sexta-feira, 30 de março de 2018

Opinião | "Escrito na água" de Paula Hawkins

Escrito na Água
Classificação: 4 Estrelas

O ano passado li A rapariga no comboio e foi mediana. Foi uma leitura um pouco aborrecida e, em certos aspetos previsível. Por esta razão, quando comecei a ler este livro estava com expetativas baixas e sem saber muito bem o que ia encontrar. Às primeiras páginas do livro fiquei logo curiosa com todo o contexto que nos era apresentado. 

De uma forma geral, este livro apresenta uma enorme evolução comparativamente ao livro anterior. A história é mais interessante, a forma como a autora a narra deixa mais espaço ao nosso interesse e curiosidade e o leque de personagens é mais interessante devido às descrições mais pormenorizadas. Comparativamente ao livro anterior, a autora consegue criar uma narrativa mais coesa e interessante onde as personagens têm o seu lugar, a sua voz e a sua função. Funcionou igualmente bem a narração na primeira e na terceira pessoa. A escrita clara e objetiva facilita a nossa compreensão e não há lugar para confusões quando nos surge a narração numa perpetiva diferente. 

Todas as personagens que desfilam nestas páginas são detentoras de lugares interiores especiais. Em algumas fica a insatisfação de não saber mais. Entre elas destaco a Jules, a Lena, a Nell e a Helen.

Jules e Nell são irmãs que se afastaram, os motivos que ditaram este afastamento são claros, porém abarcam algumas inconsistências. O momento que dita o afastamento delas ocorre ainda elas são adolescentes, porém não obtemos grandes informação das suas vidas desde essa altura até à atualidade. Esta lacuna informativa torna pouco o distância que cresceu entre elas um pouco estranha, pois não sabemos o que foi acontecendo depois desse acontecimento que, dado a natureza do mesmo, poderia dar aso a diferentes dinâmicas entre elas.

Lena intrigou-me profundamente. Uma adolescente estranha com uma relação com a mãe que eu não fiquei a perceber muito bem. Para além disto, os momentos finais entre ela e Mark ficaram um pouco no vazio. Penso que foi intencional por parte da autora. Não nos conta, dando-nos apenas alguns indícios para que sejamos nós a deduzir, mas eu gostaria de ter visto as coisas preto no branco.

Helen a personagem mais estranha do livro. Gostaria de saber melhor que tipo de relação ela mantinha com o sogro (outro homem estranho - mas que foi bem contextualizado). Houve momentos distintos no livro que me faziam pensar em laços relacionais diferentes. É uma mulher um pouco vazia, inerte que parecia que havia qualquer coisa nela que borbulhava no seu interior, mas não se libertava.

Foi uma ótima leitura. Gostei muito da forma como terminou. Pessoalmente não esperava parte do desfecho que obtive. Foi um elemento surpresa muito bom para fechar a narrativa e nos deixar a pensar sobre aparências e elos de lealdade que vamos criando ao longo da vida.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Quem chegou | Março

E o primeiro trimestre deste ano chegou ao fim. Ando com a sensação de que os meses estão a passar demasiado rápido. 
Março foi o mês das trocas. Até ao momento foi o mês onde consegui fazer mais trocas. 
Os livros que cá chegaram a casa foram os seguintes:

Compras
Uma Mulher em Fuga

Apanhei este livro a 8,50€. Um preço bem simpático para um livro recente. Como faço coleção dos livros da autora, decidi aproveitar.

Trocas

As Jóias do Sol (Trilogia Irlandesa #1)   Espero por ti este Inverno    Uma Criança em Perigo

Este mês consegui um bom número de trocas e posso dizer que tenho aqui boas leituras à minha espera. Já conheço todas as autoras e apenas tenho mais reticências em relação à Luanne Rice, mas o título é bastante sugestivo e poderei encontrar uma boa história.

