sábado, 24 de junho de 2017

Opinião | "Inês" de Maria João Fialho Gouveia

Inês

Classificação: 5 Estrelas

O meu primeiro contacto consciente com a história de Pedro e Inês foi com o estudo d' Os Lusíadas, no nono ano. Dessa altura, aquilo que me ficou foi a ideia de uma amor que marcou a história de Portugal e que acabou de forma trágica.

Mais tarde, enquanto estudante de Coimbra, voltei a "cruzar-me" com Pedro e Inês e cheguei a visitar os jardins do agora hotel Quinta das Lágrimas, local central da narrativa deste livro.
Apesar de conhecer os acontecimentos em traços gerais e os momentos chave deste romance, nada me aborreceu durante a leitura. 

Inicialmente, quanto temos o primeiro contacto com o texto, não o sentimos como uma leitura fácil. A autora recorreu a um estilo de escrita muito particular, com palavras cuidadosamente escolhidas, transformando-se num leitura um pouco mais difícil. Porém, ao avançar pelas páginas, acabei por me ambientar ao estilo da escrita e facilmente me vi agarrada à narrativa. 

Gostei muito de conhecer, de forma aprofundada e pormenorizada, o modo como as vidas de Pedro e Inês se entrelaçaram. 
Adorei conhecer a forma como viveram e expressaram o seu amor. Apesar de saber como é que Inês era ceifada dos braços de Pedro, em nada afetou a intensidade com que vivi a leitura desses momentos.

Para além de Pedro e Inês fiquei a conhecer outros aspetos da nossa história. Confesso que já não me recordava que Pedro era neto da Rainha Santa Isabel (mais uma personagem da nossa história que tenho vontade de conhecer com mais profundidade) nem dos tumultos que o amor de Pedro e Inês trouxe a Portugal.

Adorei a Inês e sofri um bocadinho com as suas escolhas. Um dos momentos que me tocou de forma particular foi a despedida entre Inês e a sua mãe adotiva. Fiquei de coração apertado com o quebrar de alguns laços que as unia de forma tão especial e da forma como tudo se modificou na relação delas daí em diante.

E é assim que vejo o meu gosto por Romances Históricos aumentar cada vez mais. Apesar de ter sido um leitura lenta e morosa foi uma experiência fantástica. Tenho a certeza de que os leitores que gostam deste género literário irão ficar rendidos ao livro. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Divulgação | "Doces silêncios" de Deborah Smith e "As impertinências do cupido" de Ana Gil Campos


Doces Silêncios de Deborah Smith

Sinopse
Após a morte do marido num trágico acidente, Hush McGillen não se deixou abater. Transformou os pomares de maçãs da família num negócio de sucesso e o filho, Davis, está a estudar na conceituada Universidade de Harvard. Contudo, este idílico paraíso cai por terra quando o filho aparece com uma companhia inesperada: a filha do Presidente dos Estados Unidos. De um momento para o outro, Hush tem de lidar com os Serviços Secretos, a comunicação social e, pior do que tudo, os novos sogros do filho - e a primeira-dama não está nada satisfeita.

Com o agente federal Nick Jakobek, enviado pela família presidencial para resgatar a filha, a trazer ainda mais caos à sua vida, Hush vê-se perante a necessidade de fazer todos os possíveis para salvar o seu negócio, a sua reputação e a sua família - pois o seu passado não é exatamente o conto de fadas que todos julgam.

Esta será a minha estreia com a autora e eu estou muito curiosa por ler este livro. São várias as opiniões positivas em relação ao trabalho da autora, por isso, tenho a sensação de que vou ter aqui uma boa leitura. 
A capa é bastante bonita e o título apelativo. Acima de tudo espero encontrar uma bonita estória de amor.

As impertinências do cupido de Ana Gil Campos

Sinopse
No Itaim Bibi, um bairro nobre de São Paulo, tudo parece sereno, entregue ás rotinas diárias. Sob esta aparência tranquila, porém, as vidas íntimas dos seus moradores são atravessadas por inúmeras aventuras.

Ao longo deste livro, somos convidados a espreitar à janela de cada personagem, partilhando os seus segredos e confidências, sorrindo com as suas conquistas e suspirando com as suas frustrações.

Num registo divertido, Ana Gil Campos traça um retrato plausível e cru do que são as relações amorosas nos dias de hoje, bem mais complexas e problemáticas do que um olhar menos atento consegue captar.

A minha curiosidade em ler este livro prende-se com o interesse em continuar a acompanhar a evolução desta autora portuguesa. Li um trabalho anterior dela. Foi uma leitura satisfatória, mas antevi ali potencial para nos oferecer mais. Assim, espero encontrar uma leitura fluída mas com elementos que me demonstrem a evolução na escrita de Ana Gil Campos.

E vocês, têm curiosidade em ler algum destes livros? Qual desperta mais o vosso interesse?

Palavras Memoráveis


Ser amigo é isso mesmo, não? Saber adivinhar quando a outra pessoa nos diz o contrário do que está a pensar no fundo de si mesma. 
Marc Levy, O ladrão de sombras

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Lista | Livros a ler no verão de 2017

Eis que chegamos ao verão, uma estação que não me traz muito entusiasmo. Sofro imenso com o calor e há dias em que me sinto mesmo a agoniar com o calor. 

A mudança de estação implica uma nova lista de leituras. 
Antes de vos dar a conhecer o que quero ler nesta estação que se inicia, vou fazer o balanço de listas anteriores. 

Começando pelas mais antigas, ainda não consegui terminar mais nenhuma entretanto. Em relação à da primavera de 2017 posso dizer que correu muito bem. Estou, neste momento a ler o décimo livro da lista, por isso (e recorrendo a um bocadinho de batota) digo que terminei a lista. 

