terça-feira, 31 de julho de 2018

Quem chegou | Julho

Este mês foi parado em termos de livros que chegaram cá a casa.
Bem, resta-me o pensamento de que mais vale poucos e bons. E foi isso mesmo que aconteceu este mês...

Oferta Editora
Um por Um (Robert Hunter, #5)

Este foi o único livro a chegar cá a casa durante o mês de Julho. Foi uma excelente leitura. 

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Opinião | Contos

Felicidade Clandestina

Finalmente consegui terminar de ler todos os contos deste livro. Aqui seguem as opiniões aos últimos dez contos.

ContoCem anos de perdão
Classificação: 4 Estrelas
Neste conto reside a inocência da infância e no valor das coisas para quem vive com pouco. Também acho que aquela menina teria 100 anos de perdão por roubar uma rosa daqueles jardins que pertenciam às casas das pessoas ricas. Tenho a certeza que nenhuma daquelas pessoas ricas valorizava tanto aquelas rosas como a pequena ladra de flores.

ContoA legião estrangeira
Classificação: 2 Estrelas 
Deste conto pouco me ficou na memória. Achei-o confuso e sem sentido específico. No fundo, não percebi de onde parti nem para onde a autora me queria levar. Ficou apenas a beleza da escrita e o magia do crescimento de uma criança.

ContoA repartição dos pães
Classificação: 1 Estrela
Este conto tem apenas duas páginas. Olho para ele como se ele fosse uma pequena reflexão acerca da forma como queremos que o tempo passe e a forma como olhamos para a partilha.

ContoOs obedientes
Classificação: 3 Estrelas
Um conto que nos traz a história de um casal comum, que vive uma vida comum regida pelos padrões e regras próprias. Em alguns momentos senti-os como um casal claustrofóbico, que vivia preso aos seus próprios padrões. Acho que a mensagem do conto é acerca da forma como uma vida a dois deve ser vivida e encarada. Acho, também, que o conto quer mostrar que apesar da rotina ser importante não nos devemos vergar a ela, porque isso mata-nos a alma.

ContoMiopia Progressiva
Classificação: 2 Estrelas
Sinto-me bipolar ao ler os contos desta autora. Há contos onde a mensagem me parece óbvia e se alia a uma escrita cativante. Outros contos eu não consigo perceber qual a mensagem subjacente.
Este insere-se naqueles que são um enigma para mim. Percebi o conto sem compreende-lo na sua totalidade. Até mim, chegaram apenas os fragmentos de uma mensagem que presumo que seja mais complexa.

ContoPerdoando Deus
Classificação: 3 Estrelas
Este é um conto muito reflexivo. Um conto que nos mostra que nem sempre estamos a olhar para o local certo. Muitas vezes atravessamos a vida sem ver verdadeiramente aquilo que nos rodeia. de forma bastante interessante, a escritora explora estas formas de olhar o mundo e vai mais longe ao abordar as questões do amor próprio e da auto-estima.

ContoO grande passeio
Classificação: 4 Estrelas
Este conto retrata a velhice e a forma como os mais novos olham para os idoso. Achei engraçada a ideia de dar aqui um papel mais ativo a esta idosa, não a vitimizando, nem diminuindo. Apesar dos outros não a quererem ela consegui sempre dar a volta ao contexto, valorizando as coisas boas que daí poderia retirar. 

ContoAs águas do mundo
Classificação: 2 Estrelas
Um conto simples que pretende retratar a relação de uma mulher com o mar. Aquilo que mais gostei no conto foi o jogo de sensações que a autora conseguiu dar ao texto. 

ContoEncarnação involuntária
Classificação: 3 Estrelas
Um conto curto que nos deixa a pensar até que ponto somos permeáveis às influências e aos preconceitos dos outros. É claro que o conto apresenta uma visão exagerada das coisas, mas deixa-nos a pensar.

Conto: A mensagem
Classificação: 1 Estrela
Mais um conto a somar pontos à minha ignorância. Não consegui perceber qual o sentido da história deste conto. Foi tudo tão confuso, que me fui perdendo ao longo da leitura. 

domingo, 29 de julho de 2018

Palavras Memoráveis

"Como origami", pensei. "Podia dobrar-me ao meio e depois mais uma vez, e assim por diante, até ser outra pessoa completamente diferente. "
Jodi Picoult, Frágil

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Visões #3 | Doar o corpo à ciência

Resultado de imagem para doar o corpo à ciência em portugal

Falar dos nossos interesses e vontades para depois da nossa morte não é um tema muito consensual, nem muito bem aceite no seio da família. Por isso, só muito recentemente (e muitas vezes em jeito de brincadeira) digo que não quero ir para nenhum cemitério e servir de alimento aos bichos, também não quero ser cremada. Aquilo que que eu quero é que o meu corpo seja doado à ciência. 

A verbalização desta minha vontade já deu aso a múltiplos comentários e nenhum deles foi favorável. Aquilo que oiço mais vezes é "és doida", "não sabes o que estás a dizer", "meu Deus e ficas sem funeral". Reconheço que viver no interior do país e com mentalidades um pouco paradas no tempo não abone a favor destas "modernices" da ciência e da investigação científica. 

Considero-me uma mulher da ciência. Tenho um respeito enorme por aqueles que dedicam o seu tempo a estudar e investigar novas formas de melhorar a nossa qualidade de vida. E apesar de existirem inúmero recursos para o estudo da anatomia nada substitui a realidade e a possibilidade de se estudar em cadáveres humanos. 
Até que ponto o nosso corpo pode ser um meio de chegar a novos conhecimentos? Até que ponto o nosso corpo será motivo de descobertas científicas capazes de ajudar outras pessoas? 

Não gosto de funerais nem dos rituais associados aos mesmos. Reconheço a sua importância para o processo de luto pessoal, mas para mim são verdadeiros momentos de agonia e de desespero. Assim que comecei a ouvir falar sobre as doações de cadáveres, tenho procurado ler mais sobre o tema e tentar perceber como se processam as coisas e quais as mais valias para a ciência deste ato pessoal.