Palavras Memoráveis


Guarda a tua paixão, que logo se esgota, e dá antes lugar ao amor, que é firme como as raízes das árvores.
Maria João Fialho Gouveia, Inês

quarta-feira, 28 de março de 2018

Top 5 Wednesday | Livros de autores nacionais

Imagem relacionada

Na passada segunda-feira, 26 de Março, comemorou-se o Dia do Livro Português e eu não fiz nenhum post a assinalar a data por falta de disponibilidade e para grande tristeza minha. Porém,  como não me identifico com o tema escolhido para o Top 5 Wednesday de hoje, decidi apresentar aqui 5 livros lusos que figuram no meu top de preferências.

O funeral da nossa mãe - Célia Loureiro Correia
A filha do capitão - José Rodrigues dos Santos
Equador - Miguel Sousa Tavares
A chama ao vento - Carla M. Soares
O conto da ilha desconhecida - José Saramago

O Funeral da Nossa Mãe   A Filha do Capitão   Equador   A Chama ao Vento   O Conto da Ilha Desconhecida
Pelo Goodreads, até ao momento, li 123 livros de autores nacionais. Porém, consigo ver que não há grande variedade de autores. Vou sempre lendo os mesmos e grande parte dos autores que fui descobrindo não me cativaram o suficiente.
É óbvio que vou continuar a apostar na leitura de livros de autores nacionais. Deve partir de nós investir na divulgação e leitura de obras de autores nacionais. Temos de valorizar mais o que se escreve por cá. 
Aceito sugestões de obras de autores portugueses para ler. 

domingo, 25 de março de 2018

TAG | Março Feminino


Esta Tag foi criada pela  Sandra e vi-a no blog I keep making these to-read lists. Como já há muito tempo que não respondia a uma Tag por estes lados, achei que era a escolha ideal para este mês. 
Seguem as respostas...

1. Aqueles dias do mês - Um livro que os homens nunca vão perceber.
Mil sóis resplandecentes de Khaled Hosseini. Acho que os homens serão incapazes de perceber o que é a inferiorizarão e a desvalorização feminina. Jamais irão perceber o que sentem Laila e Mariam. Um livro muito duro e muito bem escrito. Apesar de ter sido escrito por um homem e ele conseguir retratar muito bem a realidade acho que há dimensões emocionais às quais ele não chegou nem nunca chegará. 

2. Filha da mãe da depilação - Um livro que te arrepia só de pensar.
Se isto é um homem de Primo Levi. É horrível ler aqueles relatos e saber que aconteceu num passado bem recente. Arrepia-me pensar que existem pessoas que afirmam que o Holocausto é uma mentira. Assusta-me pensar que o mundo tem pessoas capazes de cometer as mesmas atrocidades e que defendem ideias pouco amigos da humanidade, globalidade e harmonia entre países e raças. 

3. Aquele batom vermelho que dá um up a qualquer look - Um livro que te pôs bem-disposta/o num dia cinzento.
Doces Silêncios de Deborah Smith. Foi o primeiro livro que li da autora e tem tanto de amoroso como de boa disposição que faz com que o meu estado de espírito fico logo mais harmonioso e feliz. Depois deste livro quero conhecer outros trabalhos da autora.

Mil Sóis Resplandecentes  Se Isto é um Homem  Doces Silêncios

4. Cérebro Feminino - Um livro que parecia confuso, mas acabou por fazer muito sentido.
O labirinto dos espíritos de Carlos Ruiz Zafón. Foi uma leitura inicial um pouco complicada, contudo à medida que avancei no livro as coisas foram fazendo sentido e eu apaixonei-me pela história.

5. "Mulheres não percebem de futebol, nem gostam de cerveja" - Um livro que vomita clichés.
Orbias I - As guerreiras da deusa de Fábio Ventura. Uma rapariga trapalhona, desajeita, que se acha feia e que, de um momento para o outro, ganha poderes e fica bela e interessante a apaixonasse pelo ser misterioso do livro... Acho que não preciso de escrever mais nada.

