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domingo, 6 de setembro de 2015

Opinião | As cinquenta sombras livre (Fifty Shades #3)


As Cinquenta Sombras Livre

Autora: E. L. James
Ano: 2012
Número de páginas: 621 páginas
Classificação: 1 Estrelas
Sinopse: Aqui

Opinião
Não tenho muito a dizer sobre este terceiro livro da série. Para mim, o pior de todos eles. Mais uma vez a autora demonstra como uma má escrita pode arruinar uma história que poderia ter algum potencial.

Cinquenta sombras livre foi o livro mais pornográfico dos três, onde as cenas de sexo surgem ao virar de cada página. Para mim, muitas dessas cenas não têm qualquer valor erótico ou sensual, afigurando-se em alguns casos, um pouco nojentas. 

Mais uma vez assistimos a um vocabulário muito reduzido. Não evolui muitos nos diálogos nem nas descrições que fazem parte do livro. 
E. L. James conseguiu arruinar toda a complexidade e obscuridade da personalidade do Mr. Grey. 
Christian tinha potencial, caso fosse devidamente explorado, mas talvez a pouca inteligência de Anastasia o tenha influenciado negativamente,
Anastasia é exasperante! É das personagens mais ocas do mundo literário com quem eu já me cruzei. Todos os seus comportamentos e atitudes são de revirar os olhos. Mas pronto, acalenta o sonho de muitas mulheres e leva-o a peito: conseguir mudar os homens.

Uma coisa que me enerva bastante é quando Christian e Anastasia tentam conversar sobre qualquer outra coisa que não sexo. Porém, o único sítio onde essas conversas os levam é ao sexo. Não conseguem manter um assunto, nem esgotá-lo pois, antes disso, já Anastasia está algemada e prestes a obedecer ao seu senhor. Sim, porque mesmo quando ela procura assumir o controlo das coisas é ridículo porque nada nela transparece uma mulher forte, confiante e carismática. Ela é totalmente submissa ao desejo que sente pelo Mr. Grey. 

Acho que o final não poderia ter sido diferente daquele que nos foi apresentado, tendo em conta a previsibilidade da autora. Não houve surpresa nem entusiasmo. 

Agora iremos poder ler toda a história sobre a perspectiva de Grey. Até poderia ser interessante, mas ter elementos repetitivos e tendo em conta as falhas da autora o livro talvez fique arruinado. 

domingo, 30 de agosto de 2015

Opinião | As cinquenta sombras mais negras (Fifty Shades #2)


As Cinquenta Sombras Mais Negras (Fifty Shades, #2)

Autora: E. L. James
Ano: 2012
Número de páginas: 576 páginas
Classificação: 1 Estrelas
Sinopse: Aqui

Opinião
Sempre pensei que a qualidade dos livros de um escritor fossem melhorando à medida que o escritor fosse escrevendo. E. L. James veio mostrar-me o inverso.
Achei este livro pior do que o anterior por diversos motivos. Anastasia regrediu em termos de personalidade (nunca pensei que tal coisa fosse possível). Sempre que li sobre as atitudes dela via uma adolescente de 15 anos a quem foi dada uma novidade aliciante. Não é uma mulher inteligente, muito menos desafiante e misteriosa ou com capacidades para despertar o interesse nos outros. É tão oca e vazia que em mim apenas despertou indiferença. 

Pensei que a autoria iria criar mais suspense e mais história no início do livro, tendo em conta o final do livro anterior. Aquilo que eu esperava era um afastamento mais significativo e longo de Anastasia e Grey. Mas o afastamento ocupou meia dúzia de parágrafos chorosos e pouco convincentes. Os neurónios de Anastasia transformaram-se em células dependentes de actividade sexual proporcionada pelo seu "cinquenta sombras" e por isso não aguentou muitas horas consigo mesma. Ou seja, estamos perante uma personagem vazia, sem interesses abrangentes e que não consegue evoluir em termos cognitivos.

Este livro veio confirmar um sentimento que desenvolvi no livro anterior: a revolta perante o pouco talento da escritora. Mr. Grey é uma personagem com uma personalidade bastante complexa e que se bem desenvolvida e explorada poderia tornar o livro bem mais interessante. A autora é muito superficial na abordagem dos detalhes e das explicações para aquilo em que Grey se tornou. É rudimentar na construção de todas as dimensões que compões esta complexa personalidade. E é uma pena que estes aspectos não tenham sido desenvolvidos de forma profissional. É triste ver que a autora preferiu reduzir o livro à descrição de umas quantas cenas de sexo, com ou sem sadomasoquismo, e deixou esquecidas todas as outras componentes que poderiam dar muito mais ao livro.

