Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Por detrás da tela | "Flores Raras" (2013)

Classificação: 8/10 Estrelas

Não era meu costume assistir a cinema Brasileiro. Porém, depois de assistir ao filme Olga passei a estar mais atenta e a dar oportunidade aos filmes de um país que produz telenovelas capazes de me deixar viciada às mesmas. 

Este filme surgiu de um livro, Flores Raras e Banalíssimas de Carmen L. Oliveira, e narra a história de amor entre a poetisa americana Elizabeth Bishop e a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares vivida ente os anos 50 e 60.  

É interessante olhar para este filme e analisar a forma como as relações homossexuais eram vividas numa época em que elas não eram socialmente aceites. Há ainda o contraste entre o Brasil e os EUA e a forma como as pessoas destes países se relacionavam com a homossexualidade. 

Foi uma história intensa, bem construída e com excelentes interpretações. As relações humanas, o amor, o trabalho a inspiração para a escrita são elementos que estão muito bem representados no filme. Tive momentos em que me emocionei, momentos em que me revoltei e situações que me deixaram zangada. Estas zangas surgiam sempre por causa da Lota. Era mulher muito dominante e, a meu ver, bastante egoísta. Gloria Pires é uma excelente atriz e esteve brilhante no papel de Lota. 

O engraçado é que Lota deixou-me tão zangada como fascinada. Era uma mente hiperativa, com ideias fantásticas. Nas relações humanas tinha as suas particularidades, e eram essas particularidades que mancham um pouco a sua imagem aos meus olhos. 
Elizabeth precisava de mais garra. Acho que ela não era suficientemente forte para lidar com o espírito de Lora. Este desnível entre as duas foi muito bem dramatizado. Porém, esse desnível era compensado por um amor intenso que produzia uma ligação especial.

O final foi bastante emotivo e diferente do que eu fui construindo à medida que via o filme. Não sei se foi o que aconteceu na realidade (não fui pesquisar), mas achei que era aquele que mais sentido fazia tendo em conta a alma de cada uma destas mulheres.

Recomendo este filme. Está muito bem realizado e produzido, tem boas interpretações e é uma forma de conhecermos outras formas de fazer cinema e valorizar produções para além das norte americanas e inglesas.  

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Por detrás da tela | A Dog's Purpose (2017)

Josh Gad in A Dog's Purpose (2017)
Classificação: 8/10 Estrelas

Foi sem qualquer expetativa que comecei a ver A Dog's Purpose. Nunca tinha lido nem visto nada sobre o filme. Quando terminei de ver o filme só pensava na magia que esta história poderá oferecer a quem o vê. 

Este filme é sobre um cão e as suas múltiplas vidas. É um filme sobre o impacto que um animal tem na vida do ser humano, onde a história nos mostra quanto uma relação entre um humano e um cão pode ser especial de diferentes maneiras. 
Nem tudo foi cor-de-rosa e feliz. O filme também deixou a mensagem que nem sempre os animais recebem o amor que deviam. Talvez haja humanos que não estejam preparados para receber o amor que umas quantas lambidelas são capazes de oferecer.

O filme é emotivo e permite-nos olhar para tudo sobre a perspetiva de um cão que vai assumindo diferentes características. É claro que por entre lágrimas de emoção também surgem muitas gargalhadas de alegria e do verdadeiro humor que só um cão muito especial é capaz de oferecer. 

A Dog's Purpose é um filme que se tornará especial para aqueles que adoram animais e capaz de de divertir todos aqueles que não abrem espaço no seu coração para estes peludos cheios de amor para dar. 




terça-feira, 26 de março de 2019

Por detrás da tela | "A Febre das Tulipas" (2017)

Tulip Fever (2017)
Classificação: 6/10 Estrelas

Sou fã da actiz Alicia Vikander ao ponto de ver os diferentes projetos cinematográficos que integra (não sei é se consigo ganhar coragem para ver Tomb Rider, pois é um tipo de filmes que não me cativa). Cruzei-me com A Febre das Tulipas e achei que poderia ser um bom filme para uma tarde de domingo.

Este filme é baseado no livro com o mesmo nome da escritora Deborah Moggach. Não conhecia o livro, nunca o li e após o terminar a visualização fiquei com vontade de conhecer o livro. Esta vontade nasce do facto do filme não me ter saciado a curiosidade relativamente à história. Foi tudo demasiado rápido, onde faltou espaço para que as personagens e as situações crescessem e se materializassem. Senti que muitas coisas ficaram apenas à superfície.

A história do filme é nos contada na perspetiva de uma empregada de um homem rico. Este homem é velho e casa-se com uma mulher muito jovem com o objetivo de ter um herdeiro. Encantado com a esposa, este homem contrata um pintor para que ele faça o retrato de ambos, por quem a sua jovem esposa se encanta. Tudo isto é apimentado com o negócio milionário das tulipas.

