sábado, 27 de abril de 2019

Por detrás da tela | "Every day" (2018)

Colin Ford, Angourie Rice, Owen Teague, Jeni Ross, Justice Smith, Sean Jones, and Jacob Batalon in Every Day (2018)

Classificação: 5/10 Estrelas

A visualização deste filme foi um aborrecimento para mim. Foram várias as vezes em que tive de puxar o filme para trás porque estava sempre a adormecer. 

Foram várias as coisas que não funcionaram comigo enquanto via o filme e que me permitiram chegar ao final do filme sem guardar grandes emoções. 
De uma forma muito simples, este filme conta-nos a história de um adolescente que todos os dias "renasce" num corpo diferente. Para atrapalhar ainda mais algo tão complicado na vida deste adolescente, ele apaixona-se por uma adolescente.
Ao longo do filme vamos assistindo às dinâmicas que pautam a relação deles, assim como os problemas que advêm da condicionante de vida do rapaz.

Aparentemente estes aspetos deveriam conferir ao filme dinamismo suficiente para me cativar e me prender ao ecrã. Porém, eu não senti isso! Morri de tédio e de aborrecimento. Acabei por achar um filme um pouco desinteressaste com personagens pouco cativantes e com uma história demasiado básica para as minhas necessidades de estimulação. 

Não sei como será com o livro, porém não senti muita vontade de pegar no livro para ler. 

A minha experiência com este filme não foi a mais positiva acho que este poderá ser um filme capaz de cativar o público adolescente. 

quinta-feira, 25 de abril de 2019

TAG | 25 de Abril com livros / filmes



Vi esta Tag  no blog Momentos de Ataraxia, sendo uma criação original da autora do referido blog. 
Gostei muito desta Tag e achei que poderia ser um forma diferente de eu assinalar um dia que eu tanto gosto. Não sei o que é viver antes de 25 de Abril de 1974, mas conhecendo algumas coisas sobre como era a vida nessa altura faz-me ter muito respeito por todos aqueles que naquele dia de Abril, há 45 anos atrás, não tiveram medo e lutaram por um país melhor. 

Assim, vou responder a esta Tag considerando livros e filmes para ambas as categorias. 


1. Ditadura: um livro/filme que te oprimiu de alguma forma – seja porque não descansaste enquanto não terminaste, seja porque está há muito tempo na estante e tens remorsos, seja porque achaste ofensivo de algum jeito, etc, etc, mas diz-nos qual é aquele livro que sentes que te aprisiona/aprisionou.

Livro: Sinto-me aprisionada pelo livro O circulo fechado de Jonathan Coe por estar há demasiado tempo na minha estante e eu sentir sempre pouca vontade de pegar nele. Nunca me cativou o suficiente para pegar nele, por outro lado até acho que pode estar ali uma boa leitura. 

Filme: Jamais irei esquecer o impacto e angustia que o filme A Lista de Schindler me provocou. Foi um verdadeiro murro no estômago ver a crueldade e o sangue frio de tantas pessoas. O filme foi construído de forma a mexer com as emoções. Quando terminei tinha uma enorme dor de cabeça devido ao sofrimento que passou para mim.
O Círculo FechadoSchindler's List (1993)

2. Salazar: Aquele livro/livro com um protagonista detestável – Já não o(a) podias ver nem pintado(a)

Livro: Mil sóis resplandecentes de Khaled Hosseini tem um personagem masculino que me dá volta às entranhas. A forma como ele trata a esposa é surreal. Apeteceu-me saltar para o livro e espancá-lo.

Filme: Bella dos filmes da Saga Crepúsculo. É uma personagem sem personalidade e super desinteressante.

Mil Sóis ResplandecentesKristen Stewart in The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2 (2012)

3. “Orgulhosamente sós”: aquele livro único que vale por uma trilogia/saga inteira

Livro: Segue o coração. Não olhes para trás de Lesley Pearse. É um livro cheio de reviravoltas e com uma história memorável.

Filme: O Pianista é um filme que apesar da dureza fica no coração. A capacidade de sobrevivência e o poder da música aliaram-se para produzir uma história memorável.

