sábado, 21 de abril de 2018

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Os motivos]


São tantos os livros que quero partilhar com a Denise que este mês não sabia o que lhe enviar primeiro. 
Então coloquei a escolha no lado dela. Fui à estante, seleccionei os livros que tinha em mente enviar-lhe, retirei uma frase de cada um deles e ela escolheu a frase que mais a interessava.

A frase escolhida foi:

Sinto o coração a pesar-me dentro do peito: demasiado angustiado para bater, mas desejoso de escapar. Sentamo-nos a um canto da mesa, ela à cabeceira, eu à esquerda dela. (p.184)

Esta frase pertence ao livro....
Os Muitos Nomes do Amor
Os muitos nomes do amor
Dorothy Koomson

Espero que a Denise goste do livro e que seja uma boa leitura, ao nível daquelas que a autora já noa habituou.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Palavras Memoráveis



Porque o amor, como a vida, não é apenas sobre duas pessoas cujos mundos se encontram. Trata-se das suas raízes, das suas experiências, das suas culturas também.
Rosanna Ley, Regresso a Mandalay

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Opinião | "Confissões" de Kanae Minato

Confissões
Classificação: 3 Estrelas

Confissões foi o último livro enviado pela Denise para o nosso Empréstimo Surpresa. Parti para a leitura sem criar expetativas, apenas sabia que era um livro que ela tinha adoro e que a surpreendeu. Quando terminei a leitura fiquei sem saber o que escrever acerca do livro e sem saber que classificação lhe dar. Foi um leitura que me provocou sensações estranhas e no meio dessa estranheza fiquei bastante indecisa sem saber muito bem o que fazer. 

Começando por uma análise mais global, acho que a forma como foi escrito, a escolha das personagens a quem foi dada a voz e toda a sequência que se foi instalando. Contudo, em certos aspetos torna-se repetitivo e cheguei a sentir-me aborrecida por, em alguns momentos, ter de ler novamente sobre a mesma situação.
A linguagem é simples e a escrita bastante acessível. 

Relativamente à narrativa senti-me estranha ao lê-la. Não tenho filhos e só consigo imaginar aquilo que Moriguchi sentiu ao perder a filha, contudo não sei até que ponto é que forma que ela usou para vingar a morte da filha seja legítima ou se até não está a usar uma vingança infantil. Assustei-me com a frieza dela e com a forma calculista para desenhar tal plano pouco tempo depois de sentir uma dor tão atroz.

Relativamente aos pré-adolescentes que vão ganhando protagonismo, acho que há certas coisas que me pareceram demasiado à frente para miúdos de 12/13 anos, que se inserem num padrão de desenvolvimento mais ou menos normal. Excetuando um deles que foi bastante estimulado pela mãe, os outros pareceram-me alunos que respeitavam os padrões normais, com maior ou menos apetência para as tarefas escolares. Estes aspetos fizeram-me olhar para eles com alguma desconfiança.

O final acabou por me surpreender um bocadinho. Contudo achei que foi tudo demasiado ficcional. Senti falta de qualquer coisa que me fizesse acreditar em tudo aquilo que aconteceu com aquelas personagens. 

Nunca me senti ligada ao livro, em nenhum momento me emocionei ou me senti incomodada com os acontecimentos. Não achei que fosse um mau livro, considero que foi apenas um livro que cumpriu a sua função de entreter mas não deixou qualquer tipo de marcas. Talvez não tenha funcionado muito bem comigo, o que acaba por ser curioso. Achei este livro bastante racional, o que poderia fazer um click positivo com a racionalidade que vive dentro de mim, mas tal não aconteceu. Bem... talvez a dose entre razão e emoção não estivesse no equilíbrio perfeito afastando-se da minha mente emotivo-relacional. 

sábado, 14 de abril de 2018

Opinião | "Aquele beijo" de Julia Quinn (Bridgertons #7)

Aquele Beijo (Bridgertons #7)
Classificação: 4 Estrelas

Estou triste!!!! Só me falta conhecer a história de um irmão Bridgerton. Estes livros são tão agradáveis que torna difícil a despedida.