É um livro muito fácil de ler. Não exige grandes reflexões ou divagações. Não se constitui como uma leitura intelectualmente estimulante, aspecto que muitos leitores procuram nos livros. É apenas um livro que nos permite esvaziar a mente dos problemas e preocupações diárias e que daqui a uns dias mal nos lembramos. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Opinião | As cinquenta sombras de Grey (Fifty Shades #1)


As Cinquenta Sombras de Grey (Fifty Shades, #1)

Autora: E. L. James
Ano: 2012
Número de páginas: 552 páginas
Classificação: 2 Estrelas
Sinopse: Aqui

Opinião
Este livro já me despertava a curiosidade há algum tempo, por toda a controvérsia criada em torno da séria. Há quem odeie, há quem goste e há quem ame. E como eu não sou de limitar as minhas leituras tendo em conta as opiniões de outras pessoas (e até mesmo pessoas em quem confio de olhos fechados) decidi arriscar e ver o que saía daqui. 

Não estamos perante  nenhuma obra prima da natureza, mas isso eu já desconfia que não ia encontrar. No fundo, parti para esta leitura pensando que me ia cruzar com um livro mau. Contudo, não o achei assim tão mau com aquilo que estava à espera,

Aquilo que me permite dizer que não é um livro assim tão mau, é o facto de que foi um livro que me entreteve (cumprindo, assim, um dos propósitos da leitura). Como estou a passar por um período intelectual um pouco exigente, preciso de leituras que me permitam esvaziar o cérebro, leituras que não exijam muito de mim, nem me levem a grandes reflexões. Este livro reúne as condições para responder às minhas necessidades, porque, de facto, não exige muito de nós. É uma leitura fácil, sem complexidades e que entretém durante tempo que estamos a ler.

Sem dúvida que em termos literário é um livro fraco. Possuiu um escrita de baixa qualidade, com más descrições e diálogos muito pobres. Há um recurso exagerado ao calão, o que torna a história entre Grey e Anastasia pouco apelativa ao mesmo tempo que anula qualquer tipo de romantismo que a autora tem intenção de transmitir. 
O curioso foi que estas coisas me fizeram rir e revirar os olhos. A grande responsável pelos meus momentos de riso e revirar de olhos foi Anastasia. A autora queria que o leitor olha-se para ela como uma mulher inteligente, madura, que numa certa dose consegue desafiar o Grey e sai como vencedora. Mas eu não consegui ver isso. Eu achei a rapariga pouco dotada em sinapses de qualidade e sem qualquer poder de desafio perante o senhor todo o poderoso Mr. Grey. É pouco dotada porque: 1) Nunca a vi ter uma conversa inteligente e profunda com ninguém; 2) Não consegue, verdadeiramente, enfrentar o Grey nem estabelece com ele um diálogo coerente e que os levasse a algum lado (parece que só falam em círculo, tudo começa e acaba em sexo, mesmo quando há uma tentativa de procurar falar sobre sentimentos ou sobre a personalidade de cada um); 3) é mentirosa, pois diz que não faz parte da personalidade dela ser submissa, porém rende-se quase por completo ao Grey e, por fim 4) é estúpida porque sabendo tudo o que sabe deste homem ainda lhe faz aquele pedido final e não usa a palavra de segurança. Foi bem feito para ela! Ela só teve o que pediu. 
Grey diz que Anastasia o desafia. que não é uma mulher submissa. Pergunto-me onde ele vê isso, porque basta um olhar dele ou um simples toque para que ela se derreta toda e siga todas as instruções que ele lhe dá.

Uma das críticas feitas ao livro é a quantidade de cenas de sexo. Partindo com esta ideia para a leitura pensei que me ia cruzar com mais do que aquelas com que verdadeiramente me cruzei. Sabendo que é um livro enquadrado no género erótico era de se esperar que elas surgissem. Comparando com outros livros do género, talvez sejam mais cenas. Contudo, se pegarmos em alguns livros de Madeleine Hunter (pelo menos daqueles que já li) também há cenas de sexo em quantidade razoável. Aliás nos livros que li desta autora a tensão sexual entre as personagens é sentida logo no início, mesmo que elas mal se conheçam.

Um dos aspectos que discuti com a Silvéria do blog The fond reader foi o facto de Grey justificar o seu comportamento presente pelos aspectos difíceis que viveu na sua infância até aos quatro anos. Agora que li, posso dizer que concordo com ela por diversos motivos: 1) há uma justificação e descrição muito pobres, logo não dá para perceber o que é que de tão marcante aconteceu; e, 2) as memórias de infância têm muitas especificidades, não posso afirmar com certeza, mas por aquilo que me recordo das aulas de "Psicologia da Memória", as nossas primeiras memórias remetem-nos para os 4/5 anos de idade e, muitas vezes, são memórias re-construídas, ou seja, quando não nos conseguimos lembrar de tudo vamos "tapando os buracos" com aquilo que pensamos que aconteceu. Por estas razões a estratégia utilizada pela autora não me convenceu.

Em relação à continuidade da série, como me ajudou a desanuviar, pretendo ler os livros seguintes. Também fiquei curiosa por saber até onde vai a estupidez da Anastasia.