quarta-feira, 29 de novembro de 2017

ACMA | Conforto


Este mês, o ACMA convida-nos a refletir sobre o conforto. Ora, eu queria fugir um bocadinho aquilo que poderia ser mais comum ou que facilmente associamos a situações de conforto. Esta reflexão levou-me aos livros e ao conforto que deles podemos obter, e lembrei-me de falar sobre Biblioterapia.
Aos longos dos anos têm emergido diferentes definições e abordagens para o tema. A primeira definição surgiu em 1941, no dicionário especializado norte-americano Dorland’s Ilustrated Medical Dictionary, definindo biblioterapia como “o emprego de livros e a leitura deles no tratamento de doença nervosa”.
No decorrer dos anos seguintes foram muitos os autores que se dedicaram a estudar o tema. Mais recentemente, as autoras Ana Cristina Abreu e Anabela Henriques (2013, p.96), procurando apresentar-nos uma definição mais ampla do conceito, definiram biblioterapia como “uma atividade com vertentes preventiva e terapêutica que, através da leitura de livros de ficção ou de autoajuda, individualmente ou em grupo, tem o propósito de facultar uma experiência recobradora da saúde, ou permitir um contínuo desenvolvimento, em qualquer idade do ciclo vital”. Podemos referir que esta atividade é um recurso que, quando bem utilizado, poderá funcionar como um excelente aliado das técnicas psicoterapêuticas. Assim, através dos livros estamos a oferecer conforto aos pacientes no seu processo de superação pessoal e na conquista pela sua saúde mental.
O interesse pela temática tem vindo a ganhar lugar no mundo da investigação e a diversa literatura científica reforça o valor da biblioterapia como uma ferramenta psicoterapêutica extremamente útil no tratamento da doença mental. Complementando esta informação, as investigações apontam para o aumento da eficácia da psicoterapia quando combinada com a biblioterapia. Neste sentido, a investigação acerca da combinação destas ferramentas mostra que realmente existem benefícios no tratamento de depressão, alcoolismo, automutilação, ataques de pânico, disfunção sexual e na promoção de competências socais (Fanner & Urquhartt, 2008).
Por fim, uma outra investigação que eu achei bastante interessante á a da autora Maria Silva (2011). Esta autora desenvolveu uma investigação em que aplicou as técnicas de biblioterapia junto de crianças do ensino pré-escolar na gestão emocional, nomeadamente na gestão do medo e da agressividade; aspetos tão presentes nesta etapa do desenvolvimento.
Esta é um campo de investigação ainda recente e, por isso, penso que ainda há um longo caminho a percorrer. Porém, nada invalida que reconheçamos a importância dos livros e os benefícios associados à leitura. Para mim, a leitura é uma enorme fonte de conforto, de descontração e de estimulação. Através dos livros consigo desenvolver-me enquanto profissional, enquanto pessoa e enquanto ser emocional. Desta forma, acho que não será diferente para outros leitores. Espero que muitas outras pessoas se dediquem a este tipo de investigações. Pessoalmente, se tivesse disponibilidade gostaria de explorar as potencialidades da leitura em crianças ao nível da gestão emocional, da agressividade e de comportamentos de oposição e na estimulação da inteligência emocional e empatia.
Se quiserem fazer parte deste projeto, basta falarem com a Ju, através do seguinte email, acma.cultura@gmail.com. O projeto também está presente no facebook, através da página que podem consultar aqui.

Lista de criadores:

 
Azevedo, F., & Haydê, C. (2016). Práticas e discursos académicos sobre biblioterapia desenvolvidas em Portugal.  Álabe,  14, pp. 1-14.
Fanner, D., & Urquahartt, C. (2008). Bibliotherapy for mental health services users part I: A systematic review. Health Information Libraries Journal, 25, pp.237-252.
Silva, M. P. T. da (2011). Biblioterapia na educação pré-escolar: a gestão do medo e da agressividade. Dissertação de Mestrado, Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, Porto, Portugal. 74 f. Retirada  de 2015,  http://repositorio.esepf.pt/ handle/10000/479

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