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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Pessoal | Nunca estamos preparados para dizer adeus...


14 de Outubro de 2004  -  2 de Agosto de 2019

Em Novembro do ano passado, o meu companheiro de quatro patas pregou-me um enorme susto. A sensação de perda eminente foi horrível. Cheguei a dar-lhe a medicação e alimentá-lo com uma seringa. Com alguma dedicação consegui que ele arrebitasse. 

Ganhei esperança... Muita esperança. Passou o Natal e, para mim, aquele não seria o último. Ele era resistente e iria permanecer mais uns anos.
Fui demasiado otimista... De um dia para o outro, vi o meu cão idoso com alguma vitalidade a perder o equilíbrio, a voltar a ter convulsões. É horrível assistir ao sofrimento de um animal, porque ele não consegue verbalizar o que sente. O meu coração simplesmente ficou apertado. Foram dias maus. Ele esteve internado e voltou a casa, mas nesse mesmo dia ele ficou em estado vegetativo e em grande sofrimento. Foi o momento de deixar de ser egoísta e optar pela eutanásia. 

Chorei imenso. Chorei porque não consegui viver os últimos dias dele com qualidade. Chorei porque até para receber a eutanásia teve de sofrer um pouco. É muito doloroso perder um companheiro que esteve tantos anos comigo.
É triste abrir a porta e não o ter ali a dormir a suas sestas. É um vazio enorme não ouvir o ladrar dele, nem o som das patinhas dele a andar pela tijoleira. É sentir que às refeições falta ali alguém, porque ele acompanhava-nos sempre enquanto almoçávamos ou jantávamos. 

Ainda me lembro muito dele. Foi uma presença muito grande na minha vida. Quando estudava fora e vinha passar os fins-de-semana a casa, ele ficava imensamente feliz. No Inverno adorava ficar no sofá comigo enquanto via um filme. Passou muitas horas deitado e sentado ao meu lado enquanto eu lutava contra os demónios da tese de doutoramento. E há duas semanas, quando cheguei completamente exausta da defesa ele sentou-se ao meu lado para que eu lhe pudesse acariciar o pêlo e relaxar. 
Jamais vou esquecer a forma como ele se deitava ao meu lado quando, em 2012, eu chegava a casa do trabalho e só chorava de frustração perante a exploração a que estava sujeita. Nos meus dias tristes ele simplesmente ficou ali, ao me lado, sem exigir nada. 
Também me mordeu algumas vezes. Era um ser muito temperamental e nem sempre muito sociável. Era o estilo dele, e eu só tinha de o tentar respeitar. Apenas o desrespeitava quando o tinha de escovar, dar banho e cortar algumas partes do pêlo que estivessem num estado deplorável. 

Durante dos dois primeiros anos de vida foi um traquinas. Tanto nos rimos à custa das tropelias dele e da sua necessidade em levar tudo o que apanhava para a sua cama. 
Há três anos foi ele que descobriu onde estava a Pipoca, a nossa agapone, que fugiu da sua gaiola e foi parar no meio da erva. Ele viu-a a voar e levou-nos até ela. 
Foi o meu primeiro cão. Aquele por quem fui responsável e a quem dei todo o amor que tinha. Dele recebi muito mais do que aquilo que lhe dei. Faz-me falta. Foram quase 15 de anos de muitos e bons momentos. Doeu imenso vê-lo agonizar e partir. Dadas as alterações neurológicas, a veterinária desconfia que ele tinha um tumor no cérebro. 

Não sei se conseguirei ter outro cão. Ainda não há espaço emocional para acolher outro. 
A Riscas, a gatinha que está na fotografia, ainda hoje entrou em casa a miar. Era a forma dela de chamar pelo amigo. Esta gata pertencia a uma vizinha que se mudou para umas ruas mais à frente. Vieram buscar a gata três vezes, mas ela acabava sempre por voltar para aqui. Acabamos por acolhê-la e ela construiu a sua amizade. Ela tem ajudado a preencher um pouco o vazio deixado pelo Tico...

Quero acreditar que ele foi para sítio melhor... Talvez esteja a correr pelos campos verdejantes e fazer amigos entre os gatos que por lá andam (ele sempre gostou mais de gatos do que de outros cães). Quero acreditar que, onde quer que ele esteja, esteja em paz... 

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Em que é que me vou meter no próximo Verão...

Este ano ando muito fraca de leituras. Ando a ler muito pouco comparativamente a anos anteriores. Não é algo que seja anormal tendo em conta todos os desafios que este ano me tem apresentado. Mas continuo a ler, a um ritmo mais lento, super atrasada no desafio do Goordreads... Porém é sem pressão.

Chega-se ao verão e são sempre vários os desafios que surgem e a vontade mora por aqui. Também mora um pouco a saudade de outros tempos... Tempos em que tinha disponibilidade mental e temporal para criar aventuras com a minha parceira Catarina. Em 2014 fiz o meu primeiro Bingo! Eu e a Catarina organizávamos as Maratonas Viagens (In)Esperadas e em Agosto fizemos algo especial.


A vida dá algumas voltas e somos forçados a deixar algumas coisas de lado. A Catarina deixou a blogoesfera (tenho saudades de a acompanhar) e eu cá continuei, mas sem disponibilidade para me meter em algo assim.

Por isso é sempre bom ver outras pessoas a usar a sua criatividade e a criar conteúdo para nos entreter durante o verão :)

Para ver se me ponho a ler com mais afinco, decidi que este verão iria:
1) Participar numa maratona;
2) Voltar a participar no Bingo Leituras ao Sol dinamizado pela Isa e pela Tita

A maratona é dinamizada pela Carla e há um grupo no Goodreads para irmos partilhando as nossas leituras. 

O Bingo tem novas categorias e há um grupo no Facebook.

Não irei fazer nenhuma lista. Nem para a maratona, nem para o bingo. Vou lendo à medida dos meus gostos e das minhas necessidades. Para a maratona contam apenas as páginas, para o bingo foi encaixando as leituras nas categorias. 

Em Setembro, em jeito de balanço, irei responder à Tag que eu e a Catarina criamos em 2014: Leituras com Sabor a Verão


  • Sol: qual o livro que brilhou mais nesta maratona (livro preferido) 
  • Escaldão: qual o livro que te deixou cheia de arrependimentos (livro que menos gostaste) -
  • Gelado: qual o autor cuja escrita te deliciou 
  • Bóias: qual o livro que foi custoso de ler mas que conseguiste terminar
  • Piscina: Qual foi a leitura leve e refrescante 
  • Picnic: Quais as personagens com as quais gostarias de passar tempo 

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Pilha Lusa


Hoje, dia 10 de Junho, assinala-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. De forma a assinalar este dia decidi partilhar com vocês a pilha de livros de autores nacionais que estão na minha estante ainda por ler. 

1. A Rainha Perfeitíssima, Paula Veiga
Um livro de um género que cada vez mais tem vindo a ganhar a minha simpatia. Ler livros históricos ou de época tem-se tornado um enorme prazer. Tenho algum receio de ler este dado a algumas críticas menos positivas que já li em relação ao mesmo.

2. A Estranha Ordem das Coisas, António Damásio
Recebi este livro o ano passado, no meu aniversário. É um livro de não ficção de um talentoso cientista. 

3. À Espera de Moby Dick, Nuno Amado
A Cláudia do blog/canal A Mulher que Ama Livros partilhou uma opinião extremamente positiva relativamente a este livro. Estou com bastante curiosidade para ver o que estas páginas me reservam.

4. Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago
Ganhei coragem e trouxe um livro de Saramago da biblioteca. Até ao momento li um pequeno conto do escritor e gostei muito. Sempre tive alguns receios em ler este autor e por isso sempre fui protelando as leituras para um depois que nunca mais chegava. Dada a experiência favorável do ano anterior não posso deixar de conhecer outras obras deste escritor português.

