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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Escrava [Opinião]



Autor: Mende Nazer e Damien Lewis
Ano: 2005
Editora: Dom Quixote
Número de Páginas: 350 páginas
Classificação: 3 Estrelas

Sinopse
As memórias de Mende Nazer, uma nubiana feita escrava.
A história desta corajosa e decidida mulher não é contudo uma história passada e remota. Tudo aconteceu em 1994 quando um grupo de mujahiddin atacou a sua aldeia. Os adultos foram mortos, as crianças levadas como escravas. 
Durante sete anos ela serviu numa casa tendo depois sido passada a familiares que viviam em Londres. Na capital europeia conheceu outros sudaneses e com a ajuda do jornalista Damien Lewis conseguiu fugir. Este é o seu relato de denúncia. O seu grito por justiça e liberdade.

Opinião
Esta foi uma das histórias verídicas lidas até ao momento que mais me impressionou. Sofri com a Mende ao longo das páginas que iam trazendo cada uma das cenas de violência a que estava sujeita. É indescritível e inimaginável aquilo que se vai sentido ao longo da leitura. Como é que é possível fecharem os olhos à Escravatura? Como é que é possível que os próprios governantes a consintam?  Estas foram questões que surgiram ao longo da leitura, principalmente no momento em que, no livro, é a presentada a posição de diferentes figuras do governo do Sudão perante a escravatura.

Mende foi corajosa e a pressão psicológica a que foi sujeita não é passível de ser descrita em palavras. Foi demasiado intensa para que possa ser descrita por uma simples palavras. Violência física (do mais brutal que possam imaginar) aliada à constante violência psicológica tornaram negras a adolescência e o início da idade idade adulta desta rapariga. Tornaram a felicidade da infância na bóia de salvação, uma vez que Mende evocava mentalmente as coisas felizes que viveu na infância e o amor incondicional da sua família para superar a infelicidade que cada dia como escrava lhe trazia.

Fiquei muito emocionada com a sua conquista pela liberdade e com as suas pequenas vitórias. Foi um processo de adaptação difícil conjugado com problemas de ordem política que tornaram a luta de Mende uma luta de todos.

Este livro faz-nos pensar um pouco na nossa própria liberdade. Damos tudo como adquirido que não somos capazes de imaginar o que seria de nós se fossemos "propriedade" de alguém, se, por qualquer motivo, fossemos impedidos de fazer aquilo que quiséssemos. É certo que vivemos uma liberdade condicionada pelas regras do nosso próprio país, mas mesmo assim sentimos-nos livres. Sentimos que podemos fazer tudo aquilo que nos apetece. 

Desde que este livro foi escrito já se passaram dez anos. Espero que a Mende tenha realizado alguns dos seus sonhos e que tenha conseguido conquistar o seu lugar no Mundo. Espero que ela ame cada minuto da sua vida, independentemente do sítio onde viva. E que continue a sonhar.

Boas leituras e deixem-se invadir pelas palavras.