sábado, 17 de fevereiro de 2018

Por detrás da tela | "O Pianista" (2002)

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Classificação: 10 Estrelas

Já há muito tempo que queria ver este filme. Eram vários os motivos que alimentavam a minha curiosidade: 1) É um filme em que a ação decorre durante a 2ª Guerra Mundial; 2) Muitas pessoas mo recomendavam; e 3) Tinha um pianista (admiro pianistas).

Muitos pensarão, é mais um filme sobre judeus massacrados pelos alemães e em que pudemos ver a sua vida miserável em campos de concentração. Mas pensarão errado. Este filme vai mais longe e mostra-nos outras formas de sofrimento. Sim, assistimos à miséria, ao comportamento bárbaro de soldados para com seres humanos como eles e ao desespero de quem não tem justificações para tanta crueldade. Para além destes aspetos, este filme traz-nos outra perspetiva. A perspetiva da bondade. Afina, no meio de tanto cinzento, existem pequenos rasgos de luz que resistem à crueldade e acabam por iluminar o caminho dos que sofrem. 

Este filme ofereceu-me uma nova visão da vida nos guetos. Um filme que é uma verdadeira lição de vida na luta pela sobrevivência e em como podemos ajudar. 

O filme é pautado por interpretações soberbas, claro que com um grande destaque para o ator Adrien Brody que interpretou de forma magnífica o papel de pianista. Todas estas interpretações ganham ainda uma maior dimensão pois são acompanhadas por uma banda sonora cheia de bom gosto.

Este é daqueles filmes para rever. Um filme que nos deve acompanhar ao longo da vida e para ser mostrado a gerações mais novas. O poder doentio que marcou o flagelo da 2ª Guerra Mundial e as atrocidades que foram cometidas não podem ser esquecidas. Devemos aprender com a história e com os erros cometidos. Este género de filmes é super importante para não esquecermos esses erros.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Opinião | "Caçadores de Cabeças" de Jo Nesbø

Caçadores de Cabeças
Classificação: 3 estrelas

Caçadores de cabeças marca a minha estreia com este autor norueguês. Geralmente, e da minha pequena experiência literária, os nórdicos têm uma aptidão especial para criarem livros de mistério/crime muito cativantes e que nos deixam agarrados às páginas. Portanto, estava com grande curiosidade em conhecer este livro. 

A forma com este livro inicia não é muito cativante. As situações, a vida das personagens e as suas relações parecem arrastar-se pelas páginas não me proporcionando momentos que me permitissem aproximar delas. Achei que a escrita era pouco emotiva, não passava emoções sentimentos. Porém penso que a justificação para esta característica prende-se com o facto de estamos perante um livro cheio de raciocínio lógico sem grande espaço para as emoções.

Foi uma leitura cheia de altos e baixos. Houve momentos muito interessantes, outros que me deixaram verdadeiramente repugnada e outros que me foram indiferentes. Mas assim que cheguei ao final, fiquei de boca aberta. A forma descarada e inesperada com que o autor nos consegue enganar e de deixar qualquer leitor sem palavras. 
Algumas passagens do final tive de ler duas vezes, e cheguei a voltar atrás no livro para ver se me tinha escapado alguma coisa. Eu estava completamente rendida àquele final e à forma como tudo se encaixou e desencaixou. 
É um livro que vale muito pelo final surpreendente que o autor nos apresenta. Apesar de sentirmos que há coisas no livro que não nos cativam ou que parecem pouco interessantes, o autor consegue elevar-se ao criar um final inteligente, lógico e inesperado.

Para este final em muito contribuiu a inteligência de Roger, um homem inteligente e que trilhou um caminho de forma surpreendente. 
Quem estiver com ideias de ler este livro, deve fazê-lo sem qualquer reservas. E se ao longo da leitura sentir que algo não seja cativante, a ordem é para que não se desista, porque o final irá, sem dúvida surpreender todos os leitores.


Palavras Memoráveis

Aprende já isto e aprende bem, minha filha: assim como a agulha de uma bússola aponta para o Norte, também o dedo acusador de um homem encontra sempre uma mulher. Sempre.
Khaled Hosseini, Mil sóis resplandecentes 



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Opinião | "O encontro" de Vergílio Ferreira

Contos
Conto: O encontro
Classificação: 3 Estrelas

O encontro veio até mim através de uma miúda do 9º ano, a J., que precisava de ler o conto e de escrever o seu resumo. Para que eu a pudesse ajudar tinha de ler o conto. Surgiu aqui uma excelente oportunidade de ler alguma coisa de um autor que li no secundário e fiquei a gostar.

