Mostrar mensagens com a etiqueta Lesley Pearse. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lesley Pearse. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Opinião | "Em Nome do Amor" de Lesley Pearse

Em Nome do Amor

Classificação: 4 Estrelas

Li o primeiro livro de Lesley Pearse há mais de dez anos. Foi um presente de Natal e depois da leitura tornou-se num livro precisou. Fiquei fã da história e da escrita da escritora. Desde aí já foram vários os livros que li dela e grande maior parte deles ficaram-me na memória e no coração. Pensar em Lesley remete-me para histórias memoráveis, onde acompanhamos a vida de uma personagem de forma intensa e pormenorizada e onde o drama é usado de uma forma irrepreensível. Para mim, são poucas as escritoras que escrevem histórias dramáticas como a Lesley escreve.

Dada a minha obsessão com os livros da Lesley fiquei imensamente feliz quando recebi este livro cá em casa.

A história tem como espaço temporal os anos sessenta e retrata o contexto social e o lugar que as mulheres ocupavam na sociedade da época. 
A nossa protagonista é uma jovem mulher, Katy,  cheia de garra e que luta por aquilo que quer e defende com garra e perseverança aquilo em que acredita. 
Para além de Katy há duas outras personagens femininas com um papel muito importante na história. Gloria e Edna são duas personagens secundárias que mereciam um livro só delas. Mereciam que as suas histórias de vida fossem contadas. 


Katy sonhava com mais para a sua vida, mas quando o destino trocou-lhe as voltas e vê-se abraços com um problema para resolver. O pai é acusado de ser o responsável pelo incêndio na casa da Glória. Confiante na inocência do pai, acaba por se meter num grande sarilho. 
Hilda, a mãe de Katy, é outra personagem feminina muito intrigante. Tem uma personalidade muito peculiar e que não mostra muita empatia por ninguém. 

Este é um livro de personagens cheias de contrastes e recantos obscuros. Pessoalmente, o que mais gostei foi conhecer esses recantos desconhecidos e cheios de histórias ocultas. Foram esses recantos que me fizeram conhecer um bocadinho melhor as personagens e me trouxeram lembranças daquilo que é o estilo da Lesley.

Este livro careceu de profundidade. Faltou-lhe aquele toque de detalhe muito característico na forma de contar histórias desta escritora. Há partes muito apressadas, comparativamente a outros livros. Há determinadas cenas e personagens que mereciam mais protagonismo.

O epílogo ofereceu-me um vislumbre daquilo que foi o futuro de Katy. Porém eu não queria apenas o vislumbre, eu queria o pacote de experiências completo. 
Apesar de ser um dos livros mais sintéticos da autora, mantém a mesma qualidade comparativamente a outros livros que já li da escritora, mantém a intensidade de emoções e a capacidade de nos contar uma história que ficará na minha memória.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Opinião | "És o meu destino" de Lesley Pearse (Belle #3)

És o Meu Destino (Belle #3)
Classificação: 5 Estrelas

Nota: Esta opinião contém spoilers relativamente aos livros anteriores da série. 

Os livros têm aquele poder especial de nos proporcionar sensações diversas. Há livros que nos despertam sorrisos, outros que nos levam às lágrimas, outros que nos deixam zangados, outros que são uma grande fonte de indiferença... E depois há os livros da Lesley Pearse que me oferecem todas estas sensações num único livro. 

Sou uma fã incondicional da autora. Vibro com as histórias dela, choro, sofro pelas personagens e amo-as como se fossem pessoas reais que me enchem o coração de sentimentos muito positivos. Andava desejosa por terminar a série Belle. Desde o primeiro livro que me apaixonei pelo misterioso Étienne e pela corajosa Belle. Queria saber como é que funcionavam eles enquanto casal. E não me desiludi!! Senti o amor entre eles em cada página em que eles apareciam e ainda me apaixonei mais por este homem de um olhar que pode ser frio e caloroso ao mesmo tempo. 

Mas a personagem central deste livro é Mariette, filha de Étienne e Belle. Nas primeiras páginas do livro, estava muito irritada com esta jovem. Era de uma rebeldia aterradora e que deixava os pais muito preocupados. Porém à medida que o livro foi avançando e estas personagens foram engolidas pela Segunda Guerra Mundial, assisti a um crescimento ímpar desta jovem. Ela passa por grandes desafios. Foram tão intenso e tão bem escritos que não consegui evitar as lágrimas. 