5. A Filha do Barão, Célia Correia Loureiro
A escrita da Célia transborda sensibilidade. O que li dela até agora nunca me foi indiferente. Preciso imenso de ler este para fazer uma nova leitura do livro que irei mostrar em seguida. Só ainda não lhe peguei porque ainda não encerrei o capítulo Tese de Doutoramento na minha vida. Quero ter total disponibilidade mental para abraçar este livro, por isso acho que em Agosto chegará a vez dele.

6. Uma Mulher Respeitável, Célia Correia Loureiro
Fui leitora beta deste livro em 2015 se a memória não me está a trair uma partida. Já pouco me resta dele na memória e quero lê-lo novamente para escrever uma opinião consistente. Porém quero ler o seu antecessor, mesmo sendo possível ler este sem o anterior. Nada afetará a vossa compreensão deste livro caso não tenham lido A Filha do Barão, mas desta vez quero obedecer à ordem de publicação.

7. O Ano da Dançarina, Carla M. Soares
Já li três livros da Carla M. Soares. Até ao momento o que menos gostei foi Limões na Madrugada, porém são sempre boas experiências as leituras de livros desta autora. Aliada a histórias bem construídas temos uma escrita simples, cuidada e bonita. Por isso, é uma autora portuguesa que recomendo e que deveria ter mais espaço no mundo virtual que se dedica à leitura de livros. 

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Dia do Autor Português | Os escritores portugueses da minha vida


Dia 22 de Maio é o dia do Autor Português. Nem sempre os escritores portugueses têm o destaque que merecem da nossa parte. Muitas vezes somos absorvidos pelas novidades literárias que nos chegam de outras paragens, impedindo que os livros de autores nacionais cheguem à nossa mesinha de cabeceira e nos ofereçam o privilegio de conhecer as boas histórias que por aqui se escrevem.

Eu gosto de ler autores portugueses e considero-mo aventureira no que respeita a conhecer novos autores. Porém, desde muito cedo que os escritores portugueses fazem parte da minha vida, estando associados a memórias boas ou menos boas. 

O meu primeiro contacto com escritores portugueses aconteceu ainda na escola primária. Graças à biblioteca itinerante tive a oportunidade de ler diversos livros da coleção Uma aventura. Viver numa aldeia nem sempre facilita o nosso acesso aos livros. Há alguns anos atrás eu não ia à cidade sem acompanhamento e os meus pais não estavam muito direcionados nem interessado com a leitura. Uma forma de aproximar as crianças dos livros eram as visitas mensais de uma carrinha que vinha com alguns livros para que pudéssemos escolher.  

Andava eu no 2º ciclo quando me cruzei a primeira vez com os livros de Sophia de Mello Breyner Andresen. Foi paixão à primeira história e ainda hoje sinto um carinho especial por aquela fada que achava difícil a vida dos humanos porque não tinham asas para voar por cima dos problemas. Ainda hoje A Fada Oriana habita a minha estante e são muitas as vezes que o empresto aos miúdos para que possam conhecer esta história. Foi um livro que me marcou, assim como todos os livros que li dela. O Cavaleiro da Dinamarca, A Menina do Mar, A árvore, Histórias da Terra e do Mar... Tantas histórias e todas elas com personagens especiais. Não tenho todos os livros infantis desta escritora, mas um dos meus objetivos a longo prazo é reunir na minha estante todos eles. 
Mais tarde conheci outra faceta desta mulher e vi-me a viajar pelos os versos com que ela desfiava os assuntos que lhe agitavam o coração. Fui uma adolescente que consumiu bastante poesia e muitos dos poemas desta escritora tornaram-se especiais. O meu exame nacional de 12º ano de Português B foi uma homenagem ao seu trabalho enquanto poeta. O meu professor alertou-nos na altura que, muitas vezes, uma forma de homenagear um escritor falecido eram os exames nacionais. Assim, ela faleceu em 2004 e em 2005 é um poema dela que aparece no exame.
Dois outros dois livros que me acompanharam nesta etapa da vida foram O Mundo em que Vive de Ilse Losa e Ulisses de Maria Alberta Menéres. Duas histórias que também gostei muito de ler, mas que muitos dos pormenores já não os tenho na minha memória.


Quando fiz 13 anos recebi como prenda de aniversário A Lua de Joana. Foi a minha primeira leitura compulsiva e um livro que reli muitas vezes. Assim, Maria Teresa Maia Gonzalez foi a primeira escritora capaz de me fazer chorar com um livro e que me fez desafiar a hora de dormir. Os olhos de adolescente tornaram este livro especial. Nunca mais o reli, mas é daqueles que não quero reler porque sinto que a minha visão adulta iria estragar o que ficou da leitura naquela época.


O secundário foi um período particularmente difícil para mim. Não fiz amizades, tive muita dificuldade em integrar-me na turma e numa escola nova. Foram três anos de grandes sacrifícios emocionais  e de muito isolamento. Salvavam-me as leituras. Foram duas das leituras obrigatórias que me fizeram vibrar. É certo que ter um professor de português apaixonado pelas obras que apresenta facilita o nosso próprio envolvimento com os livros que lemos. Desta forma Os Maias de Eça de Queirós e Aparição de Virgílio Ferreira tornaram-se dois livros especiais e dos quais guardo excelentes experiências de leitura.

Ainda durante o secundário tive a oportunidade de me apaixonar pela poesia. Para além de Sophia de Mello Breyner Andresen, foi um desafio analisar a poesia de Fernando Pessoa e um sofrimento ler Florbela Espanca, porém ainda hoje gosto de pegar nos poemas deles. 

Durante os anos em que estive na universidade não li quase nada, mas depois a leitura regressou em força. Dos livros de autores nacionais, li muitos livros de José Rodrigues dos Santos e os de Tiago Rebelo que estavam na biblioteca. Em 2011, depois de muito andar pela internet a ler opiniões ao livros aventurei-me e criei este blog. E a partir daqui inicie uma das melhores experiência da minha vida enquanto leitora: as leituras beta.


Fiz mais de 10 leituras beta e para diferentes escritores portugueses. Ajudei no que me foi possível e fico sempre orgulhosa por ver os livros a ganharem vida. Esta experiência mudou o meu olhar enquanto leitora e ofereceu-me uma visão mais crítica perante os livros que leio. 
Acreditem que desfiar o trabalho de outras pessoas não é uma tarefa fácil. Há muita entrega e dedicação na escrita do livro e é muito complicado oferecer uma visão sincera sem ferir os sentimentos de quem deu tanto de si a um projeto. 
Não tenho feito leituras beta. Estive mais ativa entre 2012 e 2015. Os pedidos cessaram e havia uma tese de doutoramento que precisava de ver a luz do dia. A tese já viu a luz do dia, mas ainda está na "incubadora" à espera da data da defesa. Por este motivo, também não tenho muita disponibilidade mental para este tipo de leituras (até as minhas rotinas de leitura diária se têm ressentido).  

Das minhas leituras recentes guardo muitas obras de escritores nacionais no coração. O Escultor  da Carina Rosa foi dos livros mais trabalhosos que tive enquanto leitora beta, mas a satisfação de o ver publicado foi enorme. A Chama ao Vento de Carla M. Soares foi lido numa altura muito complicada. Empatizei muito com a personagem principal porque também a minha luz interior se tinha apagado. O Espião Português de Nuno Nepomoceno, apesar de não ter sido uma leitura fenomenal fez-me sentir orgulho pelo bom trabalho que os escritores portugueses se preocupam em apresentar. Perguntem a Sarah Gross de João Pinto Coelho deixou-me, há um ano atrás, com uma das maiores ressacas literárias de que tenho memória. Maresia e Fortuna de Andreia Ferreira foi uma excelente viagem a um lado mais negro da escrita e, apesar de faltar alguma emotividade à escrita, temos uma história de contornos negros e bem escrita. O Funeral da Nossa Mãe, escrito pela Célia Loureiro, foi uma leitura intensa e com uma história que me ficará na memória. Foi um livro que recebi pelo Natal, num Natal um pouco triste. Mas nunca mais me esquecerei de como me alegrou abrir aquela embalagem e descobrir um livro que tanto queria ler. Inês de Maria João Fialho Gouveia foi dos melhores romances históricos que já li. As Últimas Linhas destas Mãos de Susana Amaro Velho trouxe-me uma histórica bem escrita que me inundou de sensibilidade e, mais uma vez, me fez sentir orgulho pelo talento nacional. Equador de Miguel Sousa Tavares preencheu-me os dias vazios numa altura em que sentia um pouco perdida em relação ao futuro. A Filha do Capitão de José Rodrigues dos Santos foi a minha primeira leitura conjunta e fez-me adorar a experiência de partilhar o entusiasmo pelas personagens e pela história com outra pessoa que estava sentir o mesmo. 