À medida que vou lendo vou somando certezas e eliminando algumas reservas e dúvidas. Tenho lido vários artigos, opiniões, visões sobre o tema. Quero conhecer tudo o que me seja possível, quero saber como funcionam todos os processos e adoraria visitar os serviços que estão relacionados com a doação de corpos. Quero perceber melhor qual o impacto destas doações nos serviços e nos futuros profissionais de saúde. No fundo, quero ter o máximo de informação para que a minha decisão seja esclarecida.

É claro que nada é assim tão simples e apesar de ir somando as tais certezas relativamente a uma possível doação, não posso esquecer qual o impacto desta minha decisão na minha família atual e numa possível família futura. Sei que para muitas pessoas é importante ter uma campa no cemitério para visitar. Sei que para outras tantas pessoas todos os rituais associados aos funerais são importantes para resolverem interiormente o sentimento de perda. Estes pensamentos sobre os outros e as suas reações acabam por abalar um pouco as minhas certezas. Não quero ser um peso, ou uma tristeza adicional para aqueles que cá ficam. Não quero que as minhas escolhas sejam associadas a algum tipo de egoísmo. 

Para mim a doação faz todo o sentido. Talvez só precise que as pessoas à minha volta compreendam e aceitem as minhas decisões. Quero acreditar que ainda me falam muitos dias pela frente, dias onde poderei ler mais sobre o assunto, conhecer melhor os locais que aceitam estas doações, viver muito e intensamente e, assim, tomar uma decisão o mais conscientemente possível. 

Gosto muito de saber o que as outras pessoas acham acerca do tema. Por isso, abro aqui a discussão: o que é que acham da doação de corpos para fins de investigação? Seria uma decisão confortável ou desconfortável para vocês? 
Adoraria perceber o que pensam. 

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Opinião | "Um por um" de Chris Carter (Robert Hunter #5)

Classificação: 5 Estrelas

O entusiasmo dominava o meu espírito no momento em que iniciei esta leitura. Foi um entusiasmo que nunca se esgotou e manteve-me agarrada à história e às personagens até à última palavra. Como já havia constatado no livro anterior que li, o autor sabe escrever e sabe como conquistar os leitores. Para quem gosta de policiais o livro será soberbo. Para aqueles que não são grandes fãs do género, correm um sério de risco de começarem a gostar deste género literário. 

Afinal, o que é que distingue este livro de outros livros do mesmo género? As personagens cheias de "esquinas" obscuras que nos surpreendem a cada virar de página, os crimes e toda a linha de investigação é desenhada e pensada ao pormenor para que não fique nada por explicar e a escrita fluída e simples que torna a leitura uma experiência agradável e cheia de prazer.

Ao longo do livro dou por mim a apreciar cada pista, cada cena de crime sem estar preocupada em descobrir o responsável pelo assassinato daquelas pessoas. Acho que um dos segredos do sucesso destes livros para comigo, é o interesse e a curiosidade em descobrir o que é que motiva o/a criminoso/a a cometer tais atrocidades. No fundo, acaba por ser mais importante descobrir as motivação e a explicação que sustenta toda a carga narrativa, deixando a descoberta do/a responsável um pouco em segundo plano. 

Comparativamente ao livro anterior que li (O escultor da morte), Um por um mexeu mais com o meu sistema nervoso. É uma história muito sensitiva, que mexe com o nosso interior. Tive situações em que me senti enjoada, outras em extrema agonia só por imaginar o sofrimento e outras completamente perplexa com a inteligência do autor para construir um enredo deste calibre. 
À parte de toda a complexidade inerente à investigação criminal é um livro que nos deixa a pensar no comportamento humano, na crueldade que habita nas pessoas, na ausência de escrúpulos e no gosto mórbido das pessoas relativamente à morte e à tortura. É apenas ficção, mas acaba por trazer para discussão estes aspetos interessantes e importantes relacionados com o comportamento humano. Acredito que, se tudo fosse real, não andaria muito longe daquilo que o autor nos descreve.
Assim, temos um excelente policial que abre caminho a discussões e reflexões mais intrigantes. 

Para aqueles que ainda estão reticentes em pegar no livro por ele integrar uma série, podem já eliminar todos os "nãos" que vos impedem de ler. É um livro que pode ser lido de forma independente dos outros. Em nenhum momento a não leitura dos volumes anteriores interferiu com a compreensão da história. Relativamente às personagens "residentes", o autor é sensível e deixa alguns apontamentos que nos permite compreender as personagens e as suas escolhas. 
O que é que ainda vos impede de dar uma oportunidade a este autor?

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião sincera.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

TAG | 7 Provérbios, 7 Livros

Esta é uma Tag original criada pela autora do blog Mar, que eu vi no blog da Cláudia, A mulher que ama livros.
Gostei imenso da Tag e achei que seria interessante responder-lhe. Já há muito tempo que não faço uma Tag por aqui e esta pareceu-me de rápida resposta. 
Cá vão as minhas respostas:

1| A pensar morreu um burro.
Um livro que enrolou, enrolou, enrolou e parecia nunca mais chegar ao fim.
Uma Morte Súbita

Uma morte súbita de J. K. Rowling, este livro tem uma narrativa muito lenta. Os primeiros capítulos são um pouco aborrecidos e deixam a  ideia de que a narrativa não avança. Foi uma leitura sofrível... Nunca mais via o fim disto.

2| Mais vale tarde do que nunca.
Um livro que não estavas a gostar muito, mas depois *puff fez-se luz* teve um final muito bom
Caçadores de Cabeças

Caçadores e cabeça de Jo Nesbø, não foi um livro que me tenha conquistado. Não foi uma leitura magnífica, mas o final é bastante surpreendente.

3| Antes só que mal acompanhado.
Um livro único (stand-alone) espetacular
Perguntem a Sarah Gross

Perguntem a Sarah Gross de João Pinto Coelho, foi uma leitura recente e que me atirou para uma ressaca sem precedentes. Ainda hoje continuou a lutar com a pouca vontade de ler.

4 | A galinha do vizinho é sempre melhor do que a minha.
Um livro muitas vezes comparado a livros ou sagas populares, mas que ficou um pouco abaixo das expetativas
Sorrisos Quebrados

Sorrisos quebrados de Sofia Silva é um livro que aparece muitas vezes comparado a livros da Colleen Hoover. A comparação não é muito verdadeira. Este livro está bastante distante dos livros da Coolleen Hoover.