O filme transporta-nos para uma Holanda do século XVII e oferece-nos algum dramatismo e romance. Porém, as quantidades em que estes ingredientes são servidos e a forma como nos são apresentados faz com que sinta a falta de mais qualquer coisa.
A forma como o filme termina é curiosa e até um pouco inesperada. Pessoalmente, esperava algo mais dramático.

Não é um filme extraordinário, contudo serviu o seu propósito de entreter e ainda deixou espaço para a curiosidade em ler o livro que serviu de base ao argumento do filme.  

segunda-feira, 11 de março de 2019

Por detrás da tela | Mamma Mia! Here I go again (2018)


Classificação: 8/10 Estrelas

Sou fã da música dos ABBA e adorei ver o Mamma Mia. Por isso não podia deixar de ver este filme. 
Este filme é um regresso ao passado de Donna, possibilitando-nos conhecer melhor esta personagens, como foi a sua juventude. Estas partes do filme são divertidas e muito dinâmicas a atriz que interpreta  Donna na fase da juventude conseguiu transmitir aquilo que a Donna adulta deixou bem presente no primeiro filme. 

Intercaladas com as cenas do passado, temos as cenas do presente. Sophia tenta realizar o sonho da mãe. Fiquei imensamente triste por não ter Donna no presente. No contexto do filme faz sentido a sua ausência, mas eu gostei da presença dela no primeiro filme. 

É um musical, por isso esperem muita música. Tal como no primeiro filme eu adorei a forma como as músicas dos ABBA eram integradas na história. 
É ainda de reforçar as belíssimas paisagens onde o filme é gravado. Enchem a vista e deixam uma enorme vontade de voltar para lá. 

Este filme é uma excelente companhia de domingo à tarde ou dos dias de chuva. É ideal para ver em família, mas também é bom para animar almas mais solitárias. 

segunda-feira, 4 de março de 2019

Por detrás da tela | "The Light Between Oceans" (2016)


Classificação: 9/10 Estrelas

Queria ter lido primeiro o livro e só depois ver a sua adaptação. Porém, depois daquele entusiasmo inicial que me levou a comprar o livro, a minha vontade de o ler diminui. Consequentemente, fui adiando a visualização do filme. 

No final do filme o pensamento que martelou no meu cérebro foi Porque que é que ainda não leste este livro. Eu adorei o filme. Tenho a certeza que será daqueles filmes que me ficará gravado na memória. A carga dramática que acompanha as personagens principais é tão intensa que me deixou colada ao ecrã do início ao fim do filme. 

A história central deste filme é dedicada a um faroleiro e à sua esposa que vivem isolados numa ilha perdida no oceano. O lugar da ação onde decorre maior parte do filme ofereceu cenários fabulosos e até sensoriais (as ondas do mar, o vento que agitava a vegetação) que fez com que me sentisse ali. A sensação de isolamento social e emocional são aspetos igualmente bem presentes e caracterizados nas cenas do filme. Para complementar todas estas sensações, as cenas são acompanhadas por uma banda sonora com a qualidade inquestionável a que Alexander Desplat já me habituou.

As interpretações são muito genuínas. Alice Vikander não desiludiu. Cada vez mais admiro o seu trabalho. Neste filme em particular o seu desempenho como Isabel foi soberbo. O seu desespero, a sua infelicidade, a forma como lutou com os seus dilemas morais e a forma como lidou com o seu sofrimentos surgiram de interpretações muito realistas e emotivas. Eu senti o desespero dela em cada momento em que se via obrigada a lidar com os seus problemas e a forma angustiada como por vezes tinha de tomar decisões difíceis. 

Para equilibrar este desespero mais visceral e muito presente nas expressões faciais  corporais de Isabel e alguma histeria emocional temos o Michael Fassbender no papel de Tom, o faroleiro e marido de Isabel. É um homem calado, com muitos pensamentos interiores e com dores invisíveis deixadas pela guerra. É um homem que ama imenso a sua esposa, mas não se deixa vergas pela sua consciência moral, aspeto que coloca acima de tudo. A forma como ele lidou com o sentimento de culpa e com a ansiedade revelam o quanto a moralidade e opção por comportamentos corretos modelam a vida e as ações deste homem. Aqui a interpretação fez toda a diferença. Numa personagem mais introvertida, menos expansiva nas relações com os outros precisa de um ator capaz de passar emoções e sentimentos através das suas ações e das expressões que vão preenchendo as diferentes cenas.

