sexta-feira, 24 de maio de 2019

Dia do Autor Português | Os escritores portugueses da minha vida


Dia 22 de Maio é o dia do Autor Português. Nem sempre os escritores portugueses têm o destaque que merecem da nossa parte. Muitas vezes somos absorvidos pelas novidades literárias que nos chegam de outras paragens, impedindo que os livros de autores nacionais cheguem à nossa mesinha de cabeceira e nos ofereçam o privilegio de conhecer as boas histórias que por aqui se escrevem.

Eu gosto de ler autores portugueses e considero-mo aventureira no que respeita a conhecer novos autores. Porém, desde muito cedo que os escritores portugueses fazem parte da minha vida, estando associados a memórias boas ou menos boas. 

O meu primeiro contacto com escritores portugueses aconteceu ainda na escola primária. Graças à biblioteca itinerante tive a oportunidade de ler diversos livros da coleção Uma aventura. Viver numa aldeia nem sempre facilita o nosso acesso aos livros. Há alguns anos atrás eu não ia à cidade sem acompanhamento e os meus pais não estavam muito direcionados nem interessado com a leitura. Uma forma de aproximar as crianças dos livros eram as visitas mensais de uma carrinha que vinha com alguns livros para que pudéssemos escolher.  

Andava eu no 2º ciclo quando me cruzei a primeira vez com os livros de Sophia de Mello Breyner Andresen. Foi paixão à primeira história e ainda hoje sinto um carinho especial por aquela fada que achava difícil a vida dos humanos porque não tinham asas para voar por cima dos problemas. Ainda hoje A Fada Oriana habita a minha estante e são muitas as vezes que o empresto aos miúdos para que possam conhecer esta história. Foi um livro que me marcou, assim como todos os livros que li dela. O Cavaleiro da Dinamarca, A Menina do Mar, A árvore, Histórias da Terra e do Mar... Tantas histórias e todas elas com personagens especiais. Não tenho todos os livros infantis desta escritora, mas um dos meus objetivos a longo prazo é reunir na minha estante todos eles. 
Mais tarde conheci outra faceta desta mulher e vi-me a viajar pelos os versos com que ela desfiava os assuntos que lhe agitavam o coração. Fui uma adolescente que consumiu bastante poesia e muitos dos poemas desta escritora tornaram-se especiais. O meu exame nacional de 12º ano de Português B foi uma homenagem ao seu trabalho enquanto poeta. O meu professor alertou-nos na altura que, muitas vezes, uma forma de homenagear um escritor falecido eram os exames nacionais. Assim, ela faleceu em 2004 e em 2005 é um poema dela que aparece no exame.
Dois outros dois livros que me acompanharam nesta etapa da vida foram O Mundo em que Vive de Ilse Losa e Ulisses de Maria Alberta Menéres. Duas histórias que também gostei muito de ler, mas que muitos dos pormenores já não os tenho na minha memória.


Quando fiz 13 anos recebi como prenda de aniversário A Lua de Joana. Foi a minha primeira leitura compulsiva e um livro que reli muitas vezes. Assim, Maria Teresa Maia Gonzalez foi a primeira escritora capaz de me fazer chorar com um livro e que me fez desafiar a hora de dormir. Os olhos de adolescente tornaram este livro especial. Nunca mais o reli, mas é daqueles que não quero reler porque sinto que a minha visão adulta iria estragar o que ficou da leitura naquela época.


O secundário foi um período particularmente difícil para mim. Não fiz amizades, tive muita dificuldade em integrar-me na turma e numa escola nova. Foram três anos de grandes sacrifícios emocionais  e de muito isolamento. Salvavam-me as leituras. Foram duas das leituras obrigatórias que me fizeram vibrar. É certo que ter um professor de português apaixonado pelas obras que apresenta facilita o nosso próprio envolvimento com os livros que lemos. Desta forma Os Maias de Eça de Queirós e Aparição de Virgílio Ferreira tornaram-se dois livros especiais e dos quais guardo excelentes experiências de leitura.

Ainda durante o secundário tive a oportunidade de me apaixonar pela poesia. Para além de Sophia de Mello Breyner Andresen, foi um desafio analisar a poesia de Fernando Pessoa e um sofrimento ler Florbela Espanca, porém ainda hoje gosto de pegar nos poemas deles. 

Durante os anos em que estive na universidade não li quase nada, mas depois a leitura regressou em força. Dos livros de autores nacionais, li muitos livros de José Rodrigues dos Santos e os de Tiago Rebelo que estavam na biblioteca. Em 2011, depois de muito andar pela internet a ler opiniões ao livros aventurei-me e criei este blog. E a partir daqui inicie uma das melhores experiência da minha vida enquanto leitora: as leituras beta.


