terça-feira, 17 de julho de 2018

Opinião | "Longe do meu coração" de Júlio Magalhães

Longe do Meu Coração
Classificação: 2 Estrelas

Nunca tinha lido nada de Júlio Magalhães. Foi mais uma aventura que decidi correr. Não foi uma leitura magnífica, mas satisfez algumas das minhas necessidades enquanto leitora. 

Longe do meu coração tem uma história interessante e que me diz alguma coisa, mas não está contada de forma apaixonante. É uma escrita simples, mas em que o autor se limita a contar a história e não aprofunda nos sentimentos nem reações das personagens. Fiquei triste, porque a ideia de base da história é interessante, as personagens têm imenso potencial, mas parece que tudo ficou bloqueado.

A minha relação com a temática do livro tem a sua costela mais sentimental. Sou filha e neta de emigrantes. O meu pai não precisou de ir a "salto" para lado nenhum, mas passou muitas dificuldades. O meu avô foi a "salto" para França e, tal como o Joaquim, nunca contou a ninguém as condições em que a viagem se realizou. Relativamente às dificuldades que viveu enquanto Português em França contou algumas, mas preferia recordar quando conseguiu vir a Portugal, naquilo que trazia para os filhos e nas idas da minha avó a Paris. Esteve lá 30 anos. Veio com imensos problemas de saúde e com com a dependência do álcool que por locais da cidade luz o deve ter ajudado a encobrir a solidão e a miséria em que vivia. Já faleceu há dez anos, mas as suas histórias enquanto emigrante ainda vão pairando nas conversas. 
Parte da família do meu pai também vive em França. Também eles relatam as dificuldades inicias de se viver num novo país, mas que eram suportáveis comparativamente à fome e à miséria que passavam em Portugal.  

Bem, foram estes sentimentalismos que me aproximaram um pouco da mensagem do livro. É uma realidade da história de Portugal que merecia um pouco mais de atenção. Devem existir imensos Joaquins por este Portugal fora que hoje, graças ao trabalho árduo em França, gozam de uma reforma pacata e desafogada. Outros tantos não devem ter feito as pazes com o seu país Natal e dão asas à sua felicidade na terra que os acolheu.

Apesar da escrita ser muito pobre, consegui perceber muito bem as dificuldades dos Portugueses que na década de 60 arriscaram um vida em busca de melhores condições e foi interessante perceber que o trabalho árduo foi recompensado.
Acabei por ficam feliz com o final desta história. É um livro bom para os dias mais quentes e em que nos apetece ler algo mais "ligeiro" e que não exija muito esforço cognitivo da nossa parte. 
Foi mais um autor masculino que fiquei a conhecer. Ainda darei uma nova oportunidade ao autor para perceber se ele consegue usar outro estilo de escrita que seja mais cativante e me faça apoderar das personagens e dos acontecimentos. 

2 comentários:

  1. Gostei de te ler. A análise e a expectativa que tinhas para estabeleceres o paralelo com aquilo que te dizia algo na experiência familiar. Não conheço a escrita do Júlio Magalhães, agora aguçáste-me a curiosidade. Talvez um autor a ler na próxima.

    Beijos.

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    1. Obrigada pela visita e pelo comentário. :)
      Espero que venhas a conhecer a escrita do autor e que seja uma boa leitura.
      Beijinhos

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!