Estava a ler o conto ao mesmo tempo que a J. e ia sentindo algumas das suas dificuldades. Numa escrita difícil e uma narrativa onde há muitos "buracos" no que respeita à contextualização das personagens e da ação foi difícil motivá-la para a leitura (tinha sido obrigada pela professora de português). Enquanto líamos, ia contextualizando-a e vendo o que é que ela estava a perceber. 

Como o conto é pouco desenvolvido deixa muito espaço à nossa imaginação. Temos como personagem principal um engenheiro que deixa a grande cidade, Lisboa, para se estabelecer numa pequena aldeia do interior. O seu comportamento não é do agrado da população e geram-se ali algumas inimizades. 

À medida que avançava na leitura ia conseguindo contextualizar-me em alguns aspetos, mas outros são produto da minha dedução tendo em conta os acontecimentos. 

Apesar de um início de leitura complicado e confuso, eu gostei de ler este conto, particularmente da forma como terminou. Foi um final que apanhou de surpresa, mas que fez sentido tendo em conta a carga dramática que o autor parece querer dar ao seu texto. 

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Por detrás da tela | "Uma noite atribulada" (2010)

Imagem relacionada
Classificação: 6/10 Estrelas

Foi à segunda tentativa que consegui ver este filme de início até ao fim. Já numa outra altura o tinha apanhado na televisão, mas acabei por adormecer sem terminar de o ver.

É um filme típico de domingo à tarde. Tem alguma ação, muita confusão, muitos mal-entendidos e algum romance a dar um pouco de cor a todo o stress que as situação do filme vão gerando.

Eu gostei de ver o filme, desta vez não me aborreceu ao ponto de me fazer adormecer e até me divertir com algumas situação.
É um filme simples, não exige muito da nossa reflexão nem nos apresenta temáticas complexas que façam pensar e comparar com o nosso quotidiano. É apenas um filme para entreter e nos fazer rir com algumas situações.

Quanto aos autores e ao seu desempenho, acho que eles estiveram à altura daquilo que era exigido deles. Conseguiram ser sérios quando precisavam, conseguiram mostrar diversão e conseguiram passar medo quando a situação o exigia. 

Foi uma ótima companhia para um domingo à tarde.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Por detrás da tela | "As cinquenta sombras mais negras" (2017)

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Classificação: 4 Estrelas

Há dias em que nos apetece ver daqueles filmes que não exigem muito da nossa atenção nem do nosso desempenho cognitivo.
Era assim que me sentia no domingo em que decidi pegar no filme As cinquenta sombras mais negras. Como li os livros sinto alguma curiosidade em ver os filmes. 

Apesar dos poucos atributos positivos que posso atribuir ao filme, posso dizer que ele cumpre a sua função de entreter a mente, desligar dos problemas e permite-nos revirar os olhos sempre que a Anastasia ia contra os seus princípios de autonomia e de não se sujeita à submissão.
É engraçado ver que Anastasia tem o comportamento mais estúpido à face da terra. Continua a faltar-lhe personalidade, garra e o tal "espírito" pessoal que a narrativa deixa transparecer como o ingrediente mágico que prende Mr. Grey à inocente Anastasia.

Comparativamente ao livro, daquilo que me lembro, acho que houve aspetos em que o filme não foi totalmente fiel. Porém quero deixar claro que já não me lembro de todos os pormenores do livro e que, por isso, posso estar um pouco enganada.

Como escrevi anteriormente é um filme que serve o seu propósito de entreter sem exigir muito de nós. É previsível, tem cenas íntimas, com algum sadomasoquismo à mistura, as interpretações são o que são tenho em conta a qualidade do texto. É um filme para ver sem esperar muito dele. 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Palavras Memoráveis


Aprende já isto e aprende bem, minha filha: assim como  agulha de uma bússola aponta para o Norte, também o dedo acusador de um homem encontra sempre uma mulher. Sempre.
Khaled Hosseini, Mil sóis respolandecentes

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Opinião | "Verão em Edenbrook" de Julianne Donaldson (Edenbrooke, #1)

Verão em Edenbrooke (Edenbrooke, #1)
Classificação: 5 Estrelas

Há livros que nos proporcionam verdadeiros momentos de diversão, ternura e romance. Verão em Edenbrook reúne todos os ingredientes que me fizeram vibrar a cada página desfolhada. 