O que se segue para o verão? Aqui estão eles...

1. Cama Supra de Rick Kirman
2. Doces Silêncios de Deborah Smith
3. As impertinências do cupido de Ana Gil Campos
4. Se isto é um homem de Primo Levi
5. Sangue do Coração de Juliet Marillier
6. A Promessa de Lesley Pearse
7. A livraria dos finais felizes de Katarina Bivald 
8. Perfume de paixão de Jude Deveraux
9. Uma nova esperança de Colleen Hoover
10. Amor de predição de Camilo Castelo Branco

Cama Supra (Baby Blues, # 31)Doces SilênciosAs Impertinências do CupidoSe Isto é um HomemSangue-do-CoraçãoA Promessa (Belle #2)A Livraria dos Finais FelizesPerfume da Paixão (Edilean, #3)Uma Nova Esperança (Hopeless, #2)Amor de Perdição

domingo, 18 de junho de 2017

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Desafio]


A resposta a este desafio vem com algum atraso, mas era um daqueles que requeria inspiração.
Acho que não me correu tão bem como eu gostaria, mas não podia atrasar mais. 

Vai ser muito difícil cativar os leitores de Colleen Hoover... Estou a anos luz da forma suave com que ela brinca com as palavras, mas procurei dar o meu melhor.

Atenção, poderá conter spoilers



Desafio para o livro “9 de Novembro”, de Colleen Hoover

A exposição

9 de Novembro reúne duas personagens com cicatrizes provocadas por acontecimentos das suas vidas. Ben e Fallon encontram-se uma vez por ano, sempre no dia 9 de novembro, e essa data, que tanto sofrimento trouxe a ambos, traz-lhes também agora a esperança de um novo amor.

Depois do final do livro, Ben e Fallon continuam certamente, no pensamento dos leitores, a fazer algo diferente para assinalar esta data e enchê-la com mais memórias felizes.

Assim, gostava que imaginasses mais dois anos na vida deste casal. O que fizeram eles de especial no dia 9 de novembro?

*******

Décimo 9 de novembro

Fallon
Passaram-se quatro anos desde que acabamos com os nossos encontros intermitentes. Muito temos partilhado ao longo destes anos e a realidade é que nunca me canso do Ben. Passei a conhecer-lhe melhor os raios de luz, bem como as sombras que emanam da sua personalidade. De mim, ele já tinha acedido a todos os andares das minhas frustrações. O que sempre me encantou nele foi aquele jeito simples e especial que ele tinha para desmontar as minhas emoções e, claro, me fazer rir. Com o Bem é fácil rir, chorar, sentir… Com o Bem é fácil viver, é fácil partilhar uma vida a dois. 

O pedido de casamento, tal como ele havia prometido, chegou um ano depois e casamos no ano seguinte, a 9 de novembro, pelo que hoje celebramos dois anos de casamento. Porém eu gosto de festejar com o Bem o simples facto de este dia nos ter juntado. 

Hoje, teremos de fazer os festejos à distância. Ben está noutro estado para apresentar mais um livro. O seu jeito especial para tecer estória tem corrido bem. Toda a gente adora os seus livros e vibra com as suas personagens. 

O sinal de chamada do Skype começa a ecoar pela sala e depressa abandono os meus pensamentos. Atendo e do outro lado o sorridente Ben surge-me no ecrã. Nos olhos noto-lhe o cansaço de ter passado uma tarde a falar do livro, a dar autógrafos e falar com as fãs (sim, ele consegue arrastar uma multidão feminina que não consigo explicar tamanho fascínio… ou talvez consiga); e no sorriso a tristeza de, neste dia, não estar aqui. 

- Olá bela Fallon – o meu nome sempre soou bem na boca de Ben. 

- Olá Ben! Então, quantas fãs te assediaram hoje? Pelos vistos não houve convites para um jantar ou uma noite diferente… Estás aí, sozinho, com ar cansado… 

Ben, sorria. Vinha aí uma resposta à altura. 

- Pois é… Parece que a única fã que eu convidei para um jantar e uma noite bem passada deixou-me pendurado! 

- Não me digas!! Nem a tua tática de querer conhecer a cor das suas cuecas funcionou? – Estava a meter-me com ele propositadamente. Adorávamos entrar neste jogo. Eu sabia que ele se referia a mim, mas ambos sabíamos que era impossível acompanhá-lo nesta viagem. 

- A técnica funcionou… Funcionou tão bem que há dez anos com uma fã. Aliás, funcionou tão bem que ainda hoje é ela a única que habita no meu pensamento e no meu coração. 

Apesar do ecrã nos separa fisicamente, o olhar de Ben era profundo, sincero e penetrante. É aquele olhar de amor que faz com algo dentro de mim se agite e me emocione. 

- Se funcionou, querido! – agora o meu tom era de saudade. Como queria abraçá-lo neste momento. – Tenho saudades tuas. 

- Amanhã já estarei aí… Cumpro sempre a minha palavra, sabes disso. E onde está a pequena Ariane, que impediu a mãe de acompanhar o seu pai escritor? 

Sorri. Ben tinha uma adoração especial pela filha. No último ano, entre a gravidez e o nascimento da Ariane, Ben ganhou uma luz ainda mais especial. Cuida de nós como cuida de qualquer pessoa a quem decida entregar o seu coração. O amor que ele mostra por nós é incondicional e sente-se a léguas de distância. 

- Está a dormir – respondi ao fim de algum tempo a olhar para ele, a sentir o toque do seu amor na minha alma. – Acho as ou muito me engano ou também sente a falta do pai e das suas cantorias. 

