sexta-feira, 30 de março de 2018

Opinião | "Escrito na água" de Paula Hawkins

Escrito na Água
Classificação: 4 Estrelas

O ano passado li A rapariga no comboio e foi mediana. Foi uma leitura um pouco aborrecida e, em certos aspetos previsível. Por esta razão, quando comecei a ler este livro estava com expetativas baixas e sem saber muito bem o que ia encontrar. Às primeiras páginas do livro fiquei logo curiosa com todo o contexto que nos era apresentado. 

De uma forma geral, este livro apresenta uma enorme evolução comparativamente ao livro anterior. A história é mais interessante, a forma como a autora a narra deixa mais espaço ao nosso interesse e curiosidade e o leque de personagens é mais interessante devido às descrições mais pormenorizadas. Comparativamente ao livro anterior, a autora consegue criar uma narrativa mais coesa e interessante onde as personagens têm o seu lugar, a sua voz e a sua função. Funcionou igualmente bem a narração na primeira e na terceira pessoa. A escrita clara e objetiva facilita a nossa compreensão e não há lugar para confusões quando nos surge a narração numa perpetiva diferente. 

Todas as personagens que desfilam nestas páginas são detentoras de lugares interiores especiais. Em algumas fica a insatisfação de não saber mais. Entre elas destaco a Jules, a Lena, a Nell e a Helen.

Jules e Nell são irmãs que se afastaram, os motivos que ditaram este afastamento são claros, porém abarcam algumas inconsistências. O momento que dita o afastamento delas ocorre ainda elas são adolescentes, porém não obtemos grandes informação das suas vidas desde essa altura até à atualidade. Esta lacuna informativa torna pouco o distância que cresceu entre elas um pouco estranha, pois não sabemos o que foi acontecendo depois desse acontecimento que, dado a natureza do mesmo, poderia dar aso a diferentes dinâmicas entre elas.

Lena intrigou-me profundamente. Uma adolescente estranha com uma relação com a mãe que eu não fiquei a perceber muito bem. Para além disto, os momentos finais entre ela e Mark ficaram um pouco no vazio. Penso que foi intencional por parte da autora. Não nos conta, dando-nos apenas alguns indícios para que sejamos nós a deduzir, mas eu gostaria de ter visto as coisas preto no branco.

Helen a personagem mais estranha do livro. Gostaria de saber melhor que tipo de relação ela mantinha com o sogro (outro homem estranho - mas que foi bem contextualizado). Houve momentos distintos no livro que me faziam pensar em laços relacionais diferentes. É uma mulher um pouco vazia, inerte que parecia que havia qualquer coisa nela que borbulhava no seu interior, mas não se libertava.

Foi uma ótima leitura. Gostei muito da forma como terminou. Pessoalmente não esperava parte do desfecho que obtive. Foi um elemento surpresa muito bom para fechar a narrativa e nos deixar a pensar sobre aparências e elos de lealdade que vamos criando ao longo da vida.

2 comentários:

  1. O primeiro livro era previsível porque era um thriller psicológico e não um thriller policial daqueles que têm twist na última linha. E era tão fácil ter.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Compreendo o que diz, mas já vi thillers psicológicos que conseguem manter o mistério quase até às últimas páginas. "A rapariga no comboio", para mim, foi um livro aborrecido, não me cativou tanto como outros livros dentro do género que já li.
      Obrigada pela visita e pelo comentário.

      Eliminar

Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!