Estes são apenas alguns dos livros mais recentes que me ficaram na memória e que trazem sentimentos associados. Foram muitas as leituras lusas que fiz ao longo dos anos e muitas delas depois de me lançar aqui neste mundo. 
Sei que ainda tenho muitos livros nacionais para descobrir e para ler... Num futuro próximo espero ler os seguintes...


Partilhem comigo uma memória vossa associada a uma leitura lusitana... 

sexta-feira, 8 de março de 2019

Dia Internacional da Mulher


13 é o número de mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal só nos três primeiros meses de 2019. E isto são as vítimas noticiadas e conhecidas. Quantos suicídios são o resultado de exaustão emocional e física sentidos pelas vítimas. E estas nem sempre entram nas estatísticas. 

Adicionando a este número de mulheres a quem a vida é retirada, ainda temos de considerar as vítimas indiretas. Quantas crianças se veem órfãs de pai e mãe (a mãe que morre e o pai que fica preso ou não o sendo não reúne condições para cuidar delas)? Como fica a família alargada perante esta tragédia?

Nada contra para com as mulheres que decidem celebrar este dia com almoços ou jantares especiais. Contudo, enquanto muitas mulheres estão em restaurantes a rir, a comer, a divertir-se algures no país há uma jovem que deixa o seu namorado aceder ao seu telemóvel e controlar aquilo que veste, há uma mulher a ser chamada de incompetente, há uma mulher cansada porque trabalhou horas mais e pelas quais não vai receber compensação, há uma mulher a ser agredida fisicamente... Enquanto muitas festejam este dia sem conhecerem o seu verdadeiro significado algures no mundo há mulheres impedidas de estudar, de ter um trabalho digno, de tirar carta de condução. E, em todo o mundo, encontramos mulheres a desempenhar as mesmas funções do que um homem, mas com um salário menor. 

Acho que este dia não deveria ser ocupado por palavras ocos ou por gestos ocasionais. Não deveria ser apenas um dia para as mulheres se juntarem e festejar, mesmo que depois ao longo do ano sintam prazer em atacar a sua semelhante. Deveria ser um dia para que cada mulher pudesse fazer valer os seus direitos, soubesse o verdadeiro significado de solidariedade e refletisse sobre o seu papel na sociedade e enquanto agende de educação das gerações mais novas.

Sim, acho que a violência doméstica/ conjugal acontece porque não há educação para a cidadania, para o respeito ao outro e, acima de tudo, há uma enorme falta de empatia para com qualquer outro ser vivo, humano ou animal.

Que em cada dia do ano, possamos celebrar os direitos conquistados não deixando de lutar por aqueles que ainda se encontram esquecidos nos meandros de uma sociedade machista. Que todos os dias sejam transmitidos valores, por homens e por mulheres, que dignifiquem a mulher e que condenem qualquer ato de violência. Que homens e mulheres partilhem responsabilidades, direitos e deveres. Que homens e mulheres se respeitem. Que desde cedo as crianças aprendam a preservar a sua intimidade e a sua integridade física e emocional. Que conheçam o verdadeiro valor de um "não", que digam "sim" convicto e autoconfiante e que jamais tenham medo de dizer "basta". 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Era uma vez... Uma tese de doutoramento


Nenhuma descrição de foto disponível.


- Anda lá, bem me podes fazer isso.
- Tu também consegues.
- Mas para ti é fácil.
- Claro que é. É tão fácil agora como foi difícil levantar-me cedo todos os dias e levantar-me sempre que caí. É tão fácil agora como foi difícil não facilitar. É tão fácil agora como foi difícil resistir à vontade de desistir. É tão fácil agora como foi difícil trabalhar sem parar para que as minhas dificuldades não me parassem. É tão fácil agora como foi difícil fazer e desfazer e refazer até ficar bem. Sim, realmente para mim agora é fácil. Difícil foi chegar aqui.

Imagem e texto retirados daqui.

Este é um post de desculpas pela minha ausência nos últimos dias. Há quase duas semanas que não sai nada no blog e o que tinha saído antes estava agendado. 
Foram dias muito complicados, com muito stress à mistura e onde as inseguranças teimaram em minar tudo.

No meio de muito stress, angustias, lágrimas, frustrações, cansaço la consegui entregar a minha tese de doutoramento. 
Foi um percurso difícil, com muitos altos e baixos e com uma carga de stress que há muito não sentia. 

Queria ter cá vindo no fim-de-semana atualizar o espaço e explicar-vos o motivo do meu "silêncio", mas o cansaço mental não me deixou. Só queria estar longe do computador. 
Aos pouco tenho recuperado as forças e o ânimo. Nos próximos dias irei publicar as opiniões e um conjunto de posts que tenho em atraso. 

Espero que continuem desse lado e me desculpem a ausência. 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

De 2018 a 2019


Sinto que este ano passou demasiado depressa. O tempo correu e eu senti-me numa corrida a contra relógio contra os dias, as semanas e os meses que iam passando por mim. 
Em 2018 vi pessoas com muita vida pela frente a morrerem. Assisti ao declínio físico e emocional como nunca antes tinha assistido. Vi o meu cão envelhecer mais do que aquilo que o meu coração queria e sofri quando quase a morte o roubou do meu colo. Não consegui cumprir um dos grandes objetivos que tinha para 2018. 

Frustração, solidão, tristeza, sentimento de impotência, cansaço físico e mental, sorrisos e lágrimas foram ingredientes muito presentes ao longo deste ano. Eles temperaram os momentos oferecendo um ano dentro do registo a que já me tenho habituado. Apesar disse, acho que aquilo que verdadeiramente mudou foi a forma como passei a olhar para as situações e para as pessoas.

Mesmo não estando num nível pessoal e profissional que queria, não posso deixar de estar agradecida às coisas boas que se foram metendo pelo meio das tempestades e dramas pessoais. Ao longo de 2018 aprendi muito com as minhas sessões para pais. Foram apenas duas experiências, muito diferentes entre elas, mas foram muito importantes para sentir que ainda sou capaz de colocar o meu conhecimento ao nível dos outros. Aprendi imenso sobre estatística e análise de dados. Descobri capacidades que nunca pensei que tinha para lidar com os imprevistos de um trabalho de doutoramento que já teve percalços suficientes para encher cem episódios de uma novela mexicana cheia de drama. Contudo, são os arranhões e as dores causadas no processo que me fazem olhar para o trabalho quase finalizado e a sentir-me grata pela oportunidade de estar a fazer isto. 
Tive a melhor experiência enquanto transmissora de conhecimentos. Sinto-me feliz por ter tido a oportunidade de ter dado algumas aulas a uma turma de mestrado fantástica, com pessoas que sabem alimentar a auto-estima. 
Adorei a oportunidade de estar com alunos do secundário e poder transmitir-lhes as infinitas possibilidades no trabalho com famílias. Foi gratificante partilhar o quanto a intervenção psicossocial pode fazer a diferença nas famílias de uma determinada comunidade.
Continuei a ajudar miúdos na sua árdua tarefa de enfrentarem as guerras nos campos de batalha que são as escolas. Apesar de não amar esta minha faceta, soube aceitá-la e agradecer por poder fazê-la. Sem ela, a minha situação financeira seria bem mais complicada. 
Fiz a minha primeira apresentação em inglês e chorei de frustração. Correu mal e percebi o árduo caminho que ainda preciso de fazer no que toca ao domínio da língua. O nervosismo congelou-me o raciocínio e fez-me morrer de vergonha quando queria comunicar e as palavras não me saiam. 