- Isso é um golpe baixo, Fallon. Sabes do meu péssimo jeito para as cantorias. Por acaso estás a insinuar que a pequena Ariane está satisfeita por não ouvir a voz desafina do pai. 

Ri. Ben cantava bem. Não era nenhum tenor, mas tinha uma voz melodiosa e calmante, só ele achava que cantava mal. 

Um silêncio confortável instalou-se entre nós. Ben levou os dedos ao ecrã, como se estivesse a acariciar a minha face… 

- Fallon, sabes como me sinto agradecido por, naquele dia o meu caminho se ter cruzado com o teu? Imaginas sequer a dor que libertaste de mim assim que me perdoaste? 

Eram perguntas que não careciam de resposta, porque as emoções a que elas no conduziam eram as mesmas para os dois. 

- Espero-te, amanhã, com um jantar especial. – Ele assentiu do outro lado. 

- O difícil, vai ser aguentar até amanhã. Adoro-te, Fallon. Ocupas cada recanto do meu coração. 



Quinquagésimo 9 de novembro 

Queria Fallon, 

Hoje foi um dia duro para mim. Pela primeira vez em 50 anos, não o partilho contigo. Dói, sabes. 

Sinto falta de tudo aquilo que fazia parte de ti. A tua essência sempre preencheu os espaços vazios da minha. Sempre me acolheste nos teus braços de uma forma especial. E era neles que eu agora gostaria de estar entrelaçado. 

Todos os dias gosto de viajar no tempo. São viagens ao passado. Viagens onde te posso ir buscar, recolher um pouco de ti e guardá-lo em mim. Não te quero esquecer… As minhas memórias estão a ficar fracas e não quero que fujas delas. 

Os dias arrastam-se sem ti. Os nossos filhos desdobram-se em atenções comigo. Não querem que me falte nada, nem que a solidão me engula. Eles não percebem! Eu nunca estou sozinho. Enquanto as lembranças me valerem, tu estarás comigo em cada momento do meu dia. 

Hoje quero viajar até ao nosso terceiro 9 de novembro, quando me apareceste à porta. Cheguei a dizer-te o quanto estavas bonita? O quanto a tua presença ali serenou as minhas emoções? Estava a ser um dia negro da minha vida, e tu, com a tua luz especial, vieste iluminar o meu interior e ainda tive o privilégio de te conhecer o corpo por inteiro. Fecho os olhos e ainda sinto sabor daquela nossa primeira vez. Fecho os olhos e ainda sinto o palpitar do teu coração, outrora cheio de vida, contra o meu peito. 

Onde quer que estejas, espera por mim. Sei que o nosso amor é demasiado grandioso para se ficar por uma vida terrena. Ainda havemos de mostrar aos Deuses do Olimpo o que é duas almas gémeas são capazes de fazer. 

Com todo o meu amor, 
Ben

sábado, 17 de junho de 2017

TAG | Feira do livro


Este blog tem estado um bocadinho mais parado. É um bocadinho o reflexo do andamento das minhas leituras. Estou a ler um livro histórico que se tem vindo a arrastar... É um livro denso, o tempo tem sido pouco, daí os meus atrasos. 

Assim, venho responder a uma TAG dedicada à feira do livro (e antes que termine a feira do livro em Lisboa).
Esta TAG foi criada pela Cláudia do blog  A Mulher Que Ama Livros, mas foi nos blogs Prazer das Coisas, da Tita, e no Jardim de Mil Histórias da Isa que eu fiquei a conhecer. 

Aqui ficam as minhas respostas. Espero que gostem e boas leituras.

1.LISBOA - Indica um livro que se passe em Lisboa
O Espião Português


Tive dificuldades em encontrar um livro que entrasse nesta categoria. Acabei por escolher O espião português de Nuno Nepomuceno. A ação decorre entre várias cidades, entre elas Lisboa.


3. SOL - Indica um livro para ler no Verão

À Conquista do Teu Coração


À conquista do teu coração de Anna Bell é um livro cheio de desafios, com uma narrativa rápida e super divertida, ou seja, características que facilitam a leitura nos dias mais quentes em que o nosso cérebro está em modo estivação.

4. FARTURAS - Indica um livro doce

Confesso


Apesar do livro Confesso de Colleen Hoover ter algum "sumo de limão" tornando-o, em certos momentos, um pouco azedo, o amor e o romance que preenchem estas páginas é muito doce.


4. EVENTOS - Qual o autor que devia ir à Feira do Livro?
Mais do que autores eu gosto é dos livros. Tenho alguns autores cujos livros são sempre apostas ganhas como é o caso de Dorothy Koomson, Lesley Pearse, Julia Quinn, mas nem sempre fico com vontade de conhecer quem os escreve. Para ter uma resposta a esta categoria, talvez apontasse para Julia Quinn só para ver se ela é tão divertida quanto os livros que escreve.

5. EDITORA - Elege as tuas três editoras preferidas
Eu leio livros de diversas editoras e em quase todas consigo encontrar livros que "me encham as mediadas". Porém posso apontar a Topseller, a Harper Collins, Editorial Presença.

6. HORA H - Indica um livro muito bom com mais de 18 meses

Mil Sóis Resplandecentes

Para aqui escolho a minha recente leitura Mil sóis resplandecentes de Khaled Hosseini. Na minha opinião é um livro capaz de agradar a grande parte dos leitores. Conjuga diferentes assuntos de forma interessante, cativante e emocionante. 


7. AUTORES- Já pediste autógrafos? Mostra!
Tenho alguns livros autografados, mas como são de cariz mais pessoal prefiro não mostrar. São livros que me foram oferecidos pelos autores(as) e que vêm sempre com umas palavras bonitas. Nunca fui a uma feira do livro onde estivesse lá um escritor para eu pedir autógrafos.