Quem se atreve a "mergulhar" nestes livros sabe que vai encontrar drama, muito drama. Sei que, muitas vezes, os livros desta autora são criticados por isso mesmo. Eu não sinto que as situações dramáticas são exageradas ou descontextualizadas. Consigo ver tanto realismo, tanto sentimento, tanta empatia na forma como a Lesley escreve, que o drama surge de forma natural e apelativo ao leitor. 

Senti-me em casa ao rever personagens antigas. Foi uma leitura que me encheu o coração e que cria em mim um comportamento antagónico. Se por um lado quero ler de forma desenfreada para conhecer o mais rapidamente possível a história e o desenrolar dos acontecimentos, por outro não quero que o livro acabe e me deixe a ressacar por mais e mais. 

Tenho plena consciência que este género de livros não agradará a toda a gente. Há particularidades que podem afastar os leitores sem paciência para os dramas ou para o romance. 
Este é um livro sensível, com muitos acontecimentos traumáticos, mas que possui também aventuras, romance e situações engraçadas. 

É uma série que, daqui a alguns anos quero reler e espero sentir as mesmas emoções que senti agora. 
Mesmo que tenham o pé atrás relativamente a livros com estas características, experimentam pelo menos um da autora. Ela tem uma escrita muito boa e fluída e pode ser que se deixem conquistar por ela e pelas personagens femininas cheias de força e de garra. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Opinião | "A promessa" de Lesley Pearse (Belle #2)

A Promessa (Belle #2)
Classificação: 5 Estrelas

Pegar num livro de Lesley Pearse para ler é como voltar a um lugar onde fomos felizes. Apesar de tantas agruras pelas quais as personagens de Lesley passam, sinto-me tão feliz a ler livros dela. As suas histórias enchem-me o coração de esperança e, no fim, deixam aquela sensação de vazio tão grande que só me apetece voltar ao início do livro.

A promessa é a continuação da história apaixonante de Belle do livro Sonhos proibidos. Adorei reencontrar todas as personagens, assim como conhecer outras tantas que deram uma tonalidade especial ao livro e a tudo o que foi acontecendo.
Com base numa escrita simples, fluída e cativante, Lesley Pearse leva-nos por locais e experiências tão diversas através de Belle, da Mog, do Jimmy e do Ettiene.
Toda a narrativa foi construída de forma muito inteligente recorrendo ao cenário histórico da Primeira Guerra Mundial.
Na minha opinião a autora soube explorar muito bem os acontecimentos da guerra e as consequência em termos de saúde mental que um acontecimento desta intensidade pode ter nas pessoas.

Consigo compreender Belle em todos os momentos do livro, mas nem sempre concordo com as suas opções. A essência dela ficou muito marcada por tudo aquilo que lhe aconteceu. Tornou-se num espírito livre, aventureiro e que, muitas vezes se sente como um pássaro selvagem colocado numa gaiola. Por tudo isto, percebo que ela precisava de caminhar pela vida com outro ser que fosse constituído pela mesma essência. 

Penso que Jimmy e Ettiene foram as personagens que sofreram mais transformações quer do livro anterior para este, quer ao longo deste mesmo livro. E foi neste livro que o lado bom de Ettiene se elevou para além do seu lado mau e sombrio. Continuo a achá-lo interessante e de quem gostaria de ter visto mais no livro. Porém, tendo em conta tudo o que foi acontecendo, faz sentido tudo aquilo que a autora nos ofereceu dele.

Uma personagem que apareceu neste livro foi Miranda. Uma amiga verdadeira que Belle conquistou para a sua vida. Escrevo sobre ela pois foi a personagem que me fez chorar em diferentes momentos do livro. 
A sua essência não era tão livre como a de Belle, mas guardava dentro dela um coração especial com vontade aventura. Uma mulher com garra que apenas queria descobrir o amor e ser feliz. Foi uma personagem muito intensa e que me ficará guardada no coração por todas as atitudes, comportamentos e relações que construiu. Eu gostaria de ser amiga da Miranda. 