Segue o Coração - Não Olhes Para TrásThe Pianist (2002)

4. PIDE: qual foi aquele livro que leste e adoraste mas que a sociedade nutre ódio/preconceito? É aquele livro que se disseste no teu círculo de “amigos” que leste (e adoraste) todos te olham de lado.

Livro: Aparição de Virgílio Ferreira, uma leitura obrigatória do 12º ano da minha altura que não reuniu muitos simpatizantes. Eu gostei muito! Talvez pela influência do meu professor de português que me fez pensar na história e na sua mensagem.

Filme: Enquanto Dormias tem como classificação no IMDb de 6.7. Eu classifiquei-o com 8. Não é uma obra prima do cinema, mas é um filme com boas energias e com uma atriz que que adoro.

ApariçãoSandra Bullock and Bill Pullman in While You Were Sleeping (1995)

5. “Grândola Vila Morena, Em cada rosto igualdade”: uma personagem pela qual te identificaste ou sentiste que poderia ser o(a) teu(tua) melhor amigo(a) (caso existisse na realidade)

Livro: Ursula Powell do livro Regresso a casa de Deborah Smith. Eu gostei muito da Ursula e senti uma grande empatia por ela por aquilo que ela estava a passar. Facilmente seria amiga dela.

Filme: A Louisa Clark ("Lou") do filme Viver depois de ti. Ainda não li o livro, mas o que vi pelo filme seria muito fácil e agradável ser amiga desta rapariga de gostos simples e com uma enorme alegria de viver.

Regresso a CasaSam Claflin and Emilia Clarke in Me Before You (2016)

6. A Revolução dos Cravos: O livro que revolucionou a tua vida. Podes ter lido muitos depois desse, mas aquele… aquele livro terá sempre um lugarzinho especial no teu coração.

Livro: A Lua de Joana de Maria Teresa Maia Gonzalez ficará para sempre guardado no meu coração. Foi o livro que marcou a minha adolescência e que me fez conhecer a adrenalina de uma leitura compulsiva.

Filme: Moulin Rouge foi o primeiro filme que me fez chorar. Foi muito emotivo e ficará para sempre guardado  na minha memória.

A Lua de JoanaResultado de imagem para moulin rouge filme

7. Democracia: seleciona dois livros/filmes que tenhas para ler e deixa os teus seguidores escolherem um para ser a tua próxima leitura (ou para leres quando tiveres oportunidade)

Livros: São muitos os livros que tenho para ler, mas vou deixar a votação os seguintes:
  1. A Filha do Barão de Célia C. Loureiro
  2. Revelação inesperada de Andrea Kane
Filmes: Não tenho uma lista de filmes que quero ler. Quantos aos filmes funciono muito tendo em conta os que tenho disponíveis para ver e o que me apetece ver.
A Filha do BarãoRevelação Inesperada (Pete 'Monty' Montgomery, #2)

8. Liberdade: Recomenda qualquer livro/filme que te faça sentir feliz por teres a oportunidade e liberdade para o ler.

Livro: O conto da ilha desconhecida de José Saramago. Dados os ideias de Saramago este conto não estaria publicado se não vivêssemos em liberdade. Isso seria uma enorme perda para mim porque gostei muito da escrita e da história.

Filme: Capitães de Abril, se não fosse o 25 de Abril jamais teria tido a oportunidade de ver este filme e conhecer a ousadia de Salgueiro Maia.

O Conto da Ilha DesconhecidaCapitães de Abril Poster

9. Em memória das vidas roubadas: um livro com uma personagem forte que luta, seja de que forma for, pela sua e pela liberdade dos seus pares.

Livre: Sorcha do livro A Filha da Floresta. Uma personagem feminina com muita força de vontade e que cumpre a sua missão até ao fim.

Filme: Ben do filme Capitão Fantástico. A sua visão alternativa da vida faz com que desafie as convenções e faça aquilo que lhe faz mais sentido no que respeita à educação dos filhos.

