sexta-feira, 22 de março de 2013

Poetic Dreams

Quando Vier a Primavera

Quando vier a Primavera, 
Se eu estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera 
passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se eu soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois e amanhã.
Se esse é o tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter 
preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, Heterónimo de Fernando Pessoa

Ontem assinalou-se o dia Mundial da Poesia e, como forma de assinalar a data escolhi um dos melhores poetas portugueses, Fernando Pessoa através de um dos meus heterónimos preferidos: Alberto Caeiro.
Fernando Pessoa é (é e não foi porque na minha opinião os grandes escritores nunca morrem) uma figura marcante da literatura portuguesa e que nos ofereceu uma obra rica e múltipla que nos faz viajar pelas palavras. 

A poesia é uma forma de as pessoas se expressarem. Pode ter mais ou  menos sentimento, pode ser mais ou menos extensa, pode falar de amor, da natureza, da amizade... Pode tocar corações, activar as lágrimas, fazer suspirar... A poesia é uma óptima forma de expressão, por isso leiam mais poesia e, principalmente, (re)descubram os grandes poetas portugueses. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Palavras Memoráveis

Aristóteles dizia que todos os seres humanos buscam a felicidade. Eu diria que a bondade é o esforço que cada um de nós faz para que todos alcancem a felicidade.
José Rodrigues dos Santos, O Anjo Branco

Escolhi esta frase como forma de assinalar o dia de hoje. Hoje, 20 de Março é o Dia Internacional da Felicidade. Espero que tenham sorrido muito, mostrando ao mundo aquilo que vos faz feliz. 
Na minha opinião, a felicidade é feita de pequenas coisas e de pequenos momentos que preenchem este motor sempre em movimento que é o nosso coração. Facilmente sentimos felicidade quando conquistamos algo pelo qual lutávamos à muito tempo ou quando estamos com as pessoas que mais gostamos. Senti-mo-nos felizes quando partilhamos vitórias, quando sentimos que algo correu bem. 
Eu concordo com a frase. A bondade para com os outros é um grande meio de conquistar a felicidade. Infelizmente é algo que cada vez se assiste menos. 
E a vocês, o que é que vos faz felizes?  

segunda-feira, 18 de março de 2013

O Anjo Branco - Opinião


O Anjo Branco


Autor: José Rodrigues dos Santos
Ano: 2010
Editora: Gradiva Publicações
Número de Páginas: 680 páginas
Classificação: 4 Estrelas
Desafio: Ler em português / De A a Z...

Sinopse
A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo. O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.
No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda no mato.
Chamam-lhe o Anjo Branco.
Mas a Guerra Colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.
Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens digna de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África.  

Opinião
O livro O Anjo Branco dá-nos a conhecer a história de José Branco. Um médico que combate contra as barreiras políticas para exercer a sua principal função cuidar das pessoas independentemente da cor, da orientação política, do papel que desempenham na Guerra Colonial. Um homem comum que se questiona sobre a bondade, a felicidade e a verdade. Um homem que aprendeu, desde cedo com o seu pai a diferença entre uma vida boa e uma boa vida. Um homem que lutou por aquilo em que acreditava. Um homem que cometeu erros, sofreu com eles e tentou repará-los. Um homem que, acima de tudo, defendeu os humanos.

O livro encontra-se divido em três partes, e como cada uma me despertou reflexões distintas vou fazer a minha análise por cada parte do livro.

Em relação à primeira parte esta é focada na infância de José perto da família. É de fácil leitura, embora a linguagem que por vezes é utilizada penso que seja desadequado para o nível social das personagens que me pareceu ser elevado. Não tens acontecimentos arrebatadores que nos deixem presos e nos inflamem as emoções. Muito sinceramente considero que um dos aspectos centrais desta parte referente ao José não seria necessário. 

A segunda parte é, para mim, a melhor parte. Aqui são relatados os trabalhos de José Branco na África profunda. O seu trabalho foi incansável. Lê-se muito rápido devido à capacidade que os acontecimentos têm de prender os leitores. Senti-mo-nos inebriados pelas características e atitudes das personagens, pelos acontecimentos terríveis que a Guerra Colonial "ofereceu" a África e à enorme quantidade de soldados que para lá foram, dizem eles em nome da pátria. Adorei esta parte do livro! Muitas vezes senti vontade de saltar para dentro daquelas páginas entrar no avião do médico e ajudá-los nas missões que ele levava a cabo. Senti vontade de entrar naquele hospital de Tete, no interior de Moçambique e ajudara aquela fantástica irmã Lúcia nos cuidados que prestava aos doentes. Apenas senti falta de uma maior presença de Mimicas, a esposa de José Branco. Acho que uma maior interacção entre eles tornava o capítulo ainda melhor e ajudaria a compreender melhor aquilo que se passou no final. Este casal merecia mais. 