6. Mini-saia - Um livro curto, mas bom.
História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar de Luis Sepúlveda. É um livro pequeno mas que guarda uma das mais bonitas mensagens que já encontrei num livro: o poder de uma amizade.


A Sombra do Vento (O Cemitério dos Livros Esquecidos)  Orbias - As Guerreiras da Deusa (Orbias, #1)  História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar

7. Bolsa de Mulher - Um livro com muita coisa dentro, que te provocou várias emoções.
Segue o coração- Não olhes para trás de Lesley Pearse. Eu sou suspeita para falar dos livros desta autora e poderia colocar aqui qualquer um dela que já tenha lido. Este é um livro cheio de acontecimentos, reviravoltas com uma personagem feminina muito forte.

8. Mrs. Always Right - Como as mulheres têm sempre razão, escolhe um livro que aconselhas a toda a gente.
Maresia e Fortuna de Andreia Ferreira. É um livro de uma autora portuguesa cheia de potencial. O livro tem algumas pontas soltas que o leitor terá de encontrar e juntar para perceber o que a história nos quer transmitir. Acho que é um livro capaz de agradar a grande parte dos leitores. 

9. Mas porque é que tenho que gostar de cor-de-rosa? - Um livro que toda a gente gosta, menos tu!
A culpa é das estrelas de John Green. Foi grande o alarido em torno deste livro e, consequentemente, do filme que saiu posteriormente. Na generalidade, as pessoas adoraram o livro e vibraram com a história de amor dos dois adolescentes. Pessoalmente não me provou emoções nenhumas, achei que foi uma forma muito leviana de abordar um tema demasiado duro.

Segue o Coração - Não Olhes Para Trás  Maresia e Fortuna  A Culpa é das Estrelas

10. Sutiã nosso de cada dia - Um livro que te incomodou ou um livro que foi um alívio chegar ao fim.
Morte Súbita de J. K. Rowling. Este livro foi um tormento para terminar. Uma narrativa densa, uma história pouco cativante, fez com que a minha leitura de arrastasse por imenso tempo. Foi um alívio quando cheguei ao fim.

11. Ir à manicure - Toda uma curiosidade sobre um livro que anda na boca do povo, mas ainda não leste.
A amiga genial de Elena Ferrante. Sou vejo maravilhas em relação a este livro e muita gente a lê-lo. Eu ainda não li, mas tenho uma enorme curiosidade.

12. Fitas e lacinhos - O livro mais girly que já leste.
À conquista do teu coração de Anna Bell. Não sabia muito bem que livro escolher para aqui. Acabei por escolher um centrado numa personagem feminina, com muitos problemas e que se vê num caminho que a levará a ter mais auto-estima.

Morte Súbita  A Amiga Genial (L'amica geniale #1)  Ã€ Conquista do Teu Coração


13. Girl Power - Uma autora que é uma mulher do caraças. Explica porquê.
Sophia de Mello Breyner Andresen é uma das escritoras portuguesas que mais admiro. Deixou-nos imensas obras e todas de uma qualidade muito elevada. As histórias para crianças são de uma sensibilidade e ternura que continuam a habitar a minha mente adulta. A sua poesia toca a alma...

14. Mulheres nos livros - Indica três livros com personagens femininas fortes.
Belle do livro Sonhos proibidos de Lesley Pearse. Uma jovem cheia de força e de coragem que nos inspira a pensar positivo e a não nos esquecermos dos nossos sonhos. 

Eleanor do livro Eleanor & Park de Rainbow Rowell. Uma adolescente diferente que tem de recorrer à sua força para sobreviver numa comunidade que olha para ela de forma diferente.

Mariette do livro És o meu destino  de Lesley Pearse. Esta Mariette é um furacão, uma força da natureza que não sucumbe às adversidades.

Sonhos Proibidos (Belle #1)  Eleanor & Park  Ã‰s o Meu Destino (Belle #3)

15. Mulheres nos filmes - Indica três filmes com personagens femininas fortes.
A Sally e a Gillian do filme Magia e Sedução (1998) - Eu adoro este filme, adoro a forma como estas duas "bruxas" levam a sua vida e superam a suas dificuldades.