8. LIVROS - Mostra dois livros que compraste nos meses anteriores e ainda não leste
A Luz Entre Oceanos A Filha do Barão

Estes dois livros foram adquiridos no início deste ano e ainda não foram lidos. Quero muito ler A filha do barão de Célia Loureiro para poder ler a continuação. Vamos ver se será nos próximos meses.

9 | LISTA DE DESEJOS - Revela dois livros que pretendes comprar este ano
Livros nunca são demais, porém eu não planeio muito os livros que pretendo comprar. Vou tentar ir à Feira do Livro de Braga e do Porto e logo vejo se encontro alguma pechincha que esteja dentro do meu orçamento e que eu queria muito ter. 
Confesso que ando de olho nestes:
Contos Completos Irmãos GrimmContos

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Palavras Memoráveis


Mesmo num dia de mau tempo, ninguém está livre dos efeitos de uma pequena aberta.
Marc Levy, O ladrão de sombras

terça-feira, 13 de junho de 2017

Divulgação | Bingo "Leituras ao Sol"



Este ano, a Patrícia, a Isa e a Sara do grupo Leituras Partilhadas do goodreads lançou um desafio à comunidade literária para um desafio: Bingo Leituras ao Sol.  

Apesar de ter consciência que o meu verão vai ser mais dedicado a leituras científicas, queria aproveitar e tentar completar uma linha do Bingo.

Cá está o cartão e as suas categorias:

O objectivo é ler os livros para preencher uma coluna ou linha. Os mais audazes podem tentar preencher todo o cartão e fazer BINGO!!

Este desafio decorre de 21 de Junho a 22 de Setembro!

As categorias são:

  • Livro com a uma capa que te lembre o Verão;
  • Livro emprestado (da biblioteca, de um familiar ou amigo...etc);
  • Livro recomendado por alguém;
  • Livro do teu género preferido;
  • Livro que se passe num continente diferente do teu;
  • Livro vencedor de um prémio literário (pode ser prémio nacional ou internacional. Não ser apenas finalista. Tem que ser vencedor. E contam tanto os livros como os autores);
  • Clássico português (nesta estão incluídos autores/as considerados clássicos, como Eça de Queiroz, Antero de Quental, Júlio Dinis, entre outros);
  • Livro adaptado a cinema ou tv;
  • Livro esquecido na estante (nesta categoria apenas contam livros que já tinhas anteriormente);
  • Livro juvenil ou young adult;
  • Livro de um autor de estreia para ti (um autor/a que nunca leste e queres muito ler);
  • Livro de um autor lusófono;
  • Livro do género chick -lit (para quem não sabe, um romance muito fofinho);
  • Livro que se passe num local onde gostarias de passar férias;
  • Uma BD, Mangá ou Graphic Novel;
  • Um livro do/a teu/tua autor/a preferido/a;

REGRAS:
  • Apenas conta um livro por cada categoria;
  • Os contos individuais não são contabilizados;
  • Podem ser contabilizados ebooks e audiobooks;
  • Desafio decorre de 21 de Junho até às 23h59 do dia 22 de Setembro;
  • Objectivo: fazer uma linha ou coluna na diagonal;

Não vou fazer nenhuma TBR porque, neste momento, ainda não consigo eleger um conjunto de livros que queira ler.
Daqui a uns dias, quando fizer a minha lista de livros a ler no verão terei em atenção estas categorias.



sexta-feira, 9 de junho de 2017

Opinião | "Mil sóis resplandecentes" de Khaled Hosseini

Mil Sóis Resplandecentes

Classificação: 5 Estrelas

Há muito tempo que um livro não me levava a lágrimas intensas, nem mexia tanto com o meu sistema emocional. 
A curiosidade em ler Mil sóis resplandecentes não é recente. Desde que entrei no mundo da blogoesfera que me deparei com opiniões de pessoas a quem este livro não foi indiferente. Então sempre me questionei acerca do que é que este livro poderia ter de diferente, uma vez que foi capaz de tocar muita gente de uma forma tão especial. Agora que terminei esta leitura passo dizer que este livro tem a sensibilidade estampada nas palavras e nas personagens; tem uma realidade que nos ultrapassa enquanto habitantes do mundo ocidente; tem a dureza da guerra; tem os detalhes históricos, que em nada aborrecem a leitura. Tem tanta coisa e de forma tão avassaladora que me fica a sensação que as minhas palavras, por muito bem escolhidas que sejam, não conseguem expressar de forma fiel a minha experiência com esta leitura.

De uma forma muito cuidada e bem documentada somos convidados a conhecer a realidade afegã pelos olhos de Mariam e Laila. Pertencem a gerações diferentes, com níveis socioculturais e económicos também dispares, mas a guerra acaba por colocá-las em pé de igualdade. Assim, começam a partilhar a mesma dura realidade. Se num primeiro momento tudo as afasta como pólos opostos num campo magnético, num segundo momento aproximam-se e ganham muito mais do que se cada uma se mantivesse no seu canto a olhar de lado para a outra.

Foi linda a forma como Mariam e Laila começaram a partilhar a amizade. Quanto mais se ofereciam uma à outra, mais eu me emocionava. Tenho plena certeza que cada uma delas brilhava no coração da outra mais do que mil sóis. Era esse brilho que as fazia sobreviver e resistir a Rashid, um "tradicional" marido afegão. 