Como já vem sendo hábito, adorei ler Lesley Pearse. É, sem dúvida, uma das minhas autoras favoritas. Os livros dela deixam-se sempre muito saudosista. Vivo tão intensamente a vida das suas personagens, que no fim tenho alguma dificuldade em separar-me delas. 
Estou muito, muito ansiosa por ler a continuação. Espero fazê-lo em breve. 

domingo, 3 de agosto de 2014

[Opinião] Nunca Digas Adeus


Nunca Digas Adeus

Autor: Lesley Pearse
Ano: 2012
Editora: ASA
Número de páginas: 432 páginas
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse
Num chuvoso dia de outono, Susan Wright entrou numa clínica, matou duas pessoas a sangue-frio e aguardou que a polícia chegasse. Terá sido um ato de loucura? Uma vingança planeada? Susan não parece interessada em defender-se e recusa falar. O seu silêncio estende-se a Beth Powell, a advogada a quem é atribuído o caso. Beth é uma mulher de sucesso com uma carreira brilhante mas nada a preparara para o momento em que identifica a autora daquele crime tão bárbaro. Quando eram crianças, Beth e Susan juraram ser amigas para sempre. Vinte e nove anos depois, mal se reconhecem. Mas as memórias dos verões felizes das suas infâncias são suficientemente poderosas para as unir de novo. Enquanto as provas contra Susan se acumulam, elas partilham recordações e revelam os segredos que ditaram o rumo das suas vidas. 
A amizade entre as duas mulheres torna-se cada vez mais forte mas sobre uma delas pende a implacável mão do destino…

Opinião
Lesley Pearse é uma das minhas escritoras preferidas. É daquelas autoras que até agora nunca me desiludiu. Posso gostar um bocadinho mais de um livro ou um bocadinho menos de outro, porém, no geral, é sempre bom ler os livros dela. 

Nunca digas adeus é um livro com temas densos e que nos deixa a pensar até onde pode ir um ser humano dócil e gentil. Até onde vão os limites das pessoas. É um dos pontos fortes deste livro ver o desabrochar das personagens em direcções completamente opostas. Beth é uma advogada implacável, fria e dura consigo própria que descobre o calor interior das relações do amor e da amizade. 
Susan sempre procurou o amor dos outros, a aprovação sendo por isso gentil, amorosa, cuidadosa e submissa. Porém o seu interior começou a ser minado e a sua estrutura psicológica foi-se deteriorando. Ambas as personagens são muito bem construídas e tudo que faz parte de cada uma das histórias está bem delineado.

Não consegui ser totalmente surpreendida pela autora. Desde o meio do livro que fui desconfiando do que aconteceu. Eu comecei por desconfiar o que aconteceu com Liam muito cedo no livro e quando a polícia colocou a hipótese do que aconteceu com Reuben e Zöe (antes de pensarem no Liam) aí tive a certeza de que as minhas desconfianças estavam certas.

Steve foi das personagens que mais me surpreendeu. Inicialmente fiquei com a ideia de que ele era um mulherengo e mau profissional. Porém foi algo muito diferente das minhas ideias iniciais e acabei por gostar muito de Steve!

Roy foi decisivo para Beth e consegui ser surpreendida na forma como estes dois "acertaram as agulhas".

Mais um bonito livro de Lesley Pearse que nos proporciona bons momentos de leitura.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sonhos Proibidos - Opinião




Sonhos Proibidos

Autor: Lesley Pearse
Ano: 2012
Editora: Asa
Número de Páginas: 617
Classificação: 5 Estrelas
Desafio: Reading Romances

Sinopse
Londres, 1910
Belle tem quinze anos e uma vida protegida. Graças aos cuidados da ama, ela nunca se apercebeu de que a casa onde vivia era um bordel, regido com mão de ferro pela sua mãe.
Porém, a verdade encontra sempre maneira de se revelar... Para Belle, será no trágico dia em que assiste ao assassinato de uma das raparigas da casa. Ingénua e indefesa, ela fica à mercê do criminoso, que a rapta e leva para Paris, onde se inicia como cortesã. Afastada do único lar que conheceu, a jovem refugia-se nas memórias de infância e acalenta o sonho de voltar nos braços do seu primeiro amor, Jimmy.
Mas Belle já não é senhora do seu destino. Prisioneira da sua própria beleza, é alvo do desejo dos homens e da inveja das mulheres. Longe vão os anos de inocência e, quando é levada para a exótica e decadente cidade de Nova Orleães, ela acaba por apreciar o estilo de vida que o Novo Mundo tem para lhe oferecer. Mas o luxo e a voluptuosidade que a rodeiam não mitigam as saudades que sente de casa, e Belle está decidida a tomar as rédeas da sua vida. Um sonho que pode ser-lhe fatal pois há quem esteja disposto a tudo para não a perder. No seu caminho, como barreiras fatais, erguem-se um continente selvagem e um oceano impiedoso.
Conseguirá o poder da memória dar-lhe forças para sobreviver a uma viagem impossível?