Dido do filme Belle (2013) - Uma mulher que tem de lutar para se afirmar numa sociedade preconceituosa. Adorei este filme e a forma como Dido vai conquistando o seu espaço. 

Leigh Anne do filme Um sonho possível (2009) - Ver alguém defender e apoiar alguém sem nada transformando essa pessoa, numa pessoa de sucesso é sempre inspirador. Ser uma mulher a fazê-lo, para além de inspirador é um orgulho.

Magia e Sedução Poster  Belle Poster  Um Sonho Possível Poster

sexta-feira, 23 de março de 2018

Divulgação | Lançamento do livro "Do-In" de Juracy Cançado


Sobre o livro...
Os tratamentos apresentados neste livro derivam, essencialmente, das intuições e experimentações de antigos sábios e mestres da Antiga China. A sua origem mais remota é o Dao Yin, o ancestral sistema de autocura e aprimoramento pessoal que serviu de fundamento para a edificação de todo o universo das artes terapêuticas chinesas. A notável combinação de simplicidade e eficácia permitiu que o Do-In logo se popularizasse, tornando-se uma rotina diária para a prevenção e o tratamento de problemas de saúde acessível às pessoas comuns. Voltada para os cuidados pessoais e a autocura com o concurso das próprias mãos, a prática do Do-In inseriu-se nos costumes familiares, congregando adultos, idosos e crianças num saudável ritual cotidiano, revelandose não apenas de grande utilidade, mas, por vezes, insuperável nas suas possibilidades de automassagens para a prevenção, e técnicas para correção de disfunções. As práticas apresentadas neste livro estão organizadas em seis partes: 
Autotratamentos – seleção de sintomas com sugestões de pontos e técnicas de tratamento; 
Pontos combinados – fórmulas especiais com a aplicação simultânea de pontos; 
Primeiros socorros nas emergências – abordagem sintomática com a participação de outra pessoa; 
Exercícios complementares – manobras e procedimentos auxiliares para a suplementação dos tratamentos; 
Áreas reflexas dos pés – massagem nas zonas de correspondências da planta dos pés; 
Práticas de prevenção e aprimoramento pessoal – automassagens nos meridianos para a prevenção de enfermidades e o autodesenvolvimento

O mecanismo de ação das práticas chinesas envolve sempre o desbloqueio no trânsito da rede de meridianos, por meio da intervenção nos seus pontos reguladores. É o livre fluxo do QI que permite a correção do distúrbio que ocasiona o mal-estar. Aplicada ao autotratamento ou estendida a outra pessoa, a estimulação digital de pontos-chave mostra-se percetivelmente útil para lidar com toda uma gama de distúrbios e disfunções, particularmente nas crises e noutras condições agudas. Como primeiros socorros nas emergências, em certos casos a intervenção manual chega a ser mais imediata do que a das agulhas da acupunctura! Quando envolvem dores em geral, os resultados costumam ser imediatos e o número de pontos exigido é mínimo – muitas vezes um único ponto pode ser suficiente. Todos os tratamentos constantes deste livro apresentam os pontos sugeridos ilustrados por diagramas da sua localização no corpo.

Cada vez mais as pessoas têm interesse nas terapias não convencionais. Este livro parece ser um excelente ponto de partida para descobrir outras formas de olharmos para o nosso corpo e de conhecer formas de encontrar o equilíbrio. 

Para quem tem oportunidade e interesse, podem assistir à apresentação do livro no próximo dia 26 de Março, às 19:00 horas na FNAC Colombo.

Aproveitem esta oportunidade de conhecer o autor e saber mais sobre o que guardam estas páginas.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Palavras Memoráveis


Porque quando muito se quer a alguém, descobri-o agora, receia-se que o outro não nos ame em igual medida e que, em não nos rimando no ardor, possa sentir por outrem o que por ele sentimos.
Maria João Fialho Gouveia, Inês

quarta-feira, 21 de março de 2018

Porque hoje se celebra a poesia

Cada palavra,
Desenhada com amor
Transporta uma infinidade de mensagens
Abraçando corações 
Despertando emoções.