5 | Para bom entendedor meia palavra basta.
Um livro curto, mas bom
Emocionario: Di lo que sientes

Emocionário de Cristina Núñez Pereira e Rafael R. Valcárceln é um livro infantil que nos apresenta as emoções. De uma forma muito simples, o livro apresenta-nos as emoções com ilustrações de nos prenderem às páginas.

6 | Todos os caminhos vão dar a Roma.
Um livro e/ou universo literário para o qual gostavas de viajar.
Regresso a Mandalay

A ação central de Regresso a Mandalay de Rosanna Ley passasse na antiga Birmânia. As descrições ricas em cheiros, sabores e sensações visuais semearam em mim uma enorme vontade de conhecer este local.

7 | Quem te avisa teu amigo é.
Recomenda três livros
O Escultor da Morte (Robert Hunter, #4)  Mil Sóis Resplandecentes   Sonhos Proibidos (Belle #1)

Tentei deixar aqui tens livros diferentes e, assim, aumentar a possibilidade de oferecer uma recomendação a pessoas com gostos diferentes.
O escultor da morte de Chris Carter é um dos melhores policiais que já li na vida. Toda a narrativa é interessante e bem construída. Mais do preocupados em descobrir o/a assassino, os leitores ficarão presos à sequência dos acontecimentos. 
Mil sóis resplandecentes de Khaled Hosseini é um livro que nos fica na pela. A história é muito intensa e impregnasse no nosso coração de uma forma muito especial
Sonhos Proibidos de Lesley Pearse é um livro ao estilo da autora. Muito drama, muitas reviravoltas... Mas no fim fica as personagens memoráveis que figuram num romance emotivo e que enche a alma de positividade.

domingo, 22 de julho de 2018

Palavras Memoráveis

As famílias nunca são como desejamos que sejam. Todos queremos o que não podemos ter: a filha perfeita,  marido devotado, a mãe que abdicou de nós. Vivemos nas nossas casas de bonecas para adultos completamente alheios a que, a qualquer momento, uma mão possa lá entrar e alterar tudo a que estamos acostumados.
Jodi Picoult, Frágil

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Divulgação | "Um por um" de Chris Carter


Um por um | Chis Carter | 416 páginas | Comprar aqui

Acontece poucas vezes, mas com Chris Carter foi amor ao primeiro livro. Quando terminei a leitura do livro O escultor da morte percebi que estava ali um excelente escritor de policiais. Desde a escrita, à construção da narrativa e à inteligência que está subjacente à criação de todas as cenas do crime, tudo naquele livro em agarrou.
Já comecei a ler Um por um e as sensações que ficaram da primeira leitura, mantêm-se. Está-me a tirar o fôlego e a mexer com as minhas sensações. Para quem é fã deste género de livro, vai delirar com estas histórias e com estas personagens, para quem não é fã poderá ter aqui uma excelente oportunidade de conhecer um autor fabuloso e, quiçá, começar a gostar de ler um bom policial. Acreditem, depois de lerem o primeiro não vão conseguir deixar de acompanhar a série (nota: os livros podem ser lidos de forma aleatória. Apesar de ser uma série, a leitura pode ser feita de forma independente, em nada interfere a nossa capacidade de compreensão).  

****

Sinopse
O público escolhe. Eles morrem.
Um por Um.
Quem será o próximo?
Preciso da sua ajuda, inspetor: afogamo-lo ou queimamo-lo vivo?

O inspetor Robert Hunter, da Divisão de Assaltos e Homicídios da Polícia de Los Angeles, recebe um telefonema anónimo de alguém a dizer-lhe que vá a uma transmissão privada num endereço específico da Internet. Hunter regista-se e depara-se com um espetáculo macabro, feito apenas para os seus olhos. Mas quem telefonou não quer que ele se limite a observar; quer que ele participe. E a recusa não é opção.

ESCOLHA! Fogo ou água?

Obrigado a fazer uma escolha brutal, ele tem de assistir em direto à tortura e à morte atroz de uma vítima não identificada. A Polícia de Los Angeles e o FBI usam todos os meios ao seu dispor para localizar a origem da transmissão, mas este assassino não é um amador, e ocultou todo o seu rasto. E antes mesmo de Hunter e o seu parceiro, Garcia, terem tempo de começar a investigação, eis que o primeiro recebe um novo telefonema. Um novo endereço. Outra vítima. Mas desta vez o homicida elevou o jogo a um nível superior.

Transformou-o num programa ao vivo a que toda a gente pode assistir e onde cada um pode decidir sobre como deve a vítima morrer.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Opinião | "Longe do meu coração" de Júlio Magalhães

Longe do Meu Coração
Classificação: 2 Estrelas

Nunca tinha lido nada de Júlio Magalhães. Foi mais uma aventura que decidi correr. Não foi uma leitura magnífica, mas satisfez algumas das minhas necessidades enquanto leitora. 

Longe do meu coração tem uma história interessante e que me diz alguma coisa, mas não está contada de forma apaixonante. É uma escrita simples, mas em que o autor se limita a contar a história e não aprofunda nos sentimentos nem reações das personagens. Fiquei triste, porque a ideia de base da história é interessante, as personagens têm imenso potencial, mas parece que tudo ficou bloqueado.

A minha relação com a temática do livro tem a sua costela mais sentimental. Sou filha e neta de emigrantes. O meu pai não precisou de ir a "salto" para lado nenhum, mas passou muitas dificuldades. O meu avô foi a "salto" para França e, tal como o Joaquim, nunca contou a ninguém as condições em que a viagem se realizou. Relativamente às dificuldades que viveu enquanto Português em França contou algumas, mas preferia recordar quando conseguiu vir a Portugal, naquilo que trazia para os filhos e nas idas da minha avó a Paris. Esteve lá 30 anos. Veio com imensos problemas de saúde e com com a dependência do álcool que por locais da cidade luz o deve ter ajudado a encobrir a solidão e a miséria em que vivia. Já faleceu há dez anos, mas as suas histórias enquanto emigrante ainda vão pairando nas conversas. 
Parte da família do meu pai também vive em França. Também eles relatam as dificuldades inicias de se viver num novo país, mas que eram suportáveis comparativamente à fome e à miséria que passavam em Portugal.  

