quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Opinião | "Sinto a tua falta" de Kate Eberlen

Sinto a Tua Falta
Classificação: 4 Estrelas

Este é um daqueles livros que eu chamo de mentirosos. Ao olharmos para a capa e para o título parece que nos vamos cruzar com um livro lamechares e cheio de romantismo. Podia ser um livro desse género, só que não é. Isto afasta os leitores que não gostam de um tipo de livro fortemente marcado pelo romance. 
Este livro tem romance, mas vai muito mais além do que simples casal que se apaixona e que tem mil e um obstáculos até terem o seu felizes para sempre.

Ao longo do livro ficamos a conhecer o Gus e a Tess. Cada um deles nos dá a conhecer a sua realidade de forma independente, o engraçado é que nós leitores conseguimos identificar momentos em que os caminhos de Gus e de Tess se cruzam sem que eles atribuam grande reconhecimento ou significado a estes pequenos acidentes de percurso.

Cada um deles tem uma história muito interessante e com desafios que nos deixam a pensar. Tess e Gus ajudam-nos a mergulhar em temas como o luto, o sentimento de culpa, a traição, o alcoolismo, a solidão e o síndrome de Asperger. 
Com o Gus irritei-me muitas vezes. Compreendia a forma como os seus fantasmas habitam no seu interior e a forma como os seus pais os faziam agitar ainda mais. Sofri um bocadinho com ele, porém em alguns momento achei-o tão parvo e infantil que só me apetecia bater-lhe. Felizmente tinha uma amiga, a Nash, que lhe exorcizava os fantasmas e fazia com que ele visse as coisas com um bocadinhos de mais clareza. O que mais gostei nele foi o seu lado sensível e sonhador. Um verdadeiro apreciador de arte. Infelizmente, nem sempre este lado mais bonito conseguia emergir das cinzar e ajudá-lo na sua vida.
E depois temos Tess que teve de abdicar dos seus sonhos para cuidar da sua irmã, Hope. Também me irritei com ela, principalmente quando ela se deixava levar pela ingenuidade. Não foi fácil vê-la a tentar compreender a Hope e a ter de ajustar a sua vida em função da sua irmã mais nova. Foi duro ver que faltava alguém que cuidasse dela de forma genuína e altruísta. Tess era uma rapariga dos livros, por isso ao longo da narrativa são várias as referências a livros com as quais nos cruzamos.

O final deixou-me zangada. Eu sou romântica no que toca aos livros e idealizei tanto aquele final, esperei tanto por ele que quando ele chegou foi demasiado apressado e sem aquele toque de emoção que acompanhou grande parte do livro. Esperava mais deste final, com mais desenvolvimento e com mais espaço para tudo em volta daquilo que aconteceu crescesse e nos baralhasse as emoções. 
Sendo o primeiro livro da autora, considero que foi um bom começo. Tem uma escrita simples, fluída e muito cativante. Eu fiquei presa logo nas primeiras páginas e sempre com vontade de ler mais e mais capítulos para ver por onde as coisas evoluíam. 
Para aqueles que se deixam influenciar pelas capas e pelos títulos e fogem a sete pés de romances, apostem neste, acho que poderão ser surpreendidos.

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