Opinião
Eu continuo rendida a Lesley Pearse. Para mim é extremamente difícil escolher aquele que mais gostei.

Este livro traz-nos a história de Belle. Uma jovem inglesa que vive num bordel gerido pela sua mãe. Ela tem consciência do sítio onde vive só revela uma enorme inocência sobre aquilo que lá se faz (este aspecto não aparece claro na sinopse do livro que alega que Belle não sabia que a casa onde vivia era um bordel). Infelizmente, um trágico acontecimento leva Belle por um caminho que ele nunca havia imaginado para a vida dela. Preparem-se para uma narrativa repleta de acontecimentos dramáticos, lutas, conquistas, vitórias... Ou seja, tudo muito ao estilo do que Lesley Pearse já nos habitou. Compreendo que muitas pessoas não apreciem o excesso de carga dramática que acompanhas as histórias desta autora, mas penso (e quero acreditar) aquilo que ela pretende é passar a mensagem de que por mais adversidades que a vida nos possa apresentar nós seremos capaz de dar a volta por cima. Se as personagens que passam, por vezes, por coisas inimagináveis conseguem encontrar o lado positivo e reencontrar um caminho mais luminoso, porque é que nós devemos desistir à primeira dificuldade?

Belle é vítima das redes de tráfico de seres humanos que, em pleno século XXI, continuam a atormentar a vida de muitas pessoas em muitos países. A temática está bastante bem explorada e os acontecimentos que vão sendo narrados oferecem-nos imagens mentaís bastante vívidas que nos atormentam o espírito, que nos emocionam, que nos fazem sentir uma enorme empatia pela Belle. 

Ao longo do ser percurso, Belle cruza-se com outras personagens que conferem um bom dinamismo ao livro. Gostei muito da reflexão final de Belle em relação às pessoas com quem se foi cruzando. Aquilo que eu posso realçar da sua reflexão é que as pessoas são complexas e que não existem pessoas totalmente boas. Todos nós somos um misto de experiências que moldam o nosso carácter. 

De todas as personagens secundárias, Ettiene foi o que mais me tocou!! É um homem com um lado sombrio que esconde a enorme bondade que habita no coração dele. Foi em alguns momentos em que ele esteve presente que me emocionei. Já há algum tempo que não chorava com um o livro, mas o Monsieur Ettiene levou-me às lágrimas.

É um livro que me deixa saudades e com uma enorme sensação de vazio. 

Um aspecto que não percebi foi: Qual a relação desta capa com o livro? Penso que a capa não se enquadra com a história do livro. Belle tinha cabelos negros e não ruivos! Acho que faria mais sentido a imagem de uma jovem com cabelos negros.
Bella

Esta é uma capa de uma edição internacional e que eu, pessoalmente, gosto mais.

Deixem-se invadir pelas palavras e boas leituras!
Silvana

quarta-feira, 28 de março de 2012

Procuro-te


Autor: Lesley Pearse
Ano: 2002
Editora: Asa
Número de Páginas: 400
Classificação: 5/6

Sinopse
Daisy tem apenas vinte e cinco anos quando a mãe morre nos seus braços. Embora saiba há muito que foi adoptada, sempre se sentiu amada pelos pais e pelos irmãos. Para Daisy, aquela é a sua família. Todavia, o luto vai abalar o equilíbrio doméstico e revelar rivalidades encobertas. A serenidade dá lugar à devastação, e a jovem sente que é a altura certa para partir em busca das suas raizes e confrontar-se com o passado.
Na ânsia de saber mais sobre Ellen, a sua mãe biológica e à medida que vai desvendando a história da família. Daisy descobre as duras verdades por detrás do seu nascimento. Dotada de uma inabalável determinação, Ellen sobrevivera a uma infância traumática: a morte da sua própria mãe estava envolta numa aura de mistério e os maus-tratos de que fora vítima às mãos da madrasta haviam-na marcado irremediavelmente. O destino quis que a sua coragem fosse constantemente posta à prova. O tempo encarregou-se de apagar o rumo dos seus passos. Mas Daisy não desistirá de a encontrar, nem que para tal tenha de renunciar ao amor da sua vida.

