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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Opinião | "Os filhos do afecto" de Torey Hayden

Os Filhos do Afecto
Classificação: 5 estrelas

Torey Hayden é daquelas autoras a quem gosto sempre de voltar. Os livros dela são, para mim, uma verdadeira inspiração. Admiro o trabalho dela e a forma como ela lida com todas as situações. Gostaria muito de falar com ela, trocar ideias e experiências... 
Cada livro que ela nos traz é um pequeno pedaço de um mundo "anormal" que tenta viver na "normalidade" de um mundo mais alargado. Porém, eu questiono sempre: O que é ser normal?
Eu tenho a minha própria definição e interpretação de normalidade e, por aquilo que vou lendo nas entrelinhas dos livros da Torey, penso que vou de encontro àquilo que ele pensa.

Em cada livro é-nos apresentada uma história ou um conjuntos de histórias. Tudo depende do número de crianças que fazem parte do livro. 
Os filhos do afecto é um livro onde Torey nos oferece a história de três crianças: Lori, Tomaso, Cláudia e Boo, Eles constituem uma turma pouco oficial da autora. Cada um tem as suas especificidades e cada um será protagonista de conquistas, lágrimas, tristeza e aceitação. 
Ainda não consegui encontrar uma explicação, mas este foi um dos livros da autora que mais me emocionou e tocou. E é estranho porque já li livros dela com histórias bem mais fortes e desesperantes do que estas. 

Achei todas as crianças especiais e não consigo destacar uma que me tenha feito vibrar mais do que as outras. No fundo, todas elas significaram alguma coisa para mim. 
Da Lori, admiro a persistência e vontade de fazer diferente. Apesar de toda a força que ela emana e daquele jeito único de lidar com os outros, também ela tem o seu lado frágil. Foi neste lado mais negro que olhei para ele e senti o quão difícil é esforçarmo-nos e, mesmo assim, não atingir aquilo que queríamos. É certo que a Lori tem uma agravante física, provocada por alguém que não sabe o que é amar uma criança. 

Tomaso, o rapaz irreverente, refugia-se em memórias e esperanças falsas para se ir mantendo à tona. Amor dói, e ele sabe isso tão bem que prefere que as pessoas não gostem dele. Contudo, ao mesmo tempo deixa-se afundar nos braços de Torey, deixa-se amar por ela e por todos os outros meninos e dá também o seu amor, É um rapaz interessante que, com a ajuda psicológica certa, tem um caminho brilhante pela frente.

Cláudia é, tal com a Torey, a criança que mais me preocupou ao longo da história. Vive no silêncio e no num mundo muito dela. Tem dificuldade em expressar aquilo que sente e necessidade de receber amor e afeto por parte dos outros. Esta necessidade não me pareceu bem explícita. Porém, ela vem de uma família fria e rigorosa e ao primeiro sinal de amor ela segue e faz o que lhe pendem, porque entende que só assim a outra pessoa não deixa de gostar dela.

Por fim, temos um Boo, um menino autista que vive num mundo muito dele. É complicado conseguir tocar naquele espaço onde vive. Mas as ferramentas de Torey e o seu tacto para lidar com as crianças e usar o amor no trabalho conseguem algumas leves conquistas. Para ele, nós somos o mundo anormal e é difícil ele encontrar um lugar no nosso mundo onde ele se consiga encaixar. Ele irá conseguir encontrar o seu lugar, mas dentro dele existirá um espaço que só a ele pertence e nós somos tão limitados que muito dificilmente lá chegaremos. 

Torey lida com tudo isto de uma forma brilhante. Ao longo do livros são-nos apresentados outros fatores que vão condicionando as decisões e o estado de espírito da autora. Essas pedras no caminho tornam-na numa pessoa mais forte na sua fragilidade. 

