quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Opinião | "A linha ténue do passado" de Mónica Cortesão Gonçalves

A Linha Ténue do Passado
Classificação: 1 Estrela

Gosto sempre de dar uma oportunidade aos autores portugueses. Cabe-nos a nós não deixar que o trabalho deles fique esquecido. Nestas minhas aventuras por novos autores nacionais tenho-me cruzado com agradáveis e desagradáveis surpresas. Mas é certo, só poderemos formular estas nossas opiniões se dermos uma oportunidade aos livros e, consequentemente aos autores que os fazem nascer.

A linha ténue do passado marca a minha estreia com a autora Mónica Cortesão Gonçalves. Ganhei este livro num passatempo e estava na estante há algum tempo. Infelizmente, esta foi um leitura pouco agradável. É um livro muito pobre, com maus diálogos e com personagens mal exploradas e apresentadas. 

Eu gostei da premissa que está por detrás de todo o enredo. Temos um passado familiar para descobrir, uma casa de familiar para explorar e alguém que se sente curioso a desvendar todas estas particularidades em busca de respostas. A curiosidade ainda se aguça mais ao saber que ali há um pouco das vivências de núcleo familiar durante a 2ª Guerra Mundial.

Infelizmente, a forma como a autora deu corpo a tudo o que povoava a sua imaginação não correu bem. A autora precisava de amadurecer a sua escrita, ler mais obras no sentido de perceber qual a dinâmica que está por detrás da construção de um livro, nomeadamente na construção dos diálogos e da sequência narrativa.
Os diálogos são bastante artificias, com pouca expressividade e aborrecidos. Isto dificultou imenso a minha ligação às personagens. Outro aspeto pouco positivo é o facto de a autor se limitar a contar o que vai acontecendo, mas precisa de mostrar, precisa de nos dar acesso ao interior e exterior das personagens e não se limitar a escrever o que aconteceu. Todos estes aspetos fizeram com que eu sentisse este livro como uma leitura bastante artificial, apressada e pouco realista.

Para mim, um bom escritor tem que ser um bom leitor. Aprendemos imenso a ler os outros e a refletir sobre como os outros escrevem e constroem as suas histórias. Penso que a autora ganharia muito se lesse mais e de forma atenta e reflexiva. Penso que iria melhorar de forma exponencial o seu processo de escrita.
Que este livro seja apenas uma primeira experiência de onde possa retirar as suas aprendizagens para, num futuro, fazer melhor.

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