E assim a minha vontade de ler o livro renasceu. Só espero que o facto de conhecer a história através do filme não estrague o prazer e a minha entrega à leitura do livro.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Por detrás da tela | "A Star is Born" (2018)


Classificação: 7 estrelas

Depois de tanta coisa bonita que me disseram e que li sobre este filme esperava que ele me tocasse o coração de uma forma especial. Esperava que ele se tornasse daqueles filmes memoráveis que, por mais vezes que o visse, jamais me sentiria aborrecida. Com muita tristeza minha, este filme não me encheu as medidas. 

Começo por destacar as duas coisas que mais gostei do filme e que me mantiveram motivada a vê-lo. Em primeiro lugar destaco o brilhante desempenho de Lady Gaga como Ally. Foi uma excelente surpresa. Cativou-me a forma como ela se deixou absorver pela vida da personagem, conferindo uma emotividade especial e que foi capaz de me deixar presa à sua interpretação. 
Em segundo lugar adorei a banda sonora. Cada música surgia no momento certo e com melodias  e letras muito bonitas. Foi impossível ficar indiferente à música Shallow.

Relativamente às coisas que me aborreceram, aponto a dinâmica da história e a interpretação de Bradley Cooper. Quanto à história, o filme aborda a vida de um artista em declínio, Jack, envolvido em abuso de substâncias e uma mulher, Ally, com uma voz magnífica e com uma enorme capacidade de escrever músicas e de as compor. Por um acaso do destino, eles encontram-se e Jack ajuda o mundo a conhecer o talento de Ally. Há uma certa previsibilidade dos acontecimentos e a forma como eles se sucedem nem foi clara para mim. Houve cenas que me aborreceram e não senti muita química entre Ally e Jack, porém foi melhorando ao longo do filme. 
Acho que a minha embirração com Bradley Cooper começa a ser crónica. Não é o primeiro filme em que não simpatizo com o desempenho do ator. Acho o artificial, sem grande expressividade e no caso concreto deste filme existiram cenas em que a dicção dele era péssima. 

Em suma, foi um filme agradável mas longe de se tornar intemporal para mim.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Por detrás da tela | "Anything for Love" (2016)

Classificação: 6 Estrelas

Há um conjunto de filmes que reúnem as características ideias para passar pequenos momentos de descontração. Anything for love é um filme que encaixa neste género de filmes. Tem uma temática ligeira, apresenta algumas situações caricatas e não nos estrangula o coração nem possuiu uma carga dramática capaz de nos sugar energias, colocando as nossas emoções num burburinho.

Neste filme ficamos a conhecer uma mulher, Katherine Benson, e um homem, Jack Cooper, que devido às suas vidas profissionais têm dificuldade em construir e manter uma relação amorosa. Com uma atitude de descrédito decidem recorrer a uma plataforma online de encontros amorosos que acaba por juntá-los.

A partir do primeiro encontro assistimos a uma mudança positiva nas personagens e nas suas atitudes. Foi engraçado perceber de que forma uma atitude casual se tornou em algo com significado quer para a Katherine quer para o Jack e como cada um deles se tornou importante para o outro.

O filme não aborrece e é uma excelente companhia para um domingo frio. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Por detrás da tela | "O Diário da Nossa Paixão"

Classificação: 9 Estrelas

Vi este filme, pela primeira vez, há uma boa década. Na altura chorei, emocionei-me imenso e esta história de amor tão única ficou-me na memória. Após o filme li o livro e o impacto emocional foi na mesma proporção. É dos meus livros preferidos de Nicholas Sparks e é acho que será um filme bom para rever ao longo dos anos.

Este nova visualização já não me emocionou como da primeira vez. Gostei imenso de ver, apaixonei-me pelas personagens e pelo amor que construíram, mas não cheguei às lágrimas. Já sabia ao que ia, tinha plena consciência daquilo que ia encontrar, por isso assimilei tudo com outra descontração.

É filme com uma história de amor muito bonita. As interpretações de Rachel McAdams e de Ryan Gosling são notáveis e conferem uma emotividade tão especial que, aquilo que passa da tela parece muito real.
Os cenários são muito bem escolhidos e a banda sonora é muito sensitiva. 

Muitos daqueles que me leem já devem conhecer esta história do princípio ao fim. Apesar de também eu conhecer bem a história soube-me tão bem rever esta bonita história de amor.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Por detrás da tela | "Viver depois de ti"


Classificação: 10 estrelas

Chorei  muito ao ver Viver depois de ti. Chorei como há muito não chorava a ver um filme. Mexeu-me com as emoções e derreteu-me o coração, que eu pensei ter virado pedra de gelo já que nada do via ou lia me desprogramava o sistema emocional ao ponto de me fazer sentir qualquer coisa. 
Ainda não li o livro, mas a vontade desenfreada de me atirar a ele instalou-se por estas bandas. É uma história doce, com momentos de humor e onde temas bem sérios se vão desenvolvendo de forma a me deixarem a pensar sobre eles.