Por fim, a terceira parte que nos revela o pior da Guerra Colonial. É um capítulo com um início violento que nos provoca náuseas. É nesta parte que todo enredo culmina num final que me deixou muitas dúvidas. Quando cheguei a última página só me perguntava "Mas o que é isto?". Como é que podem terminar o livro deixar as coisas em branco, num vazio existencial de dúvidas para serem esclarecidas... O livro merecia outro final, pelo menos mais detalhado e desenvolvido. Não achei justo o autor lançar a dúvida em relação a uma determinada personagem e depois, no fim não paga esta fogueira de curiosidade que acendeu nos leitores. 

É um óptimo livro. Um leitura que eu recomendo sem qualquer reserva. Facilmente nos encantamos com Moçambique e nos identificamos com o sofrimento, a luta e a revolta daquelas personagens. É um livro que nos faz pensar sobre um período da nossa história que marcou muitas pessoas e que ainda hoje marca, como é o caso de ex-soldados que sofrem de stress pós-traumático. Soldados que procuram "turras" ao som dos barulhos que se assemelham a tiros, que caminham ao longo das margens do Zambeze tentando salvar-se. Pessoas que ainda hoje mergulham no terror de uma guerra. 

Deixem-se invadir pelas palavras e boas leituras.
Silvana  

sábado, 16 de março de 2013

Por detrás da tela | Perdidamente (série)


O retrato íntimo de Florbela Espanca...
A história de uma mulher apaixonada e que apaixonou.

Florbela Espanca é um dos vultos mais importante da poesia portuguesa do século XX. A sua história pode ser contada com ou sem escândalo, ou com fascinação pelo escândalo, mas será sempre a história de uma mulher apaixonada e que apaixonou.
Reinventou o conceito de ser poeta, hoje em dia indissociável da música dos Trovante que todos sabemos de cor, "E dizê-lo a toda a gente". Esta série é o retato íntimo de Florbela: Uma vida cheua de sofrimento, mas uma poesia que se eternizou pelo seu encanto nunca longe da sensualidade.

Personagem / actor
Florbela Espanca - Dalila Carmo
Apeles - Ivo Canelas
Antónia Lobo - Soraia Chaves
Mário Lage - Albano Gerónimo
António - José Neves
Alberto - Graciano Das
João Espanca (1900) - Ian Velloza
João Espanca (1923) - António Fonseca
Mariana Inglesa - Maria João Abreu
Henriqueta (1900) - Diana Costa e Silva
Ana - Maya Booth
Júlia Alves - Anabela Teixeira

(Texto retirado daqui / imagens retiradas daqui)

Classificação: 5/5 Estrelas 

Opinião
Quem por aqui já passa à algum tempo sabe do meu gosto particular por Florbela Espanca (vida e obra).
Não tive oportunidade de ver o filme que saiu à cerca de um ano atrás, mas em Dezembro a RTP 1 presenteou-nos com esta belíssima série. Penso que seja baseada no filme. 
A série teve três episódios, cada um deles focando-se numa etapa particular da vida da autora e devo dizer que ficou fantástica. As interpretações dos actores são muito boas, destaco claramente o desempenho de Dalila Carmo como Florbela. Considero que ela captou a essência, a personalidade e a atitude perante a vida que Florbela tinha. 

Enquanto estudante da faculdade um dos meus inúmeros trabalhos consistiu na elaboração do perfil psicológico de Florbela Espanca. Na altura, em conjunto com outras colegas, li uma biografia e muita da sua obra o que me levou a ter uma visão mais minuciosa do que foi emitido na série. De facto, foi muito fiel à vida da poetisa, Dalila conseguiu passar muito bem a insatisfação de Florbela com a vida e procura constante de uma felicidade um tanto ou quanto utópica que Florbela nunca chegou a alcançar plenamente. No fundo, ela queria sempre mais da vida. Os sofrimentos foram igualmente bem retratados, nomeadamente: a morte do irmão Apeles (segundo leituras que fizemos, era apontado como a sua verdadeira paixão), os abortos constantes, as insatisfações com os casamentos. 