O sétimo livro da série conta-nos a história de Hyacinth, a irmã mais nova deste clã, e Gareth St. Clair. Os livros anteriores já me tinham espicaçado a curiosidade relativamente a esta Bridgerton. O que me ficou de leituras anteriores é que estamos na presença de uma miúda cheia de personalidade, com a resposta certeira e preparada a disparar daquela boca e com uma enorme vontade de viver. Este livro veio confirmar aquilo que já pensava dela. Para além destas características sobressai o seu espírito aventureiro e uma vontade incrível de viver e sentir tudo de todas as formas que lhe sejam permitidas. É uma mulher diferente daquelas que desfilam na sociedade Londrina, pois desafia as leis do recato feminino e as tarefas e comportamentos que devem ter as mulheres da alta sociedade. 

Fartei-me de rir com a Lady Dunbury, com a conversa entre Anthony e Gareth, da forma como George se referia a Gareth e do jeito um pouco desajeito de Haycinth para lidar com o amor.

Não foi dos meus preferidos da série. O final deixou-me um pouco furiosa e senti falta de acontecimentos mais marcantes entre Haycinth e Gareth. Apesar de reconhecer, sem qualquer dúvida, e de transparecer no livro de que eles são perfeitos um para o outro eu precisa de mais algum conflito e dinamismo entre os dois. Precisa de interações que fizessem com que a leitura se tornasse mais marcante para mim. 

Estando quase no final da série, dá para perceber que Julia Quinn oferece-nos sempre leituras agradáveis e divertidas. É uma autora que se mantém fiel a si mesma e ao seu estilo de escrita. 
Eu sou fã desta família e de todas as personagens que, através deles foram arrastadas para estas páginas. Quero continuar a acompanhar o trabalho desta escritora e só espero continuar a encontrar a originalidade, as histórias marcantes e com aquele toque de amor tão especial que me deixa mais feliz quando termino a leitura. No fundo, para mim, é um livro que ajuda a aliviar a carga cinzenta que, muitas vezes, tem pairado sobre mim. 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Opinião | "À morte ninguém escapa" de M. J. Arlidge (Helen Grace #2)

À Morte Ninguém Escapa (Helen Grace #2)
Classificação: 4 Estrelas

Trouxe este livro da biblioteca na expetativa de me cruzar com um bom policial. Quando cheguei a casa e fui ver o Goodreads fiquei triste por ver que era o segundo volume de uma série. Gosto de ler séries por ordem mas, geralmente, acontece-me sempre o inverso. Como era um policial achei que começar no segundo volume não iria interferir muito na minha compreensão da história. E, de facto, foi isso que sucedeu. Consegui compreender tudo apenas ficando a frustração de não saber tudo, de forma pormenorizada, sobre as personagens residentes, ou seja, aquelas que já tinham um passado descrito no volume anterior.

Toda a equipa da polícia tem um história passada que me pareceu ter sido muito bem explorada no livro anterior. Contudo, ao longo do livro vão sendo dadas algumas informações que nos ajudam a contextualizar as situações e os comportamentos das personagens, o que nos ajuda a perceber em que medida as relações na equipa estabelecem neste livro, tendo em conta as suas vivências anteriores.
Portanto, se não têm o livro anterior e estão a hesitar na leitura deste, podem avançar sem medo de ficarem sem perceber o que vive nestas páginas. Aquilo que de certeza irão sentir, tal como eu, é um vontade exacerbada de ler o volume anterior. Só para ter a certeza de que não vos escapa nada deste universo.

Helen Grace é uma detetive e uma personagem de destaque. Achei-a uma mulher complexa e interessante que, tal como a cebola, se reveste de imensas camadas para o leitor ir descobrindo aos poucos. Ao contrário da cebola, que já sabemos o que vamos encontrar, com a Helen cada nova camada desvendada é uma surpresa. Fiquei fã dela, da sua inteligência e da sua capacidade de resiliência. Parece ter um feitio e uma energia muito peculiares, mas também isso a tornou interessante ao meu olhar. Não posso, também, deixar de destacar Charlie e Steve, que me fizeram pensar nas escolhas que temos que fazer na vida e que ganhos ou perdas essas escolhas implicam. O Tony e Nicole que me mostraram que o amor e a dedicação assumem diferentes formas e que não têm limites, mesmo quando as nossas fragilidades nos começam a pregar partidas, conduzindo-nos a um conjunto inexplicável de sarilhos e de erros.