Bem, foram estes sentimentalismos que me aproximaram um pouco da mensagem do livro. É uma realidade da história de Portugal que merecia um pouco mais de atenção. Devem existir imensos Joaquins por este Portugal fora que hoje, graças ao trabalho árduo em França, gozam de uma reforma pacata e desafogada. Outros tantos não devem ter feito as pazes com o seu país Natal e dão asas à sua felicidade na terra que os acolheu.

Apesar da escrita ser muito pobre, consegui perceber muito bem as dificuldades dos Portugueses que na década de 60 arriscaram um vida em busca de melhores condições e foi interessante perceber que o trabalho árduo foi recompensado.
Acabei por ficam feliz com o final desta história. É um livro bom para os dias mais quentes e em que nos apetece ler algo mais "ligeiro" e que não exija muito esforço cognitivo da nossa parte. 
Foi mais um autor masculino que fiquei a conhecer. Ainda darei uma nova oportunidade ao autor para perceber se ele consegue usar outro estilo de escrita que seja mais cativante e me faça apoderar das personagens e dos acontecimentos. 

domingo, 15 de julho de 2018

Palavras Memoráveis

Quando mostramos a alguém o que sentimos, é espontâneo e sincero. Quando dizemos a alguém o que sentimos, por trás das palavras pode haver apenas hábito ou expetativa. Aquelas palavras são as que toda a gente usa; simples sílabas não podem conter algo tão raro como o que eu sentia por Sean. 
Jodi Picoult, Frágil

sábado, 14 de julho de 2018

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Desafio]


Terminada a leitura é altura de responder ao desafio que a Denise me propôs para o livro Limões na madrugada de Carla M. Soares.




Os cinco sentidos

Os limões e o seu perfume apresentam um significado especial para Adriana.

Procura identificar os cinco sentidos na tua vida:

- um som especial;
A buzina do carteiro! Geralmente é sinal de envelopes com coisas boas para mim.

- um perfume que se destaque;
Alfazema. Sou viciada neste aroma. Acho-o calmante e adoro a flor. Tenho um saquinho na estante, oferecido por uma pessoa especial, que contém alfazema seca e que perfuma o ar.

- um sabor que te cative;
Prefiro doces a salgados e, de entre os doces, aquele sabor mesmo especial é sabor do maracujá. Adoro o sabor em gelados, rebuçados e claro a própria fruta. Eles já crescem no meu jardim, mais um mês e poderei sentir o sabor novamente.

- uma textura que não esqueces;
Não sou muito de texturas e de lhe prestar atenção, mas adoro sentir a textura das camisolas de lã no Inverno. É uma forma de sentir aconchego.

- uma visão que te deslumbre.
O pôr do sol visto pela janela do meu quarto. Hoje não vos posso mostrar, está nublado, mas quando dá para ver é uma imagem bonita. É agradável ver o sol a esconder-se, gradualmente, por detrás de uma montanha. 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Opinião | "Sorrisos quebrados" de Sofia Silva (Quebrados #1)

Classificação: 1 Estrela

Nota: Esta opinião contém spoilers

Desde já quero pedir desculpa aos meus leitores pelo uso de spoilers na opinião a este livro, mas não os consigo evitar. Quero fundamentar muito bem a classificação que atribui e que poderá surpreender-vos, uma vez que é um livro muito bem cotado no Goodreads e já conquistou imensos leitores.

Assim que saiu este livro admito que fiquei curiosa com a história, ou não fosse eu uma fã de romances com drama à mistura. A Denise foi uma querida e emprestou-me o seu exemplar (depois da experiência dela, acho que ela queria era ver-me a destilar frustração e impaciência - brincadeira). 
Comecei a leitura já um pouco reticente. Aquele entusiasmo inicial diminui à medida que a Denise partilhava comigo algumas das suas impressões sobre o livro. 

Visão geral do livro
Este livro tem uma das edições mais bonitas que já me passou pelas mãos. A capa está muito bem conseguida e o interior acompanha esta delicadeza. Mas a beleza do livro fica por aqui. Com uma escrita mediana, cheia de frases feitas e detentoras de uma filosofia barata que nos transforma os diálogos numa experiência surreal. Nós não comunicamos com as pessoas usando, constantemente, frases que parecem retiradas daqueles livros de citações. Este estilo de escrita fica pior nos diálogos. Quando é narração uma ou outra frase destas, inserida de forma correta e com sentido, não me atrapalha. Já nos diálogos faz-me trepar paredes por me sentir afastada da história, pois tudo me soa artificial. 

A partir de agora vão começar os spoilers...
Depois de partilhar com vocês esta visão mais geral tenho de destacar certos aspetos da história que a tornam pouco credível aos meus olhos. Sim, eu sei,é um livro e não a realidade. Mas quando escrevemos um romance com características contemporâneas ou inserido no género YA, ou mesmo numa romance de época não queremos que ele pareça real aos nossos olhos? Eu gosto de sentir essa aproximação à realidade. Gosto de me apoderar da história e pensar fogo isto parece mesmo que está a acontecer aqui ao meu lado. 

O prólogo tem logo um conjunto de situações mal explicadas. Paola decide fugir do marido violento, que está em casa, pois ela até sabe quais as escadas evitar para que não seja ouvida pelo marido que está... não sei onde, mas pelo comportamento da nossa personagem feminina ela sabe onde ele está. Mas, qual milagre ou poder do teletransporte, ele aparece-lhe no carro. Podem dizer, que há vários caminhos para ir para o carro, que ela não se apercebeu... A mim parece-me pouco credível pela forma como ela descreve o seu percurso até ao carro. Então o Roberto está sentado na parte traseira do carro e consegue agredi-la dali com uma facilidade que me deixou a pensar (sim, fui-me colocar na parte traseira do carro para testar). Poderia ser possível, mas os movimentos ficam muito limitados e tendo em conta a estrutura física da Paola não acho que tenha sido a opção mais correta. 