As palavras devem ser simples,
Sinceras, amigáveis
Não devem ser espadas
De lâminas infindáveis
Que ferem a alma que as recebem.

Num poema as palavras dançam,
Arranjam-se ao gosto do poeta
Levam amor e saudade,
Onde ainda cantam
O doce sabor da liberdade. 


Hoje é o Dia Mundial da Poesia! De vez enquanto gosto de brincar com as palavras, arranjá-las com carinho e dar-lhe a forma de uma poesia. Nem sempre mostro as minhas "costuras" de palavras por aqui. Mas hoje o dia é especial! Fica aqui mais uma "costura"... Espero que gostem! E hoje, pelo menos hoje, abracem as palavras de um poema. 

terça-feira, 20 de março de 2018

Opinião | "Mortalha para uma enfermeira" de P. D. James

Mortalha Para Uma Enfermeira
Classificação: 1 Estrela

Mortalha para uma enfermeira é um livro que nos conta a história de dois crimes ocorridos numa escola de enfermagem.
Pela sinopse esperava algo mais intenso e com um ritmo de leitura mais entusiasmante. Porém, o que encontrei ao longo da leitura foi bastante diferente. E foi essa diferença que me foi desmotivando para a leitura e fez com que eu arrastasse o livro ao longo de duas penosas semanas.

Foram vários os aspetos que tornaram a leitura confusa, desinteressante e aborrecida:
1) O elevado número de personagens: Médicos, enfermeiras, estudantes de enfermagem, polícias, porteiro e outras que foram surgindo lá pelo meio, foram tantas e nem sempre com grande relevância para a história e que apareceram de passagem que cheguei a uma altura em que tive dificuldade em reconhecê-las e em identificar a sua posição na narrativa e nas relações que estabeleciam. Comecei a confundi-las e já nem sabia muito bem quem é que era responsável pelo quê. Foi mais fácil com as estagiárias. Apareciam mais vezes, foram descritas as suas interações e isso facilitou um pouco o reconhecimento.

2) Escrita e sequência narrativa: há escritores que conseguem usar as palavras de forma cativante e, sem querer o leitor é enredado no mundo que decidiram criar. Tal não se verificou aqui. Quer a escrita, que a sequência dos acontecimentos é aborrecida e monótona. Ao fim de ler duas, três páginas já me sentia sonolenta. Senti falta da envolvência no mundo criado pela autora e de algo que espicaça-se a minha curiosidade e vontade de saber mais. Não foi particularmente entusiasmante descobrir o que tinha acontecido e o que motivou os crimes porque, a certa altura, a leitura tornou-se em algo automático, sem emoção e eu desliguei-me dos acontecimentos, das personagens e de toda a história que foi sendo criada. 

O livro tem uma boa classificação no Goodgreads, por isso eu posso ser a ovelha tresmalhada do rebanho e dada a minha esquisitice não consegui absorver a verdadeira essência do livro e da história. Por isso, olhem para a minha opinião como uma forma de vos baixar as expetativas, mas nunca para desistirem  da leitura. Felizmente que somos todos diferentes e há livros que tocam as pessoas de formas muito diversificadas. Assim, se tiverem oportunidade, peguem no livro e depois partilhem aqui comigo o que resultou e o que não resultou com a vossa leitura. 

sábado, 17 de março de 2018

Por detrás da tela | "Still Alice" (2014)

Classificação: 8 Estrelas

Quando vi que a RTP ia passar este filme não quis perder a oportunidade de o ver. Era um filme que eu tinha muito curiosidade em ver. Queria ver com os meus olhos o desempenho de Julianne Moore como uma mulher que se vê abraços com o declínio das suas funções cognitivas.

