quarta-feira, 25 de abril de 2018

Visões (#1) | Viver em Liberdade

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Gosto sempre se assinalar o 25 de Abril aqui no blog, seja com a partilha de uma poesia ou apenas com algumas frases que reflitam o meu sentimento em relação aos "valores de Abril". 
Não sei o que é viver em repressão. Não sei o que é viver com medo que alguém me ouça a barafustar contra as políticas do governo. Não sei o que é ser impedida de estudar, de exercer o meu direito de voto e de sair do país sem autorização de um homem. Só tenho (temos) de agradecer a quem lutou pelos ideias de Abril e cabe-nos a nós mantê-los vivos e renová-los para que possamos ter uma sociedade evoluída.

Sou muito curiosa em relação aos acontecimentos deste dia. Na escola tive acesso à perspetiva histórica, em casa procurei as vivências pessoais. Pergunteis aos meus pais e aos meus avós sobre memórias que tinham deste dia, dos tempos de ditadura e do pós 25 de Abril. Infelizmente não me tinham muito para contar. A pobreza de uma aldeia do interior norte sobrepunha-se aos acontecimentos vividos na grande cidade. O meu pai relata que só soube dos acontecimentos dias depois deles terem acontecido e que se sentiu aliviado. No ano seguinte iria cumprir serviço militar e o mostro da Guerra Colonial pairava sobre ele. O 25 de Abril trouxe o fim da Guerra Colonial e o alívio para o meu pai. 

Tive um tio que esteve em missão na Guiné. Infelizmente ele não viveu o tempo suficiente para me contar as suas histórias. Faleceu quando eu tinha 11 anos. Foi a primeira pessoa significativa a morrer e custou-me imenso, fiquei com boas recordações dele. Mas sei que com ele vieram marcas desta guerra dura, mas o que sei foi por conversas que escutei um pouco atrás da porta e que a minha inocência de criança não permitiu reter muito. 

Quando oiço ou vejo a célebre pergunta Onde estiveste no 25 de Abril de 1974? oiço ou leio tudo como muita atenção. Gosto de ver o entusiasmo daqueles que têm uma história paralela aos acontecimentos e que acabara por também marcar o dia destas pessoas. Sabem o que me assusta? O passar do tempo. Daqui a uns anos, não iremos ter ninguém a quem fazer esta pergunta. Tal como vai acontecer com os sobreviventes do Holocausto. E tenho medo que tudo fique submerso nas páginas dos livros de história. Não quero isso!! Não que as coisas que viveram no passado sejam esquecidas. Acima de tudo, não quero que as conquistas de Abril para mulheres e homens sejam esquecidas. Não quero que o vento cale as desgraças! Quero que se mantenha a candeia que afaste as desgraças. Quer ser alguém que semeia as canções no vento que passa, lutar para que os direitos humanos sejam sempre respeitados e que a igualdade entre género passe a ser uma norma e não uma exceção. 
Sei que sou um pouco idealista e que olho de forma apaixonada para os acontecimentos de 1974, mas não deixo de reconhecer que ainda há outros ideias para conquistas e que a caminhada é longa. Mas esta nossa revolução é um enorme motivo de orgulho. 

Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.
(Manuel Alegre)

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