Na minha opinião, está é uma série portuguesa de grande qualidade e que deveria ser passada novamente. Eu iria rever com toda a certeza. 



“Precisamos começar a amar para não adoecer, e iremos adoecer se, por impedimentos, não pudermos amar.”
Sigmund Freud

(esta foi a frase que escolhemos para o início do trabalho  por acharmos que caracteriza aquilo que Florbela procurou incessantemente, sem nunca o encontrar verdadeiramente: o amor)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Poetic Dreams

Minha obra
Pinceladas de barro cor da pele cobrem minhas cicatrizes como um carinho
Todas as manhãs antes de me iludir com a vida,
Lavo no escuro adocicado minhas pequena pupilas
e escorrego o sabão nos cílios da pequena boneca
Cubro a alma com uma pitada de lápis nas sobrancelhas finas,
faço-as ficarem bem grossas com o perfil de misteriosa...
Minhas mãos já sabem de cor a forma de cada olheira...
Profundas de tanta chuva que tomou
É como se cobrisse minha alma todas as manhãs,
É como se a mim só eu conhecesse...
Quando estou definitivamente uma pintura de Baquiat
Olho-me no espelho e o que vejo?
Um touro, uma donzela, um insecto, uma traça, um sonho!
Não sei bem se vejo ou deliro, mas crio coragem e abro a porta.
Quase sempre venta e lacrimeja
Coloco a bagagem nas costas
E de costas me olho mais uma vez no espelho
Sim, agora estou pronta!
Mensageiros do destino me perdoem, 
tenho pressa, saiam da frente!
Que meu cansaço derrete meu barro e a escultura cai
Tenho pressa...
minha vida é passageira e meu escudo de pele?
Moldado por cicatrizes

Quando chego em caso,
sento, tiro os sapatos, calço minha essência e choro.
Quando a obra facial se desfaz,
Coloco as mãos sobre o rosto e sorrio,
Acendo uma vela, abro a torneira
E lavo minha alma,
Agora nua.

Bárbara Paz

Ouvi este poema, pela primeira vez no programa "Alta definição". 
Bárbara Paz é uma actriz brasileira que, entre muitas outras circunstâncias da vida, sofreu um acidente aos 17 anos que lhe deixou graves marcas  no rosto (cicatrizes longas e profundas) limitando-lhe o acesso a muitos trabalhos como actriz e como modelo. Desde esse dia, a maquilhagem faz parte da sua vida. Usa-a para esconder as cicatrizes que lhe cobrem o rosto.  Este poema é autobiográfico. Espero que gostem tanto quanto eu gostei.  

quinta-feira, 14 de março de 2013

Palavras Memoráveis

- Conta-me outra vez - disse Della Lee para a escuridão da noite, ao mesmo tempo que Josey se deixava dormir.
- Ele beijou-me - repetiu Josey para a almofada.
- Não. Di-lo como o disseste da primeira vez.
Josey sorriu.
- Foi o melhor primeiro beijo na história dos primeiros beijos. Foi tão doce como açúcar. E foi quente, tão quente quanto uma tarte. O mundo inteiro abriu-se e eu caí lá dentro. Não sabia onde estava. mas não me preocupei. Não me importei porque a única pessoa que me importava estava ali comigo.
Seguiu-se um longo silêncio. Josey tinha quase adormecido quando Della Lee disse:
- Acho que o Céu será como um primeiro beijo.
- Espero que sim - murmurou Josey.
- Eu também. 
Retirado de O quarto mágico de Sarah Addison Allen 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Palavras Memoráveis

Por vezes não devemos partilhar a nossa dor. Por vezes é melhor lidar com ela sozinhos.
Sarah Addison Allen , O   quarto mágico. 

segunda-feira, 11 de março de 2013

O quarto mágico - Opinião


O Quarto Mágico

Autor: Sarah Addison Allen
Ano: 2008
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 278
Classificação: 5 Estrelas

Sinopse
Três mulheres inesquecíveis moram numa cidade onde tudo, ou quase tudo, pode acontecer: Josey, a viciada em doces, esconde um segredo no roupeiro; Della Lee, a fugitiva, tem uma costela de Némesis e duas de fada madrinha; e Chloe, a apaixonada pela leitura é perseguida por livros.