Não estou financeiramente rica... Longe disso, mas sinto que nunca baixei totalmente os braços. Sinto que não sou a preguiçosa que outros gostam de apregoar. Sei que não sou pessoa que dizem que não trabalha porque não quer. Ou então a pessoas que já teve imensas oportunidades e as recusou. Ou porque a F trabalha lá longe num sítio maravilhoso e até vai de férias para as Maldivas. Hoje em dia, a cada comentário destes que me chega aos ouvidos ou que me é oferecido em conversa, não deixo que ele permanece muito tempo na minha mente a ser processado. Não discuto com quem me oferece entes pequenos presentes ácidos. Aceito e agradeço por saber que por cada comentário destes há um miúdo que me agradece por tudo aquilo em que eu o ajudei, há uma adolescente a pedir para a ajudar a pensar sobre as suas escolhas profissionais, há uma mãe a ligar e a partilhar comigo as angústias de educar um filho... E assim, por cada situação negativa, procuro todas as outras positivas que posso agarrar e agradecer.

Por tudo isto, considero que a minha mudança em 2018 ocorreu internamente. Não é que fique magoada com a forma como as pessoas olham para mim, até porque são aquelas pessoas que mais nos deviam apoiar e incentivar, simplesmente comecei a lidar melhor com essa mágoa. Claro, desliguei-me muito mais dessas pessoas e os meus sentimentos por elas modificaram-se. Aquilo que não quero é deixar-me minar por aquela negatividade que vem sempre associada a estes comentário.
Deixei de mendigar amizade... Quem quer se manter presente, mantém, independentemente de todas as agruras da vida. Assim, houve pessoas que desapareceram da minha vida, outras que se mantiveram, outras que se mantiveram de forma menos intensa e sem eu esperar delas o que não devia e outras que entraram. E é a estas poucas pessoas que escolheram ficar por cá  que vou buscar inspiração. Fiquei super feliz quando soube que a Daniela do blog Quando se abre um livro ganhou um concurso com um conto da sua autoria. Vibrei quando a C. partilhou comigo que parte do seu sonho começada a ganhar forma. O meu coração palpitou de felicidade quando a C.B. recebeu a melhor prenda de 2018 e a dobrar. Suspirei de alívio quando a D. conseguiu ultrapassar uma situação difícil com a R. e partilhei a felicidade dela no momento em que ela me disse que já estava na sua casa nova. Apoiei e incentivei a J. quando ela decidiu que estava na altura de mudar de vida. E continuo a apoiar a decisão dela com a esperança de portas mais felizes se abram para ela. É satisfação enorme continuar a acompanhar a J.N. que, mesmo do outro lado do oceano continua a fazer questão de fazer parte da minha vida e permite que faça parte da dela. É destas grandes pessoas que me devo lembrar e preocupar.  

A única coisa interna que ainda não mudou foi o meu desagrado perante almoços e jantares com muitas pessoas. O meu lado introvertido desorienta-se e só me faz desejar ainda mais pela minha independência total.

No que respeita às leituras, desde 2012 que não lia tão poucos livros. As leituras foram sofrendo um pouco as consequências do stress e cansaço acumulados. Foram algumas ressacas literárias que me deixaram sem grande vontade de me entregar a um livro. Li livros muito maus, mas também tive uns quantos dos quais nunca me irei querer separar. 

Em 2019 quero continuar a aprender a ser mais paciente. Quero muito atingir alguns objetivos, mas sempre com uma visão mais realista e sem alimentar muitas expetativas. Em 2019 vou deixar 2018 para trás com todo o lixo emocional produzido. Apenas quero levar aquilo que me fez bem: as pessoas que gosto, a gratidão pelas coisas boas que me acontecem, a serenidade para conseguir lidar com aquilo que não posso mudar e certeza de que em cada dia tento dar o melhor de mim aos outros e à vida.

A vocês que muito gentilmente me leem (e que aguentaram a leitura até aqui), desejo que 2019 seja um ano em que se sintam bem com vocês próprios. Que neste novo ano que se inicia daqui a umas horas vivam mais momentos felizes do que tristes. Que se realizem pessoal e profissionalmente, deixando espaço para novos objetivos e novos sonhos. 
Em 2019 valorizem as pequenas coisas, as pessoas especiais da vossa vida e guardem réstia de esperança quando tudo vos pareça impossível.
Que o novo ano vos traga amor, saúde, paz, trabalho e bons momentos. 
Conto com vocês desse lado. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Pessoal | Um cão idoso e a pouca vontade de passar por aqui


Na semana passada não consegui publicar nada por aqui. Foi uma semana bastante complicada onde me faltou vontade e inspiração até para as tarefas necessárias. Este post é a minha tentativa de me desculpar perante aqueles que me leem e, também, para escrever um pouco sobre a minha experiência com um cão idoso.

O meu cão tem 14 anos, 1 mês e 5 dias. Chegou até mim ainda bebé, portanto faz parte da minha vida tantos anos quantos aqueles que ele tem de vida. Sempre foi um cão ativo, brincalhão e bastante mauzão. Desde há dois anos que começamos a notar algumas diferenças no seu comportamento. Começou a caminhar de forma mais lenta, a dormir mais, a ver e a ouvir mal... Mas ele lá se ia orientando no meio das suas limitações. Até aí ele tinha de ficar preso a correntes, porque atacava as pessoas que entravam aqui em casa. Sempre que possível eu soltava-o e controlava as suas corridas. Desde os primeiros sinais de envelhecimento que ele deixou de estar preso. Anda a solta e já não atacava nem mordia as pessoas como acontecia quando era jovem. 


E assim vivia ele, sempre a solicitar os seus mimos e as suas escapadelas. Até que no fim-de-semana passado me deixou com o coração nas mãos. Nunca tinha presenciado tal situação. Começou por perder o equilíbrio e passou a noite a ganir e a deitar as cadeiras da cozinha ao chão. Via-o completamente desnorteado e com o olhar vazio. Assustei-me e sofri imenso perante a impotência de o colocar melhor. Tentei colocá-lo confortável, acalmá-lo... Ver o estado dele foi horrível e mexeu imenso comigo. 

O que me deixava ainda mais apreensiva era o facto de ser fim-de-semana. Felizmente, consegui um veterinário no domingo de manhã. Ele ficou internado até terça-feira. Inicialmente, o veterinário, pelos sintomas que o meu patudo apresentava, desconfiou que ele tivesse ingerido veneno. Era tudo neurológico. Mais tarde, devido à idade, o diagnóstico passou a ser outro: há a possibilidade de ser epilepsia ou um tumor cerebral. 

Foi algo doloroso ver o meu companheiro de quatro patas regressar a casa. Vinha bastante debilitado, recusava-se a comer e tinha um andar um pouco trôpego. 
Fiquei bastante em baixo com esta situação. Eu sei que é um cão idoso, mas não quero nem lido bem com o sofrimento dele. Tive dias na semana passada em que dormia mal com medo que ele voltasse a ter as mesmas crises. Receei acordar de manhã e de o encontrar morto. A angústia era ainda maior porque ele não se alimentava.

Felizmente, no final da semana, as coisas melhoraram. Ele passou a comer aos poucos e ficar um pouco mais interativo e ativo. 
É um cão que dorme imenso, que deixou de subir escadas, que respira de uma forma mais pesada e que gosta de receber miminhos e de dormir esparramado num sofá ou numa cama. Já não resiste tanto ao banho e tenho uma mobilidade reduzida. Já não consegue saltar para cima das cadeiras como ele gostava, nem para cima da cama. Precisa sempre de uma ajuda humana para conseguir aceder a alguns locais. 