A narrativa avança e temos a Paola numa clínica. Não consigo perceber de onde vem o dinheiro para a Paola ficar tanto tempo numa clínica. Dá a sensação que ela é uma "dondoca" que nunca precisou de fazer nada na vida e que os pais financiam todas as suas necessidades. E depois a "clínica" é um tanto ou quanto irreal ao misturar pessoas com incapacidade física com a pessoas que estejam a lutar contra traumas e sofrimento psicológico muito específicos. Geralmente, não se misturam estes grupos em comunidades terapêuticas, uma vez que as necessidades são muito diferentes. Mais um ponto que não abona para a criação de uma cenário real. Também aqui assisti a uma das conversas mais estranhas entre a Paola e o seu psicólogo. Foi uma espécie de consulta, com os diálogos cheios de frases feitas, sem realismo, sem emotividade e sem expressividade. E claro, era uma "clínica" tão descontraída que até permitia que os pacientes recebessem visitas no quarto e até dessem umas cambalhotas na cama.

O André também me causou muita comichão mental. Ele transpira sexo por todos os lados do corpo. Só procura a Paola para sexo, ou para sexo e depois para uma espécie de conversa. Nunca senti o carinho e amor a nascer entre os dois, nunca vi aquela relação crescer com diálogos, momentos de interação realistas... Entre eles, era tudo uma questão física. Houve um momento em que o meu cérebro parou!! Quando li a passagem em que o André experimenta um sexo algo selvagem, com direito a palmadinhas. Como é que uma mulher, sujeita a tamanho sofrimento numa relação abusiva  e cheia de violência, consegue sentir prazer com uma experiência sexual tão dura e exigente (logo num dos primeiros encontros)? Sei que cada caso é um caso, mas a probabilidade de tal acontecer na realidade é ínfima. Não gostei deste André, não gostei da forma dramática que a autora o pintou. Era um homem que vivia para o trabalho, para a filha e para o sexo. E é isto que nos oferece esta personagem. Para mim, tornou-se vazio e sem empatia nenhuma. 
A dinâmica entre André e Paola não é muito cativante e  só piora com a tentativa de provocação de ciúmes com o Jorge. Ah! O Jorge é outra alma quebrada, que apenas serve para introduzir mais drama e não trazer nada de novo e significativo à história e às personagens.

A Sol é uma criança amorosa. Gostei de algumas coisas dela e de algumas intervenções dela, mas a carga dramática que lhe foi atribuída não faz sentido. Ela foi vítima de negligência física e emocional grave quando ainda era uma bebé de colo. Felizmente, não ficam memórias desse género em bebés. É irreal o contexto que a escritora criou. Teria feito mais sentido se ela pegasse por possíveis marcas físicas no corpo! Como ela descreve que a menina foi queimada com pontas de cigarro, poderia ter explorado por aí, criado algumas inseguranças, jogar com o facto de pertencer a uma família monoparental, onde a mãe está ausente. Agora torná-la numa criança antissocial e atribuir como causa desse comportamento algo que ela vivenciou com meses de idade, não faz sentido.
A explicação para o facto de ela não ser filha do André também não é convincente. Tenho casos na família em que os avós são morenos de cabelo castanho, o mesmo acontece nos pais e os filhos nascem loiros e com olhos claros. A genética não é algo tão linear-

Por fim, quero escrever sobre o contexto social criado pela autora. Acho que ela faz uma mistura entre o contexto português e o brasileiro. Não está bem clara essa caracterização. No Brasil, até há uns tempos atrás (agora não faço ideia como esteja) os estudos universitários eram gratuitos. Vi muito gente vir para Portugal com boas bolsas de doutoramento e com tudo pago. Pelo que me contavam só pessoas de nível socioeconómico muito baixo, que vivem em favelas é que facilmente abandonam os estudo. Posso estar enganada, mas dado o lugar onde o André e os pais viviam não me parecia uma zona de famílias com poucos recursos. Eu colocá-lo-ia na classe média-baixa aqui em Portugal. Teriam apoios e ele poderia estudar. A questão dele não ter terminado os estudos por causa da Sol, também está mal explicada. Quando a criança nasceu ele já tinha idade suficiente para ter terminado o curso. Acho que houve aqui uma falha de cálculos. 

Fim dos spoilers!!

Faltam muitas coisas a este livro. Aspetos que um bom trabalho de revisão por parte de um leitor beta teria ajudado a autora a esclarecer e completar. É normal ficarmos muito ligados à nossa história  e não darmos conta de algumas imperfeições. Aliás, quando não temos conhecimento de causa acerca dos temas acabamos por utilizar uma versão romanceada ou conduzir a narrativa através de erros sucessivos.
A autora precisa de perceber melhor a diferença entre o contar e o mostrar. Ela conta muito e mostra pouco e isso não satisfaz um leitor assíduo. Escrever: Roberto deu-me um estalo na cara é diferente de Eu tentava desviar-me das investidas do Roberto. A sala era um labirinto demasiado simples para que eu me pudesse esconder. E, quando menos esperava, uma mão forte e certeira atingiu o o meu lado esquerdo da face. A sua passagem deixou o calor, o ardor e vermelhidão de uma mão que só conhecia a força da violência. Na minha cabeça ficou a humilhação de, mais uma vez, sucumbir a essa mesma violência.

Deve pesquisar mais e melhor sobre os assuntos que quer retratar no livro para que não caia em incongruências e coisas irrealistas. 
Não é um livro sobre abusos físicos e violência doméstica. Considero que seja um livro de superação dos traumas, de viver a felicidade para além do do sofrimento. 