A Filha da Floresta  (Trilogia de Sevenwaters, #1)George MacKay in Captain Fantastic (2016)

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Opinião | "Uma Voz Perdida na Guerra" de Cesca Major


Classificação: 5 Estrelas

Precisei de uns dias até me conseguir sentar e escrever uma opinião para este livro. O final do livro apertou-me o coração de uma forma difícil de descrever. Não me levou às lágrimas, mas apanhou-me de surpresa e precisei de digerir os acontecimentos e as consequências desses mesmos acontecimentos. 

Acabei por começar a opinião fazendo referência ao impacto que o final deste livro teve em mim. Mas preciso de vos escrever sobre a experiência desta leitura, experiência esta que contribuiu para todas as emoções sentidas no final.

Uma Voz Perdida na Guerra leva-nos a uma pequena aldeia francesa e ao quotidiano de diferentes pessoas que é afetado pela 2ª Guerra Mundial. É um livro que inova na forma como nos apresenta este período da história, pois não lemos sobre a vida nos campos de concentração nem das zonas de batalha. É um livro que vai mais além e nos mostra outra face da Guerra. Mostra-nos a vida de pessoas que não estão diretamente num cenário de guerra e que procuram fazer uma vida dentro da normalidade possível. Conhecemos pessoas que sofrem com o medo de serem judeus, com o medo que a guerra lhes roube a pouca tranquilidade que têm, com saudade por aqueles que se aventuram pelas trincheiras ou com medo de viver um amor. 

De forma a acedermos às diferentes visões, a autora escolheu contar-nos a história na voz de diferentes personagens: Adeline, Isabelle, Paul, Sebastian e Tristan. 
Gostei da forma como todas estas personagens intervêm. Da Adeline guardo a angústia que se apoderou dela e da dificuldade de enfrentar os seus medos enquanto é cuidada pelas freiras. É uma personagem que nos narra a sua experiência uns anos depois da Guerra. 
Da Isabelle guardo a sua leveza de ser, o seu espírito livre e sonhador e a forma como amou Sebastian apesar de todas as dificuldades. O amor foi recíproco, tanto que do Sebastian me ficou a forma como ele venerava Isabelle e da forma como ele expressou o seu amor por ela. 
O Paul deixou-me a coragem de um rapaz que deixa tudo para ir defender a pátria, mas quando volta é capaz de enterrar os seus próprios fantasmas para dar e receber amor. 
Por fim, o Tristan, uma criança de nove anos, deixa-me a inocência que tolda a forma como olha para a Guerra e para as clivagens que ela conta. Mostra-me que o preconceito numa criança é muito fruto daquilo que os adultos que a rodeiam lhe passam. É um espírito livre e aventureiro, com atitudes que me demonstram o quanto as crianças são capazes de simplificar coisas que, na realidade, são extremamente complicadas. E, no fim, deixou-me o seu maior ato de generosidade. 

Acho que este é um daqueles livros que encantará os fãs de livros com narrativas que decorram durante este período histórico como aqueles que os têm evitado por estarem cansados de verem narrativas a irem sempre na mesma direção e relatando aspetos semelhantes. 
É um livro que tem romance, mas ao mesmo tempo nos leva a lutas pela sobrevivência, a angústias pessoais e ao terror que só uma guerra consegue semear. 

Como já escrevi anteriormente, o final apanhou-me de surpresa (Atenção: não leiam a nota da autora que está no final do livro sem terminarem a leitura. Leiam-na apenas no fim. Aliás ela aparece no final por alguma razão. Porém se forem como eu, por vezes a curiosidade leva-nos a melhor). Fui surpreendida pelos acontecimento e pelo sentimento de frustração que só um final em aberto é capaz de nos deixar. 

É um livro que vale cada minuto que perdi com ele. Houve momentos em que me vi a poupar na leitura para não o terminar tão depressa. E houve outros momentos em que parei a leitura de forma propositada para pensar naquilo que estava a acontecer (é certo que ando muito reflexiva e com muitos períodos de introspeção e que esta leitura só os ativou um pouco mais). 
Portanto, arrisquem-se a mergulhar nas fantásticas histórias de vida que este livro nos permite conhecer.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

terça-feira, 23 de abril de 2019

The Book Swap | Livro recebido


The Book Swap foi um projeto criado pela bloguer que dinamiza o blog O meu reino da noite, com o objetivo de celebrarmos o Dia Mundial do Livro. 
Houve um sorteio entre os participantes para que enviássemos um livro. Nesta dinâmica de trocas, alguém iria ficar com o nosso nome. 