Neste filme, Alice, uma professora universitária e com uma carreira de sucesso, vê a sua memória falhar nos momentos mais inoportunos. Como mulher inteligente que é, procura ajuda de um profissional e recebe o diagnóstico de doença de Alzheimer precoce. Assim, com 50 anos vê a sua vida mudar de forma radical e angustiante. 

Julianne Moore está fenomenal no fenomenal no papel de Alice. A atiz oferece um realismo emocional às situações que conseguiu que os seus medos, as suas angústias, as suas necessidades e as suas incertezas chegassem até mim. Como protagonista do filme saiu-se muitíssimo bem e tornou o filme e a sua história muito credíveis.

Kristen Stewart desempenha o papel de umas das filhas de Alice e não me convenceu nadinha. Não a tinha visto em nenhum outro filme para além dos da saga Crepúsculo. Já aí referi que lhe faltava qualquer coisa. Não é uma atriz expressiva nem emocional. As expressões faciais dela não me conseguem fazer chegar nenhum tipo de sentimento ou reação. Gostei da interação dela com a mãe e com os irmãos, mas teve uma interpretação mediana. 

Para mim, é um filme com uma mensagem que assusta. Esta doença degenerativa é um ladrão implacável. Rouba-nos tudo, até a consciência de que estamos doentes. Ter a sensação de não sabermos onde estamos nem com quem estamos deve ser horrível. Sentirmo-nos perdidos, sem termos a capacidade de nos encontrar no meio de nada em que se torna a nossa mente é muito triste. É uma sucessão de perdas assustadora e muito triste. 

Um filme brilhante que nos oferece uma imagem muito crua e realista daquilo que a doença de Alzheimer nos pode tirar. 
Para quem gosta de um filme pautado pelo dramatismo, este é uma ótima escolha. Eu pretendo revê-lo.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Palavras Memoráveis


Se a capital se impõe pela sua grandeza e magnificência, Coimbra deslumbra pela poesia das suas construções e a beleza da sua paisagem.
Maria João Fialho Gouveia, Inês

quarta-feira, 14 de março de 2018

Top 5 Wednesday | Livros infantis para os adultos lerem

Imagem relacionada

Pela segunda semana consecutiva vou consegui responder a mais um top 5. Esta semana somos convidados a escolher livros infantis que merecem ser lidos quando já somos adultos, ou que devemos ler quando mais velhos. E, caso achamos importante, reler até aos nossos olhos o permitirem.

Não vou dar justificação individual. Os livros que aqui deixo são livros com mensagens importantes que são capazes de atingir o nosso coração independentemente da idade em que sejam lidos. 

A Fada Oriana Apenas um Desejo O Principezinho A Árvore O Cavaleiro da Dinamarca

É bem visível o meu amor e carinho pelas obras de Sophia de Mello Breyner Andreson. As obras dela têm um lugar especial na minha memória e são obras que quero reler em breve. Se nunca leram, atrevam-se a pegar em qualquer um dos livros infantis da autora e tenho a certeza que ficarão encantados.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Opinião | "Morreste-me" de José Luís Peixoto

Morreste-me
Classificação: 3 Estrelas

Parti para este leitura sem grandes expetativas e sem esperar o que quer que seja do livro. Com uma experiência anterior com o autor não tinha corrido muito bem não queria falhar com este livro também. Por isso, mantive a mente aberta e comecei a leitura de forma livre e despreocupada.

O livro é muito pequeno. Li-o numa viagem de uma hora de autocarro. Num registo muito intimista e sentimental, o autor liberta todas as suas emoções relacionadas com o falecimento do pai.
Apesar de ser um livro de leitura fácil e rápida, o autor apresenta-nos uma escrita muito própria. É uma escrita com alguns "floreados" que nem sempre me entusiasmaram. Para mim, muitas vezes, uma escrita mais simples tem poderes especiais  e consegue transmitir de forma bem mais eficaz aquilo que cada pessoa sente no seu interior.