Talvez não seja um filme para toda a gente. Talvez se tenha de ter uma certa dose de romantismo para apreciar o amor descomprometido. Talvez se tenha de ter um sentido de humor especial para conseguir entender a forma como Will e Lou se acabam por entregar um ao outro por meio de piadas muito próprias. Mas, acima de tudo, talvez seja necessário um corações forte e uma enorme capacidade de distanciamento entre a ficção e a realidade para evitar as lágrimas num conjunto de cenas finais.

Foi muito fácil para mim perder-me nesta história e abraçar todas as emoções. Acho que as fantásticas interpretações de Emilia Clarke e Sam Claflin em muito contribuíram para me deixar fascinada com tudo e para me emocionar verdadeiramente com eles. Estiveram fantásticos! As interpretações aliadas a uma boa escolha no que toca a banda sonora e a cenários idílicos deixaram-me rendida a tudo o que vi. Terminei o filme e só tive vontade de voltar atrás e rever toda a história.

O final é doloroso, mas aceitei-o. Se eu fosse o Will faria o mesmo. Não podendo viver o amor por inteiro, não podendo retirar o máximo da vida e estando em permanente dependência sentiria o mesmo que ele e foi muito fácil aceitar a decisão dele. Foi um processo de aceitação cheio de lágrimas, mas consegui colocar-me no lugar dele. Foi um egoísmo altruísta. Pensou nele, mas pensou na vida das outras pessoas de quem dependia. É um tema muito complexo e que, apesar da abordagem ligeira que o filme lhe concede, não foi desprovida de seriedade. 

Quero muito ler o livro. São raras as vezes em que li o livro depois do filme. Mesmo já conhecendo a história tenho a leve sensação que me vou surpreender e me emocionar mais.  

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Por detrás da tela | "Julie & Julia" (2009)

Classificação: 8 Estrelas


Quando vi o resumo sobre a história deste filme, pareceu-me uma boa escolha para uma tarde de domingo. A minha intuição funcionou e, de facto, tive a oportunidade de ver um filme divertido e que me transmitiu muitas emoções positivas. 

A ação do filme é narrada em dois momentos temporais: um no pós Segunda Guerra Mundial e outro na década de 2000. São as receitas e o gosto culinário que ligam duas personagens que vivem em momentos temporais diferentes. A Julie é fã das receitas que a Julia publicou no passado. Julie acabou por ficar um pouco obcecada com a vida de Julia, eu achei engraçado ver isso. Até que ponto é que nos deixamos absorver pelas pessoas que, apesar de não conhecermos, admiramos? Foi engraçado ver essas reações na Julie que, descontente com a sua vida e sem um emprego que a satisfaça, se atira num objetivo que acaba por lhe mudar um pouco a sua vida e a forma como olha para as pessoas à sua volta.

Ao longo do filme acompanhei o paralelismo existente entre as história de Julie e Julia. Ao mesmo tempo que me divertia com o modo peculiar de Julia, entusiasmava-me com os projetos que Julie decidia abraçar e, pela primeira vez na vida, terminar. 

O final apanhou-me um pouco desprevenida. Foi abrupto e eu esperava algo mais intenso que me permitisse sedimentar a boa relação que estava a ter com o filme. Para mim, ficou demasiado em aberto. Fiquei frustrada e gostaria de ter visto mais. Apesar desta minha frustração final, gostei do filme, diverti-me e encheu-me o coração. Portanto, cumpriu a sua função.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Por detrás da tela | Stanley & Iris (1990)

Classificação: 6/10 Estrelas

De vez em quando gosto de ver filmes mais antigos. Gosto da atmosfera, das histórias simples e descontraídas. São aquele tipo de filmes que sabe bem ver numa tarde relaxada de domingo. Outro aspeto engraçado é ver atores que hoje em dia admiramos no início de carreira ou com uma idade bastante mais jovem.

Stanley e Iris, em Portugal Para Iris, com amor, tem como protagonistas Robert De Niro e Jane Fonda como protagonistas. Ele é Stanley, um cozinheiro que não sabe ler nem escrever, ela é Iris uma mulher simples, a viver um doloroso luto e aquela que ficará com a missão de o ensinar. 

Entre momentos mais divertidos, outros com algum drama ainda houve espaço para o romance. Não é uma obra prima da sétima arte, mas gostei do tom ligeiro da história, apesar de estar a abordar temas dolosos e, em certa medida difíceis. 