Fiz mais de 10 leituras beta e para diferentes escritores portugueses. Ajudei no que me foi possível e fico sempre orgulhosa por ver os livros a ganharem vida. Esta experiência mudou o meu olhar enquanto leitora e ofereceu-me uma visão mais crítica perante os livros que leio. 
Acreditem que desfiar o trabalho de outras pessoas não é uma tarefa fácil. Há muita entrega e dedicação na escrita do livro e é muito complicado oferecer uma visão sincera sem ferir os sentimentos de quem deu tanto de si a um projeto. 
Não tenho feito leituras beta. Estive mais ativa entre 2012 e 2015. Os pedidos cessaram e havia uma tese de doutoramento que precisava de ver a luz do dia. A tese já viu a luz do dia, mas ainda está na "incubadora" à espera da data da defesa. Por este motivo, também não tenho muita disponibilidade mental para este tipo de leituras (até as minhas rotinas de leitura diária se têm ressentido).  

Das minhas leituras recentes guardo muitas obras de escritores nacionais no coração. O Escultor  da Carina Rosa foi dos livros mais trabalhosos que tive enquanto leitora beta, mas a satisfação de o ver publicado foi enorme. A Chama ao Vento de Carla M. Soares foi lido numa altura muito complicada. Empatizei muito com a personagem principal porque também a minha luz interior se tinha apagado. O Espião Português de Nuno Nepomoceno, apesar de não ter sido uma leitura fenomenal fez-me sentir orgulho pelo bom trabalho que os escritores portugueses se preocupam em apresentar. Perguntem a Sarah Gross de João Pinto Coelho deixou-me, há um ano atrás, com uma das maiores ressacas literárias de que tenho memória. Maresia e Fortuna de Andreia Ferreira foi uma excelente viagem a um lado mais negro da escrita e, apesar de faltar alguma emotividade à escrita, temos uma história de contornos negros e bem escrita. O Funeral da Nossa Mãe, escrito pela Célia Loureiro, foi uma leitura intensa e com uma história que me ficará na memória. Foi um livro que recebi pelo Natal, num Natal um pouco triste. Mas nunca mais me esquecerei de como me alegrou abrir aquela embalagem e descobrir um livro que tanto queria ler. Inês de Maria João Fialho Gouveia foi dos melhores romances históricos que já li. As Últimas Linhas destas Mãos de Susana Amaro Velho trouxe-me uma histórica bem escrita que me inundou de sensibilidade e, mais uma vez, me fez sentir orgulho pelo talento nacional. Equador de Miguel Sousa Tavares preencheu-me os dias vazios numa altura em que sentia um pouco perdida em relação ao futuro. A Filha do Capitão de José Rodrigues dos Santos foi a minha primeira leitura conjunta e fez-me adorar a experiência de partilhar o entusiasmo pelas personagens e pela história com outra pessoa que estava sentir o mesmo. 

Estes são apenas alguns dos livros mais recentes que me ficaram na memória e que trazem sentimentos associados. Foram muitas as leituras lusas que fiz ao longo dos anos e muitas delas depois de me lançar aqui neste mundo. 
Sei que ainda tenho muitos livros nacionais para descobrir e para ler... Num futuro próximo espero ler os seguintes...


Partilhem comigo uma memória vossa associada a uma leitura lusitana... 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Opinião | "Os Bridgerton Felizes Para Sempre" de Julia Quinn (Bridgertons #1.5-8.5; 9.5)

Os Bridgerton Felizes Para Sempre (Bridgertons, #1.5-8.5; 9.5)

Classificação: 3 Estrelas

Eis o último livro da série que tanto me divertiu. Julia Quinn oferece-nos histórias descontraídas e com muito humor à mistura. Admiro-lhe o talento na construção de diálogos que deixam transparecer uma diferente panóplia de emoções e na construções de enredos cativantes. Não gostei dos livros da mesma forma. Gostei mais de alguns e menos de outros, mas em todos eles me ri bastante. Foram todas leituras extremamente divertidas e que me conseguiram pôr com um sorriso nos lábios em momentos de alguma tristeza ou descontentamento com a vida real.

Os Bridgerton Felizes Para Sempre encerra a série oferecendo-nos segundos epílogos para os diferentes livros da série. Pessoalmente, em grande parte dos livro não senti falta de ler uma continuação. Fiquei satisfeita com os finais dos diferentes livros, contudo eu queria encerrar esta série.

Quando ao conteúdo que este livro nos oferece sinto que fui gostando mais dele à medida que ia avançando nas páginas. A minha explicação  para tal sentimento deve-se ao facto de as últimas histórias estarem mais presentes na minha memória. Porém, achei que o 2º Epílogo do livro A Caminho do Altar era o que menos me acrescentava. Tinha ficado mais que satisfeita com a forma com que este livro terminou.