Tudo isto mexeu muito comigo. Foi uma semana em sobressalto. Li pouco, a tese de doutoramento avançou aos soluços e as leituras ficaram num patamar de prioridades ainda mais inferior. Tudo isto ditou o meu afastamento do blog durante a semana passada. Tentarei voltar à regularidade de posts e não deixar este pequeno cantinho ao abandono.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Visões #4 | Ser introvertida num mundo de extrovertidos(as)

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Não é nada fácil ser uma introvertida e viver no meio de pessoas extrovertidas. Geralmente sou incompreendida, apelidada de bicho do mato/buraco e vocabulário semelhante. Ninguém percebe a minha ansiedade perante encontros com imensa gente, com pessoas que, por vezes, nos são distantes.

Não percebem quando digo que gosto de passear sozinha e de visitar as coisas sozinha. Geralmente ouço "Sozinha! E com quem é que comentas se gostaste, ou não gostaste?". Eu respondo que não preciso de comentar com ninguém o que vi. Não preciso de validar a minha impressão com as impressões dos outros. Eu gosto de contemplar, de absorver e interiorizar. Mas quem é que entende isso?

É desta incompreensão que nascem as críticas, os comentários, palavras que magoam o nosso lado mais privado. Para além de gostar de passear sozinha, ou com pouca gente à volta, adoro ficar a ler no silêncio, ver um filme, ficar deitada na cama/sofá de olhos fechados a ouvir música clássica, pop, rock (aquilo que o meu estado de espírito precisar)... Mas isto, para a cabeça de um extrovertido que adora festanças, jantaradas, festas que se prolongam pela noite fora, é algo estranho. E do nada, torno-me numa espécie esquisita que não gosta de estar com pessoas. E ainda o pior na cabeça dessa gente é como é que uma psicóloga pode ser assim. 

Para grande azar meu, vivo rodeada de gente extrovertida. Pessoas que adoram almoços e jantares com muitas pessoas, que não concebem um passeio sem levar uma dúzia de pessoas atrás, que adoram sair e ir a festas cheias de confusão. Portanto, não é fácil a convivência! Quantos os acontecimentos de contornos "mundiais" acontecem fora de casa, ainda vou conseguindo escapar. Quando é cá em casa é mais complicado evitar. Estes acontecimentos esgotam-me as energias, sugam-me a alma, deixam-me super ansiosa acabando por interferir como os meus relógios biológicos e abata-se sobre mim uma imensa tristeza devido ao sentir-me deslocada da situação, ter dificuldades em integrar-me e não conseguir satisfazer a minha necessidade de sossego. 

É claro que este aspeto da minha personalidade também se reflete nas amizades. São poucas e diminuíram ao longo dos últimos anos. Quando o meu ideal de socialização e de vida social passa por partilhá-la com poucas pessoas ao redor, uma ida ao cinema, um pequeno passeio, um almoço ou jantar num local sossegado... Tudo à minha volta se complica e o afastamento dá-se. Já sofri com isso, hoje procuro ser mais serena e valorizar as pessoas que se mantêm na minha vida e que compreendem como eu sou e como lido com as pessoas e a vida.
Eu não fumo, não bebo álcool e não tenho simpatia por discotecas e bares onde não há espaço e silêncio para uma boa conversa. No fundo, mais um conjunto de características que acabam por ser um entrave àquilo que os outros chamam de bom convívio. 

Lidar com tudo isto nem sempre me deixa em paz de espírito. Por vezes, interiormente eu sinto que devia ser diferente, porque não me consigo encaixar nesses mundo mais eufóricos. E esta consciencialização da diferença e de não conseguir alcançar um nível mínimo de compatibilidade com os gostos alheio acaba por me trazer algum sofrimento. Não é que eu não goste de sair de casa e de ver coisa bonitas. Eu gosto, não gosto é o de fazer com qualquer pessoa nem com muita gente. Gosto de ir a um concerto, mas só aqueles que eu acho que vale a pena ir, que sei que vou gostar. 
Outros pensamentos que se atravessam na minha mente, e muitas vezes devido aos maravilhosos comentários, é que estou a trilhar um caminho que me levará à solidão, que vou acabar sozinha e sem ninguém. Bem.. eu gosto de estar comigo própria, como gosto de estar com pessoas que dizem algo, com pessoas com quem gosto de partilhar as minhas palavras. Se um dia vou acabar sem essas pessoas, não sei, mas quem é que garante que um extrovertido não ficará sem as mil e uma pessoas com quem convive? Será que um extrovertido cria o mesmo tipo de laços emocionais que eu crio com as pessoas de quem realmente gosto? É que eu, quando gosto de uma pessoa, gosto de lhe tocar a alma e coração com pequenos gestos, com palavras simples e sinceras. Às pessoas com lugar especial no meu coração gosto de as ajudar, gosto de lhes fazer um postal com uma pequena lembrança no Natal e no aniversário. Quando gosto, dou muito de mim e, por vezes, perco-me nos meandros da indiferença que acaba por ditar um afastamento. E na sequência de várias experiências menos positivas tenho-me tornado uma pessoa menos calorosa, mais fria e mais cautelosa. 

Gostaria de saber se há introvertidos desse lado e se partilham das mesmas angustias. Gostaria de saber como lidam com as situações sociais, como se sentem no meio de desconhecidos e como gerem isso interiormente. Reconhecem vantagens em ser introvertidos(as)? (Eu reconheço algumas e pretendo explorá-las noutro post). Como é, para vocês, ser introvertido(a) no meu meio de extrovertidos(as)?

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Visões #4 | Como morrem os sonhos?



Muitos dizem que os sonhos são um motor da vida, uma espécie de energia que nos empurra ao longo do caminho. É bom sonhar! É bom pensar em coisas boas que gostaríamos de alcançar ao longo da nossa vida. Acredito que eles possam ser uma espécie de "aspiração central" da nossa mente. Porém, há alturas na nossa vida que eles simplesmente se desvanecessem no meio de tanta coisa que deixa de funcionar na nossa vida.

Sempre me classifiquei como uma sonhadora. Há 10 anos atrás sonhava em terminar o curso e encontrar um emprego que me deixasse feliz. Sonhava em conhecer outras paragens, em conhecer pessoas que me acrescentassem coisas positivas, sonhava com independência, sonhava em fazer a diferença, sonhava em escrever histórias... Mas pelo caminho dos últimos anos esses sonhos foram arrefecendo e morrendo aos poucos. 

Eles foram morrendo. As coisas foram tomando outros rumos, regredi em algumas coisas que já tinha conquistado, as prioridades foram-se alterando e, no meio de todas as coisas menos boas, os sonhos foram ficando para traz. Hoje estão mortos! Talvez porque a esperança em obter coisas melhores também esteja muito, muito baixa. Talvez porque passei a ser mais racional e realista. Talvez porque deixei de acreditar e de confiar no mundo e nos outros. Tive de perder muitas coisas para hoje ter outras. Talvez em termos de quantidade (perdas vs ganhos) esteja com saldo negativo, porém tive ganhos que me fizeram crescer como pessoa. Mas os sonhos, esses, não entram na equação. Neste momento estão mesmo mortos. 

São as pedras que encontramos no caminho da nossa vida que apedrejam os sonhos e os matam, ou os colocam num permanente estado de coma à espera daquele rasgo de mudança que os faça renascer. Estou neste limbo... Numa corrida por mudanças. Mas a angustia está cá, porque a passagem do tempo não perdoa e isso faz-nos perder a força. Sei que sou muito exigente comigo própria, mas haverá mal em querer mudanças positivas na nossa vida e na nossa forma de viver? Quão longo é o caminho para alcançar aquele nível que faça com que os meus sonhos renasçam? Gostaria de ter mais resposta para a incerteza do futuro que se estende à minha frente. Queria que os meus sonhos voltassem ao ativo e me empurrassem para a frente. 
Hoje faço anos. Hoje abre-se um novo ciclo da minha vida. Será que vou ter os meus sonhos de volta? Será que os conseguirei fazer renascer das cinzas? Eu quero muito que eles voltem.  