Josey Cirrini tem a certeza de apenas três coisas na vida: o Inverno é a sua estação preferida; está perdidamente apaixonada; e um doce sabe muito melhor quando degustado na privacidade do seu esconderijo secreto. Enfrentando uma vida triste, o seu único consolo é a pilha de doces e romances a que se entrega em todas as noites... até que descobre que no roupeiro se esconde Della Lee Baker. Fugindo a uma vida de má sorte, Della Lee decide ajudar Josey a mudar de vida. E, em breve, a jovem renunciará às guloseimas e descobrirá que, mesmo sem elas, a vida pode ser doce.
Influenciada por Della Lee, Josey trava amizade com Chloe Finley, uma jovem que é perseguida por livros que surgem inexplicavelmente nos mais variados lugares e com uma resposta para quase tudo.
À medida que Josey se atreva a sair da sua casca, descobre um mundo onde a cor vermelha tem um poder surpreendente e o amor pode surgir em qualquer altura. E isso é só o início...

Terna e com um toque de magia, esta é uma história encantadora sobre a amizade e o amor - e sobre as surpreendentes e mágicas possibilidades que cada novo dia nos reserva.

Opinião 
Ao abrir estas páginas os leitores entram, mais uma vez, no mundo mágico de Sarah Addison Allen. Através das palavras da autora, somos convidados a acompanhar três mulheres diferentes e, ao mesmo tempo, com destinos que se acabam por cruzar. Della Lee decide que está na altura de fazer Josey, uma rapariga de 27 anos, a viver os seus sonhos para além das paredes do seu roupeiro. É nesta abertura ao mundo, patrocinada por Della Lee, que Josey conhece Chloe uma rapariga que atravessa um período complicado e que os livros estão a tentar ajudá-la a resolver.

Este é  terceiro livro da autora que leio. Depois do meu primeiro contacto com "O jardim encantado" do qual gostei muito e de uma leitura  que classifico de mais amena de "O feitiço da lua", surge "O quarto mágico" que me proporcionou bons momentos. Até ao momento, é o livro da autora  que mais preencheu as minhas medidas. É um livro muito doce e que apela aos sentimentos. Leva-nos a acreditar que estamos sempre a tempo de aprender, de perdoar e de alcançar a realização dos nossos sonhos. Com este livro sentimos que nunca é tarde para nada na vida. 

Gostei de todas as personagens. Acho que cada uma contribui de forma significativa para o desenvolvimento da narrativa. Contudo, Josey e Chloe marcam-me mais significativamente, uma vez que me identifiquei bastante com eles. Eu sou, um pouco, o somatório destas duas almas literárias. São duas mulheres agradáveis e que evoluem ao longo do desenvolvimento do livro. Aprendem a viver com aquilo que são e com aquilo que têm. Após resolverem os seus próprios segredos conseguem passar para o outro patamar da vida.

Este livro mantém-se fiel ao estilo da escritora. A magia que torna as suas histórias mais coloridas, os segredos que dão uma tonalidade colorida à leitura e o amor ou que desperta ou que se solidifica com o passar do tempo. Ou seja, é todo um conjunto de ingredientes que prende o leitor ao livro. Este livro é um verdadeiro conto de fadas pincelado com um toque de magia!

Deixem-se invadir pelas palavras. Boas leituras.
Silvana



sexta-feira, 8 de março de 2013

Poetic Dreams

Como se fosse pela, esta: a palavra
rolada de carícias de sentidos
a revestir sensível a estrutura
tão funda de pensar se faz presente.
No escavar constante da procura 
dos nervos e do sangue, do impulso
que o faz correr e de repente emerge 
em luz. De crispação contida.
    António de Almeida Mattos, A ilusão do breve

quinta-feira, 7 de março de 2013

Dívida de Sangue (Sangue Fresco #2) [Opinião]


Dívida de Sangue (Sangue Fresco, #2)

Autor: Charlaine Harris
Ano: 2009
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 231
Classificação: 3 Estrelas

Sinopse
Uma grande mudança social está a afectar toda a humanidade. Os vampiros acabaram de ser reconhecidos como cidadão. Após a criação em laboratório, de um sangue sintético comercializável e inofensivo, eles deixaram de ter que se alimentar de sangue humano. Mas o nosso direito de cidadania traz muitas outras mudanças...