Fiquei muito satisfeita com os epílogos que abordaram personagens secundárias dos livros da série, nomeadamente os filhos de Philip. Adorei a história de Violet e Edward! Continuo a achar que estes dois mereciam um livro exclusivo para conhecermos a história de amor deles. Não posso deixar de referir aquele epílogo que mais me deixou satisfeita e que foi o meu preferido. O meu preferido foi o final da história de Francesca e Michael (A Bela e o Vilão). Francesca era a Bridgerton com quem mais me identificada e gostei muito de revê-la e ler sobre um final que ela merecia.

Na minha opinião, este livro apesar de ser dispensável foi uma boa forma de terminar a série. A sua leitura permite-nos uma viagem pelos locais e pelas personagens tão bem construídas pelas mãos de Julia Quinn. Com a leitura desta série ficou a certeza de querer acompanhar o trabalho desta escritora.

*****
Opiniões aos outros livros da série

  1. Crónica de Paixões e Caprichos
  2. Peripécias do Coração
  3. Amor e Enganos
  4. A Grande Revelação
  5. Para Sir Phillip com Amor
  6. A Bela e o Vilão
  7. Aquele Beijo
  8. A Caminho do Altar

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Top Five | 5 livros para a Daniela


A Daniela é uma parceira aqui do blog que me tem oferecido uma amizade que eu muito prezo. Os livros uniram-se, os blogs estabeleceram as pontes e o Skype e o Messenger tornaram-se grandes ferramentas de conversa. 
Hoje quero dedicar-lhe este Top Five e apresentar 5 livros que a Daniela deveria ler. 
Será que ela concorda com as minhas escolhas? Será que ela gostaria mesmo de ler os livros que lhe vou indicar?

1. Messias de Boris Starling
Já perdi a conta às vezes que já falei deste livro à Daniela. Li-o muito antes de ter criado este blog e posso dizer que este foi, até ao momento, um dos melhores livros que já li. É um livro com uma boa escrita e com uma história bastante inteligente.
Sabendo que a Daniela gosta de livros deste género, acho que ela vai adorar este livro e será um candidato a uma das melhores leituras da vida dela.

2. As Últimas linhas destas mãos de Susana Amaro Velho
A Daniela não é uma leitora que arrisque muito em novas leituras lusas. Ela é ponderada nas leituras que vai escolhendo e nem sempre se atira de cabeça em livros de novos autores portugueses (coisa que eu faço muito e por vezes bato com a cabeça, mas faz parte). 
Este é um daqueles livros que vale a pena o salto. A Daniela iria gostar da escrita bem cuidada e com palavras que transbordam emoção.

3. Um Por Um de Chris Carter
Falei imenso de Chris Carter à Daniela. É bem provável que ela tenha chegado a uma certa altura das nossas conversas e se tenha fartado dos elogios que teci ao escritor (por vezes sou demasiado incisiva com determinados assuntos). 
Neste momento, ela está a ler isto e a dizer para si própria Se ainda não li este livro foi porque ainda não mo enviaste. E claro que ela está cheia de razão. Adorou o livro anterior que lhe enviei. Tenho a certeza que este a vai surpreender.

4. Mil Sóis Resplandecentes de Khaled Hosseini
Posso afirmar com uma grande certeza que este livro é daqueles que nunca irei esquecer. Uma história forte, cheia de significados e que nos mostra uma cultura que vai muito para além daquilo que conhecemos. 
Depois da minha experiência com esta leitura, acho que a Daniela se iria emocionar com este livro. Seria uma leitura diferente para ela e eu gostaria imenso de conhecer a sua reação. 

5. O Psicanalista de John Katzenbach
Já consigo ouvir a Daniela a praguejar Porque é que me lembras dos livros que quero ler, compro e os deixo em lista de espera na estante. Sorry!!
Só tomei conhecimento deste livro através da Daniela. Ela adquiriu-o antes de eu sequer sonhar em lê-lo. O que de facto aconteceu foi que eu acabei por lê-lo primeiro do que ela e posso dizer-vos que ela está a perder uma leitura capaz de lhe encher as medidas e responder às suas necessidades literárias.

Messias  As Últimas Linhas Destas Mãos  Um por Um (Robert Hunter, #5)  Mil Sóis Resplandecentes  O Psicanalista

Espero que gostes das minhas sugestões, Daniela!
E para mim, o que é que sugeres?

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Por detrás da tela | A Dog's Purpose (2017)

Josh Gad in A Dog's Purpose (2017)
Classificação: 8/10 Estrelas

Foi sem qualquer expetativa que comecei a ver A Dog's Purpose. Nunca tinha lido nem visto nada sobre o filme. Quando terminei de ver o filme só pensava na magia que esta história poderá oferecer a quem o vê. 