Assim, hoje estou aqui para agradecer à menina que me enviou um livro. Muito obrigada, Catarina.
A Catarina é a responsável pela conta Mais Que Ler no Instagram.
Achei a escolha dela muito curiosa. O livro que veio parar à minha estante foi:

O Diário de um Mago
Paulo Coelho

Achei a escolha dela curiosa porque entre os meus 16 e 18 anos li muito Paulo Coelho. Li todos os livros que havia na biblioteca, mais que me tinham oferecido. Este, por acaso, nunca foi um dos que ficou por ler. 
Depois daquele entusiasmo adolescente, a febre passou e nunca mais voltei a ler Paulo Coelho. Acho que o último livro que li foi O Zahir. 
Na altura adorei os livros dele, por isso estou curiosa para saber o que o meu eu adulto sente com a leitura. Estou na expetativa, mas espero que a experiência seja positiva e me deixe com vontade de ler os livros do autor que foram publicados mais recentemente.

A Catarina foi uma querida e para além de uma mensagem bonita ainda me ofereceu três marcadores que são muito bem-vindos à minha coleção.


Gostei de todos, mas fiquei com o carinho especial pelos da Sophia já que sou uma grande fã dos seus livros infantis e da sua poesia.

Nunca se esqueçam, um livro é o melhor remédio para a ignorância. Feliz dia mundial do livro!!

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]


Chegou a minha vez de receber mais um livro vindo diretamente da estante da Daniela. 
O novo livro que cá chegou foi:

Às cegas de Josh Malerman


Olhei para este livro com alguma cautela. Apesar de ter uma enorme vontade de o ler, estava consciente que ele poderia sair um pouco da linha das minhas leituras preferidas.
Entretanto já o comecei e a minha relação está a correr muito bem. Vamos ver se esta relação não azeda.
Não se esqueçam de passar pelo blog da Daniela, Quando se abre um livro, para conhecer as motivações por detrás deste envio. 

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Por detrás da tela | The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society (2018)

Tom Courtenay, Matthew Goode, Michiel Huisman, Penelope Wilton, Glen Powell, Katherine Parkinson, Jessica Brown Findlay, and Lily James in The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society (2018)

Classificação: 9/10 Estrelas

Este é mais um dos filmes que resulta da adaptação de um livro. No meu caso, é também mais um filme que vi antes de ler o livro. E qual a sensação que deixou dentro de mim? Uma vontade incontrolável de ler o livro.

O filme mostra-nos de que forma a leitura pode unir pessoas e ajudá-las a ultrapassar momentos menos positivos. A possibilidade de se reunirem em torno da discussão de livros permitiu a um grupo de homens e mulheres espantar os fantasmas que a guerra semeava dentro delas.

Apesar de termos a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo, o filme não carrega uma carga dramática intensa ao ponto de me sugar a energia. Tem alguns apontamentos dramáticos, mas são apresentados de uma forma leve e, em certos momentos, com alguns apontamentos de humor.

Lily James dá corpo à escritora Juliet Ashton numa boa interpretação. Esta personagem principal descobre-se ao longo do filme e o futuro que ela dava como certo é abalado quando conhece outras pessoas capazes de lhe provocar novos sentimentos. Gostei das dinâmicas que se estabeleceram entre Elizabeth e os membros da sociedade. Começaram de forma um pouco tímida que cresceram de forma crescente e que se traduziram numa situação credível.

Foi um filme que me provocou emoções positivas. Agora quero ler o livro e prolongar tudo aquilo que de bom o filme deixou em mim. 

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Top Five | Eurovision 2019


Já estava na altura de vos trazer mais uma lista de favoritos. Desta vez vou deixar os livros um pouco de lado e vou virar-me para a música. 
Não sei se desse lado há fãs da Eurovisão, pois desta lado têm uma grande fã.
Este ano comecei a ouvir as músicas um pouco mais tarde. O ano passado, por esta altura, já tinha bem presente quais seriam as músicas dos diferentes países.
Já ouvi algumas vezes as músicas deste ano e por isso quero apresentar-vos as cinco músicas que gosto mais. Desta vez serão apresentadas por ordem crescente de preferência.
Não foi uma escola fácil, porque tenho alguma dificuldade em eleger apenas 5 preferidas.