Sookie Stackhouse está numa maré de azar: primeiro o seu colega de trabalho é morto e ninguém se parece preocupar; depois, é atacada por uma criatura que a infecta com um veneno doloroso e mortal. Tudo se complica quando Bill nada consegue fazer e pede a ajuda de Eric para lhe salvar a vida. A questão é que agora ela está em dívida para com Eric - um vampiro deslumbrante mas tão belo quanto perigoso. E quando ele lhe pede um favor em troca, ela tem que aceder.

De repente, Sookie está em Dallas a usar os seus poderes telepáticos para encontrar um vampiro. A sua condição é que os humanos não devem ser magoados. Mas a promessa de os vampiros se manterem na ordem é mais fácil de dizer do que cumprir. Basta uma bela rapariga e um pequeno deslize para que tudo comece a correr mal...

Entretanto, também Eric tem os seus próprios segredos...

Opinião
Parti para esta leitura sem expectativas muito elevadas, uma vez que a leitura do primeiro volume foi satisfatória. Assim, à medida que ia avançando na leitura, a opinião que criei com a leitura do primeiro volume foi-se confirmando. Porém, considero que este livro foi um bocadinho melhor mas não o suficiente para lhe dar uma classificação mais elevada.

O conteúdo policial que vai envolvendo a série é, para mim, um dos pontos fortes e é aquele que mais me motiva para a leitura. Os conteúdos relacionados com a comunidade vampírica melhoraram um bocadinho neste volume: foram acrescentadas novas informações que nos permitem conhecer melhor a forma como os vampiros criados por Charlaine Harris vivem. Porém, ainda não os considero com originalidade suficiente para me fazer vibrar com a leitura. 

A minha opinião em relação às personagens também não se alterou muito. Continuo a achar que falta qualquer coisa ao vampiro Bill. Não sei, por vezes parece que ele está completamente desligado do enredo do livro. Em relação à Sookie, melhorou um bocadinho. Acho que se tornou mais activa nos acontecimentos e deixou transparecer mais inteligência e perspicácia. O Eric continua a fascinar-me e neste volume subiu de consideração. Estou com alguma curiosidade por saber que rumo vai levar Eric e o que lhe irá acontecer. Fiquei um pouco triste por Sam aparecer pouco, mas dado as circunstâncias da história que surge neste livro é compreensível. Espero que nos volumes seguintes ele volte com um papel mais activo.

Na minha opinião, este segundo volume da saga foi melhor conseguido em termos de acção. Não houve momentos mortos, a narrativa desenvolveu-se num bom ritmo que, mais ou menos, ia prendendo o leitor ao que ia acontecendo. 

Apesar de não ser uma das minhas séries de eleição tenho alguma curiosidade em saber o que vai acontecer, por isso vou continuar a acompanhar as aventuras dos habitantes de Bon Temps.

Deixem-se invadir pelas palavras e boas leituras.
Silvana

P.S. - Por curiosidade fui espreitar a série televisiva que tem por base estes livros. Só vi o primeiro episódio e apesar de estar fiel ao livro não gostei muito. As personagens então foram uma desilusão!

quarta-feira, 6 de março de 2013

Palavras Memoráveis

Saber que existe alguém a sofrer debaixo do nosso tecto, é o mesmo que ter uma comixão e não a conseguir coçar.
Stephenie Meyer, Nómada 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Nómada (The Host #1) [Opinião]


Nómada

Autor: Stephenie Meyer
Ano: 2008
Editora: Edições Gailivro
Número de páginas: 836 páginas
Classificação: 5 Estrelas

Sinopse
Melanie Stryder recusa-se a desaparecer.
O nosso Mundo foi invadido por um inimigo invisível. Os humanos estão a ser transformados em hospedeiros destes invasores, com as suas mentes expurgadas, enquanto o corpo permanece igual. 
Quando Melanie, um dos poucos Humanos "indomáveis", é capturada, ela tem a certeza de que chegou o fim. Nómada, a alma invasora a quem o corpo de Melanie é entregue, foi avisada sobre o desafio de viver no interior de um humano: emoções avassaladoras, recordações demasiado presentes. Mas existe uma dificuldade com  que Nómada não conta: o anterior dono do corpo combate a posse da sua mente.
Nómada esquadrinha os pensamentos de Melanie, na esperança de descobrir o paradeiro da espécie humana. Melanie inunda-lhe a mente com visões do homem por quem está apaixonada - Jared, um sobrevivente humano que viva na clandestinidade. Incapaz de se libertar dos desejos do seu corpo, Nómada começa a sentir-se atraída pelo homem que tem por missão delatar. No momento em que um inimigo comum transforma Nómada e Melanie em aliadas involuntárias, as duas lançam-se numa busca perigosa e desconhecida do homem que amam.