Este filme é sobre um cão e as suas múltiplas vidas. É um filme sobre o impacto que um animal tem na vida do ser humano, onde a história nos mostra quanto uma relação entre um humano e um cão pode ser especial de diferentes maneiras. 
Nem tudo foi cor-de-rosa e feliz. O filme também deixou a mensagem que nem sempre os animais recebem o amor que deviam. Talvez haja humanos que não estejam preparados para receber o amor que umas quantas lambidelas são capazes de oferecer.

O filme é emotivo e permite-nos olhar para tudo sobre a perspetiva de um cão que vai assumindo diferentes características. É claro que por entre lágrimas de emoção também surgem muitas gargalhadas de alegria e do verdadeiro humor que só um cão muito especial é capaz de oferecer. 

A Dog's Purpose é um filme que se tornará especial para aqueles que adoram animais e capaz de de divertir todos aqueles que não abrem espaço no seu coração para estes peludos cheios de amor para dar. 




quarta-feira, 8 de maio de 2019

Empréstimo Surpresa | Empréstimo Surpresa [Desafio]



Desafio para o livro Às Cegas, de Josh Malerman 




De olhos vendados 

Este desafio vai ser maioritariamente prático. 


Escolhe uma tarefa (de preferência algo mais ligado à sobrevivência, mas não é obrigatório), coloca uma venda nos olhos e tenta completar essa tarefa. Depois vem contar-nos a tua experiência.



Aqui está uma tarefa muito complicada para mim. Tudo o que gosto de fazer depende da visão. Até no meu trabalho dependo dela. 
Não quis complicar muito a minha vida e escolhi ir à casa de banho totalmente às cegas. O facto de conhecer bem o espaço e a disposição do mobiliário tornou a execução mais fácil e pacifica. Consegui completar a tarefa com sucesso, mas muito mais lentamente do que se tivesse usado a visão. Óbvio que o sentido que esteve no ativo foi o tacto. Com as mãos consegui um melhor sentido de orientação e perceber como agarrar no papel higiénico, como usar o sabonete e lavar as mãos e por fim a toalha. 

Como a Daniela partilhou é comigo é uma atividade engraçada para fazer com crianças, tornando-se uma excelente forma de elas perceberem a importância da visão. 
Não é algo desconhecido para mim. Uma vez, umas colegas na universidade durante a apresentação do seu trabalho de grupo, vendaram-nos os olhos à entrada da sala e mandaram-nos entrar e sentar sem ver nada. Ao mesmo tempo colocaram a tocar a música dos Coldplay Fix You. Já não me recordo qual a intenção associada a esta atividade, mas ficou-me na memória por termos feito algo diferente e que nos colocou à prova.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Opinião | "Às cegas" de Josh Malerman (Bird Box #1)

Às Cegas
Classificação: 3 Estrelas

As primeiras páginas deste livro foram bastante interessantes para mim. Este meu interesse foi desencadeado pelas teorias que comecei a formular na minha cabeça. Foram páginas que me remeteram para as minhas aulas de Psicologia Social onde abordamos as dinâmicas de grupo e a pressão que os elementos dentro de um grupo podem exercer sobre outros.

Li o livro sempre com esta teoria em mente. Infelizmente o livro seguiu outra direção e as minhas teorias psicológicas sobre o assunto permaneceram apenas na minha cabeça. Tenho de admitir que fiquei um pouco desiludida porque, para mim, teria sido mais interessante se a história tivesse evoluído com base na minha teoria.

Quando Daniela viu que eu tinha terminado a leitura pediu-me Vá descarrega lá todas as tuas queixas, frustrações e todos os defeitos que tens para apontar (só ela conhece muito bem as minhas paranóias com livros deste género). Porém, acho que a desiludiu! A verdade é que não tenho nada de negativo ou que me tivesse irritado para partilhar com ela.
Do meu ponto de vista, a narrativa está bem construída, há situações que nos deixam em suspense, há situações que provocam algum medo e as personagens aparecem bem enquadradas em todos os momentos da história. Apesar destes aspetos positivos, a história não funcionou comigo. Neste livro em particular, as coisas fizeram-me sentido contudo, não me senti entusiasmada com a história. É um daqueles casos em que a opinião que formo do livro é fundamentada no meu gosto pessoal e naquilo que me entusiasma enquanto leitora.

Não me senti particularmente tocada por nenhuma das personagens. Gostei da Malorie e admirei a sua capacidade de sobrevivência e senti que Tom era um excelente líder. Porém não me marcaram, nem se tornaram memoráveis para mim. No fundo, o que me ficou desta história e que acho que irei recordar serão as circunstâncias de vida que as personagens passaram a ter de enfrentar.