Esta opinião não é um destilar de veneno. Quero que ela seja útil a quem a lê, quero quebrar um bocadinho o feitiço de encantamento e a sobrevalorização que está a ser criada em volta do livro. No fundo, é a minha visão dos acontecimentos é o meu desencanto por um livro que prometia tanto e que os leitores me fizeram acreditar que valia esse tanto. 
Nem sou muito de expor as fragilidades de um livro assim, em opinião. Quem já levou com a minha caneta azul da censura em revisões de leitora beta sabe que eu não perdoou. Acho que chego a ser um pouco obsessiva com a história e desconstruo muito do que é escrito. A minha intenção é sempre ajudar a tornar os livros melhores e mais realistas. 
Não sei se a Sofia vai ou não ler a minha opinião. Se a ler e achar ofensiva, peço desculpa por isso. Quero apenas escangalhar-lhe este livro para que ela tenha hipótese de mudar no futuro e eu ter a oportunidade de vir aqui escrever e vibrar com a evolução dela.
Aos meus leitores, as maiores desculpas pela imensidão de texto que aqui mora. 

terça-feira, 10 de julho de 2018

Opinião | "Florbela, Apeles e eu" de Vicente Alves do Ó

Florbela, Apeles e Eu
Classificação: 1 Estrela

Se tivesse de escolher uma palavra que refletisse a minha experiência de leitura com este livro, seria sofrimento. Foi um sofrimento terminar o livro, foi um sofrimento vaguear por uma história narrada de forma complexa e com uma escrita demasiado poética, foi um sofrimento ver o escritor a dialogar com a Florbela e com o Apeles... E assim, três semanas se passaram, enquanto ia lendo o livro aos poucos e em que tive necessidade de meter outras leituras pelo meio de forma a conseguir sobreviver enquanto leitora. 

Há uns valentes anos atrás já tinha lido uma biografia sobre Florbela Espanca. Foi para um trabalho da universidade, em que elaboramos o perfil psicológico dela. Não me lembro da pessoa que escreveu a biografia que li, mas na altura gostei e contribuiu para que o me fascínio (que já vinha da escola e da análise dos seus poemas) para com esta poetiza e escritora portuguesa aumentasse. Ora, desde aí, tudo o que está relacionado com Florbela Espanca e certo que passará pelas minhas mãos. 
Assim que vi este livro na biblioteca sabia que precisava de o trazer. Estava tão entusiasmada que o embate com a realidade foi maior. 

Não fui conquistada por nada no livro. Fui divagando na leitura na esperança de chegar ao fim o quanto antes. O livro tornasse aborrecido devido à escrita demasiado elaborada e cheia de contornos poéticos e à forma como a vida da escritora nos é apresentada.

Esperava mais. Esperava uma narrativa clara, sem interferências do escritor que só tornaram o livro mais fastidioso. 
Apesar de tudo, o livro não matou o meu interesse pela escritora. Num futuro breve quero conhecer melhor a obra que nos deixou e perder-me nos poemas cheios de angústias, dores interiores e fantasmas emocionais. 

domingo, 8 de julho de 2018

Por detrás da tela | "The theory of everything" (2014)

Felicity Jones and Eddie Redmayne in The Theory of Everything (2014)

Classificação: 8 Estrelas

Este filme é magnífico. A banda sonora revela uma certa delicadeza sentimental, o guarda roupa espelha bem as épocas que o filme vai percorrendo e as interpretações destes atores são soberbas. 
Desde que este filme saiu que tinha vontade de o ver. Talvez por se tratar de um filme que pretende espelhar uma história de vida real, talvez por Stephen Hawking ter uma mente inspiradora... O que eu sei é que tudo me atraia para este filme. 

Adorei conhecer melhor a magnífica vida de um homem da ciência e de uma mulher das letras com um coração demasiado humano e capaz de abraçar a diferença indo contra tudo e contra todos aqueles que lhe indicavam outros caminhos. Não sei até que ponto o filme é fiel ao que se passou na realidade, mas o amor de Jane é inspirador. A força e a determinação que ela carrega é fenomenal. E claro, a inteligência e o sentido de humor de Stephen é das coisas mais deliciosas do filme.

É claro que todas estas emoções boas só aparecem porque temos dois brilhantes atores a dar corpo a duas pessoas inspiradoras. Eddie Redmayne está fenomenal no papel de Stephen, as semelhanças físicas foram assustadoras para mim. Esteve brilhante em cada etapa da vida e da doença que se apoderou da autonomia deste homem. E claro que ao lado de um grande homem, só pode caminhar uma grande mulher e Felicity Jones transparece força, amor, determinação. No início não me estava a conquistar muito, achava-a um pouco apagada e ofuscada pelo brilho de Eddie Redmayne, mas com o desenrolar do filme ela vai-se transformando e assume-se como uma peça chave ao longo do filme.

Quando cheguei ao fim, a sensação com que fiquei é: queria mais. Queria saber mais pormenores da vida de cada um, das consequências das suas escolhas e da relação saudável que Stephen parece ter mantido com Jane. Apesar de tudo, acho que eram perfeitos um para o outro, mas consigo perceber na perfeição quer a escolha de Stephen (que acho que foi para dar a Jane a possibilidade de viver um amor com outros contornos - não fiquei certa de que ele tenha deixado de gostar dela) quer o cansaço e a frustração de Jane perante os desafios da vida.

Stephen Hawking ultrapassou todas as leis da medicina e desafiou a sentença de morte que lhe deram. Viveu muito mais dos que os dois anos que lhe tinham dado e assim, teve tempo de amar, ser amado e de desafiar as teorias científicas que ele próprio criava. E isto deixou-me feliz e fez-me pensar muito no que ele disse: Não importa o quando a nossa vida seja má, há sempre alguma coisa que podemos fazer e triunfar. Enquanto há vida, há esperança. Esta será uma daquelas frases que irei guardar sempre comigo e olhar para ela em momento mais negros da minha própria vida. 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Opinião | Contos

Felicidade Clandestina

Conto: Rostos de Carnaval
Classificação: 4 Estrelas

Mais uma vez, em poucas palavras, Clarice Lispector consegue transportar-me para os dois mundos que podem cobrir a infância: o mundo da fantasia aliado ao sonho, e o mundo da floresta negra aliado ao sofrimento e às necessidades.
Neste conto temos uma menina que sonhava com o Carnaval. Sonhava com a alegria que esta quadra encerra. Porém, o destino e as suas condições impediam-na de viver o lado alegre e festivo do Carnaval. Ao longo do conto assistimos às mudanças do lado mais negro da vida desta criança oferecendo-lhe um rasgo de boas vibrações no meio da tristeza e da dor.

Conto: Come, meu filho
Classificação: 2 Estrelas

Este conto é demasiado curto para me permitir uma opinião mais complexa.
É um conto que nos transposta para a exigente "idade dos porquês". Então encontramos uma criança curiosa, cheia de perguntas e uma mãe que apenas está preocupada com a refeição do filho. É um conto interessante do ponto de vista em retrata a relação entre mães e filhos.