Este livro é um romance de época que está bem contextualizado, pois para mim foi fácil transportar a minha mente para o guarda-roupa, para os cenários e para os acontecimentos da época. Para dar corpo este cenário, a autora mostra-nos um conjunto de personagens muito interessantes, bem caracterizadas e que me deixaram com vontade de as conhecer. 

Marianne e Philip são os protagonistas desta história. Conseguem ter tanto de divertido como de amoroso. Acima de tudo, aquilo que mais gostei de ver neles foi a amizade crescente. Foi nesta construção que os ficamos a conhecer melhor e que nos apercebemos de quantas camadas envolvem os seus corações. Diverti-me imenso com as interações deles dois, dos momentos divertidos que partilhavam e senti-me verdadeiramente tocada com as conversas mais sérias e com os pequenos flashes de amor que iam brilhando a cada conversa, a cada brincadeira e cada pequena piada que ambos partilhavam. 

Este livro foi direto ao meu coração. Transmitiu-me sensibilidade, amor, amizade... Um sem fim de emoções positivas que me deixaram verdadeiramente encantada com o talento da autora.
Assim, numa escrita simples e recorrendo a uma narrativa cheia de contornos especiais e engraçados, a autora apresenta-nos a sociedade de uma época com características especiais, onde as personagens desfilam de forma a dar um contexto muito realista a toda a história. 
Tenho a certeza que os leitores não vão resistir a esta bonita história de amor envolvida pela cores mágicas da amizade. 

Quanto a mim, vou ficar de olho na autora, assim como no volume seguinte. Será que a Cecily vai despertar da futilidade e conhecer os sentimentos puros e genuínos da irmã? Espero mesmo que sim.

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião sincera. 


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Opinião | "O conto da ilha desconhecida" de José Saramago

O Conto da Ilha Desconhecida
Classificação: 4 Estrelas

Nunca ter lido nenhuma obra de José Saramago era uma grande falha minha. Medo, receio de não me adaptar ao seu género de escrita e porque não me sentia atraída para as suas obras alimentavam a minha resistência em ler as suas obras. Penso que, acima de todas estas questões, era o receio de me cruzar com narrativas difíceis, sem pontuação e acabar por não perceber. Ao fim desta primeira leitura, acho que me enganei.

Para colmatar esta minha falha e ter uma primeira experiência com o autor decidi começar por um conto. É uma obra mais pequena e achei que era o ideal para me familiarizar com a escrita do autor e ver como me sentia com a leitura.

Como esperava, encontrei pouca pontuação. Os diálogos não estão assinalados, há muitas vírgulas, muitos diálogos misturados com pensamentos... mas isso não interferiu com a minha compreensão da obra nem com a minha perceção acerca do desenrolar dos acontecimentos. É engraçado constatar que, enquanto lia, eu ia fazendo a pontuação na minha cabeça, tornando a leitura bastante fluída e agradável.

A escrita é muito bonita. Em cada palavras sentimos a sensibilidade do autor e a sua capacidade de nos colocar a pensar sobre a história, as personagens, o mundo e sobre nós próprios.
A narrativa d'O conto da ilha desconhecida é um verdadeiro convite à reflexão. Deixa-nos a pensar sobre a sociedade, naquilo que os outros esperam de nós e de que forma somos vistos quando ousamos abraçar a aventura, o pensar "fora da caixa". É um conto que me levou a explorar no meu interior a importância de pensar diferente, explorar aquilo em que acreditamos e não deixar de perseguir os meus sonhos. 

Só não consigo atribuir uma pontuação mais elevada porque achei que terminou de forma muito abrupta. Estava tão submersa na narrativa que senti que acabou demasiado depressa. Queria mais, queria continuar embalada por aquelas palavras e por aquela sensibilidade.
Depois desta experiência tão positiva quero aventurar-me por mais obras do autor. Qual recomendem para minha próxima leitura?

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Resultado | Votação

Já devem estar a pensar que me esqueci da vossa votação para os livros que pedi que me sugerissem.
Não me esqueci, apenas ainda não tinha tido tempo para vir aqui partilhar os resultados.