Relativamente aos crimes que nos vão sendo apresentados nestas páginas, inicialmente pareceram-me simplistas, fazendo-me esperar um desfecho pouco intenso, pouco cativante e muito diferente daquilo que encontrei. Felizmente, fui engana e os meus preconceitos foram completamente destruídos. À medida que avançava na leitura e que os acontecimentos e as descobertas iam sendo reveladas, tudo se foi adensando no sentido de me baralhar as ideias e me mostrarem que a realidade poderá ter diferentes formas de ser construída, olhada e apreendida.

Sofri com o desfecho do livro. Tenho a certeza que a Helen queria algo diferente, mas a sua chefe não tinha uma sensibilidade nem um tacto especial para lidar com as pessoas. Sofri pela Carrie e espero que ela se assuma perante a vida e que não fique refém do medo e da opressão.
Parece-me ser uma série de grande qualidade e que eu quero acompanhar.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Português no Masculino | Autor Abril

Estive muito indecisa acerca da escolha do autor para este mês. Tinha duas opções em mente, mas decidi-me por ler um autor que já conhecia e deixar o autor desconhecido para Maio. 

Em Abril o autor será:
Resultado de imagem para Tiago Rebelo
Tiago Rebelo

Já li algumas obras do autor e, das que li, tenho boas recordações. Relativamente ao livro, a minha escolha recaiu sobre O homem que sonhava ser Hitler

O Homem Que Sonhava Ser Hitler

Sei que neste livro, o autor saiu um pouco da sua zona de conforto, por isso estou um pouco curiosa para conhecer a história que dá corpo a este livro.

Conhecem o livro? O que têm a dizer sobre ele?

domingo, 8 de abril de 2018

Balanço | Viajar no mundo com os livros




Há um ano atrás desafiei-me a leituras de autores com nacionalidades diferentes daquelas que habitualmente leio. 
Não me limitei nas leituras, nem as escolhi tendo como foco exclusivo este projeto. Fui lendo o que me apetecia e ia encaixando aqui as nacionalidades. 
Consegui ler autores de 11 nacionalidades distintas. Porém, vendo pela minha lista os Estados Unidos da América e o Reino Unido foram os países de origem de grande parte das minhas leituras. 
Gostava de mudar este aspeto e da oportunidade a autores de outras nacionalidades, porém vendo bem a nossa oferta é algo complicado. Facilmente nos cruzamos com livros de autores norte americanos e ingleses. Felizmente já começam a surgir livros de autores de origem de outros países europeus, e aqui destaco os autores nórdicos com os seus policiais e thrillers. 
Fica aqui o registo das minhas viagens. 

Portugal
Coimbra - Para sempre não é muito tempo (Carolina Pascoal); A boneca de Kokoschka (Afonso Cruz)
Braga - Soberba Ilusão; Maresia e fortuna(Andreia Ferreira); As impertinências do cupido (Ana Gil Campos); Livros infantis (Fabíola Lopes);  
Faro - Orbias - As guerreiras da deusa (Fábio Ventura)
Guarda - O encontro (Virgílio Ferreira)
Leiria - Mors tua, vita mea: a tua morte, a minha vida (Vanessa Santos)
Lisboa - Inês (Maria João Fialho Gouveia); Amor de predição (Camilo Castelo Branco); A linha ténue do passado (Mónica Cortesão Gonçalves); Morreste-me (José Luís Peixoto)
Porto - A fronteira do perpétuo (Teresa Poças)
Portalegre - Morreste-me (José Luís Peixoto)
Santarém - O conto da ilha desconhecida (José Saramago)
Viseu - Os meus poemas não rimam (Ana Beatriz Cruz)

Afeganistão
Mil sóis resplandecentes (Khaled Hosseini)

Brasil
A síndrome de Peter Pan (Eliane G. Pyhn)
O escultor da morte (Chris Carter)

Espanha
O intestino também sente (Leonor Martín)
Emocionário (Cristina Núñez Pereira)