Através de Rashid e de alguns outros elementos percebi o quanto devo agradecer ter nascido mulher num estado de direito, onde sou respeitada onde me permitem estudar, aceder a livros e a conhecimentos. Com este homem percebi que temos de lutar por relações felizes, estáveis, sem espaço para violência. Pois, assim, estaremos a lutar por algo que muitas mulheres que vivem sobre a pressão do Estado Islâmico não têm oportunidade de conquistar.

Cada passagem do livro, cada cena marcada pelo desrespeito, cada roquete que caía de forma aleatória sob Cabul ficaram gravados na minha cabeça e no meu coração. Quero guardar em mim a doçura e respeito que viviam no olhar de Tariq, a coragem e a generosidade de Miriam, a força de vontade e o respeito pelo conhecimento de Laila, a ternura de Aziza e o temperamento difícil de Rashid.

Um livro duro, escrito de forma excelente e sensível, que mexe com os nossos sentimentos e nos faz pensar acerca de como os direitos humanos e os direitos das mulheres são facilmente violados, deturpados e esquecidos.
Se por um lado somos fustigados com esta crueldade, por outro lado surgem os raios de esperança que as personagens guardam em cada luta por dias melhores. 

Por fim, o último aspeto que me ficou foi a importância da educação. A escola, o fomentar o interesse pelo conhecimento e pela aprendizagem moldam em muito a nossa visão sobre as coisas. No fundo, o acesso ao conhecimento permite-nos pensar e refletir de forma crítica sobre o que nos rodeia.

Um leitura avassaladora que me correrá pelas veias durante muito, muito tempo. 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Palavras Memoráveis


Talvez o amor seja como uma sombra, se alguém o pisa vai com esse alguém. Talvez demasiada luz seja perigosa para o amor, ou então o contrário, sem luz a sombra do amor apaga-se e acaba por se ir embora.
Marc Levy, O ladrão de sombras

terça-feira, 6 de junho de 2017

Opinião | "Casamento em Veneza" de Elizabeth Adler

Casamento em Veneza
Classificação: 3 Estrelas

Já há muito tempo que não lia nada de Elizabeth Adler. Porém, aquilo que me ficou na memória com experiência de leituras anteriores é de que são livros com narrativas simples, com algum mistério e romance e com um leitura em que as páginas nos escorrem pelas mãos. E foram estas sensações que emergiram na leitura Casamento em Veneza.

Este livro tem como personagem centra Precious Rafferty. Esta foi das personagens principais com a qual eu tive mais dificuldade em me identificar. Achei-a demasiado fútil e inocente para a idade. Faltou-lhe um bocadinho mais de garra e de personalidade.
Na minha opinião, Lili e Mary-Lou eram personagens mais complexas e uma maior presença delas na narrativa poderia tornar a estória mais apelativa. 
Também Sam demonstra essas características e com muito potencial a ser explorado.

Há certos aspetos na ação que decorrem de forma muito repentina. Faltaram-lhes contexto, tempo e espaço para crescerem.

Foi o aparecimento de Sam que tornou a minha leitura mais interessante. Foi a partir deste ponto que me senti mais cativa e com vontade de descobrir para onde tudo ia evoluir.

No geral posso dizer que é uma leitura agradável, que nos entretém e que possui alguns focos de entusiasmo que foram capazes de me agarrar mais à leitura.

domingo, 4 de junho de 2017

AMCA | Festival da Eurovisão da Canção




A Cultura Mora Aqui é um projeto em que um conjunto diversificado de bloggers e youtubers recebe, todos os meses, um tema para desenvolver, ficando ao seu critério participar ou não. 
Para maio e junho, o tema escolhido foi Festas, festejos e festividades e eu decidi abordar o Festival da Eurovisão da Canção. O meu gosto já vem de alguns anos atrás e costumo acompanhar as diferentes edições. 

Este ano foi ainda melhor assistir! Sei que já muito se falou sobre a vitória portuguesa, mas tenho de começar por aí. Escolhi o tema uns dias antes da grande final, dia 13 de maio, e lá no fundo estava com esperança que Portugal conseguisse um bom lugar. Lá no fundo, no fundo, alimentava em mim a hipótese de ser o vencedor, mas, como ando numa de baixar as expectativas, fui mantendo algumas reticências.

Por que é que eu gosto e acho interessa a eurovisão?
Eu gosto de ouvir música. Aliás, sou bastante eclética no tipo de música que ouço. Porém, a música que nos chega, nomeadamente através da rádio, é, maioritariamente, proveniente dos EUA. Não é frequente nas nossas rádios, televisões, etc. passar música francesa, italiana, belga, alemã, dinamarquesa… Um sem fim de países europeus que produzem música de qualidade e que dificilmente chega até nós. Acho que nem nos apercebemos desta realidade e que isso nos torna musicalmente mais pobres. É neste contexto que a eurovisão se torna importante e me faz ficar interessada nela. Através dela, ficamos a conhecer músicas de outros países que não a dos EUA.

Geralmente, quando ouço na eurovisão um músico que gosto, passo a seguir um pouco a sua carreira. Felizmente, a internet, e mais concretamente o youtube, facilitam esse acompanhamento. Um dos cantores que passei a seguir foi o Alexander Rybak, vencedor de 2009 pela Noruega. Sigo o canal dele e vou acompanhando os trabalhos que ele publica. Tenho várias músicas de eleição dele. Para além da música Fairytale, com que ele ganhou a eurovisão, gosto do tema Into a fantasy que integra a banda sonora do filme Como treinares o teu dragão – 2

Há músicas da Eurovisão que ficam facilmente no ouvido. Gosto muito de ver atuações antigas e tenho uma playlist no Spotify apenas com músicas da eurovisão! 

Relativamente a este ano de 2017, fiquei muito feliz com a vitória do nosso país. Adoro a música dos irmãos Sobral desde a primeira vez que a ouvi! É uma música com uma melodia intemporal, marcada pela sensibilidade de uma letra simples, mas cheia de significado. 

