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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Opinião | "E tudo o vento levou" volume 2 de Margarett Mitchell

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Classificação: 5 Estrelas

Depois de terminar o primeiro volume de E tudo o vento levou fiquei com imensa vontade de ler o segundo volume. Estava curiosa para saber como avançava a saga de Scarlett O' Hara. Agora que cheguei ao fim do segundo volume posso afirmar com toda a certeza que está história é daquelas que nos fica na memória e que se entranha em casa neurónio que possuímos.

Tal como o anterior é um muito bem escrito e com um enredo que me deixava em suspenso com a ansiedade de saber como é que as coisas se iam resolver. Em comparação com o volume anterior, este consegue oferecer-nos uma leitura mais fluída. Assim, o meu ritmo de leitura foi mais rápido. É importante dar espaço para que as coisas se vão arrumando na nossa mente. Considero que, apesar de este não nos oferecer um ritmo tão lento de leitura não é para nos atiramos a ele de forma compulsiva. É um livro para se ir lendo, porque é minucioso (mas nada aborrecido) e precisamos de absorver tudo.

Neste livro conseguimos formar uma opinião mais concisa acerca das personagens.
Adorei a Melanie e fiquei a odiar o Ashley. Melanie é doce, responsável uma pessoa muito querida e de bom coração. Ashley é um homem sem atitude e com um personalidade pouco apelativa. Já desde o volume anterior que não percebia muito bem como é que o espírito indomável da Scarlett se encantou pelo Ashley. É motivo para dizer que o coração tem razões que a própria razão desconhece.
Rhett é um homem extremamente interessante e peculiar. Um coração duro e mole ao mesmo tempo. Mas, a melhor palavra para o caracterizar é orgulhoso. Sim, devido ao seu orgulho juntamente com o orgulho explosivo de Scarlett contribuiu para todo um conjunto de situações que foi condicionando tudo que acontecia com os dois. Tudo isto me deixou um pouco frustrada. Scarlett merecia ter tomado consciência das coisas bem mais cedo.

O final deixou-me muito frustrada. Houve uma situação em particular que me apanhou totalmente de surpresa. Tive de parar a leitura para absorver o que se tinha ali passado, porque foi completamente inesperado.
Vale a pena cada minuto que perdemos na leitura do livro. É uma obra memorável e que merece ser relida ao longo da nossa vida uma vez que acho que a cada leitura iremos descobrir coisas que diferentes comparativamente à leitura anterior. 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Opinião | "E tudo o vento levou" de Margaret Mitchell (Volume 1)

E Tudo o Vento Levou, Vol. 1
Classificação: 5 estrelas

Depois de um mês (menos um dia) a acompanhar os acontecimentos que se desenrolaram nestas páginas, sinto alguma dificuldade em colocar por palavras aquilo que senti com a leitura e palavras que façam justiça à grandeza desta obra. 

Neste livro tudo nos é apresentado ao pormenor. A autora consegue detalhar com grande precisão tudo o que se vivia na época histórica que serve de pano de fundo ao desenrolar da ação narrativa. Em certos momentos, ficava exausta com a leitura e com tantas descrições, mas sei que a autora procurou caracterizar o melhor possível tudo o que rodeava aquelas personagens para que pudéssemos interpretar e compreender o seu comportamento.

Assim, no contexto histórico da Guerra Civil Americana, Margaret Mitchell traz-nos uma narrativa que espelha, sem filtros, os contornos da sociedade Americana, a vida dos escravos, as divergências políticas  ao mesmo tempos que a preenche de personagens cheios de particularidades que as tonam inesqueciveis para os leitores.

Ao ler o livro, senti que autora queria dar-nos a conhecer a realidade nua e crua daqueles tempos. Não se preocupou em construir e embelezar personagens para que elas se mostrem melhores aos olhos dos leitores. No fundo, procurou oferecer-nos personagens reais, com diferentes particularidades e personalidades para que se tornassem vivas para nós.
Não simpatizei nada com a Scarlett (porque tenho muita dificuldade em lidar com pessoas egoístas), mas considero-a como uma das personagens mais bem conseguidas, tal como Rhett Butler.

Scarlett é uma menina/mulher egoísta, senhora do seu nariz e com um amor desmedido por um homem que nada tem que ver com ela. Mas como é orgulhosa, faz trinta por uma linha para ficar mais próxima dele. Acho um bocado doentio este amor. Porém, mais para o fim do livro, penso que estejamos mais na presença de uma mulher ferida e orgulhosa que não aceita uma recusa. Esse orgulho não lhe permite ver e abraçar outras situações.
Nem sempre gostei da forma como ela se relacionava com Melanie. São o oposto uma da outra. Por vezes, gostava de ver mais atitude e assertividade por parte de Melanie, mas a personalidade dela foi construída com base na ingenuidade e bondade o que faz com que ela seja um bocado cega perante as "farpas" egoístas de Scarlett.  
Apesar de tudo, acho que a autora construiu tudo em volta delas de forma a que elas se possam complementar em alguns aspetos. E este cuidado da autora faz com que a forma como elas vão crescendo e evoluindo ao longo da narrativa se torne interessante.

E enquanto a sociedade vive tempos de Guerra e ora pelos seus militares, Rhett é suficientemente inteligente para saber lucrar com esta situação, ao mesmo tempo que o seu olhar sagaz sabe analisar a verdadeira essência desta Guerra. Para além disso é o único que conhece a verdadeira personalidade de Scarlett e vai "brincando" com isso ao longo do livro. Ao contrário de Scarlett, gostei de Rhett. Penso que a inteligência e a sinceridade dele me conquistaram. Ele define-se como um homem egoísta, mas eu não o consegui ver como tal. Na minha opinião, penso que é egoísta no que toca aos negócios, mas trata sempre as pessoas de forma delicada e atenciosa (pode estar a ser falso, mas não me pareceu). Aquilo que me irritou nele, é que ele devia ter sido mais direto com a Scarlett e fazer com que aquela cabeça mudasse um bocadinho. Espero que o segundo volume me traga isso.

É uma obra tão vasta e cheia de contornos, que é muito difícil conseguir colocar em palavras tamanha densidade. Acho que é preciso ler para se compreender a magnificência deste livro. O tamanho assusta, a densidade da história condiciona o ritmo de leitura, porém não deixa de ser um prazer conhecer cada recanto de Tara, cada drama exagerado de Scarlett, cada comentário certeiro de Rhett e chegar a um final que nos surpreende. Sim, a atitude de Melanie e de Scarlett na fase final do livro foi uma surpresa enorme e que me deixou muito curiosa para ler o segundo volume desta saga.