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

ACMA | Por detrás das palavras: como tudo começou


O projeto A cultura mora aqui está de volta. Depois de um período de pausa, o projeto regressa com uma imagem e dinâmica renovadas.

Para este início, COMEÇOS é o tema que serve de base a todos os participantes. Eu decidi escrever sobre como começou o meu blog, o Por detrás das palavras. 

Sempre fui muito apaixonada pela leitura. Leio livros desde que aprendi a ler. Assim que tive autorização para frequentar as bibliotecas, tornei-me numa cliente assídua e devorada tudo o que apanhava nas mãos. Os meus pais nunca controlaram aquilo que eu lia, nem eram de estimular este meu gosto. Talvez por isso é que, já na fase da pré-adolescência e adolescência, comecei a ler livros que já fugiam àquilo que poderiam ser livros mais adequados para a idade. 

Quando entrei na universidade, o ritmo de leituras abrandou de forma muito drástica. Lia muito menos e o interesse literário acabou por arrefecer um pouco. Só nas férias é que ia pegando em livros de ficção. 

Assim que terminei o curso vi-me com imenso tempo livre. Procurava ofertas de emprego, escrevia cartas de apresentação, enviava CVs, mas mesmo assim precisava de algo para me ocupar a mente. Foi assim que voltei à biblioteca e o meu "eu" leitor renasceu com mais força. Em 2011 já lia com muita assiduidade e comecei a procurar informações sobre os livros na internet. Através desta pesquisa comecei a ler alguns blogs sobre livros e começou a nascer a vontade de criar algo, de partilhar com os outros aquilo que ia lendo e o que sentia com as leituras. 

A 22 de setembro de 2011, já a trabalhar, achei que seria interessante criar algo que fizesse fugir à rotina e ao desgaste do trabalho (o meu estágio profissional estava a ser um verdadeiro pesadelo), ao mesmo tempo que prolongava o meu gosto pela leitura. Fascinada pela palavra escrita e com o mundo dos blogs, senti que estavam reunidas as condições para perder o medo e lançar-me nesta aventura de criar e dinamizar um blog. 

A escolha do nome foi pacífica. Inspirada num livro da minha área, Por detrás do espelho, achei que Por detrás das palavras era um bom nome. Por detrás do espelho é um livro sobre terapia familiar e intervenção sistémica. Para quem não conhece, nesta corrente teórica da psicologia, o setting terapêutico é especial. São duas salas, dividas ao meio por espelho, como nas salas de interrogatório da polícia judiciária. De um dos lados está um ou depois terapeutas com a família ou pessoa que está a ser consultada e do outro lado estão um conjunto de terapeutas que vão discutir o caso com o(s) terapueta(s) que estão a conduzir a sessão. Acho que esta partilha de opiniões literárias por dentro desta comunidade é vermos o que está por detrás das palavras dos escritores e das palavras daqueles que opinam sobre eles. Somos uma grande "equipa terapêutica" que gosta de discutir livros e tentar ver para além daquilo que eles nos apresentam.

Foi um começo tímido. Não me alongava muito, as opiniões que escrevia eram muito básicas. Com o tempo cresci como leitora, cresci como pessoa que observa as coisas de uma forma mais interior e reflexiva. Foi este começo no mundo blogs que me levou a contactar com pessoas extraordinárias e a fazer boas amizades. Tornei-me leitora beta e contactei com alguns escritores. Foi uma abertura para um novo mundo, ao mesmo tempo que encontrava um lugar onde os meus gostos eram compreendidos.

Este foi um começo que eu considero positivo. Nem sempre lido bem com começos. Este foi fácil de lidar e de operacionalizar. Gostaria de continuar a escrever por aqui durante muito tempo, mas não sei o que estará ao virar da esquina, nem que outros começos a vida me reserva. Uma coisa é certa, enquanto este mundo me fizer sentir feliz e realizada, farei tudo para continuar por aqui.

Informações sobre o projeto: A cultura mora aqui

quarta-feira, 21 de março de 2018

Porque hoje se celebra a poesia

Cada palavra,
Desenhada com amor
Transporta uma infinidade de mensagens
Abraçando corações 
Despertando emoções.

As palavras devem ser simples,
Sinceras, amigáveis
Não devem ser espadas
De lâminas infindáveis
Que ferem a alma que as recebem.

Num poema as palavras dançam,
Arranjam-se ao gosto do poeta
Levam amor e saudade,
Onde ainda cantam
O doce sabor da liberdade. 


Hoje é o Dia Mundial da Poesia! De vez enquanto gosto de brincar com as palavras, arranjá-las com carinho e dar-lhe a forma de uma poesia. Nem sempre mostro as minhas "costuras" de palavras por aqui. Mas hoje o dia é especial! Fica aqui mais uma "costura"... Espero que gostem! E hoje, pelo menos hoje, abracem as palavras de um poema. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Por detrás de uma data| O dia Internacional da Mulher



Por entre festejos e jantares organizados pelo núcleo feminino por estes dias, pergunto-me se as mulheres que aderem a tais festejos conhecem o verdadeiro significado por detrás da data. Presumo que não... Comercializou-se tanto o dia que a parte realmente fundamental deste dia, os direitos das mulheres e a igualdade de género, ficou um pouco ao abandono. 

Nestes dois últimos dias tenho refletido com a Denise (Quando se abre um livro) acerca da "palhaçada" dos jantares que proliferam por esta data (desculpem-me a abordagem, não tenho nada contra este tipo de jantares e respeito as mulheres que gostam de assinalar o dia com este género de festejos). Sim, é uma forma de assinalar o dia tão válida quanto outras formas. Contudo, questiono-me: Será que as mulheres que estão na fotografia acima, as grandes responsáveis por haver um dia Internacional da Mulher, se identificam com tais festejos para assinalar a data? Eu penso que não. Acima de tudo, estas mulheres procuraram lutar por um conjunto de direitos que lhes era negado. Afirmaram-se perante uma sociedade que não as reconhecia. Por isso, será que com os jantares restringidos ao público feminino vamos promover uma cidadania ativa, onde as mulheres têm disponíveis os mesmos lugares que os homens? Será que é assim que promovemos a igualdade?

Afinal, o que fizeram as mulheres da fotografia? Há 161, no dia 8 de Março, um grupo de operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque, fez uma enorme greve e ocuparam a fábrica reivindicando melhores condições de trabalho. Entre estas reivindicações estava a igualdade salarial entre homens e mulheres. Algo que ainda hoje é a nossa luta. 
A ousadia destas mulheres valeu-lhes uma violenta repressão para com a sua manifestação e acabaram trancadas dentro da fábrica, que foi posteriormente incendiada. Cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Em consequência deste terrível acontecimento, a ONU, em 1975 oficializou o 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher

Custa-me um pouco ver a falta de solidariedade entre humanos, entre humanos e animais e, particularmente entre mulheres. Quantas das mulheres que se juntam para jantar não passam parte do ano a criticar as suas companheiras de mesa? Quantas dessas mulheres estenderam a mão a outra mulher que lhes pediu ajuda? Atenção, não estou a dizer que todas as mulheres são assim. Quero apenas frisar que algumas das mulheres agem assim, porque no fundo o que interessa é ir a um jantar e conviver com pessoas que, em alguns casos, não nos dizem nada e com as quais nem comunicamos assim muito. Não são parte integrante da nossa rede social e pessoal mais próxima. E é do excessivo consumismo que se passou a associar à data que estas coisas se vão disseminando.