5. La venda (Espanha)

Este ano a Espanha traz-nos uma música divertida, cheia de energia e que fica no ouvido. Adorei a música do ano passado, porém a deste ano também vai de encontro aos meus gostos.

4. Better Love (Grécia)

Esta música lembra-me a banda Florence and the Machine (que tem algumas músicas que eu gosto). Gostei muito do vídeo da música e estou com muita curiosidade por ver como soa esta música ao vivo.

3. Solti (Itália)

Primeiro estranhei esta música, ouvi-a a primeira vez e não ficou nem me apaixonou. Fui ouvindo outras vezes e, aos poucos, comecei a gostar. Tem uma sonoridade muito própria, também gosto da ler e, tal como a anterior, estou curiosa por ouvi-la ao vivo.

2. Love is forever (Dinamarca)

Esta música é muito querida e a Leonora tem um voz doce que se adapta perfeitamente à música. Sei que não é uma música muito original e que não irá conquistar muita gente. Porém, eu gostei imenso de todo o conjunto e espero mesmo que ela resista e passe à final.

1. She got me (Suíça)

Esta é a minha música preferida deste ano. É simplesmente viciante. Um ritmo latino que se entranha na pele e nos faz bater o pé. Não consigo enjoar da música apesar de a ouvir imensas vezes. Tem uma intensidade especial e gostava que ela ganhasse ou, pelo menos, que ficasse num bom lugar. 

Devem estar a questionar-se sobre o que acho da música portuguesa. Reconheço-lhe a inovação sonora (que eu até gosto) e uma letra que olhada à lupa tem um significado próprio. Porém não se encaixa nos meus gostos musicais. 

terça-feira, 9 de abril de 2019

Opinião | "A Rapariga que veio do frio" de Gilberto Pinto

A Rapariga que veio do frio
Classificação: 3 Estrelas

Fui atraída pela capa e pelo título deste livro. Da capa seduziu-me a beleza e o mistério que deixa transparecer. Do título nasceu a curiosidade em conhecer a história para a qual me apontada. Não me arrependo de ter sido seduzida, pois foi uma livro que gostei de descobrir e ofereceu-me uma história interessante e que correspondeu às expetativas. 

Não li a sinopse antes de ler o livro. Fui lê-la apenas no fim e por mera curiosidade. Acho que ela pode criar expetativas irrealistas no leitor. O livro traz-nos muito mais do que tráfico de mulheres e assassinatos. É uma narrativa que nos leva ao interior do país e às margens do rio Douro, ao mesmo tempo que deambulamos pelas ruas da cidade do Porto. 
É um livro onde conhecemos famílias e os seus mistérios e neste cruzar de segredos e modos de vida que a narrativa ganha dimensão e se expande para além do crime. No fundo, o autor desenvolve uma história de poder, de relações e de segredos que é despoletada pelo abuso e tráfico de mulheres de leste. Porém, o foco nos crimes e na forma como eles são cometidos é menor comparativamente a todo o contexto em que eles surgem.

Fui positivamente surpreendida pela escrita clara e apelativa. Esta qualidade permitiu-me criar uma boa ligação com o livro e deixou-me interessada em conhecer novas obras deste escritor.

A forma como este livro começa é muito boa. Adensou a minha curiosidade e espicaçou a minha vontade em conhecer mais da história. E consegui manter este interesse praticamente até ao final. 
Apesar desta relação positiva, houve aspetos na narrativa que não me permitiram dar uma pontuação mais elevada ao livro. 
Do meu ponto de vista há situações no livro que não ficaram bem esclarecidas e outras que me deixaram em dúvida. Não os posso referir aqui todos, pois corro o risco de estragar a leitura a quem se decida aventurar nestas páginas. De entre diferentes aspetos destaco a Aleksandra e todo o mistério que a envolve. Pessoalmente pensei que existiria alguma ligação entre a história dela e a história principal do livro, mas quando cheguei ao fim do livro nem sequer tive oportunidade de ver esclarecidos os assuntos que a ocupavam. 
Para além deste aspeto há uma carta que Leonardo recebe quase no início do livro e que várias vezes é referida ao longo da história. Estava muito curiosa por conhecer o conteúdo desta carta e o autor privou-me de satisfazer este meu interesse. Pelo contexto e pelo desenrolar dos acontecimentos eu consigo deduzir o que lá estava, mas senti-me enganada e frustrada porque sempre achei que a carta tinha a relevância suficiente para constar destas páginas.