Existiram outras músicas que me ficaram no coração. Fiquei muito triste quando a canção Black Bird, da Noruega, não passou à final. Além destas, gostei muito da música da Bulgária, da Itália, da Bélgica, da Bielorrússia e da Hungria. 

Podia escrever muito mais sobre o tema e sobre as músicas que têm ficado no meu coração ao longo das várias edições. Contudo, o meu objetivo com este post passa um pouco por estimular a vossa curiosidade em descobrir novas músicas, em sair do mundo mais comercial que nos é impingido pelas rádios. Ao abrirmos o nosso leque musical estamos a conhecer culturas diferentes, novas formas de fazer música e até a familiarizarmo-nos com novas línguas.

Se quiserem fazer parte deste projeto, basta falarem com a Ju, através do seguinte email, acma.cultura@gmail.com. O projeto também está presente no facebook, através da página que podem consultar aqui.

Lista de criadores:

sábado, 3 de junho de 2017

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]


Ainda tenho um desafio em atraso, é um facto, mas isso não invalida que as trocas continuem a decorrer de forma ativa. Assim, já chegou cá a casa mais um livro enviado pela Denise. 

Cá está ele:

Inês de Maria João Fialho Gouveia

Desta vez apostei numa imagem maior para que consigam ver melhor a fotografia que "anexei" ao livro.
Vivi em Coimbra tempo suficiente para conseguir respirar um pouco desta parte da nossa história. Inês de Castro está presente em músicas, em locais da cidade, nomeadamente a Quinta das lágrimas e sua famosa Fontes do amor (que fui ver e fiquei um pouco desiludida). 
Curiosamente, a pessoa que me ofereceu aquela fotografia com a vista de uma das margens do Mondego não gostava de Inês de Castro. Ela não compreendia como é que as pessoas podiam idolatrar um amor que é uma traição. 

Coimbra onde um vez
Com lágrimas se fez
A história desta Inês, tão linda 

Fiquei muito contente com este livro e tinha um pressentimento de que seria este o escolhido. Já comecei, mas está a ser uma leitura difícil.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Quem Chegou? | Maio

E, quase sem dar por isso, entramos no mês que marca o meio do ano (me-do).
Este mês não foi muito movimentado em termos de livros. Porém tenho alguns para vos mostrar.

Empréstimos
Quase a terminar o mês, recebo mais um livro para o projeto Empréstimo surpresa.
Inês

Trocas
Consegui fazer um troca e acabei por receber em casa um livro de uma autora de quem já li imensas obras. 
Laços Familiares

Passatempo
E em maio chegou o primeiro livro que ganhei este ano em passatempo. 
Jogador Irresistível (Beautiful Bastard, #3)

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Top 10 | Crianças literárias

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Criança. Andei com ideias de fazer algo especial, porém o tempo tem sido escasso e altamente espremido para conseguir fazer tudo o que preciso.

Então surgiu-me a ideia de criar um top de crianças que "conheci" através dos livros. Inicialmente estavam para ser apenas 5, mas a pesquisa pelas minhas leituras fez com que terminasse em 10 (com uma pequena "batota"). 

Espero que gostem das crianças que escolhi.
Desafio os leitores aqui do blog a comentarem com as suas crianças literárias, ou partilhar post onde façam também um top deste género. 

      Sheila do livro A crianças que não queria falar de Torey Hayden
A Criança Que Não Queria Falar

Foi a primeira crianças da Torey que conheci. É uma narrativa muito dura! Sheila não vive uma infância cor-de-rosa. Não sabe onde fica a terra dos sonhos, porque vive dentro de um pesadelo que a atira para um mundo só dela.
Escolhi a Sheila em forma de homenagem a todas as crianças que não têm direito à infância. É para todas as crianças que sofrem às mãos dos adultos.

Zezé do livro Meu pé de laranja lima de José Mauro de Vasconcelos
Meu Pé de Laranja Lima

Zezé foi a criança do universo literário mais doce e traquina que já conheci. Não tendo uma vida fácil refugia-se na sua imaginação e ofereceu-me gargalhadas e lágrimas. 
É um livro para ser lido em família. As crianças divertir-se-ão com as travessuras do Zezé enquanto os pais poderão olhar para uma parentalidade longe de ser positiva e construtiva.

Liesel e Rudy do livro A menina que roubava livros de Markus Zuzak
A Rapariga Que Roubava Livros

Esta aqui a minha batotice. Não poderia falar da Liesel sem falar no Rudy. Este é dos melhores livros que já li na vida e jamais esquecerei a ousadia de Liesel e o seu fascínio pelas palavras e pelos livros. Assim como não vou esquecer a forma despretensiosa como oferecia o seu coração amigo. Rudy, amigo de Liesel, tem também a sua importância em todo o enredo. Ele e Liesel fizeram-me chorar e ofereceram-me uma das cenas literárias mais emotivas.

Azaza do livro Mil sóis resplandecentes de Khaled Hosseini
Mil Sóis Resplandecentes

Terminei este livro ontem e as emoções que ele me provocou ainda continuam muito vivas dentro de mim. Azaza (significa acarinhada) é uma criança que uniu Laila e Mariam. Não é a protagonista deste maravilhoso livro, mas oferece momentos muito importantes. Há situações que ela viveu que não deveria ter vivido. Uma guerreira como a sua mãe. Azaza simboliza todas as meninas que nascem num país repressor, que não permite que meninas vão à escola e sejam tratadas com a dignidade que merecem. Se Azaza fosse uma criança real, aquilo que desejava para ela era a liberdade de poder ser quem ela quisesse e que jamais os seus direitos enquanto mulher fossem asfixiados por políticas e ideias que desrespeitam os Direitos Humanos.