Antes de se atirarem aos festejos, gostaria de deixar aqui algumas linhas de reflexão. Reservem um pouco do dia para pensar nas desigualdades sociais, económicas, emocionais que as mulheres têm de enfrentar nos dias de hoje. Pensam nas mulheres que não podem decidir os aspetos da sua vida. A quantidade de mulheres que ainda sofre às mãos de agressores. As mulheres vítimas de assédio sexual. Conhecem uma mulher que precisa de companhia? Ofereçam-lhe alguns minutos do vosso dia. Já há muito tempo que não estão com aquela vossa amiga especial? Marquem um lanche ou um café. Há quanto tempo não tiram um pouco do vosso dia para estarem com a vossa mãe/filha/sobrinha? Pois arranjem esse tempo e partilhem com elas essa coisa tão nossa de sermos mulheres. Liguem aquela mulher especial da vossa vida. Valorizem as mulheres no geral e, em particular, aquelas que fazem de vocês mulheres e pessoas melhores.

Agora, de uma mulher para outras mulheres, a cada dia do ano, e não apenas no dia 8 de Março, lutem pelos vossos direitos, salvaguardando os direitos dos outros. Quando, na corrida da vida, ultrapassarem alguém, façam-no com justeza, delicadeza e gratidão. E, se puderem, estendam a mão a quem vai mais atrás. Não ofereçam comentários desagradáveis a outro ser humano, em particular a outra mulher (hoje ela, amanhã tu). Cuidado com os comentários baratos e ofensivos nas redes sociais. Só se destila veneno e isso não é saudável para nenhuma das partes. Sejam honestas, elogiem em público e apontem os defeitos em privado, dando oportunidade a quem falhou de se corrigir. 

E hoje, lembrem-se do quanto estas operárias lutaram e não conseguiram nada para elas. Porém, abriram portas para que hoje a nossa situação seja diferente da delas. 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Resultado | Sondagem


No passado dia 18 de Dezembro lancei um desafio aos meus leitores: indicarem-me a sua melhor leitura de 2017. 
O formulário esteve ativo até ao dia de ontem e hoje venho apresentar-vos a lista de livros que me deixaram:
  • O menino de Cabul de Khaled Hosseini
  • Ao fechar a porta de B. A. Paris
  • O castelo de vidro de Jeannette Walls
  • Menina boa, menina má de Ali Land
  • Irmãs de Claire Douglas
  • It can't happen here (Não vai acontecer aquide Sinclair Lewis
O Menino de CabulAo Fechar a PortaO Castelo De VidroMenina Boa, Menina MáIrmãsIt Can't Happen Here

Muito obrigada a tod@s aqueles(as) que deixaram a sua sugestão.
Agora é a fase da escolha. 
Assim, até dia 22 irei deixar aberta a votação para escolherem um livro para eu ler durante este ano. Inicialmente eu tinha indicado dois, mas dado que não foram assim tantas sugestões decidi que os leitores do blog escolheriam um e eu escolheria outro. 
Depois anunciarei o livro mais votado.



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Feliz 2018


Hoje, 2018 abre as suas portas e oferece-nos 365 oportunidades de viver.
Este ano não pedi nada em especial, assim como não elaborei nenhuma lista de desejos. Poderia pegar em todos as reflexões dos últimos anos que elas continuariam atuais hoje em dia. Tenho consciência que algumas coisas melhoraram, mas na globalidade a minha vida não está melhor do que há 3/4 anos atrás. 
Dada toda a minha descrença em renovação de desejos e sonhos, este ano quis entrar no novo ano de espírito livre, mente aberta e agradecida às pessoas boas que entraram na minha vida, aos acontecimentos que me deixaram feliz, às pessoas boas que se mantiveram na minha vida de coração aberto... Sinto-me grata por estes aspetos, assim como me sinto grata à minha capacidade de "dar a volta" às situações ruins (eu sou o exemplo vivo de que um azar traz uma meia dúzia atrás dele). 

O blog foi, ao longo de 2017, um ótimo refúgio. Um lugar onde eu conseguia desligar do mundo e de coisas menos boas que fossem acontecendo. Por isso agradeço a vocês leitores a disponibilidade para virem ler o que eu escrevo e comentar. 

Aquilo que desejo para todos vocês é um ano de 2018 cheio de sucessos profissionais e pessoais. Que consigam reunir dentro de vocês todas as ferramentas necessárias para lidar com sucesso as possíveis sombras que possam atravessar o vosso caminho. Que seja um ano de amor e paz onde estejam rodeados de pessoas que vos aquecem o coração e tornam o vosso mundo um lugar melhor para viver.
Tudo de bom e de bem para vocês.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Aniversário | E já lá vão 6 anos...


Hoje o blog comemora seis anos de existência. Nunca pensei que o conseguisse manter durante muito tempo. Nasceu da minha curiosidade por saber mais sobre livros e da minha necessidade de partilhar com os outros aquilo que os livros me oferecem. 

Com o tempo foi crescendo e passei a falar de tudo um pouco... No fundo, podemos encontrar palavras em qualquer lado. São elas que nos permitem comunicar e aceder a um sem fim  de coisas. Elas aproximam-nos do mundo, por isso sinto que neste blog posso ir mais além e não me ficar apenas pelo universo literário.

Neste dia de aniversário quero agradecer a todos os seguidores que, de forma muito amável, vão permanecendo por aqui, que comentam, que perdem tempo da sua vida a ler o que para aqui vou escrevendo. São vocês que fazem com que o blog tenha sentido e me deixam de coração cheio pela vossa presença.

Agradeço às editoras pela simpatia e pela oportunidade que me dão de ler livros mais recentes. Aprecio a sua generosidade na disponibilização de exemplares para que eu os possa ler e divulgar.

Aos autores portugueses com quem tive a oportunidade de contactar e que de conhecer ao longo destes anos. Muito do meu trabalho no blog faz sentido por vocês. Cabe-nos a nós, bloguers portugueses partilhar o que de melhor se escreve e publica em Portugal. Da minha parte, não os quero esquecer. O meu blog terá sempre as portas abertas para divulgar o trabalho deles e apoiar naquilo que me for possível.

E depois há um conjunto de meninas especiais a quem eu quero agradecer de forma mais personalizada.
  • À Catarina do blog e canal Sede de Infinito, fomos parceiras na organização de maratonas e é uma pessoa que admiro e que um dia gostaria imenso de a conhecer pessoalmente. Obrigada por continuares a passar por aqui e por te ires mantendo no ativo aqui na blogoesfera. 
  • À Denise do blog Quando se abre um livro pela presença constante no blog e além do mesmo. És uma fonte de apoio e de suporte que extrapola este universo literário e nunca esquecerei a força que me envias, mesmo quando precisas mais dela.
  • À Isa do blog  e canal Jardim de Mil História pelos comentários frequentes que vai deixando por aqui. É bom sermos lidos e termos pessoas com quem partilhar opiniões.
  • À Tita do blog e canal Prazer das Coisas pela sua presença assídua aqui no blog. Uma pessoa muito simpática e que eu tenho em grande consideração. Tenho de lhe agradecer (e também à Isa) a oportunidade de participar em desafios literários interessantes e que me vão mantendo nas leituras.
Estas são as meninas com quem tenho mais contacto ao nível dos blogs. Não conheço nenhuma delas pessoalmente, mas gosto de passar pelos cantinhos delas e ler o que vão partilhando e a quem agradeço o acompanhamento contínuo deste meu espaço. 