Eu senti falta de alguma adrenalina enquanto li o livro. Quando um livro chega uma determinada etapa, parece que a narrativa fica congelada. A história passou a ser alimentada por incompatibilidades geradas pela convivência forçada e entrou numa espécie de rotina que não me oferecia novas sensações ou revelações. Fiquei aborrecida, senti que a história não nos podia oferecer muito mais dadas as circunstâncias, mas ao mesmo tempo seria uma oferta limitada tendo em conta o caminho escolhido para o desenvolvimento da narrativa.

Quando chego ao final, as coisas começam  a animar um bocadinho. Foi dinâmico, intenso e com sentido tendo em conta as circunstâncias. A única coisa  que me deixou triste foi constatar que a minha teoria saiu completamente ao lado. Sim, ainda alimentei a minha teoria até às últimas páginas. Afinal de contas a esperança é a última a morrer.

Penso que para quem adora livros que se encontram neste género literário vão adorar ler e conhecer esta história. Para aqueles que, como eu, são os mais céticos e racionalistas vale a pensa descobrir este livro e sair da nossa zona de conforto. É uma forma de nos fazer pensar noutras alternativas e quebrar um pouco a nossa linha racional.

sábado, 4 de maio de 2019

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Os motivos]


Desta vez não sabia muito bem que livro enviar à Daniela, por isso pedi-lhe que me indicasse três requisitos que o livro deveria ter. Ela indicou:
  • Até 450 páginas;
  • Que não seja histórico;
  • Que me faça rir.
Considerando estes requisitos a minha escolha recaiu sobre:

Perfume da Paixão (Edilean, #3) 

É um livro com uma narrativa levezinha, com alguns momentos divertidos e que poderá corresponder aos requisitos que a Daniela apresentou.
Espero que gostes.
Não se esqueçam de passar no blog da Daniela para conhecer a reação dela a este livro. 

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Por detrás da tela | "Manchester by the Sea" (2016)

Casey Affleck and Michelle Williams in Manchester by the Sea (2016)
Classificação: 9/10 Estrelas

Manchester by the Sea é um filme poderoso. Quando comecei a ver estava longe de imaginar o turbilhão de emoções que este história guardava. 
No filme conhecemos Lee Chandler, um homem com um passado doloroso e que a morte do irmão o obriga a enfrentar. 

A interpretação de Casey Affleck é brilhante. Eu vi nele um homem perturbado, um homem cheio de angústias e muito magoado consigo próprio. Alguém que cometeu um erro e que o reconhece, carregando-o como se fosse um peso que o impedisse de seguir em frente. 

O cuidado do sobrinho adolescente dá-lhe tempo para ele reconstruir as suas memórias e pensar sobre o que terá de fazer no futuro. 
A forma alheada como ele vai vivendo aqueles dias onde ele viveu e onde os seus fantasmas ficaram a pairar tornou-se angustiante para mim. Sofri imenso ao ver o Lee sofrer. E ele sofria por não se sentir bem ali. Muitas vezes o senti como se algo o asfixiasse e não o deixasse viver. 

Ao chegar a uma determinada fase do filme eu consegui antever o que motivou a fuga de Lee, porém isto não diminuiu o impacto emocional que aquelas imagens tiveram em mim. Foi após esta descoberta que comecei a pensar sobre como é que este homem iria construir o seu futuro. Estava demasiado habituado a estar sozinho, olhava para si próprio como alguém incompetente para tomar conta de alguém. No fundo, a depressão engolia-lhe a alma há demasiado tempo.
Perante este conjunto de fatores, questionava-me como é que ele ia lidar com o facto de se ter tornado o tutor do sobrinho.

E a minha resposta chegou com um final que me apanhou de surpresa pela sua onda inconclusiva. A minha veia positiva esperava um happy end, daqueles bem intensos. Isso não aconteceu, foi ainda melhor do que eu tinha imaginado na minha cabeça. Senti que foi melhor porque foi realista, porque me deixou surpreendida e porque me deixou a pensar em mil e uma possibilidades de tudo o que poderia suceder a seguir. Nem sempre sou fã de finais em aberto, mas neste caso funcionou muito bem.

O filme está muito bem construído com histórias de vida densas e com um forte impacto emocional. Mereceu todos os prémios que ganhou. É um filme que me ficará na memória e que tenho a certeza que gostarei imenso de rever. 

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Abril | Quem chegou?

Este mês foram dois os livros que chegaram aqui a casa.
Conheçam lá os novos residentes em lista de espera.

Troca
Através de uma troca recebi o livro  Espero por ti de Jennifer Armentrout. É um daqueles livros ideal para intercalar com leituras mais complexas e que exigem mais de nós.