Charlie do livro Apenas um desejo de Bárbara O' Connor
Apenas um Desejo

A Charlie calharam os pais errados. É uma menina doce e divertida que tem um enorme desejo que quer que se realize. Todas as crianças conseguirão sentir uma ligação especial com Charlie e com o seu amigo que "anda para cima e para baixo". É uma personagem para admirar e para nos inspirar com a sua tenacidade em busca daquilo que a fará feliz.

Bruno do livro O menino do pijama às riscas de John Boyne
O Rapaz do Pijama às Riscas

Mais uma vez temos uma criança que é uma vítima indireta da maldade humana. Para mim, Bruno representa uma qualidade muito especial das crianças: a capacidade de construir uma amizade simples e pura, sem interferências sociais, raciais e xenófobas. É uma estória triste, e que nos deixa de coração apertado. E tudo isto a torna inesquecível.

Tegan do livro A filha da minha melhor amiga de Dorothy Koomson
A Filha da Minha Melhor Amiga

Adorei a Tegan. Mais uma vez não é uma personagem principal, mas condiciona grande parte da narrativa de uma forma que a torna sensível e tocante. 

Ella do livro Tempo de dizer adeus de S. D. Robertson 
Tempo de dizer adeus

Ella é uma menina muito resiliente e muito criativa. Apesar de ter sofrido com as perdas dela, admirei-a pela postura que foi adotando ao longo do desenvolvimento da narrativa. Infelizmente, a Ella que conhecemos no livro tem pouco tempo para ser criança, porém fica-nos a esperança de que ela tenha conseguido superar a todas as suas perdas e se tenha entregado ao mundo imaginário e cheio de fantasia que deve fazer parte da vida de muitas crianças.

Jackson do livro Crenshaw: o grande gato imaginário de Katherine Applegate
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Jackson é um menino muito inteligente e sensível. Agarrasse ao seu mundo imaginário para superar as dificuldades da sua vida real. Um livro muito bom para ser lido em conjunto com as crianças e falar das nossas diferentes formas de podermos resolver os nossos problemas. É também um livro que nos deixa espaço para falar abertamente dos amigos imaginários e de que não é mau eles surgirem em determinadas fases da nossa infância.

Leon do livro O meu nome é Leon de Kit de Waal
O Meu Nome é Leon

Leon é mais um menino que teve o azar de nascer com os pais errados. Ao longo da sua curta vida vê-se obrigado a lidar com muitos desafios. Uns deixam-no destroçado. É muito tocante assistir à forma como ele se relaciona com o irmão e a sua forma muito característica de enfrentar aquilo que a vida lhe oferece.

Estas foram as minhas dez crianças literárias. Não se esqueçam de partilhar as vossas. :)

Palavras Memoráveis



Sabes, o amor é aquilo de que, mais necessitamos, é a imaginação. É preciso que cada um de nós invente o outro com toda a sua imaginação, com todas as suas forças,  e que não ceda um palmo de terra à realidade; nessa altura, quando duas imaginações se encontram... não há nada mais belo.
Romain Gary

domingo, 28 de maio de 2017

Por detrás da tela | "Cegonhas" (2016)


Classificação: 6/10 Estrelas

Eu adoro filmes de animação. Vejo-os com um enorme gosto, porque acho que podem ser uma forma de passar mensagens importantes de forma muito apelativa e dinâmica. Assim, quando me deparo com a visualização destes filmes gosto de aliar o meu lado de telespetador comum com o meu lado de psicóloga clínica (bem... acho que são indissociáveis em quase tudo, apesar de, muitas vezes, procurar deixar a psicologia fora de portas).

Para mim, Cegonhas é um filme pobre em termos de desenvolvimento do conteúdo. Faltou alguma emoção e entusiasmo. É difícil explicar, mas aquilo que me ficou foi que senti pouca empatia com tudo aquilo que compunha o filme.

Há duas coisas positivas que destaco no filme: 1) A forma como abordaram a relação entre pais e filhos, nomeadamente a necessidade e importância dos pais brincarem com os filhos e gastarem tempo de qualidade com eles; e 2) a diversidade de formas de família que aparecem no final.

Apesar da minha fraca empatia com o filme, penso que é um filme que cumpre o seu propósito de entreter, que tem algumas partes divertidas e que é ótimo para os pais assistirem em conjunto com os filhos e passarem com eles tempo de qualidade.




quinta-feira, 25 de maio de 2017

Palavras Memoráveis



Há pessoas que não abraçam senão sombras, essas têm somente a sombra da felicidade.
William Shakespeare

domingo, 21 de maio de 2017

Por detrás do autor | Vanessa Santos

Há muito tempo que não fazia uma entrevista aqui para o blog. Em jeito de agradecimento pela oferta do livro convidei a autora Vanessa Santos para uma pequena entrevista.
Ela aceitou  o convite e, muito amavelmente respondeu a algumas perguntas que lhe enviei.

Vanessa Santos
É natural de uma das freguesias mais antigas da cidade de Leiria, Cortes. Ao longo dos anos, foi descobrindo o gosto pela leitura, tendo concluído, que o seu gosto e género literário pende, essencialmente, para o thriller, terror, ficção científica e, principalmente, histórias de crime e mistério, sendo por isso, leitora de nomes como Agatha Christie e Stephen King.

A autora de “Mors Tua, Vita Mea – A tua morte, a minha vida”, é finalista da Licenciatura em Direito, em Coimbra, e no mesmo ano em que se torna finalista lança o seu blogue intitulado Livros de Vidro.