Vale a pena ler o livro. Para quem trabalha com crianças é um livro inspirador.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

[Opinião] A Prisão do Silêncio


A Prisão do Silêncio

Autora: Torey Hayden
Ano: 2009
Editora: Editorial Presença
Número de páginas: 328 páginas
Classificação: 5 Estrelas

Sinopse
A trabalhar no ensino especial, Torey Hayden, psicóloga e professora, procura devolver afecto às crianças perturbadas psiquicamente. A todas une o mesmo sentimento: problemas na infância que as leva a manifestar comportamentos invulgares e preocupantes, geralmente em consequência de algum tipo de maus-tratos. Com o dom de desbloquear estes sentimentos, Torey Hayden foi chamada por um centro de tratamento para ajudar um rapaz a sair da sua prisão de silêncio. Com 15 anos, Kevin ou Zoo Boy não falava, não mudava de roupa, não tomava banho e escondia-se debaixo de mesas construindo uma jaula com cadeiras dentro da qual se encerrava. A professora trabalhou a leitura com Kevin e passo a passo o rapaz foi recuperando e quebrando o silêncio. Sétimo livro de uma autora que já vendeu 100.000 exemplares em Portugal e se encontra publicada em 20 países.

Opinião
Já por diversas vezes dei a conhecer a minha admiração por Torey Hayden aqui no blog, referindo-a em algumas TAGs e numa opinião a um livro seu. Esta minha admiração cresce à medida que vou lendo os livros dela.

Neste livro, Torey conta-nos a história de Kenvin. Um adolescente atormentado por fantasmas de um passado que ficou, durante muito tempo, desconhecido para Torey. Não é uma história bonita, nem fácil de ler e digerir, mas quantos Kevins não andaram espalhados por este mundo? Talvez haja mais Kevins do que Toreys de coração enorme capazes de abraçar os desafios que estas crianças oferecem a técnicos de saúde mental.

Mais uma vez assistimos a uma boa exploração dos acontecimentos. Senti, por vezes, que Torey poderia ter ido um pouco mais longe nas suas reflexões e hipóteses sobre o caso. Oferecendo ao leitor um maior acesso ao seu consciente e ao seu pensamento nas questões ligadas a Kevin, Jeff e Charity.

Foi um livro que mexeu com as minhas emoções e sentimentos. Mexeu de uma forma um pouco inesperada e revi-me em muitas das atitudes de Torey em relação às suas atitudes profissionais. Torey descreve-se como sendo um pouco séptica em relação aos aspectos teóricos que servem como pano de fundo ao trabalho dos psicólogos. Em certa medida concordei com ela. Não sou tão radical como ela, mas reconheço que temos de olhar para as pessoas e para os seus problemas de uma maneira muito mais abrangente do que aquela que as teorias nos oferecem. Do meu ponto de vista é importante ajustar as técnica e os conceitos teóricos às pessoas do que procurar encaixar as pessoas nas teorias e arranjando uma forma de classificar o seu problema. É claro que existem aspectos que há necessidade de serem classificados, como por exemplo as questões relacionais com as doenças mentais, mas a forma de trabalhar com as pessoas deverá ser única. Talvez esteja a ser confusa para as pessoas que estão a ler está opinião de uma área profissional que não se enquadra com estes aspectos, mas no fundo o que pretendo passar, e que é algo bem visível no trabalho de Torey é: as pessoas têm as suas idiossincrasias e merecem a nossa total atenção e dedicação e neste sentido devemos procurar ajustar os nossos conhecimentos àquilo que elas são e representam. Se para isso temos de transpor as barreiras teóricas que nos são dadas a conhecer, deixa de se tornar um facto relevante quando os resultados atingidos com as pessoas são positivos. Naquele momento, o mais importante é estar ali para aquela pessoa, para o seu problema, para aquela forma de ver o mundo. Todos estes aspectos são bem visíveis no trabalho que Torey e Jeff fazem com Kevin. Eles ultrapassam muitas das barreiras teóricas. Interessaram-se genuinamente com Kevin e os resultados, depois de muito esforço, são muito positivos.

A prisão do silêncio activou o meu lado saudosista, transportando-me para lugares do passado. Senti saudades do meu trabalho e daquilo que já fiz, senti saudades de uma relação profissional que se transformou num boa relação de amizade, tal como Torey construiu com Jeff, e que a distancia tem dificultado o contacto.  

Não sei qual a relação que vocês têm com esta autora, mas aconselho àqueles que nunca se deixaram invadir pelas palavras desta senhora que colmatem esta falha e se entreguem aos livros dela. Do meu ponto de vista são particularmente úteis a quem tem uma actividade profissional ligada às crianças.