Chegada à reta final do livro senti que ficaram coisas por dizer e mostrar. Não sei se foi propositado e o autor tem em vista uma continuação ou se foi um pouco de descuido. Mesmo que haja uma continuação, penso que alguns aspetos deveriam ter sido esclarecidos e concluídos. Aquilo que senti foi que o escritor teve pressa em terminar a história que dada a sua evolução consistente merecia uma final mais marcante e conciso.
Apesar destes pequenos pontos de desinteresse acho que é um livro que merece ser lido. Tem uma escrita de qualidade, tem uma história interessante e é uma excelente oportunidade de apreciar o bom trabalho de um escritor português e a quem os leitores devem dar uma oportunidade. 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

sábado, 6 de abril de 2019

Tag| Livros + Emoções


Já há muito tempo que não respondo a uma Tag e tenho uma lista infinita delas para responder. 
Hoje trago-vos uma que procura relacionar emoções e livros.

Um livro que te fez sentir...

1 | Feliz - Crónicas de Paixões e Caprichos de Julia Quinn

Crónica de Paixões e Caprichos  (Bridgertons, #1)

Qualquer livro desta série consegue trazer alegria e diversão. O seu tom descontraído e os apontamentos de humor arrancam-nos alguns sorrisos. Escolhi este porque é o primeiro da série e foi dos que mais gostei de ler.

2 | Triste - A Criança que não queria falar de Torey Hayden
A Criança Que Não Queria Falar

Histórias que envolvam crianças em situação de risco ou de vulnerabilidade são extremamente dolorosas para mim. Este livro em particular marcou-me imenso. Nunca mais esqueci a Sheila, nem a tristeza que a história dela me trouxe. 

3 | Nervosa (com raiva) - Morte Súbita de J. K. Rowling

Morte Súbita

No final das primeiras 100 páginas os meus níveis de raiva estavam em alta. Raiva por estar aborrecida pela leitura. Raiva por nada de significativo ter acontecido. No final, foi apenas a raiva por sentir que andei a perder tempo com um livro que nunca iria deixar marcas nem na minha memória nem  no meu coração.

4 | Nostálgica - És o Meu Destino de Lesley Pearse

És o Meu Destino (Belle #3)

Ler este livro fez-me sentir saudades dos livros anteriores e das personagens tão especiais que conheci. É inegável o talento de Lesley Pearse para nos trazer boas histórias.

5 | Assustada - Dezanove Minutos de Jodi Picoult

Dezanove Minutos

Assustou-me pensar que por vezes não conhecemos verdadeiramente as pessoas que estão ao nosso lado. Assustou-me pensar acerca do comportamento dos adolescentes e no desconhecimento dos pais acerca dos mesmos. 

6 | Surpresa - Perguntem a Sarah Gross de João Pinto Coelho

Perguntem a Sarah Gross

A surpresa com este livro surgiu pela qualidade que encontrei. Não esperava uma história tão boa, cheia de sensibilidade e que me ofereceu uma grande ressaca literária. 

7 | Desesperada - Uma Mortalha para uma Enfermeira de P. D. James

Mortalha Para Uma Enfermeira

Só eu sei o desespero por terminar este livro. Foi uma leitura muito complicada e eu só desesperava por ler a última página.

8 | Angustiada, aflita, agoniada - Mil Sóis Resplandecentes de Khaled Hosseini
Mil Sóis Resplandecentes

Um livro com uma história que é um verdadeiro murro no estômago. Apesar de sabermos o funcionamento das culturas muçulmanas nada nos prepara para o choque com realidades demasiado cruéis.  