Conto: A quinta história
Classificação: 4 Estrelas

Este conto está muito engraçado. Partindo do mesmo assunto, a autora consegue dar-nos quatro histórias que ficam todas reunidas numa só: a quinta história.
A forma como as palavras são conjugadas e como os acontecimentos estão encaixados deixa sobressair a inteligência da autora na construção de histórias.

Conto: Tentação 
Classificação: 3 Estrelas

Tentação é um conto sobre a diferença. Uma menina diferente, num mundo de iguais, que encontra um ser que com ela partilha essa diferença. São atraídos um para o outro, mas ainda não estavam preparados para caminharem em conjunto.
Aquilo que mais gostei neste conto é a ternura que está associada à história.

Conto: O ovo e a galinha
Classificação: 1 Estrela

Senti-me extremamente ignorante a ler este conto porque não cheguei a perceber qual a mensagem que a autora queria transmitir, nem qual a intenção dela perante toda a filosofia acerca do ovo, da galinha e do amor.
Uma leitura confusa, que me aborreceu e me frustrou. 

Conto: Macacos
Classificação: 2 Estrelas

Mais um conto estranho de uma menina que escolhe como animal de estimação um macaco.
Penso que, com este conto, a autora pretendia mostras que os animais devem ser tratados com respeito e não ajustá-los às nossas necessidades. Contudo não estou bem certa de ter feito uma boa interpretação da mensagem do conto.

Conto: Menino a bico de pena
Classificação: 3 Estrelas

Este conto é uma breve reflexão sobre o crescimento, a aprendizagem e as potencialidades de desenvolvimento de uma criança. E ao longo de todo este caminho, há uma personagem que tem de ser valorizada: a mãe.
É um conto bastante simples, muito fiel ao estilo metafórico que a autora deixa sobressair em alguns dos seus trabalhos. 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

TAG | 50% (2018)

Todos os anos gosto de fazer esta TAG. É uma forma muito dinâmica de analisarmos como correu o nosso primeiro semestre em termos de leituras.
Até ao momento li 26 livros. Estou a ler mais do que aquilo que eu pensava que iria ler. 
Aqui ficam as minhas respostas às categorias.

1. Melhor livro que li até agora
Desde o início do ano, foram seis os livros que mereceram uma classificação de 5 estrelas. Tem sido um ano um pouco de extremos, tanto leio coisas muito boas e com qualidade, como logo a seguir vem uma leitura que me deixe a penar para que acabe. De entre estes vou ter de escolher o livro Perguntem a Sarah Gross de João Pinto Coelho.
Perguntem a Sarah Gross
Este livro é maravilhoso. Atirou-me para uma ressaca literária tão grande, como já não acontecia há muito tempo. Para quem quer aventurar-se na leitura de um livro de um autor português tem aqui uma excelente oportunidade.

2. Melhor continuação que li até agora
Esta categoria é muito fácil de decidir. Terminei a série Belle de Lesley Pearse. Por isso, a melhor continuação que li até agora foi És o meu destino de Lesley Pearse. 

És o Meu Destino (Belle #3)

Lesley Pearse consegue criar um enredo dramático com uma mestria fenomenal. Eu adoro imenso esta autora e raramente me desilude.

3. Lançamento do primeiro semestre que ainda não li, mas quero muito
No final do ano passado tive a oportunidade de contactar com as obras de um autor que não conhecia. Fiquei fã com a inteligência dele na construção de um thriller/policial magistral. Por isso tenho todo o interesse em continuar a conhecer as obras desse autor. 

Um por Um (Robert Hunter, #5)
O livro que saiu à pouco e que estou cheia de curiosidade para ler é Um por um de Chris Carter.

4. Mais aguardado do segundo semestre
No início deste ano li um livro muito querido. Um livro com um romance cativante e que me deixou fã da autora. Quero continuar a acompanhar o trabalho da Julianne Donaldson e ler o seu novo livro Amor em Blackmoore.
Amor em Blackmoore

5. Me decepcionou esse ano
Este ano já tive uma boa dose de más leituras. O livro que escolhi para esta categoria não foi uma má leitura, foi apenas um livro do qual eu esperava mais. Esperava que me emocionasse e me prendesse à história de uma forma especial. Porém, isso não acontece e eu fiquei um pouco desiludida com Limões na madrugada de Carla M. Soares. 
Limões na Madrugada
Já tinha lido outras obras da autora e todas elas me tinham tocado de uma forma especial. Isto fez com que eu criasse expetativas elevadas para esta leitura. Tal não aconteceu, mas continuarei a ler livros da autora.

6. Me surpreendeu esse ano
Até agora, este não tem sido um ano de grandes surpresas. Talvez por estar a arriscar pouco na diversidade literária. De entre todos os livros que li, Escrito na água de Paulla Hawkins surpreendeu-me pela positiva. 
Escrito na Água
O ano passado tinha lido A rapariga no comboio e não me tinha conquistado. Com este livro, a leitura foi uma experiência totalmente diferente.

7. Novo autor favorito que foi lançado/ conheceu no primeiro semestre
Sarah MacLean. Gostei muito da história e da sua escrita, por isso quero conhecer outras obras da autora.

8. Sua quedinha por personagem fictício mais recente
Não tive assim grandes paixões literárias durante estes primeiros meses do ano. Como tendo de escolher, de entre todos os livros indico o interessante Philip do livro Verão em Edenbrook de Julianne Donaldson. 
Verão em Edenbrooke (Edenbrooke, #1)

9. Seu personagem favorito mais recente
Ao contrário do ano passado não tenho assim nenhuma personagem que me tivesse tocado de forma exponencial. Porém fiquei com um carinho especial pela Ursula Powel  do livro Regresso a Casa de Deborah Smith.
Regresso a Casa
Fiquei fã da tenacidade e perseverança dela. Em alguns momentos cheguei a identificar-me com ela. Admirei a sua capacidade de lutar contra todas as adversidades que se atravessaram no caminho dela e ainda tive direito a uns momentos bem divertidos.

10. Um livro que te fez chorar no primeiro semestre
Quem melhor para me fazer chorar do que a rainha do drama. Foi difícil manter as lágrimas guardadas em alguns momentos do livro És o meu destino de Lesley Pearse.

