domingo, 21 de maio de 2017

Por detrás do autor | Vanessa Santos

Há muito tempo que não fazia uma entrevista aqui para o blog. Em jeito de agradecimento pela oferta do livro convidei a autora Vanessa Santos para uma pequena entrevista.
Ela aceitou  o convite e, muito amavelmente respondeu a algumas perguntas que lhe enviei.

Vanessa Santos
É natural de uma das freguesias mais antigas da cidade de Leiria, Cortes. Ao longo dos anos, foi descobrindo o gosto pela leitura, tendo concluído, que o seu gosto e género literário pende, essencialmente, para o thriller, terror, ficção científica e, principalmente, histórias de crime e mistério, sendo por isso, leitora de nomes como Agatha Christie e Stephen King.

A autora de “Mors Tua, Vita Mea – A tua morte, a minha vida”, é finalista da Licenciatura em Direito, em Coimbra, e no mesmo ano em que se torna finalista lança o seu blogue intitulado Livros de Vidro.

A transição de ano de 2014 para 2015 culminou com a edição da sua primeira experiência no mundo da escrita com um texto que teimava em ficar apenas no fundo de uma gaveta, mas que se espera não ser o último a sair de lá. (texto retirado daqui).


Em que medida o teu mundo pessoal se cruza com o teu mundo de escritora? O que é que os afasta e o que é que os aproxima?
Gosto de ler e a escrita apareceu quase por acaso. Ou foi mesmo um acaso. Uma experiência, nunca tinha pensado em escrever um livro até ao dia em que comecei. Fui escrevendo até acabar. Se se disser que os dois mundos se cruzam será na medida em que o mundo de escritora se tornou uma experiência, uma vivência do mundo pessoal.


 Na tua apresentação pessoal consta que tens um maior interesse por um género de livros em que o crime e o mistério andam de mãos dadas. O que é que te fascina neste género de livros? O que é que achas que este género de livros deverá ter para torna-los interessantes e memoráveis aos teus olhos?
O mundo do crime fascina-me além da literatura. É um mundo que a nível profissional também me diz algo e é uma das áreas em que mais gosto de trabalhar. Claro que ao lê-lo nos momentos de lazer, em livros de literatura de “entretenimento”, gosto que seja uma trama bem pensada, construída com suspense e sem que os finais sejam “mais do mesmo”. Quando leio autores “profissionais” exijo isso, pois já contam com muita experiência e uma equipa a acompanhá-los. Quando deles me chega o mínimo, penso que é defraudar o leitor.
Aos meus olhos terão de ter aquilo que nenhum outro teve, uma história nova, um método novo, um cenário diferente. Às vezes bastam pequenos pormenores para fazer a diferença, mas considero que só escritores já calejados lá chegam. Embora haja boas surpresas em “novatos”.


Mors tua, vita mea: a tua morte, a minha vida é o teu livro de estreia. Podes partilhar connosco como foi todo o processo de criação deste livro? Quais foram as tuas fontes de inspiração para o enredo e as personagens?
A inspiração foi do mais corriqueiro que se pode imaginar. Foi a vida do dia-a-dia, claro que com alguma ficção à mistura. Como bem disseste, foi o livro de estreia, escrito há mais de três anos, foi sendo escrito ao longo de outros três. Foi um processo inteiramente amador, sem qualquer experiência. E isso nota-se no resultado final. Mas durante esse tempo via pequenas coisas à minha volta que iam ajudando a construir a história, há personagens inspiradas em pessoas reais, os locais existem, só a “Biblioteca” está ligeiramente, muito diferente vá, da original. Não sendo um livro de fantasia, permitiu que agarrasse no mundo real.


O que é que foi mais fácil na escrita deste livro? E o mais difícil?
O mais fácil foi escrever. O difícil veio depois, quando começamos a perceber que deveríamos ter calma antes de partir para uma edição definitiva.