Neste novo ano de vida do blog, espero criar laços com outras bloguers e conhecer novos espaços onde os livros, o cinema, a vida quotidiana façam parte da "ementa" regular.
Quero dinamizar mais o blog, criar atividades em que aqueles que me leem possam participar de forma mais ativa. 
Acima de tudo quero continuar por aqui a partilhar as minhas palavras e a receber as vossas de braços bem abertos.


terça-feira, 25 de abril de 2017

Dia da Liberdade


Nasci em liberdade
Sem amarras
Sem correntes, nem barreiras.
Nasci num mundo que me deixa
Perder, correr, voar, ser
Por entre os diversos trilhos da vida
Aqueles que decido escolher
São as emoções a minha única censura 
Mas, felizmente, 
Sou livre para as sentir e expressar
E, apesar de o medo me impedir de muito, 
Sei que o mundo é uma porta aberta para mim
Porque um dia
Alguém ousou quebrar os muros
E oferecer-nos um futuro em liberdade
                                          Por detrás das palavras, 25 de Abril de 2017

O significado deste dia, desde que tomei consciência daquilo que ele significava para nós, me toca de forma particular. Cada vez mais devemos dar valor a esta liberdade e respeitá-la de forma a não deturpá-la. 
Para mim, devemos ser livres com responsabilidade, sem prejudicar aqueles que partilham o nosso espaço social. Porém, penso que é algo muitas vezes esquecido. Bem, também o verdadeiro significado de liberdade o é, pois são algumas as pessoas que não lhe dão o devido valor.
Eu valorizo muito a minha liberdade. Valorizo a possibilidade de ler o que eu quiser; poder escrever, sem medo, sobre o que me apetecer (mas sempre dentro dos limites do que é aceitável) e andar na rua sem medo e a poder olhar e admirar cada canto e recanto dos espaços que me acolhem.
Detesto quando usam a liberdade para ofender, gratuitamente os outros. Não gosto quando usam a liberdade para destruir algo que é Nosso. Não consigo compreender quando as pessoas decidem usar da sua liberdade sabendo que vão colocar outros em risco. 

Talvez não sejamos livres de forma plena. Esta plenitude está condicionada pelas regras da sociedade, da convivência... Contudo, eu acho-as importantes. Da mesma forma que as rotinas e as regras estruturam a personalidade das crianças, algumas das nossas regras sociais permitem "balizar" o nosso comportamento e a usar a nossa liberdade de forma saudável e protetora para todos. 

Acima de tudo, espero que nunca se percam as conquistas de abril (sabendo que, há 43 anos atrás nem tudo foi perfeito e idílico). Espero que, cada um de nós, saiba valorizar cada pedacinho de liberdade que nos foi oferecida. E que, para sempre, possamos gozar desta liberdade, sem prejudicar ninguém.

25 de Abril, ontem, hoje e para sempre

terça-feira, 21 de março de 2017

Dia Mundial da Poesia

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Hoje é o dia Mundial da Poesia. 
Não sei qual é a vossa relação com este género literário, mas eu gosto bastante de ler poesia. Infelizmente já há muito tempo que não pego num livro deste género, mas é algo que quero mudar ao longo deste ano.

Para assinalar este dia, deixo-vos uma "espécie" de poema que eu escrevi.

Há molduras vazias
Espalhadas pela casa
Que guardam a vã esperança
De serem preenchidas
De momentos... De sonhos realizados

No interior de ti
Essa esperança vai morrendo
O silêncio e o vazio das molduras 
Fazem eco na tua cabeça
E tudo fica escuro dentro de ti

Mas tu queres ocupar essas molduras
Queres, que dentro de ti, 
A luz se acenda e brilhe da forma mais intensa
Queres que o silêncio
Seja, apenas, o doce murmúrio dos bons sentimentos

Então caminhas,
Rápido, devagar... rápido, devagar...
Porque no fundo de ti
Apesar do negro que pinta os teus pensamentos
O teu coração jamais deixou
Que a pequena chama do sonho e da esperança
Se apagasse
(Março de 2017)

Não nenhuma obra prima... É apenas uma forma de eu brincar com as palavras e uma forma de lidar com os muitos sentimentos, angustias, revoltas e sonhos que fazem eco dentro de mim.
Ansiosa pela vossa opinião. 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

A entrevistada sou eu!

No passado dia 10 de fevereiro lancei um desafio aos meus leitores: deixarem-me perguntas para que responder.
A minha ideia era apenas dinamizar o espaço e dar-vos a oportunidade de conhecerem um pouco de mim. 

Infelizmente não teve o impacto que eu esperava, porém estou muito contente com as duas perguntas que me deixaram. 

Quem me deixou as questões foi a minha parceira dos empréstimos, Denise, do blog Quando se abre um livro. 

Ficam aqui as perguntas e as minhas respetivas respostas. 

Qual a atitude mais bondosa que já alguém teve para contigo?
Não é assim muito difícil de responder a esta questão. Apesar de algumas exceções, sinto que quando oferecemos comportamentos generosos, o universo coloca no nosso caminho pessoas especiais que nos oferecem atos de amor e amizade que nos ficam para sempre gravados. 

Não consigo colocar apenas um, porque foram duas situações diferentes, em alturas diferentes e foram demasiado marcantes para eu lhes dar um valor diferente.

1. No meu último ano, enquanto estudante universitária, passei por alguns momentos de muito stress e trabalho. No final do ano letivo tinha uma tese e um relatório de estágio para entregar. Foram muitas horas fechada, em frente ao computador a escrever. O tempo era escasso e ou escrevia ou vinha cozinhar. 
Eu sempre cozinhei para mim e, às vezes, para algumas amigas com quem partilhei casa. A J. não tinham muitos dotes culinários e aprendeu muitas das coisas connosco, lá em casa. Ela veio viver connosco no meu último ano, porém criei uma boa ligação com ela. É como uma irmã para mim. Apesar de ter sido naquele ano em que mais aprender sobre cozinha, onde muitas vezes cozinhei para ela, esta minha amiga, nos meus dias de aperto cozinhou para mim, Podiam ser apenas uns douradinhos (foi ela que me fez gostar de douradinhos) no forno com arroz branco, mas naquela altura era um prato divino. 
Uma outra amiga que ganhei nesta casa também, muitas vezes, me ofereceu sopa quando eu vinha almoçar a correr a casa, ou chegava ao domingo à noite a Coimbra sem levar jantar. 
Pode parecer insignificante aos olhos de muita gente, mas para mim eram gestos muito importantes. Eu não pedia, elas simplesmente me ofereciam. 

2. Este foi bem mais recente. Foi durante o verão do ano passado, em julho. Estava a terminar uma tarefa muito importante na altura. Tinha prazos muito apertados. O calor era imenso, a minha avó tinha falecido uns dias antes e eu estava com a ansiedade e stress em picos muito elevados. Precisava de um documento (que dependia de terceiros) e faltavam cerca de 5 horas para fechar o formulário. Uma amiga ligou-me nesse dia como se tivesse intuído qualquer coisa. Ficou comigo ao telefone a tentar acalmar-me a distrair-me e fazer-me focar no essencial. Só desligou quando eu tive de terminar a tarefa e quando já tinha os documentos todos. 
Sei que, no fim, me deitei diretamente no chão e tremia de tanto stress, Passado uns minutos ela voltou a ligar-me para saber como eu estava e esteve mais um tempo comigo ao telefone a tentar que eu relaxasse e descanse as ideias.

Se pudesses mudar uma só coisa em ti - seja físico ou algum aspeto da personalidade - o que mudarias? 
Fisicamente, gostava de ter uma pele facial 100% suave e sem marcas. Tenho algumas marcas de borbulhas e de varicela. Eu tive varicela já em adolescente e a coisa não foi bonita, acabou por deixar marcas.

Muito obrigada pelas perguntas, Denise. Espero que as respostas te tenham satisfeito a curiosidade.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O que querem saber de mim?

Já há algum tempo que andava com esta ideia (meio maluca talvez) de abrir o espaço a vocês. 
O blog é um espaço de partilha. É um espaço ao qual nos afeiçoamos e nos afeiçoamos a quem nos visita (e quem visitamos também). Por isso, achei que fazia algum sentido passar a palavra a quem está desse lado e abrir o espaço a questões.

Normalmente, estou mais habitada a fazer questões do que a responder a elas, mas também sinto muita curiosidade sobre o que me poderão perguntar.

Assim, vou abrir aqui o espaço às vossas questões (podem fazê-lo através do formulário) até dia 17 de fevereiro. 
Estão à vontade para fazer uma ou mais questões, é com vocês. Dia 19 de fevereiro saem as respostas.

Vamos lá dinamizar um bocadinho aqui o espaço.