11. Livro que te deixou feliz no primeiro semestre
Quando quiseres diversão e humor numa leitura procurem os livros da Julia Quinn. São livros que nos alimentam o lado divertido. A bela e o vilão cumpriu essa função. 
A Bela e o Vilão (Bridgertons, #6)

12. Melhor adaptação
Durante estes meses só um dos livros que eu li é que foi adaptado a cinema. Foi a adaptação do livro Confissões de Kanae Minato. Não fiquei fã do livro, por isso não estava muito entusiasmada para ver o filme.

Dos filmes que vi, existem alguns que são adaptações de livros. O melhor de entre eles e aquele que mais me tocou o coração foi The theory of everything. Foi uma emoção conhecer melhor a história do inesquecível Stephen Hawking. 

13. Resenha favorita esse ano, escrita ou em vídeo
A opinião que escrevi sobre o livro Regresso a Mandalay de Rosanna Ley. Podem ler aqui.

14. Livro mais bonito que comprou ou recebeu esse ano
Recebi de empréstimo o livro mais bonito que me passou pelas mãos até ao momento. Apesar de não ficar na minha estante, não acho que o deva deixar de fora desta categoria. A edição de Sorrisos quebrados  é lindíssima. Só tenho pena que o seu conteúdo não acompanhe a beleza da edição.
Sorrisos Quebrados

15. Quais livros quer ou precisa ler até o final do ano
Tal como o ano passado os livros que quero ler não diminuíram. Assim, até ao final deste ano quero ler o livro que me ficou do ano passado, A filha do barão de Célia Correia Loureiro e terminar a série Bridgertons de Julia Quinn.
A Filha do Barão    A Caminho do Altar    Os Bridgerton Felizes Para Sempre (Bridgertons, #1.5-8.5; 9.5)

Palavras Memoráveis

Aprendeste cedo que os desconhecidos ficam a olhar para uma cadeira de rodas. Ensinei-te a sorrir-lhes, dizer olá, para que percebessem que és uma pessoa e não apenas uma curiosidade da natureza.
Jodi Picoult, Frágil

terça-feira, 3 de julho de 2018

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Os motivos]


Chegou a minha vez de enviar um livro para a Denise. Estava um pouco indecisa entre três livros, mas acabei por fazer uma escolha segura e, assim, enviar um livro que, quase de certeza, será do agrado da minha parceira do projeto.

O livro escolhido foi...
És o Meu Destino (Belle #3)

És o meu destino
Lesley Pearse

Este livro acabou por ganhar um lugar no envelope dos CTT porque eu não queria deixar passar mais tempo entre a leitura dos livros da série. Eu sabia que a Denise queria terminar de ler a série e quando assim, o melhor é não deixarmos passar muito tempo para não corrermos o risco de nos esquecermos de aspetos importantes da história.
Por outro lado sei que será uma excelente leitura e é sempre bom apostarmos nelas.

Não se esqueçam de passar no blog da Denise para conhecer a reação dela ao livro que escolhi para lhe enviar. 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Português no Masculino | Julho

Andava muito indecisa relativamente ao autor de Julho. Depois do livro de Maio ter sido responsável por uma das minhas maiores ressacas literárias e de em Julho a escolha não ter sido muito positiva, não sabia muito bem em que livro apostar.
Dadas as circunstâncias, achei que escolher um livro que não me parecesse tão exigente em termos cognitivos. Queria uma leitura leve e descontraída, que me fizesse viajar por outras realidades.

Então pesquisei um pouco nos ebooks que tinha para ler e a minha escolha recaiu sobre um livro do jornalista  e escritor Júlio Magalhães.


Resultado de imagem para julio magalhães livros

Relativamente aos livros que tinha como opção, acabei por escolher o livro Longe do meu coração.
Longe do Meu Coração

Espero que este mês a leitura seja melhor do que o do anterior. Nunca li nada do autor, mas pelo que vi no Goodreads, esta livro parece corresponder àquilo que eu procurava. 

domingo, 1 de julho de 2018

Resumo do Mês | Junho

Junho foi a antítese de Maio. Se em Maio as leituras integraram os melhores sabores, as de Junho arrefeceram até se tornarem amargas. No fundo, o meu eu leitor arrefeceu com as chuvas de verão e vi-me no meio de uma ressaca literária que denegria todas as leituras com que me ia cruzando. Não me impediu de ver a beleza de algumas, porém nenhuma me encheu o coração como esperava.  Saída de uma grande história terminada no mês anterior, entrei devagar, a apostar em algo que seguro e que me consegue, no geral, agrada. Embrenhei-me em relações familiares complexas (Laços familiares - Danielle Steel) com alguma emoção à mistura, mas emaranharam-se demais e não ofereceram toda a complexidade que eu esperava. Em busca de algo que me aquecesse a alma e me libertasse a mente investi em novas paragens. Sem numa ter lido as palavras da autora, atirei-me por emoções proibidas que nasciam de um erotismo bem conseguido mas a quem faltava contexto (Emoções proibidas - Jesse Michaels). Continua insatisfeita e a ressaca adensava-se. Pensei que o melhor era apostar em palavras nacionais. Foi a pior escolha que fiz no mês, e uma leitura que eu esperava entusiasmante, na companhia de uma das minhas poetizas preferidas (Florbela, Apeles e eu - Vicente Alves do Ó) tornou-se um suplício que se arrastou até ao final do mês. Continuei em modo nacional, intercalando novos sabores de forma a adoçar um pouco o amargo que se estava a instalar em força. Comecei com o ácido do limão (Limões na madrugada - Carla M. Soares) que apesar da história ácida, o aroma fresco e reconfortante da escrita prevaleceu. Inundada pelo cheiro a limão não estava à espera de ser quebrada por uma história medíocre e sem emoção (Sorrisos quebrados - Sofia Silva). Só não me quebrou a frustração nem a incompreensão perante tanto fascínio dos leitores para com uma história cheia de falhas e que está longe de provocar falhas nas batidas cardíacas. Pelo meio, fui alimentando a minha ressaca com alguns contos do livro que continua a ler da Clarice Lispector. São contos muito metafóricos, mas foram insuficientes para ressuscitar a minha veia leitora.