Boas leituras e deixem-se invadir pelas palavras.

domingo, 1 de julho de 2012

Filhos do Abandono - Opinião



Autor: Torey Hayden
Ano: 2008
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas:284
Classificação: 6/6

Sinopse
Durante décadas Torey Hayden tem sido uma luz na escuridão para muitas crianças com distúrbios comportamentais graves. Além de terapeuta exímia e criativa, ela é uma mulher extraordinária pela generosidade e persistência com que se liga aos seus "casos". Especialista em "mutismo electivo", trabalha agora num hospital civil, na unidade de pedopsiquiatria. Neste livro, ela ocupa-se de Cassandra, uma menina que apenas com seis anos foi raptada pelo pai, só regressando a cada da mãe quase dois anos depois. O seu comportamento alterna entre períodos de silêncio e um comportamento errático e agressivo, levando a supor ter sido vítima de abusos graves. Drake, de quatro anos, e pelo contrário um rapazinho encantador, cativante e carismático. Parece adaptar-se bem a novos ambientes, mas incompreensivelmente não fala de todo, a não ser com a própria mãe. O seu autoritário avô, um brilhante homem de negócios, exige que Torey se ocupe dele e o "conserte" rapidamente... E, embora nunca tenha trabalhado com adultos, Torey é ainda chamada a ocupar-se de uma idosa que, após um AVC, se refugiou num mutismo depressivo. Cada história desenrola-se um pouco como um caso policial- Hayden vai descobrindo o que se esconde por detrás do mistério daqueles silêncios a partir dos mais infímos e subtis indícios.

Opinião
Os livros de Torey Hayden pertencem a um grupo de livros que não agradam a todo o público. São livros onde a autora narra aspectos da sua vida profissional. Onde nos apresenta esrórias de vida marcantes, problemas que marcam uma infância, pessoas que atravessam períodos dificies. Torey começou a sua carreira profissional como professora de turmas do ensino especial e, mais tarde, tornou-se psicóloga.

Para mim, estes livros são grandes fontes de inspiração profissional. São livros em que aprendo técnicas que me permitem melhor enquanto profissional, são livros que despertam a minha criatividade e estimulam-me no sentido de encontrar formas mais actrativas para trabalhar em determinados problemas que surgem em contexto profissional.

Neste livro em particular, Torey apresenta-nos três pacientes com problemas distintos. De todos, o caso que mais me sensibilizou foi o de Cassandra, uma menina que conheceu o lado mais negro da vida levando-a a alimentar um "lugar inquientante" no seu interio onde se encontravam todos os seus medos, vivências terriveis, tristezas... Revelou-se uma criança extremamente difícil, inscontante, desafiante, mas que com uma extrema mestria Torey conseguiu  entrar no seu "lugar inquietante" e libertá-la, em certa parte, do seu terrível passado. São feitas descrições terríveis sobre aquilo por que Cassandra teve de passar durante os dois anos em viveu longe da mãe depois de ter sido raptada pelo pai. Situações que classifico de repugnantes.

Darke e a senhora idosa partilham o silêncio. Por algum motivo, ambos não comunicam verbalmente. Hayden é persistente e vai descortinando aquilo que está por detrás destes silêncios. Darke descrito como uma criança que se assemelha a um anjo vive "preso" a uma família dominada pelo patriarca que asfixia todos os outros membros com elevadas expectativas e rígidas regras.

A senhora idosa experiência o que de pior tem a velhice: a solidão. Abandonada pelos filhos, vive sozinha e tem de lidar com a sua solidão e depois com um AVC que acarreta graves problemas para o seu funcionamento autónomo.

Torey apresenta-nos estórias reais que facilmente tocam o leitor. Do meu ponto vista, sensibilizam mais aqueles que trabalham nestas áreas e que podem confrontar-se com situações semelhantes. Já foram vários os livros que li da autora e todos eles me tocam de uma forma especial. Conheci a Torey através de um trabalho para a faculdade. Este trabalho consistia na análise do caso que ele retratava no livro "A criança que não queria falava". Por acaso, o meu trabalho foi direccionado para um dos outros temas, mas acabei por mais tarde ler o livro e aqui nasce a minha paixão pelos livros desta autora.

Boas Leituras!