Foi uma leitura satisfatória, sem grandes entusiasmos ou alvoroços, mas que me permitiu concluir com sucesso a leitura de uma obra deste autor.

Em relação a ler obras futuras do autor, não sei, tenho as minhas dúvidas e reservas. Como não me senti entusiasmada com este livro, como ele não me tocou de uma forma muito profunda, tenho receio de me perder com uma obra mais extensa. Tenho dúvidas em relação ao meu entusiasmo com a abordagem que José Luís Peixoto faz das palavras.

Futuramente, decidirei se me aventuro por outras obras ou não. Quem, como eu, sente relutância em "pegar" neste autor poderá começar com este livro e ver como se adapta a este género de escrita. Como é um livro pequeno é mais fácil suportar a leitura para o caso de não se estar a gostar muito.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Palavras Memoráveis


O tempo fora-lhe ensinando a urgência dos silêncios, quando o momento os impunha, e esta era uma dessas inquestionáveis situações.

Maria João Fialho Gouveia, Inês

Por detrás de uma data| O dia Internacional da Mulher



Por entre festejos e jantares organizados pelo núcleo feminino por estes dias, pergunto-me se as mulheres que aderem a tais festejos conhecem o verdadeiro significado por detrás da data. Presumo que não... Comercializou-se tanto o dia que a parte realmente fundamental deste dia, os direitos das mulheres e a igualdade de género, ficou um pouco ao abandono. 

Nestes dois últimos dias tenho refletido com a Denise (Quando se abre um livro) acerca da "palhaçada" dos jantares que proliferam por esta data (desculpem-me a abordagem, não tenho nada contra este tipo de jantares e respeito as mulheres que gostam de assinalar o dia com este género de festejos). Sim, é uma forma de assinalar o dia tão válida quanto outras formas. Contudo, questiono-me: Será que as mulheres que estão na fotografia acima, as grandes responsáveis por haver um dia Internacional da Mulher, se identificam com tais festejos para assinalar a data? Eu penso que não. Acima de tudo, estas mulheres procuraram lutar por um conjunto de direitos que lhes era negado. Afirmaram-se perante uma sociedade que não as reconhecia. Por isso, será que com os jantares restringidos ao público feminino vamos promover uma cidadania ativa, onde as mulheres têm disponíveis os mesmos lugares que os homens? Será que é assim que promovemos a igualdade?

Afinal, o que fizeram as mulheres da fotografia? Há 161, no dia 8 de Março, um grupo de operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque, fez uma enorme greve e ocuparam a fábrica reivindicando melhores condições de trabalho. Entre estas reivindicações estava a igualdade salarial entre homens e mulheres. Algo que ainda hoje é a nossa luta. 
A ousadia destas mulheres valeu-lhes uma violenta repressão para com a sua manifestação e acabaram trancadas dentro da fábrica, que foi posteriormente incendiada. Cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Em consequência deste terrível acontecimento, a ONU, em 1975 oficializou o 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher

Custa-me um pouco ver a falta de solidariedade entre humanos, entre humanos e animais e, particularmente entre mulheres. Quantas das mulheres que se juntam para jantar não passam parte do ano a criticar as suas companheiras de mesa? Quantas dessas mulheres estenderam a mão a outra mulher que lhes pediu ajuda? Atenção, não estou a dizer que todas as mulheres são assim. Quero apenas frisar que algumas das mulheres agem assim, porque no fundo o que interessa é ir a um jantar e conviver com pessoas que, em alguns casos, não nos dizem nada e com as quais nem comunicamos assim muito. Não são parte integrante da nossa rede social e pessoal mais próxima. E é do excessivo consumismo que se passou a associar à data que estas coisas se vão disseminando.