Espero Por Ti (Wait for You, #1)

Book Swap
A C. do blog O meu reino da noite dinamizou uma troca de livros para comemorar o Dia Internacional do Livro e dos Direitos de Autor.
O livro que recebi foi O Diário de um Mago de Paulo Coelho. 


sábado, 27 de abril de 2019

Por detrás da tela | "Every day" (2018)

Colin Ford, Angourie Rice, Owen Teague, Jeni Ross, Justice Smith, Sean Jones, and Jacob Batalon in Every Day (2018)

Classificação: 5/10 Estrelas

A visualização deste filme foi um aborrecimento para mim. Foram várias as vezes em que tive de puxar o filme para trás porque estava sempre a adormecer. 

Foram várias as coisas que não funcionaram comigo enquanto via o filme e que me permitiram chegar ao final do filme sem guardar grandes emoções. 
De uma forma muito simples, este filme conta-nos a história de um adolescente que todos os dias "renasce" num corpo diferente. Para atrapalhar ainda mais algo tão complicado na vida deste adolescente, ele apaixona-se por uma adolescente.
Ao longo do filme vamos assistindo às dinâmicas que pautam a relação deles, assim como os problemas que advêm da condicionante de vida do rapaz.

Aparentemente estes aspetos deveriam conferir ao filme dinamismo suficiente para me cativar e me prender ao ecrã. Porém, eu não senti isso! Morri de tédio e de aborrecimento. Acabei por achar um filme um pouco desinteressaste com personagens pouco cativantes e com uma história demasiado básica para as minhas necessidades de estimulação. 

Não sei como será com o livro, porém não senti muita vontade de pegar no livro para ler. 

A minha experiência com este filme não foi a mais positiva acho que este poderá ser um filme capaz de cativar o público adolescente. 

quinta-feira, 25 de abril de 2019

TAG | 25 de Abril com livros / filmes



Vi esta Tag  no blog Momentos de Ataraxia, sendo uma criação original da autora do referido blog. 
Gostei muito desta Tag e achei que poderia ser um forma diferente de eu assinalar um dia que eu tanto gosto. Não sei o que é viver antes de 25 de Abril de 1974, mas conhecendo algumas coisas sobre como era a vida nessa altura faz-me ter muito respeito por todos aqueles que naquele dia de Abril, há 45 anos atrás, não tiveram medo e lutaram por um país melhor. 

Assim, vou responder a esta Tag considerando livros e filmes para ambas as categorias. 


1. Ditadura: um livro/filme que te oprimiu de alguma forma – seja porque não descansaste enquanto não terminaste, seja porque está há muito tempo na estante e tens remorsos, seja porque achaste ofensivo de algum jeito, etc, etc, mas diz-nos qual é aquele livro que sentes que te aprisiona/aprisionou.

Livro: Sinto-me aprisionada pelo livro O circulo fechado de Jonathan Coe por estar há demasiado tempo na minha estante e eu sentir sempre pouca vontade de pegar nele. Nunca me cativou o suficiente para pegar nele, por outro lado até acho que pode estar ali uma boa leitura. 

Filme: Jamais irei esquecer o impacto e angustia que o filme A Lista de Schindler me provocou. Foi um verdadeiro murro no estômago ver a crueldade e o sangue frio de tantas pessoas. O filme foi construído de forma a mexer com as emoções. Quando terminei tinha uma enorme dor de cabeça devido ao sofrimento que passou para mim.
O Círculo FechadoSchindler's List (1993)

2. Salazar: Aquele livro/livro com um protagonista detestável – Já não o(a) podias ver nem pintado(a)

Livro: Mil sóis resplandecentes de Khaled Hosseini tem um personagem masculino que me dá volta às entranhas. A forma como ele trata a esposa é surreal. Apeteceu-me saltar para o livro e espancá-lo.

Filme: Bella dos filmes da Saga Crepúsculo. É uma personagem sem personalidade e super desinteressante.

Mil Sóis ResplandecentesKristen Stewart in The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2 (2012)

3. “Orgulhosamente sós”: aquele livro único que vale por uma trilogia/saga inteira

Livro: Segue o coração. Não olhes para trás de Lesley Pearse. É um livro cheio de reviravoltas e com uma história memorável.

Filme: O Pianista é um filme que apesar da dureza fica no coração. A capacidade de sobrevivência e o poder da música aliaram-se para produzir uma história memorável.

Segue o Coração - Não Olhes Para TrásThe Pianist (2002)

4. PIDE: qual foi aquele livro que leste e adoraste mas que a sociedade nutre ódio/preconceito? É aquele livro que se disseste no teu círculo de “amigos” que leste (e adoraste) todos te olham de lado.