Não é um filme atual, mas as temáticas são ainda um pouco transversais aos dias de hoje. Apesar de o número de alfabetos ter diminuído, ainda temos muitos jovens que abandonam cedo a escola e que não lhe dão valor; a gravidez na adolescência ainda hoje é uma situação preocupante, apesar da sua menor incidência; e o luto que temos de fazer por pessoas que perdemos, por coisas que não conquistamos, por ideias que tivemos de abandonar. 

Não é um filme que queria rever. Não é marcante o suficiente que desperte em mim a minha vontade de o rever, nem sequer é um filme que me fique gravado na memória. É apenas um daqueles filmes que sabe bem ver para descontrair. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Por detrás da tela | "The Boy in the Striped Pyjamas" (2009)

Classificação: 9/10 Estrelas

É a segunda vez que vejo o filme O Rapaz do Pijama às Riscas. A primeira vez que o vi ainda não tinha blog e foi antes de ler o livro. 
Os meus sentimentos em relação ao filme não se modificaram com esta segunda visualização. É um filme extremamente emocionante e a ação desenrola-se numa das fases mais negras da História da humanidade. 

O filme é interessante porque nos traz diferentes perspetivas: a perspetiva das crianças, dos soldados, dos refugiados e da mulher do soldado. Cada uma delas é extremamente importante para a compreensão dos acontecimentos e para mexer com as nossas emoções.
As crianças são serem inocentes. Bruno é mais inocente que Shmuel, mas o primeiro nunca teve de se deparar com comportamentos xenófobos e racistas, nem conhecia em profundidade a crueldade dos seres humanos. A irmã de Bruno mostra-nos com que facilidade conseguimos manipular as pessoas em direções erradas. A mãe destas duas crianças e mulher de um dirigente do exercito alemão é aquela que mais vai sofrendo com as atrocidades com que se vai deparando, o marido é um excelente ator pois consegue manter a frieza e não se deixa abalar pela sensibilidade daqueles que o rodeiam.
A perpetiva de ouros Judeus que vão aparecendo é igual a tantos outros filmes, mas não deixa de ser emocionante, nem de despertar em nós enormes sentimentos de compaixão. 

É um filme cruel, com um final de cortar o coração. Mas tal como escrevi na opinião do livro (ver aqui) é um final necessário para chocar e sensibilizar os telespectadores. 

Já não me lembro muito do livro, apenas a sensação de que gostei resistiu ao tempo. Por este motivo não consigo dizer até que ponto o filme é fiel ao livro.

É um filme emocionalmente intenso, que mexe com os nossos instintos e emoções e que nos faz sofrer por todas as pessoas que se viram obrigadas a sucumbir à crueldade de outros. O ser humano é capaz das melhores ações e das piores crueldades. Os filmes e os livros que vão surgindo relacionados com esta temática são extremamente importantes. Primeiro, permitem que estes acontecimentos caiam no esquecimento e dá oportunidade às gerações futuras de conhecer um período negro da história e que tomem consciência de que tais comportamentos não devem voltar a acontecer. Segundo, é uma forma de honrar todas as vítimas do Holocausto. Enquanto houver livros e filmes que retratem o seu sofrimento, eles jamais cairão no esquecimento. Em qualquer lugar do mundo, um pessoa que esteja a ler ou a ver um filme com esta temática irá sempre recordar o sofrimento, a dor, a luta, as histórias de superação e todos os bons corações que minimizaram o sofrimento e a dor de alguns.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Por detrás da tela | "Breathe" (2017)


Classificação: 8/10 Estrelas

Breathe é um filme pouco falado. Pela blogoesfera só vi a opinião da Chris do blog O Diário da Chris. E foi pela sua opinião que fiquei com uma enorme vontade de ver este filme. 
É baseado numa história verídica e a sua produção resulta de uma bonita homenagem. 

O início do filme não me cativou. Estava tudo a acontecer demasiado depressa entre Robin e Diana. A relação não cresceu aos meus olhos e eu estava com dificuldade em ligar-me à história e às personagens. O aborrecimento estava a instalar-se até que se dá uma enorme reviravolta no filme: Robin contrai poliomielite e perde a capacidade de se movimentar e de respirar sozinho. 

Este acontecimento na vida de Robin provoca uma mudança em todas as personagens, a história começa a ganhar forma e eu começo a empatizar com personagens, a sofrer com elas, a querer que as coisas corram bem e que Robin não desista de viver. É por amor a Diana que ele vive, que se supera e com a ajuda de um brilhante grupo de amigos consegue fintar a doença e viver de forma intensa tendo em conta todas as limitações que se atravessaram no caminho. 