Foi um resultado interessante:

  • O castelo de vidro - 2 votos
  • Ao fechar a porta - 2 votos
  • O menino de Cabul - 2 votos
  • Irmãs - 1 voto
Tenho aqui três livros em situação de empate. 
Como tinha escrito aqui seria um livro escolhido por vocês e outro por mim. Dado que houve aqui três em situação de empate, e a Denise já disse que me emprestava dois deles, vou incluir os três nas minhas leituras de 2018. 

Assim, irei ler...

  • O castelo de vidro 
  • Ao fechar a porta 
  • O menino de Cabul
Agradeço todas as vossas sugestões e o tempo disponibilizado para cá vir votar.

Resumo do mês | Janeiro

Decidi voltar aos resumos do mês. Deixei cair o nome de Lugares (Des)Encantados que lhe dei em 2014 porque deixei de acreditar no lado mágico e ingénuo. Quis dar mais racionalidade ao tópico e aqueles lugares ressuscitaram em resumo com o espaço para o melhor e o pior do mês.

Como andava (e ando) desencantada com o mundo quis mergulhar na infância (Emocionário, Cristina Núñez) onde tudo é mais fácil e mais simples. Foi uma grande viagem pelas emoções, pois já contava pô-las à prova na leitura seguinte (És o meu destino, Lesley Pearse). E foram mesmo postas à prova! Conviver com personagens tão marcantes, com narrativas tão intensas fazem com que o meu coração acabe por falar umas batidas e apaixonar-me pelas personagens a cada página devorada. Mas as emoções ainda não estavam esgotadas, estava na altura de seguir uma direção mais negra, mais sangrenta, e nada melhor que um policial dos bons (Duplo crime, Tess Gerritsen) para me mexer com os nervos e me fazer pensar, pensar e pensar em formas de desconstruir todo aquele quebra-cabeças. Estava a precisar de alguma calma emocional, mas ainda não estava preparada para grandes aventuras. Mesmo assim, sabia que precisava de drama... Mas não estava à espera de um drama tão frouxo e desprovido de emoções (Tua para sempre, Luanne Rice). Depois de tantos os dias com elas à volta, senti-me demasiado aborrecida e adormecida por uma história que não me ofereceu muito. Estava na altura de voltar ao nacional, com a esperança de me colocar o coração a falhar novas batidas. Espera uma história de amor intensa (A boneca de Kokoscka, Afonso Cruz), daquelas que nos mostra o amor em todos os estados. A sinopse prometia, mas a obra não cumpriu. Deixou-me envolta e confusão e em desilusão. E já que estava em fase negativa, nada melhor de agarrar-me ao desconhecido (O conto da ilha desconhecida, José Saramago) para não estragar nova leitura. Dadas as baixas expetativas, associadas ao meu receio em desbravar nova ilha e com a pitada de uma má experiência literária não estava à espera de ver as emoções novamente aos pulos. Não pularam muito, mas o conto, nas sábias palavras de Saramago, foi suficiente para me deixar surpreendida com o facto de os medos nos deixarem muito às escuras e de não nos deixarem abrir portas com tão boas coisas por detrás delas à nossa espera. Estavam as minhas emoções em crescendo quando cheguei à última leitura do mês. Não esperava que elas pulassem mais, mas enganei-me! Numa viagem a uma época passada (Verão em Edenbrook, Julianne Donaldson) o meu coração voltou a falhar. Afinal, ele não consegue resistir a uma boa história de amor, pincelada pela magia da amizade.
És o Meu Destino (Belle #3)               A Boneca De Kokoschka                        




quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Português no Masculino | Autor de Fevereiro

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Fábio Ventura

Este foi o autor escolhido para Fevereiro. Na estante estão dois livros por ler e que quero despachar. 
Não conheço absolutamente nada do trabalho do autor, por isso será uma leitura em branco. 

Orbias - As Guerreiras da Deusa (Orbias, #1)

O livro que irei ler é o Orbias. Conto, quase de seguida, ler o livro que sucede a este e assim ler os dois livros que tenho. 
Irei começar com a leitura logo que termine o livro Caçador de Cabeças.

Alguém conhece o autor? Já leram alguma das suas obras.

Palavras Memoráveis


Como, gostaria de saber, se fazia para encontrar aquele tipo de felicidade? De onde vinha? Haveria algum elemento invisível a flutuar no ar que agarrávamos, involuntariamente, e, de súbito, lá ficávamos apaixonados e ditosamente felizes? Um casal em vez de uma pessoa só. Fosse o que fosse, certamente que ainda não o encontrara.
Elizabeth Adler, Casamento em Venza