Livro: Aparição de Virgílio Ferreira, uma leitura obrigatória do 12º ano da minha altura que não reuniu muitos simpatizantes. Eu gostei muito! Talvez pela influência do meu professor de português que me fez pensar na história e na sua mensagem.

Filme: Enquanto Dormias tem como classificação no IMDb de 6.7. Eu classifiquei-o com 8. Não é uma obra prima do cinema, mas é um filme com boas energias e com uma atriz que que adoro.

ApariçãoSandra Bullock and Bill Pullman in While You Were Sleeping (1995)

5. “Grândola Vila Morena, Em cada rosto igualdade”: uma personagem pela qual te identificaste ou sentiste que poderia ser o(a) teu(tua) melhor amigo(a) (caso existisse na realidade)

Livro: Ursula Powell do livro Regresso a casa de Deborah Smith. Eu gostei muito da Ursula e senti uma grande empatia por ela por aquilo que ela estava a passar. Facilmente seria amiga dela.

Filme: A Louisa Clark ("Lou") do filme Viver depois de ti. Ainda não li o livro, mas o que vi pelo filme seria muito fácil e agradável ser amiga desta rapariga de gostos simples e com uma enorme alegria de viver.

Regresso a CasaSam Claflin and Emilia Clarke in Me Before You (2016)

6. A Revolução dos Cravos: O livro que revolucionou a tua vida. Podes ter lido muitos depois desse, mas aquele… aquele livro terá sempre um lugarzinho especial no teu coração.

Livro: A Lua de Joana de Maria Teresa Maia Gonzalez ficará para sempre guardado no meu coração. Foi o livro que marcou a minha adolescência e que me fez conhecer a adrenalina de uma leitura compulsiva.

Filme: Moulin Rouge foi o primeiro filme que me fez chorar. Foi muito emotivo e ficará para sempre guardado  na minha memória.

A Lua de JoanaResultado de imagem para moulin rouge filme

7. Democracia: seleciona dois livros/filmes que tenhas para ler e deixa os teus seguidores escolherem um para ser a tua próxima leitura (ou para leres quando tiveres oportunidade)

Livros: São muitos os livros que tenho para ler, mas vou deixar a votação os seguintes:
  1. A Filha do Barão de Célia C. Loureiro
  2. Revelação inesperada de Andrea Kane
Filmes: Não tenho uma lista de filmes que quero ler. Quantos aos filmes funciono muito tendo em conta os que tenho disponíveis para ver e o que me apetece ver.
A Filha do BarãoRevelação Inesperada (Pete 'Monty' Montgomery, #2)

8. Liberdade: Recomenda qualquer livro/filme que te faça sentir feliz por teres a oportunidade e liberdade para o ler.

Livro: O conto da ilha desconhecida de José Saramago. Dados os ideias de Saramago este conto não estaria publicado se não vivêssemos em liberdade. Isso seria uma enorme perda para mim porque gostei muito da escrita e da história.

Filme: Capitães de Abril, se não fosse o 25 de Abril jamais teria tido a oportunidade de ver este filme e conhecer a ousadia de Salgueiro Maia.

O Conto da Ilha DesconhecidaCapitães de Abril Poster

9. Em memória das vidas roubadas: um livro com uma personagem forte que luta, seja de que forma for, pela sua e pela liberdade dos seus pares.

Livre: Sorcha do livro A Filha da Floresta. Uma personagem feminina com muita força de vontade e que cumpre a sua missão até ao fim.

Filme: Ben do filme Capitão Fantástico. A sua visão alternativa da vida faz com que desafie as convenções e faça aquilo que lhe faz mais sentido no que respeita à educação dos filhos.

A Filha da Floresta  (Trilogia de Sevenwaters, #1)George MacKay in Captain Fantastic (2016)

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Opinião | "Uma Voz Perdida na Guerra" de Cesca Major


Classificação: 5 Estrelas

Precisei de uns dias até me conseguir sentar e escrever uma opinião para este livro. O final do livro apertou-me o coração de uma forma difícil de descrever. Não me levou às lágrimas, mas apanhou-me de surpresa e precisei de digerir os acontecimentos e as consequências desses mesmos acontecimentos. 

Acabei por começar a opinião fazendo referência ao impacto que o final deste livro teve em mim. Mas preciso de vos escrever sobre a experiência desta leitura, experiência esta que contribuiu para todas as emoções sentidas no final.

Uma Voz Perdida na Guerra leva-nos a uma pequena aldeia francesa e ao quotidiano de diferentes pessoas que é afetado pela 2ª Guerra Mundial. É um livro que inova na forma como nos apresenta este período da história, pois não lemos sobre a vida nos campos de concentração nem das zonas de batalha. É um livro que vai mais além e nos mostra outra face da Guerra. Mostra-nos a vida de pessoas que não estão diretamente num cenário de guerra e que procuram fazer uma vida dentro da normalidade possível. Conhecemos pessoas que sofrem com o medo de serem judeus, com o medo que a guerra lhes roube a pouca tranquilidade que têm, com saudade por aqueles que se aventuram pelas trincheiras ou com medo de viver um amor. 

