela

A leitura de Olívia foi marcada por altos e baixos, sendo que houve mais baixos que altos. O meu descontentamento para com o livro prende-se com o conteúdo da narrativa. 
No geral, a escrita da autora é cuidada mas, também, é demasiado floreada e cheia de metáforas aborrecidas que não tornam a leitura fluída e atrativa. 
Outro aspeto pouco positivo no livro é as frases e palavras em inglês. Eu consigo ler em inglês, mas há muitas pessoas que não entendem e procuram a literatura em português. Ora ao cruzar-se com um livro com bastantes frases em inglês (apesar de pequenas e simples) pode ser logo um elemento desmotivante da literatura. Isto é ainda mais agravado pela ausência de tradução das ditas frases.

Tendo em conta que, do meu ponto de vista, a autora tem potencial de fazer melhor este livro livro beneficiaria imenso de uma leitura beta antes de ter sido proposto para publicação. Este trabalho de revisão ajudaria a autora a perceber o que funciona ou não para os leitores. 

Em termos de construção da narrativa há também algumas falhas. Acontecimentos que são descritos de forma confusa, pouca explorados e com um carácter demasiado abrupto. Há algumas cenas interessantes e que, se exploradas de outra forma, tornariam a estória bem melhor. 
Sinto a necessidade de uma escrita mais emotiva, com diálogos mais expressivos e realistas (os diálogos são bastante fracos) que nos transportem para a ação narrativa e nos faça sentir parte daquelas personagens e das suas vivências. Precisamos de conteúdo para que nos seja possível visualizar tudo o que se passa naquelas páginas. Para isso, a autora precisa de nos mostras em vez de se limitar a contar aquilo porque Olívia vai passando.

Espero que a autora não desista de nos mostrar mais estórias e mundo por ela criados. Gostaria imenso que autora crescesse profissionalmente fazendo-nos chegar novas personagens e novas vivências.

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Opinião | "A estrela azul" de Juliette Benzoni (O Judeu de Varsóvia #1)

A Estrela Azul (O Judeu de Varsóvia #1)

Classificação: 1 Estrela

Já há muito tempo que queria experimentar a leitura de obras da autora Juliette Benzoni. Sempre senti curiosidade em pegar nestes livros de todas as vezes que me cruzava com eles na biblioteca. Não tenho uma explicação racional para esta minha curiosidade... Apenas os livros me chamavam à atenção. Eis que chegou a altura de pegar num deles e a experiência ficou longe de ser agradável.

No geral, A Estrela Azul é uma estória muito aborrecida e onde a forma como está estruturada deixa muito a desejar. Da minha perspetiva e tendo em conta os acontecimentos, os mistérios que servem de base à construção da narrativa vão bastante promissores. Contudo, a forma que a autora escolheu para nos apresentar os fatos não foi a melhor. 
A escrita e os acontecimentos arrastam-se ao longo das páginas, eu tive dificuldades em imaginas e sentir as personagens. Considero-as mal caracterizadas e as suas ações surgem no vazio e de uma forma algo descontextualizada. 

Tem por bases estórias de amor "coxas" que me fizeram revirar os olhos. Ou acontecem de forma instantânea, não me dando tempo para perceber de onde tudo surgiu, ou não tem espaço para ser abordadas e esgotas ao ponto de me fazer senti ligada a elas e aos sentimentos que as palavras da autora não conseguem deixar transparecer. 

As personagens guardam algum mistério, mistério este que a autora não soube aproveitar e explorar. É uma narrativa demasiado desorganizada para a minha estrutura mental atual. 

Sinceramente, a minha vontade para continuar a série é nula. Mas gostava de dar uma nova oportunidade à autora.
Há sugestões desse lado?

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Opinião | "A livraria" de Penelope Fitzgerald

A Livraria
Classificação: 1 Estrela

A livraria é o primeiro livro que leio da autora Penelope Fitzgerald e foi uma das minhas piores leituras até ao momento.

Vai ser muito complicado escrever uma opinião, porque são poucas as recordações que tenho da história. Sei que ocorreram alguns conflitos, há um problema inicial que condiciona o livro e há a solução final. Isto deve-se ao facto de ser um livro muito confuso, aborrecido e desinteressante. 
A relação difícil com este livro advém das suas características da narrativa e da forma como está escrito. Assim, somos confrontados com uma escrita pouco cativante aliada a uma narrativa pouco empolgante.

Do meu ponto de vista, mudando a forma de escrever e criando mais situações de interesse e conflito, o livro poderia tornar-se mais apelativo. 
Para além disso, a autora deveria recorrer a uma escrita que mostrasse mais o que acontecia na vida exterior e interior das personagens, em vez de se limitar apenas a contar o que se ia passado. As personagens também mereciam uma maior caracterização.

É um livro que facilmente se apagará da minha memória. Não me marcou e não compreendo o facto de ele ter sido vencedor de um prémio. É um livro muito fraco em todos os elementos que compõem a história do livro. 

Quem tiver uma visão diferentes, por favor, partilhe. Gosto de conhecer outros pontos de vista. 

quarta-feira, 9 de março de 2016

Opinião| "52 Semanas de Sedução" de Betty Herbert

52 Semanas de Sedução
Classificação: 1 estrela

Ao longo da minha evolução enquanto leitora vou ficando cada vez mais seletiva... E esta seletividade também se manifesta na minha empatia com os géneros literários. Este livro em particular insere-se no género erótico e é um género que me dá alguns problemas. De alguns livros que li dentro do género, a minha opinião é que se não tiverem uma boa contextualização e uma narrativa sólida e com sentido facilmente aborrecem o leitor. 

52 Semanas de Sedução apresenta carências a vários níveis. Aquilo que poderia ser um bom ponto de partida, um casal a tentar reacender a sua chama afetiva e sexual, torna-se em algo fastidioso e com pouco interesse. 
O nível de escrita é muito, muito básico; os diálogos são fracos, pouco profundos, não nos permitem conhecer bem as personagens e não dão aquele toque especial à narrativa que é a partilha de emoções entre as personagens; e, por fim, a forma como a narrativa está encadeada não demonstra qualidade nem interesse. 

Betty e Herbert são as personagens centrais de todo o livro. O livro é narrado na perspetiva de Betty, mas ela não consegue ser interessante na sua narrativa (claro que isto está relacionado com o tipo de escrita da autora). Herbert parece que não tem personalidade nem atitude. Achei-o muito apagado, com pouca atitude o que torna a história ainda mais aborrecida. 

O livro acaba por entreter em alguns momentos. Porém, em certos momentos esse entretimento torna-se aborrecido e o prazer da leitura esvai-se como uma nuvem de fumo. Conclusão: é uma leitura que nos pode divertir em alguns momento, mas também tem o seu lado aborrecido, pouco criativo e pouco interessante.