Opinião
Este livro teve o dom de me deixar a pensar nela durante alguns dias. É uma estória intensa, cheia de contornos que são extremamente actuais, embora sejam narrados num tempo anterior a este.

Em primeiro lugar gostaria de salientar um aspecto negativo deste livro: a segunda parte do título. A segunda parte do título remete-nos para a vida de Daisy que foi dada para a adopção com poucas horas de vida, mas, segundo o meu ponto de vista, não ocupa a posição central deste livro. Acho que a mãe biológica de Daisy, Ellen, e a tia Josie (meia irmã de Ellen) assumem um papel com maior relevância.

Ellen e Josie eram meias irmãs e viviam numa casa com más condições. A mãe de Ellen suicidou-se quando esta era criança (cerca de dois anos) e o pai, apanhado pela fragilidade, envolve-se com uma mulher gananciosa que engravida e, dessa gravidez, nasce Josie. Ellen sempre foi muito discriminada por parte da madrasta, era inteligente, gostava da quinta e de trabalhar nela e o pai adorava-a, aspecto que muito enfurecia a madrasta de Ellen. Quando adolescente envolve-se com um artista de circo e engravida. Esconde esta gravidez da família indo trabalhar para outra cidade. Contudo vê-se obrigada a dar a filha para a adopção. Josie, aos 15 anos foge de casa para se tornar modelo.

Josie e Ellen sempre foram muito unidas, mas as suas personalidades e os seus objectivos eram diferentes. Josie procurou fama e dinheiro e acabou por entrar no beco da droga e da prostituição. Afundou-se num mundo cheio de contornos escuros, que arruinaram a dignidade e a ingenuidade que ela tinha. Atrás de si, arrastou a família que, sem querer, viu a sua pobreza exposta nos jornais.  Destrui-se física e psicologicamente, este período da sua vida contribui para delinear a sede de vingança e ressentimento em relação à sua família. A família passou a ignorá-la, excepto a irmã que durante muito tempo a acolheu, safando-as dos mais diversos problemas. Mas até esta boa relação com a irmã a Josie conseguiu destruir.

O livro acaba de uma forma surpreendente! Daisy acaba por procurar a sua mãe biológica e desvenda um mistério que ficou enterrado durante muitos anos. É um livro em que todas as personagem procuravam alguma coisa. Daisy procurava ordenar a sua vida e encontrar algo que gostasse de fazer; Josie procurava dinheiro e uma vida descansada longe dos homens (a quem ganhou aversão); Ellen procurava a felicidade na sua forma mais pura, ou seja, um trabalho digno em que lhe oferecesse rendimentos que lhe possibilitassem viver; o pai de Ellen e Josie procurava a paz de espírito, paz que perdeu após a morte da sua primeira esposa (apenas Ellen representa um pouco de paz na sua vida); e, por fim, a mãe de Josie que procurava conforto, boa vida e dinheiro (valores que passou para a filha e que contribuíram para a soma de desgraças que Josie viveu).

Confesso que a vida de Josie me deixou a reflectir. Tem descrições que nos provocam imagens muito vividas do horror por que ela passou, as coisas com que ela teve de lidar enquanto modelo. A leitura destes acontecimentos fez-me pensar sobre aquilo que as pessoas são capazes de fazer por um pouco de fama. São meios complexos onde, segundo o meu ponto de vista, as pessoas que neles entram necessitam de uma boa dose de responsabilidade e maturidade para saber transformar as oportunidades em boas oportunidades e conseguir detectar as pessoas certas e as erradas que vão circulando pelo mundo da moda.

É certo que estes acontecimentos contribuíram para que Josie se tornasse numa pessoa diferente da criança ingénua que tinha crescido na quinta. E embora não existam razões lógicas que justifiquem aquilo que ela fez no final, todas estas vivências fornecem-nos uma dimensão que enquadra o seu comportamento. No fundo, Josie só conheceu a felicidade enquanto era criança e vivia na quinta. Por outro lado, Ellen, embora carregasse a tristeza por ter dado a filha para adopção, procurou sempre a felicidade nas mais pequenas coisas e, com esta atitude acabou por conquistar a sua madrasta.

É um livro que vale a pena ser lido.

Boas leituras:)