Estados Unidos da América
Eleanor & Park (Rainbow Rowel)
9 de novembro (Colleen Hoover)
Doces Silêncios (Deborah Smith)
Se eu fosse tua (Meredith Russo)
Uma nova esperança (Colleen Hoover)
Frágil (Jodi Picoult)
Perfume de Paixão (Jude Deveraux)
Corações na escuridão (Laura Kaye)
Uma boa mulher (Jill Alexander Essbaum)
Amor às claras (Laura Kaye)
Duplo Crime (Tess Gerritsen)
Tua para sempre (Luanne Rice)
Verão em Edenbrook (Julianne Donaldson)
A bela e o vilão (Julia Quinn)

Índia
Mar de papoilas (Amitav Ghosh)

Itália
Se isto é um homem (Primo Levi)

Noruega
Caçadores de cabeças (Jo Nesbø)


Nova Zelândia
Sangue do coração (Juliet Marillier)

Reino Unido
Tempo de dizer adeus (S. D. Robertson)
Mais não, Papá! (Maria Landon)
Casamento em Veneza (Elizabeth Alder)
Uma noite de amor (Mary Balogh)
Regresso a Mandalay (Rosana Ley)
Reencontro com o amor (Melissa Pimentel)
A promessa (Lesley Pearse)
Uma morte súbita (J.K. Rowling)
Antes de eu morrer (Jenny Downham)
Sinto a tua falta (Kate Eberlen)
Presa e predador (Gordon Reece)
És o meu destino (Lesley Pearse)
Mortalha para uma enfermeira (P. D. James)

Suécia
Desaparecidos (Caroline Eriksson)


A livraria dos finais felizes (Katarina Bivalde)

Zimbabué
Escrito na água (Paula Hawkins)

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Opinião | "Felicidade Clandestina" de Clarice Lispector

Felicidade Clandestina
Conto: Felicidade Clandestina
Classificação: 4 Estrelas

Andava com muita curiosidade em ler alguma coisa desta autora. Este conto que li faz parte do livro de Português do 9º ano (tem o texto integral) e tem sido abordado nas aulas de forma recorrente. 
Na semana passada, como tinha que ler o conto de Março para o meu projeto, peguei no dito livro e li o conto em menos de 15 minutos. Fiquei agradavelmente surpreendida como, em poucas páginas, a autora numa escrita muito simples e clara, nos consegue trazer um conto repleto de significados. 

É o conto que aborda um tipo de felicidade que me diz muito. No fundo, assistimos à felicidade que um livro pode gerar numa criança com poucos recursos. 
Temas como o bullying, o prazer pela leitura, as necessidades sentidas por populações mais carentes e as diferenças socioeconómicas que criam abismos entre pessoas figuram de forma muito clara ao longo destas linhas. 
Narrado na primeira pessoa, consegui facilmente aceder aos sentimentos da nossa narradora e da importância dos livros na vida dela. Os livros trazem uma "felicidade [algo] clandestina" que muitas pessoas não compreendem.

É um conto para sonhar, para nos perdermos na inocência da infância e na importância relativa que as coisas têm na vida das pessoas. 

Eu fiquei fã e já "arranjei" o livro com o restantes 24 contos para ler. 

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]


Já estava com saudades da adrenalina de receber mais um livro da Denise. É sempre muito engraçado ficar na expetativa de saber que surpresa vem dentro do envelope.

Desta vez, a Denise deixou a escolha um pouco nas minhas mãos. Assim, ela atribuiu uma palavra a cada livro e eu teria de escolher uma palavra, sem saber a que livro ela estaria associada.
Acabei por escolher aflição. No dia em que ela me mostrou as palavras para fazer a escolha, eu estava aflita com a preparação de uma apresentação para o dia seguinte, e caí logo nessa palavra.

E o livro que me calhou em sorte foi:

Confissões de Kanae Minato

Nunca iria chegar à conclusão que seria este o livro. A Denise avisou-me que me iria enviar um livro mais fino, na minha cabeça este livro era um calhamaço. Só tinha visto este livro em publicidade, e o engraçado foi que criei na minha cabeça que ele teria um enorme número de páginas. 
Obrigada Denise. Vou para a leitura sem qualquer expetativa.... Espero que seja um bom livro.