9 | Confusa - Regras para descolagem de Carolina Paiva
Regras para Descolagem

Tive algumas dificuldades em perceber esta história. É um pouco confusa e facilmente nos perdemos nos meandros temporais que regem o desenvolvimento desta narrativa.

Créditos da Tag:
Do original Playing with your emotions TAG
Vlog da criadora da TAG: Padfoot & Occasionally Prongs
Tradução: Tatiana Feltrin - Tiny Little Things (http://www.youtube.com/watch?v=ZKXILV...)

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Março | Quem chegou?

Hoje quero mostra-vos os livros que chegaram cá a casa durante o mês de Março.

Oferta editora

Recebi dois livros de oferta. Da Coolbooks chegou cá a casa A Rapariga que Veio do Frio de Gilberto Pinto e é a minha leitura atual. Posso até adiantar-vos que está a ser uma agradável surpresa 
Da Topseller chegou Uma voz perdida na guerra de Cesca Major.

A Rapariga que veio do frio Uma Voz Perdida na Guerra

Empréstimo surpresa

Chegou a minha vez de receber mais um livro enviado pela Daniela. Desta vez ela escolheu enviar-me o livro Às cegas de Josh Malerman. Depois de tantas coisas boas escritas acerca deste livro estou muito curiosa por saber o que escondem estas páginas. 

Às Cegas

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Empréstimo Surpresa | Empréstimo Surpresa [Desafio]


Já devia este desafio à Daniela há imenso tempo. Faltou-me tempo e inspiração. Não sabia muito bem como apresentar a resposta a este desafio. 
Inicialmente pensei em dar apenas as indicações para a construção de uma cena, mas estava-me a saber a pouco. Queria sair da zona de conforto e arriscar.

Depois de muito matutar no assunto, arrisquei. Espero que o risco venha associado a um bom produtor.
Espero que gostem de ler a minha cena, mas acima de tudo espero ter correspondido às expetativas da Daniela. 

Desafio para o livro “Amor Cruel”, de Colleen Hoover 

Como se conheceram? 
As personagens principais deste romance – Miles e Tate – conheceram-se de uma forma um pouco atribulada e caricata.

Se a autora precisasse de uma ideia igualmente atribulada e divertida para duas personagens se conhecerem, o que lhe sugeririas? 

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Ela 

Era o dia da minha estrei num espetáculo a solo enquanto cantora lírica. Olhava-me ao espelho enquanto fazia aquecimentos vocais e revia o alinhamento do espetáculo. Iria começar com o “Oh Mio Babbino Caro” e terminaria com “Va’Pensiero”. 
Os nervos começavam a ocupar todos os meus músculos. Tentei rodar os ombros e o pescoço numa tentativa vã de me libertar deste nervosismo. 
- Está na hora. 
Olhei para a porta e vi a minha manager de sorriso aberto para mim. Assenti. Respirei fundo. Sai do camarim, percorri o pequeno corredor e subi as escadas com a velocidade que os meus saltos altos me permitiam. 
Não quis espreitar a plateia, mas pelo número de bilhetes que haviam sido vendidos sabia que a sala estarei cheia. 
Fechei os olhos e preparei-me para absorver aquela que, de certeza, iria ser a melhor noite da minha carreira. 


Ele 
Adoro canto lírico. É um amor tão grande que me leva a fazer quilómetros para assistir a um bom espetáculo. Hoje não precisei de me fazer à estrada. Tinha um espetáculo mesmo à porta de casa. Só precisava de atrasar a rua. 
Analisando bem as motivações para hoje estar aqui sentado nesta sala tão bonita e repleta de pessoas não foi só a minha paixão pela música. 
Na semana passada, quando regressava do trabalho, esbarrei com o cartaz que anuncia a estreia de uma nova cantora lírica. Uma filha da terra, com uns olhos castanhos hipnóticos. Fiquei a olhar para o cartaz por um período de tempo que me pareceu exagerado. Consultei o meu horário de trabalho para a semana seguinte para decidir qual o melhor dia. E não podia ter sido melhor, conseguia vir no dia da estreia. Entrei e dirigi-me à bilheteira. 
- Por favor, quero um bilhete para o próximo domingo. Ainda é possível? 
A funcionária sorriu e disse: 
- Restam dois bilhetes. Parece-me que está com sorte! É um homem de sorte?
- Tem dias – disse-lhe eu com um encolher de ombros. 
Foi aquele golpe de sorte que me trouxe aqui hoje. E talvez aqueles olhos. E talvez aquela postura muito rígida tão características das cantoras líricas. Ou talvez tenha sido um conjunto de fatores que se conjugaram para que eu vestisse o meu fato, colocasse o meu aftershave e hoje me sentasse aqui para ouvi-la. 
A luz baixou na plateia e intensificou-se no palco. A orquestra começou a tocar e ela entrou. 