Diana e Robin são um casal que transpira amor. No início ela parece algo fria e não consegui sentir grande química entre eles, mas forma como ela se entregou à missão de viver com Robin e de lhe oferecer uma vida condigna deitou por terra as minhas reservas e consegui, de facto, sentir o amor entre eles. 

Tal como tinha acontecido com o filme A teoria de tudo, senti que por vezes nos queixamos por demasiado pouco. Senti que com as pessoas certas, as nossas limitações são meros fragmentos da nossa essência, porque o nosso coração, os nossos sentimentos, o nosso amor pelos outros leva-nos mais longe. O amor e a amizade fazem-nos viver. Fazem com que grandes problemas se tornem ínfimos. Robin foi muito amado e acarinhado. Soube agarrar a vida no momento certo. Dedicou-se a amar a mulher que o fazia respirar aventura. superação, adrenalina. Mostrou que há outras opções para pessoas com incapacidades. Deu vida a outros. 

Apesar de hoje em dia as deficiências já serem olhadas com outros olhos, o filme passa uma mensagem muito atual. A discriminação é menor, mas ainda há um mundo cheio de entraves para eles ultrapassarem. Há muitas necessidades que não estão a ser atendidas. Para Robin a doença não foi a prisão onde muitos outros viveram, porque teve uma mulher com coragem suficiente para se atirar com ele por mundos desconhecidos e superar-se a cada nova ideia aparentemente maluca. 

Breathe fica no coração e na memória. Mais um filme para rever ao longo da vida. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Por detrás da tela | "Beauty and the Beast" (2017)

Classificação: 9 Estrelas

Já há muito tempo que queria ver este filme. Gosto da magia que o envolve e esperava encontrar a mesma banda sonora do filme de animação. 
O filme superou as minhas expetativas. Foi bom encontrar toda a magia do castelo, derreti-me com as músicas que pontuavam as cenas nos momentos chave, fiquei encantada com o monstro... Foi maravilhoso sentir toda esta envolvência especial que só um filme com uma história intemporal consegue transmitir.

É um filme que em termos de imagem e caracterização cénica está muito, muito bem conseguido. A minha televisão é grande, mas ver este filme numa tela de cinema deve ser qualquer coisa de especial. 
A banda sonora não desiludiu. Foi tão refrescante ouvir as músicas que tantas vezes gosto de ouvir e que fazem parte do meu imaginário. 

Gostei da interpretação da Emma Watson, porém acho que a Anne Hathaway ficaria bem melhor no papel de Belle. Talvez o meu gosto pessoal em relação à Anne Hathaway me leve a pensar desta forma. 

O final deixou aquele leve sensação de insatisfação. Já tinha sentido o mesmo com o filme de animação, mas estava à espera que aqui houvesse algum diálogo, algo que sedimentase mais o amor entre eles... Queria mais, mas talvez isso quebrasse um pouco da magia que o filme quer passar. 

Acho que este é um daqueles filmes intemporais. Um filme para ser visto ao longo das diferentes etapas de crescimento. Eu vou querer rever só para sentir mais um pouco da sua magia.

domingo, 8 de julho de 2018

Por detrás da tela | "The theory of everything" (2014)

Felicity Jones and Eddie Redmayne in The Theory of Everything (2014)

Classificação: 8 Estrelas

Este filme é magnífico. A banda sonora revela uma certa delicadeza sentimental, o guarda roupa espelha bem as épocas que o filme vai percorrendo e as interpretações destes atores são soberbas. 
Desde que este filme saiu que tinha vontade de o ver. Talvez por se tratar de um filme que pretende espelhar uma história de vida real, talvez por Stephen Hawking ter uma mente inspiradora... O que eu sei é que tudo me atraia para este filme. 

Adorei conhecer melhor a magnífica vida de um homem da ciência e de uma mulher das letras com um coração demasiado humano e capaz de abraçar a diferença indo contra tudo e contra todos aqueles que lhe indicavam outros caminhos. Não sei até que ponto o filme é fiel ao que se passou na realidade, mas o amor de Jane é inspirador. A força e a determinação que ela carrega é fenomenal. E claro, a inteligência e o sentido de humor de Stephen é das coisas mais deliciosas do filme.

É claro que todas estas emoções boas só aparecem porque temos dois brilhantes atores a dar corpo a duas pessoas inspiradoras. Eddie Redmayne está fenomenal no papel de Stephen, as semelhanças físicas foram assustadoras para mim. Esteve brilhante em cada etapa da vida e da doença que se apoderou da autonomia deste homem. E claro que ao lado de um grande homem, só pode caminhar uma grande mulher e Felicity Jones transparece força, amor, determinação. No início não me estava a conquistar muito, achava-a um pouco apagada e ofuscada pelo brilho de Eddie Redmayne, mas com o desenrolar do filme ela vai-se transformando e assume-se como uma peça chave ao longo do filme.