De forma a acedermos às diferentes visões, a autora escolheu contar-nos a história na voz de diferentes personagens: Adeline, Isabelle, Paul, Sebastian e Tristan. 
Gostei da forma como todas estas personagens intervêm. Da Adeline guardo a angústia que se apoderou dela e da dificuldade de enfrentar os seus medos enquanto é cuidada pelas freiras. É uma personagem que nos narra a sua experiência uns anos depois da Guerra. 
Da Isabelle guardo a sua leveza de ser, o seu espírito livre e sonhador e a forma como amou Sebastian apesar de todas as dificuldades. O amor foi recíproco, tanto que do Sebastian me ficou a forma como ele venerava Isabelle e da forma como ele expressou o seu amor por ela. 
O Paul deixou-me a coragem de um rapaz que deixa tudo para ir defender a pátria, mas quando volta é capaz de enterrar os seus próprios fantasmas para dar e receber amor. 
Por fim, o Tristan, uma criança de nove anos, deixa-me a inocência que tolda a forma como olha para a Guerra e para as clivagens que ela conta. Mostra-me que o preconceito numa criança é muito fruto daquilo que os adultos que a rodeiam lhe passam. É um espírito livre e aventureiro, com atitudes que me demonstram o quanto as crianças são capazes de simplificar coisas que, na realidade, são extremamente complicadas. E, no fim, deixou-me o seu maior ato de generosidade. 

Acho que este é um daqueles livros que encantará os fãs de livros com narrativas que decorram durante este período histórico como aqueles que os têm evitado por estarem cansados de verem narrativas a irem sempre na mesma direção e relatando aspetos semelhantes. 
É um livro que tem romance, mas ao mesmo tempo nos leva a lutas pela sobrevivência, a angústias pessoais e ao terror que só uma guerra consegue semear. 

Como já escrevi anteriormente, o final apanhou-me de surpresa (Atenção: não leiam a nota da autora que está no final do livro sem terminarem a leitura. Leiam-na apenas no fim. Aliás ela aparece no final por alguma razão. Porém se forem como eu, por vezes a curiosidade leva-nos a melhor). Fui surpreendida pelos acontecimento e pelo sentimento de frustração que só um final em aberto é capaz de nos deixar. 

É um livro que vale cada minuto que perdi com ele. Houve momentos em que me vi a poupar na leitura para não o terminar tão depressa. E houve outros momentos em que parei a leitura de forma propositada para pensar naquilo que estava a acontecer (é certo que ando muito reflexiva e com muitos períodos de introspeção e que esta leitura só os ativou um pouco mais). 
Portanto, arrisquem-se a mergulhar nas fantásticas histórias de vida que este livro nos permite conhecer.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

terça-feira, 23 de abril de 2019

The Book Swap | Livro recebido


The Book Swap foi um projeto criado pela bloguer que dinamiza o blog O meu reino da noite, com o objetivo de celebrarmos o Dia Mundial do Livro. 
Houve um sorteio entre os participantes para que enviássemos um livro. Nesta dinâmica de trocas, alguém iria ficar com o nosso nome. 

Assim, hoje estou aqui para agradecer à menina que me enviou um livro. Muito obrigada, Catarina.
A Catarina é a responsável pela conta Mais Que Ler no Instagram.
Achei a escolha dela muito curiosa. O livro que veio parar à minha estante foi:

O Diário de um Mago
Paulo Coelho

Achei a escolha dela curiosa porque entre os meus 16 e 18 anos li muito Paulo Coelho. Li todos os livros que havia na biblioteca, mais que me tinham oferecido. Este, por acaso, nunca foi um dos que ficou por ler. 
Depois daquele entusiasmo adolescente, a febre passou e nunca mais voltei a ler Paulo Coelho. Acho que o último livro que li foi O Zahir. 
Na altura adorei os livros dele, por isso estou curiosa para saber o que o meu eu adulto sente com a leitura. Estou na expetativa, mas espero que a experiência seja positiva e me deixe com vontade de ler os livros do autor que foram publicados mais recentemente.

A Catarina foi uma querida e para além de uma mensagem bonita ainda me ofereceu três marcadores que são muito bem-vindos à minha coleção.


Gostei de todos, mas fiquei com o carinho especial pelos da Sophia já que sou uma grande fã dos seus livros infantis e da sua poesia.

Nunca se esqueçam, um livro é o melhor remédio para a ignorância. Feliz dia mundial do livro!!