Ela 
Entrei no palco e olhei para a plateia. Era uma massa de escuridão. Melhor assim. Os meus nervos não me estavam a deixar ver com exatidão quem tinha vindo hoje assistir à minha estreia. 
O matraquear dos meus saltos no palco foi abafo pelos acordes introdutórios da música que iria dar início ao recital. 
Posicionei-me no meu lugar e comecei a cantar. 
Uma música sucedeu outra e outra. Começava a ficar cada vez mais consumida com os nervos e as inseguranças começaram a invadir-se a mente como ervas daninhas nos jardins. 
Pensei que o nervosismo fosse diminuindo à medida que ia cantando, mas não, piorou. 
Fui-me aguentando, com a consciência de que a minha voz não estava no seu melhor. Estava a força-la demasiado. Sabia disso, mas tinha de me aguentar. 
A orquestra começou a introdução da última música. Fechei os olhos. Estava quase, mais uma música e poderia descansar. 
Comecei a cantar e voz tremeu mais do que devia. Ao segundo verso a voz falhou e eu entrei em pânico. Tentei forçar a voz, mas nada saia. O coração começou a bater demasiado depressa. Os meus olhos duplicaram de tamanho. Uma agitação crescia dentro de mim e dificultava a minha respiração. De repente tudo ficou negro dentro de mim e perdi os sentidos. 

Ele 
Apesar de sentir o nervosismo dela nos versos que ia cantando eu conseguia ver o valor que ali estava. Um diamante do canto lírico. Cheia de emoção na voz e com uma entrega especial. 
Fechei os olhos e recostei a cabeça na cadeira. Queria filtrar o que de melhor estava a ser apresentado naquele palco. De vez em quando abria os olhos para absorver as expressões faciais e toda a linguagem corporal dela. Ela amava estar ali em cima, mas algo a retraía e não a deixava brilhar na sua máxima intensidade. 
O recital encaminhava-se para o fim e eu já só pensava numa forma de ir aos camarins e conhecer esta mulher. Até que aquilo que não deveria acontecer, aconteceu. A voz começou a falhar-lhe. 
Abri imediatamente os olhos e inclinei-me para a frente. Se mais depressa abandonava o meu estado de puro relaxamento, mais depressa a via estatelar-se no palco. 
O instinto de médico das urgências falou mais alto. Pulei da cadeira. Atropelei os pés delicados de senhoras e os sapatos envernizados dos que estavam na mesma fila e corri em direção ao palco. 
Os seguranças foram mais rápidos do que eu e formaram logo uma barreira impedindo-me de aceder às escadas que me levariam à mulher que estava no palco rodeada de elementos da orquestra que se tinham levantado. 
- O senhor não pode passar – Os seguranças gritaram para se imporem e para se fazerem ouvir perante o burburinho ruidoso que se formou naquele espaço. 
Enquanto esbracejava para me tentar libertar deles gritei: 
- Eu sou médico, porra! Deixem-me ajudar. 
Em segundos eles compreenderam a minha missiva e deixaram-me passar. 
Voei pelas escadas até ao palco. 
- Afastassem! – gritei – Ela precisa de espaço. 
Agachei-me ao pé dela e verifiquei os sinais vitais. Estavam lá todos. Provavelmente os nervos levaram a melhor e quebram o encanto da sua noite, mas não lhe quebraram o encanto da sua beleza. Como seria bom voltar a ouvir aquela voz e conhecer a mulher por detrás dela.