Opinião
Confesso que fiquei positivamente surpreendida com esta leitura. Tinha algumas expectativas em relação a Stephenie Meyer por causa da Saga Twilight, mas acreditem que todas elas foram superadas. Eu esperava algo do género da Saga, mas o livro não tem nada que ver com vampiros e romances adolescentes. Em vez disso, encontrei um livro onde a criatividade, o suspense, a aventura, o amor, a amizade e a luta pela sobrevivência se unem para oferecer ao leitores momentos de leitura compulsiva.

A minha leitura compulsiva só começou a acontecer ao fim de algumas páginas. Inicialmente estava com alguma resistência ao livro e à história, mas esses são os meus sérios problemas com fantasia. Necessito de uma boa dose de persistência para avançar no livro e conseguir entrar naqueles mundos brutalmente bem elaborados. Sei que é nos livros de fantasia que se encontra grande parte da criatividade de um escritor, contudo pessoalmente tenho algumas dificuldades em me identificar com alguns livros deste género literário (tenho de tentar mais vezes e ser mais persistente). 
Apesar desta minha resistência inicial, depois de integrada na narrativa tinha sérias dificuldades em desprender-me das aventuras, desafios e dilemas que assombravam a vida de Nómada, um ser diferente dos humanos, mas com um coração e uma bondade muito superior à de muitos humanos. 

Nómada era uma alma  hospedeira de um corpo humano. Contudo, as memórias, vivências e sentimentos do corpo humano que foi ocupado por Nómada continuam presentes e atormentam a estabilidade emocional que a alma procura. Não é fácil para Nómada lidar com coisas que ela desconhece, mas a sua bondade leva-a a aliar-se a Melanie (a dona do corpo hospedeiro) e parte à procura dos Humanos que Melanie ama e que Nómada passa a amar também. Parece um pouco confuso, não é? Mas depois de mergulharmos intensamente na história conseguimos compreender tudo com mais clareza. 

Depois de Nómada encontrar os humanos, a narrativa entra numa fase cheia de acontecimentos, aventura e uma verdadeira luta pela sobrevivência. Para além disso, há a integração de Nómada, alguém diferente e "anormal" para a espécie humana. Ela luta para conseguir ganhar a confiança e o respeito por aqueles humanos. Todos estes capítulos são frenéticos! Quase que nos sentimos no papel da Nómada e de todos aqueles humanos que vivem afastados do mundo que conheciam.

O final do livro surpreendeu-me. Não estava à espera que acontece-se aquilo que aconteceu. Foi diferente daquilo que tinha imaginado, e eu tinha imaginado situações diversas uma vez que com o desenrolar da narrativa nos surgem diferentes perspectivas daquilo que possa vir a acontecer. Gostei de como as coisas terminaram, apelando ao sentimento e à emotividade. 

É um livro com um bom equilíbrio entre as temáticas. Não existe fantasia, romance e aventura em forma exagerada. Todas estas componentes equilibram-se oferecendo aos leitores muito mais do que a Saga Twilight ofereceu. Toda a narrativa faz-nos pensar e questionar sobre a existência humana, sobre as nossas próprias limitações sobre a aceitação de alguém diferente, de alguém a quem chamamos "anormal". As personagens mostram-nos que é importante olhar mais além, olhar para o interior dos outros e ver que apesar de diferentes podem oferecer-nos coisas magníficas e aprendizagens únicas.

O menos positivo do livro são a existência de algumas gralhas ao nível da escrita (vogais a menos e palavras que não estão de acordo com a frase) e a explicação de um acontecimento no final do livro. Este acontecimento não está muito bem explicado podendo levar à confusão do leitor. Mas não são aspectos graves pois não prejudicam a boa compreensão da narrativa.

Boas leituras e deixem-se invadir pelas palavras!
Silvana

Poetic Dreams

Um dia

Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através o mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
                               Sophia de Mello Breyner Andersen