Quando cheguei ao fim, a sensação com que fiquei é: queria mais. Queria saber mais pormenores da vida de cada um, das consequências das suas escolhas e da relação saudável que Stephen parece ter mantido com Jane. Apesar de tudo, acho que eram perfeitos um para o outro, mas consigo perceber na perfeição quer a escolha de Stephen (que acho que foi para dar a Jane a possibilidade de viver um amor com outros contornos - não fiquei certa de que ele tenha deixado de gostar dela) quer o cansaço e a frustração de Jane perante os desafios da vida.

Stephen Hawking ultrapassou todas as leis da medicina e desafiou a sentença de morte que lhe deram. Viveu muito mais dos que os dois anos que lhe tinham dado e assim, teve tempo de amar, ser amado e de desafiar as teorias científicas que ele próprio criava. E isto deixou-me feliz e fez-me pensar muito no que ele disse: Não importa o quando a nossa vida seja má, há sempre alguma coisa que podemos fazer e triunfar. Enquanto há vida, há esperança. Esta será uma daquelas frases que irei guardar sempre comigo e olhar para ela em momento mais negros da minha própria vida. 

terça-feira, 1 de maio de 2018

Por detrás da tela | "Capitães de Abril" (2000)

Classificação: 8 Estrelas

Capitães de Abril conta a nossa história. Conta a história daqueles que ousaram lutar pela liberdade, com valentia e respeito. Nunca tinha tido a oportunidade de ver este filme e, no passado dia 25 apanhei-o na RTP 1 e não o deixei escapar. 

Ao longo do filme vamos conhecendo os acontecimentos e os heróis que no dia 25 de Abril de 1974 emergiram da escuridão do Estado Novo, libertar o povo da opressão e oferecer aquela manhã que todas as pessoas esperavam.
Adorei acompanhar o filme e as etapas mais marcantes desta revolução. Fiquei impressionada com a inteligência e coragem de Salgueiro Maia (que, infelizmente, acho que não teve o devido reconhecimento após o seu ato de coragem e nos anos subsequentes).
Acho que todos nós temos uma dívida de gratidão para com os Capitães de Abril. No meu caso essa gratidão foi ainda mais assegurada com o visionamento deste filme. Deve ter sido um dia único e inesquecível para todos aqueles que ocuparam as ruas da cidade de Lisboa, para todos os militares que acreditaram em Salgueiro Maia.

Este é daqueles filmes para ser visto mais do que uma vez, para que nunca seja esquecida esta luta e esta vitória com recurso a uma "guerra" pacífica. 
Na minha opinião, esta revolução de Abril, tão bem ilustrada neste filme, é mais um dos aspetos que deve orgulhar-nos enquanto portugueses. 

terça-feira, 3 de abril de 2018

Por detrás da tela | "Moana" (2016)

Vaiana Poster
Classificação: 8/10 Estrelas

Eu sou fã de filmes de animação. Tenho uma longa lista de filmes do género para ver. Hoje queria ver um filme e não sabia muito bem o que escolher. Comecei por um que me estava a aborrecer tanto que tive de parar. Como não me queria meter a ver um filme muito longo, achei que um de animação era o ideal, e a escolha foi para o Moana (em português Vaiana).

A parte fenomenal deste filme são as imagens. Nem quero imaginar ver este filme no cinema, pois deve ter sido uma experiência fenomenal. Aquelas praias de um azul a perder de vista, tão calmo e brilhante; o verde intenso das ilhas. Foi uma combinação que funcionou perfeitamente e me deixou presa ao ecrã. 

Moana deu-me aventura, amizade, superação e amor. É um filme preenchido por boas vibrações e que nos mostra a importância de não desistirmos dos nossos sonhos nem nos deixarmos levar por medos alheios. Moana enfrentou os seus medos, desafiou os medos dos outros e foi em busca de tudo o que precisava de saber para compreender as suas raízes e salvar aqueles que lhe são mais queridos.

Amei os animais de estimação de Moana. Foram escolhas originais. Por um lado tínhamos o Hei Hei, um galo com umas particularidades muito engraçadas e um pouquinho que era a coisa mais amorosa que já vi em filmes mais recentes dentro do género.

Um filme para ver na companhia dos mais pequenos, ou simplesmente para os adultos fugiram da realidade e se perderem em águas cristalinas e convidativas. 

sábado, 17 de março de 2018

Por detrás da tela | "Still Alice" (2014)

Classificação: 8 Estrelas

Quando vi que a RTP ia passar este filme não quis perder a oportunidade de o ver. Era um filme que eu tinha muito curiosidade em ver. Queria ver com os meus olhos o desempenho de Julianne Moore como uma mulher que se vê abraços com o declínio das suas funções cognitivas.