Farias alguma coisa de diferente com este teu primeiro livro? O que é que farias?
Faria. Para já o cuidado depois da escrita seria outro. Ninguém que esteja a escrever um livro está, ou tem de estar, preocupado com os erros, as gralhas, a estrutura, etc. Quem já o fez sabe isso. E bastará conversa com autores já imensamente publicados para perceber isso. 
Esse trabalho deveria ser feito depois. Mas surge o problema de nós já conhecermos o nosso texto, então, se o formos ler os erros estão lá mas nem os vemos, e isso acontece até com trabalhos de escola/faculdade. 
Penso que é fulcral o bom acompanhamento das editoras. É fundamental ter calma na escolha das mesmas. Não cair logo na primeira que aparece e conseguir-se ter o distanciamento necessário para parar, esperar e voltar a ler o texto. Sentar-nos a lê-lo e sabermos criticá-lo. 
Toda esta fase me falhou. Deveria ter tido calma, parado, ter avaliado várias alternativas. O desconhecimento do mundo editorial também dificultou na altura, penso que acreditamos no que nos dizem quando desconhecemos. 
Como se costuma dizer: “se soubesse o que sei hoje…”. Mas foi essencial para aprender e ganhar ferramentas.


Tendo em conta o que farias diferente, que aspetos te fazem olhar para o teu trabalho de uma maneira diferente? Que aprendizagens tens feito que te permitam olhar com mais clareza para as coisas e tomar consciência daquilo que preferias fazer diferente?
Como disse, a parte da leitura final, é essencial. O aplacar a ansiedade com que ficamos após terminar também. 
Claro que hoje escrevo e penso de maneira diferente da altura em que terminei o livro, o que também altera as coisas. 
Mas aprendi que escrever um livro não é fácil. E os trâmites seguintes também não.


Lançaste-te num projeto de administração de um blog, o Livros de vidro, como é que nasce essa ideia?
A ideia nasceu após escrever o livro e antes de o editar. Como disse, gosto de ler, e num dia mais aborrecido em que não tinha um livro para ler e tinha o computador à frente acabei por dar vida ao blogue. Basicamente o blogue nasceu do gosto pela leitura e de um momento de “seca”.


Como tem sido a experiência de teres um blog literário? Tem-te ajudado em alguma coisa? Em quê?
Tem sido boa. Tem-me permitido conhecer muitos autores portugueses. Tem-me mostrado as várias editoras do país e tenho, assim, acompanhado o seu trabalho. Vejo que há muitas em que o trabalho de acompanhamento aos autores é fraco, o que prejudica os livros. 
Há trabalhos bons, mas mal conduzidos e há outros maus, mas que ainda assim foram editados. 
No fundo isso mostra o carácter económico que tem sido dado à literatura. Se sou crítica com o meu livro e lhe reconheço falhas, devo dizer que tenho encontrado coisas muito graves noutros textos. 
Se por um lado, lamento por todos os que não soubemos ter calma e não fomos devidamente conduzidos, por outro, assusta-me que haja a pouca honestidade de se publicar qualquer coisa sem alertar os autores para aquilo que têm em mãos. 
Não custa nada, ou talvez custe, dar uma opinião sincera, mesmo que negativa. E aí sim, de plena consciência, decidiria o autor se ainda assim queria avançar. 
Se me tivessem alertado, chamado a atenção, teria esperado. Feito a tal pausa. Tido calma. 
Mas não são só coisas negativas. Felizmente muitas foram as pessoas que gostaram do texto e que se abstraíram dos referidos erros e falhas e solicitaram uma continuação. Que a existir já terá todo um tratamento diferente do primeiro livro. 
Sabemos todos que nunca agradaremos a toda a gente, há público para todo o género de conteúdos.


Enquanto escritora o que pensas fazer no futuro? Há ideias na gaveta? Estás com vontade de as desenvolver?
Há algumas, mas neste momento estão em pausa. Profissionalmente estou numa fase exigente e estou focada. Só no verão volto a pensar na escrita. 
Estou com vontade de voltar a tentar, não podemos desistir. E como já havia dito, foram poucas as reacções negativas e muitas as positivas. O que vai dando força. Nunca se sabe quando somos o próximo Nobel da literatura. (risos) Nenhum grande autor ficou grandemente conhecido logo à primeira tentativa. É preciso limar arestas e partir pedra.


Como e quando lhe pretendes dar forma?
Ainda não sei bem.


Porque é que as pessoas devem ler o teu livro?
Quem estiver à procura de um livro descontraído pode lê-lo. Quem quiser um clássico profundo e filosófico não deverá lê-lo. É um livro simples, que se lê rápido. Não exige muito dos leitores. A não ser o exercício de se tentar abstrair das falhas ;)

Vanessa, muito obrigada pela disponibilidade e atenção. 
Votos de muito sucesso profissional, literário e pessoal. 

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