Antes de se atirarem aos festejos, gostaria de deixar aqui algumas linhas de reflexão. Reservem um pouco do dia para pensar nas desigualdades sociais, económicas, emocionais que as mulheres têm de enfrentar nos dias de hoje. Pensam nas mulheres que não podem decidir os aspetos da sua vida. A quantidade de mulheres que ainda sofre às mãos de agressores. As mulheres vítimas de assédio sexual. Conhecem uma mulher que precisa de companhia? Ofereçam-lhe alguns minutos do vosso dia. Já há muito tempo que não estão com aquela vossa amiga especial? Marquem um lanche ou um café. Há quanto tempo não tiram um pouco do vosso dia para estarem com a vossa mãe/filha/sobrinha? Pois arranjem esse tempo e partilhem com elas essa coisa tão nossa de sermos mulheres. Liguem aquela mulher especial da vossa vida. Valorizem as mulheres no geral e, em particular, aquelas que fazem de vocês mulheres e pessoas melhores.

Agora, de uma mulher para outras mulheres, a cada dia do ano, e não apenas no dia 8 de Março, lutem pelos vossos direitos, salvaguardando os direitos dos outros. Quando, na corrida da vida, ultrapassarem alguém, façam-no com justeza, delicadeza e gratidão. E, se puderem, estendam a mão a quem vai mais atrás. Não ofereçam comentários desagradáveis a outro ser humano, em particular a outra mulher (hoje ela, amanhã tu). Cuidado com os comentários baratos e ofensivos nas redes sociais. Só se destila veneno e isso não é saudável para nenhuma das partes. Sejam honestas, elogiem em público e apontem os defeitos em privado, dando oportunidade a quem falhou de se corrigir. 

E hoje, lembrem-se do quanto estas operárias lutaram e não conseguiram nada para elas. Porém, abriram portas para que hoje a nossa situação seja diferente da delas. 

quarta-feira, 7 de março de 2018

Top 5 Wednesday | Livre

Imagem relacionada

Esta semana o Top 5 é de escolha livre, ou seja, somos nós que escolhemos o tema para elaborarmos o nosso top. Eu fazer sobre os livros que me surpreenderam pela positiva. Assim vou deixar aqui uma lista de cinco livros que me surpreenderam positivamente e que eu não estava à espera.


Inês   Mil Sóis Resplandecentes  A Filha da Floresta  (Trilogia de Sevenwaters, #1)  O Conto da Ilha Desconhecida  O Primeiro Dia

Inês (Maria João Fialho Gouveia) - Parto sempre com alguns receios para os romances históricos. Vou sempre com muito medo que sejam aborrecidos e que não nos contem a história de forma cativante e interessante. Este livro surpreendeu-me por estar muito bem escrito ao ponto de nos fazer esquecer o início um pouco mais complicado. Adorei o livro e gostei imenso de saber mais sobre Inês de Castro.

Mil sóis resplandecentes (Khaled Hosseini) - Eu estava à espera de um bom livro, não esperava era um livro tão bom. Não sabia que me iria deixar entranhar tanto pela história e que as vivências das personagens ficariam enraizadas em mim. Um livro que valeu cada minuto que passei a lê-lo. 

A filha da floresta (Juliet Marillier) - Eu não sou  a maior fã de fantasia (para não me descrever de forma pior), mas quando me apanhei com este livro terminado só tinha vontade de continuar a série. Este livro em especial tem um início que se arrasta um bocado e que parece que as coisas não acontecem. Porém, há um momento da história que muda todo o contexto das personagens e me agarrou de forma inexplicável. 

O conto da ilha desconhecida (José Saramago) - Este pequeno conto foi das minhas maiores surpresas. Estava com tanto medo de ler livros de José Saramago que não sabia que estava a perder grandes doses de emotividade e sensibilidade. 

O primeiro dia (Marc Levy) - Nunca pensei gostar tanto deste livro. Marc Levy não é um escritor de massas, pois a escrita dele não é apreciada por todas as pessoas. Pessoalmente adoro cada linha que ele escreve. Este foi o primeiro livro que li dele e permanecerá para sempre na minha memória. Na altura só me apetecia saltar para o livro para estar com o Adrian e com a Keira.