Neste filme, Alice, uma professora universitária e com uma carreira de sucesso, vê a sua memória falhar nos momentos mais inoportunos. Como mulher inteligente que é, procura ajuda de um profissional e recebe o diagnóstico de doença de Alzheimer precoce. Assim, com 50 anos vê a sua vida mudar de forma radical e angustiante. 

Julianne Moore está fenomenal no fenomenal no papel de Alice. A atiz oferece um realismo emocional às situações que conseguiu que os seus medos, as suas angústias, as suas necessidades e as suas incertezas chegassem até mim. Como protagonista do filme saiu-se muitíssimo bem e tornou o filme e a sua história muito credíveis.

Kristen Stewart desempenha o papel de umas das filhas de Alice e não me convenceu nadinha. Não a tinha visto em nenhum outro filme para além dos da saga Crepúsculo. Já aí referi que lhe faltava qualquer coisa. Não é uma atriz expressiva nem emocional. As expressões faciais dela não me conseguem fazer chegar nenhum tipo de sentimento ou reação. Gostei da interação dela com a mãe e com os irmãos, mas teve uma interpretação mediana. 

Para mim, é um filme com uma mensagem que assusta. Esta doença degenerativa é um ladrão implacável. Rouba-nos tudo, até a consciência de que estamos doentes. Ter a sensação de não sabermos onde estamos nem com quem estamos deve ser horrível. Sentirmo-nos perdidos, sem termos a capacidade de nos encontrar no meio de nada em que se torna a nossa mente é muito triste. É uma sucessão de perdas assustadora e muito triste. 

Um filme brilhante que nos oferece uma imagem muito crua e realista daquilo que a doença de Alzheimer nos pode tirar. 
Para quem gosta de um filme pautado pelo dramatismo, este é uma ótima escolha. Eu pretendo revê-lo.

sábado, 22 de julho de 2017

Por detrás da tela | "Dirty dancing - Dança comigo (2017)

Classificação: 6/10 Estrelas

Dirty dancing é a versão atualizada do filme com o mesmo nome que foi exibido em 1987. Eu gosto muito da versão original, por isso quando vi que ia passar na televisão um remake fiquei logo muito curiosa para ver.

Esta versão atual está quase igual à versão original. Mudam apenas pequenos pormenores, mas os traços que servem de fio condutor à trama estão lá todos. Apesar de ter gostado, não consegui sentir o mesmo encanto do filme original. Nesta versão falta uma certa química aos atores que fazem de par romântico. Não passou para mim aquela faísca especial que passava entre Patrick Swayze e Jennifer Grey. 
A ligação entre eles é pobre, pouco expressiva e não passou para mim aquela ligação energética que a versão original passava. Mesmo nos momentos de dança, nesta versão original senti a Babe muito presa, pouco à vontade e sem ligação nenhuma à música e aos movimentos (mesmo depois de aprender). Na versão original, por exemplo, a dança final foi muito mais fluída e não me pareceu tão forçada como nesta nova versão.

Em termos de cenários e qualidade de imagens posso dizer que gostei muito, a banda sonora também (é a mesma do filme original). 

Parece-me que ver remakes pode ser um pouco perigoso para mim. Acho que se tiver uma ligação muito especial à versão original vai ser difícil deixar-me encantar pela versão mais recente.
Apesar de não ter adorado, foi bom ver de novo esta estória em personagens com características e formas de representar diferentes.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Por detrás da tela | "Perseguição Escaldante" (2015)

Classificação: 4/10 Estrelas

Perseguição Escaldante serve apenas para entreter num momento de tédio e, mesmo assim, teremos de nos manter minimamente interessados para não morrer de tédio durante o filme. 
Tem alguma ação e procura fazer um pouco de comédia com situações caricatas e inesperadas. Porém, eu não achei muito cómico. Aliás, em alguns momento considero que o filme foi bem aborrecido. 

A ação que procuraram gerar durante o filme também não foi muito eficaz porque acabava sempre por me levar às mesmas situações. Faltou algo que tornasse o filme inesperado, cativante e que, efetivamente, me prendesse ao ecrã. 

É um filme com uma trama simples: uma agente da polícia que tem de proteger uma testemunha e levá-la até à cidade onde irá decorrer o julgamento. Pelo meio, a agente descobre coisas sobre a sua equipa de polícia que a irão fazer  brilhar. 
Algumas partes cómicas estão relacionadas com ela, uma vez que é um pouco desajeitada. 

É um filme que não vai deixar qualquer marca em mim e tenho a certeza que daqui a uns dias não me vou lembrar de nada.