sábado, 19 de agosto de 2017

Opinião | "Frágil" de Jodi Picoult

Frágil
Classificação: 4 Estrelas

Jodi Picoult tem uma forma muito especial de construir as suas narrativas. Para além de todo o cuidado na construção e em delinear os acontecimentos de forma coerente, a autora desenvolve um grande trabalho de investigação acerca da temática que pretende abordar bem como na forma como decide construir as personagens que dão corpo a esta história.

Em Frágil conhecemos Willow, um menina muito especial que sofre de osteogénese imperfeita (doença dos ossos de vidro) e assistimos ao impacto desta doença e da decisão da mãe em processar Piper, a sua obstetra e melhor amiga, relativamente ao diagnóstico da pequena Willow. 

As personagens que compõem a narrativa são bastante complexas, onde facilmente identificamos características que as tornam muito humanas. As minhas impressões em relação a Charlotte e Sean (mãe e pai da Willow) oscilaram um pouco ao longo do livro. Willow, Amelia e Piper sempre as olhei de forma positiva, ou seja, gostei delas logo nas primeiras páginas e esse sentimento manteve-se até ao fim do livro. No final, também Charlotte e Sean me conquistaram. Apesar de não concordas com muitos dos comportamentos da Charlotte, no fim conseguir compreender tudo aquilo que ela fez. Ela era, também, uma pessoa que precisava de muito apoio. 

A forma como a doença interfere nas dinâmicas e comunicações familiares está descrita de uma forma muito realista e que se coaduna com aquilo que a investigação na área indica acerca do impacto de uma doença na família e nos cuidadores. 
Uma das pessoas que mais sofre ao longo de todo este processo é Amelia. Uma jovem que adora a irmã, mas que está envolta num véu de insegurança, receios e de uma dor emocional que se transforma em bulimia e comportamento autolesivos. Sofri por esta jovem, a única coisa que achei estranha foi que, perante tantos sinais de alerta, esta miúda passar despercebia aos professores e a outras pessoas que passam tempo suficiente com ela para perceber que o seu estado emocional tinha levado uma facada.

Willow, para mim, significa a doçura, a leveza de uma pena que voa, sem destino ao vento. É uma miúda impressionante que nos mostra uma forma especial de lidar com uma doença muito limitante. Há uma passagem no livro em que ela, a mãe e a irmã vão a um encontro de pessoa com osteogénese. Foi aconhegante perceber o quanto Willow e Amelia conquistar naqueles dias e o quanto lhes fez bem. Charlotte é que teve a sua vida mais complicada, porém foi importante para fazê-la pensar.

O final é agridoce e ao estilo da autora. Eu percebi o que aconteceu,  mas não concordo com a forma como aconteceu. Dado todo o contexto em torno da situação não faz muito sentido como as coisas culminaram. Infelizmente não posso ser muito mais específica, caso contrário oferecia-vos um grande spoiler e não seria nada agradável.

Para terminar, quero agradecer as meninas com quem fiz a leitura conjunta. Foi muito bom poder trocar ideias com vocês e ter acesso a outros pontos de vista. Espero participar numa outra leitura ao longo do projeto Um ano com a Jodi.

2 comentários:

  1. Olá Silvana,
    Neste mês não participei porque no mês anterior, não tive uma grande experiência =P Mas gostei da tua opinião e, quem sabe, se um dia, não o leio?
    Beijinhos e boas leituras

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    Respostas
    1. Olá Tita,
      Percebi que no mês anterior o livro não foi muito consensual e acabou por, em alguns momentos, interferir com a leitura deste. Eram temáticas muito semelhantes e acaba por cansar.
      Acho que lhe deves dar uma oportunidade mais tarde, porque acho que vais gostar.
      O "perigo" de se ler livros do mesmo autor de forma muito seguida é cansarmo-nos da sua escrita. Como muitos recorrem à mesma fórmula, pode ser aborrecido ler tudo de uma vez.
      Beijinhos e boas leituras.

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!