Palavras Memoráveis


Assim que os sonhos se estilhaçam não há maneira de garantir que alguma vez poderão ser recompostos e sonhados de novo.

Mary Balogh, Uma noite de amor

terça-feira, 3 de abril de 2018

Por detrás da tela | "Moana" (2016)

Vaiana Poster
Classificação: 8/10 Estrelas

Eu sou fã de filmes de animação. Tenho uma longa lista de filmes do género para ver. Hoje queria ver um filme e não sabia muito bem o que escolher. Comecei por um que me estava a aborrecer tanto que tive de parar. Como não me queria meter a ver um filme muito longo, achei que um de animação era o ideal, e a escolha foi para o Moana (em português Vaiana).

A parte fenomenal deste filme são as imagens. Nem quero imaginar ver este filme no cinema, pois deve ter sido uma experiência fenomenal. Aquelas praias de um azul a perder de vista, tão calmo e brilhante; o verde intenso das ilhas. Foi uma combinação que funcionou perfeitamente e me deixou presa ao ecrã. 

Moana deu-me aventura, amizade, superação e amor. É um filme preenchido por boas vibrações e que nos mostra a importância de não desistirmos dos nossos sonhos nem nos deixarmos levar por medos alheios. Moana enfrentou os seus medos, desafiou os medos dos outros e foi em busca de tudo o que precisava de saber para compreender as suas raízes e salvar aqueles que lhe são mais queridos.

Amei os animais de estimação de Moana. Foram escolhas originais. Por um lado tínhamos o Hei Hei, um galo com umas particularidades muito engraçadas e um pouquinho que era a coisa mais amorosa que já vi em filmes mais recentes dentro do género.

Um filme para ver na companhia dos mais pequenos, ou simplesmente para os adultos fugiram da realidade e se perderem em águas cristalinas e convidativas. 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Resumo do mês | Março

Março abraça a Primavera com uma necessidade urgente de renovação. Ainda não senti esse espírito de renovação quer no meu interior quer na minha vida, mas os livros continuam a ser uma enorme fonte de inspiração e boas energias. O engraçado é que, ao longo de todo o mês de Março, as minhas leituras tenderam para temáticas cinzentas e dolorosas, apenas houve um pequeno apontamento de cor. A morte foi o tema que inaugurou o meu mês literário (Morreste-me - José Luís Peixoto). Foi uma reencontro com um autor que não me tinha convencido, porém a sua abertura sincera e tocante fizeram renascer em mim a vontade de ler outras obras. A morte continuou a pairar sobre o meu universo literário, desta vez agarrada a estudantes de enfermagem (Mortalha para uma enfermeira - P. D. James) carregadas de segredos complexos e obscuros. Para mim, não foram nada entusiasmaste e a morte neste livro foi um verdadeiro tédio. Não fiquei satisfeita! A morte continuou a chamar por mim, como um rio sinuoso, com encantos especiais que atrai mulheres muito peculiares (Escrito na água - Paula Hawkings). A água deste rio fez com que o mistério e suspense corressem nas minhas veias com uma adrenalina muito especial. Porém estava na altura de quebrar um bocadinho esta escuridão que pairava sobre mim. Precisava de um pequeno apontamento de felicidade, agarrá-la nem que fosse clandestinamente (Felicidade clandestina - Clarice Lispector). Foi uma felicidade passageira, agarrada a fugacidade de um conto e ao carinho especial que só os livros podem trazer. Contudo, mês que começa mortífero tem de terminar mortífero. A morte é inevitável e ninguém lhe escapa, porém os contornos que a envolvem fazem a diferença (À morte ninguém escapa - M. J. Arlidge). Depois de tantos cenários de morte que passaram por mim este mês não esperava ser surpreendida pelas últimas mortes. Foi um mês mortífero, alguns mais sanguinários do que outros, mas serei incapaz de resistir a elas. Talvez em Abril lhes dê algum espaço. Preciso de luz e de amor, tentarei manter-me afastada de criminosos sedentos de sangue e de tortura.

  Ã€ Morte Ninguém Escapa (Helen Grace #2)           Mortalha Para Uma Enfermeira

                                                   (o melhor)                                                  (o pior)