A transição de ano de 2014 para 2015 culminou com a edição da sua primeira experiência no mundo da escrita com um texto que teimava em ficar apenas no fundo de uma gaveta, mas que se espera não ser o último a sair de lá. (texto retirado daqui).


Em que medida o teu mundo pessoal se cruza com o teu mundo de escritora? O que é que os afasta e o que é que os aproxima?
Gosto de ler e a escrita apareceu quase por acaso. Ou foi mesmo um acaso. Uma experiência, nunca tinha pensado em escrever um livro até ao dia em que comecei. Fui escrevendo até acabar. Se se disser que os dois mundos se cruzam será na medida em que o mundo de escritora se tornou uma experiência, uma vivência do mundo pessoal.


 Na tua apresentação pessoal consta que tens um maior interesse por um género de livros em que o crime e o mistério andam de mãos dadas. O que é que te fascina neste género de livros? O que é que achas que este género de livros deverá ter para torna-los interessantes e memoráveis aos teus olhos?
O mundo do crime fascina-me além da literatura. É um mundo que a nível profissional também me diz algo e é uma das áreas em que mais gosto de trabalhar. Claro que ao lê-lo nos momentos de lazer, em livros de literatura de “entretenimento”, gosto que seja uma trama bem pensada, construída com suspense e sem que os finais sejam “mais do mesmo”. Quando leio autores “profissionais” exijo isso, pois já contam com muita experiência e uma equipa a acompanhá-los. Quando deles me chega o mínimo, penso que é defraudar o leitor.
Aos meus olhos terão de ter aquilo que nenhum outro teve, uma história nova, um método novo, um cenário diferente. Às vezes bastam pequenos pormenores para fazer a diferença, mas considero que só escritores já calejados lá chegam. Embora haja boas surpresas em “novatos”.


Mors tua, vita mea: a tua morte, a minha vida é o teu livro de estreia. Podes partilhar connosco como foi todo o processo de criação deste livro? Quais foram as tuas fontes de inspiração para o enredo e as personagens?
A inspiração foi do mais corriqueiro que se pode imaginar. Foi a vida do dia-a-dia, claro que com alguma ficção à mistura. Como bem disseste, foi o livro de estreia, escrito há mais de três anos, foi sendo escrito ao longo de outros três. Foi um processo inteiramente amador, sem qualquer experiência. E isso nota-se no resultado final. Mas durante esse tempo via pequenas coisas à minha volta que iam ajudando a construir a história, há personagens inspiradas em pessoas reais, os locais existem, só a “Biblioteca” está ligeiramente, muito diferente vá, da original. Não sendo um livro de fantasia, permitiu que agarrasse no mundo real.


O que é que foi mais fácil na escrita deste livro? E o mais difícil?
O mais fácil foi escrever. O difícil veio depois, quando começamos a perceber que deveríamos ter calma antes de partir para uma edição definitiva.


Farias alguma coisa de diferente com este teu primeiro livro? O que é que farias?
Faria. Para já o cuidado depois da escrita seria outro. Ninguém que esteja a escrever um livro está, ou tem de estar, preocupado com os erros, as gralhas, a estrutura, etc. Quem já o fez sabe isso. E bastará conversa com autores já imensamente publicados para perceber isso. 
Esse trabalho deveria ser feito depois. Mas surge o problema de nós já conhecermos o nosso texto, então, se o formos ler os erros estão lá mas nem os vemos, e isso acontece até com trabalhos de escola/faculdade. 
Penso que é fulcral o bom acompanhamento das editoras. É fundamental ter calma na escolha das mesmas. Não cair logo na primeira que aparece e conseguir-se ter o distanciamento necessário para parar, esperar e voltar a ler o texto. Sentar-nos a lê-lo e sabermos criticá-lo. 
Toda esta fase me falhou. Deveria ter tido calma, parado, ter avaliado várias alternativas. O desconhecimento do mundo editorial também dificultou na altura, penso que acreditamos no que nos dizem quando desconhecemos. 
Como se costuma dizer: “se soubesse o que sei hoje…”. Mas foi essencial para aprender e ganhar ferramentas.


Tendo em conta o que farias diferente, que aspetos te fazem olhar para o teu trabalho de uma maneira diferente? Que aprendizagens tens feito que te permitam olhar com mais clareza para as coisas e tomar consciência daquilo que preferias fazer diferente?
Como disse, a parte da leitura final, é essencial. O aplacar a ansiedade com que ficamos após terminar também. 
Claro que hoje escrevo e penso de maneira diferente da altura em que terminei o livro, o que também altera as coisas. 
Mas aprendi que escrever um livro não é fácil. E os trâmites seguintes também não.


Lançaste-te num projeto de administração de um blog, o Livros de vidro, como é que nasce essa ideia?
A ideia nasceu após escrever o livro e antes de o editar. Como disse, gosto de ler, e num dia mais aborrecido em que não tinha um livro para ler e tinha o computador à frente acabei por dar vida ao blogue. Basicamente o blogue nasceu do gosto pela leitura e de um momento de “seca”.


Como tem sido a experiência de teres um blog literário? Tem-te ajudado em alguma coisa? Em quê?
Tem sido boa. Tem-me permitido conhecer muitos autores portugueses. Tem-me mostrado as várias editoras do país e tenho, assim, acompanhado o seu trabalho. Vejo que há muitas em que o trabalho de acompanhamento aos autores é fraco, o que prejudica os livros. 
Há trabalhos bons, mas mal conduzidos e há outros maus, mas que ainda assim foram editados. 
No fundo isso mostra o carácter económico que tem sido dado à literatura. Se sou crítica com o meu livro e lhe reconheço falhas, devo dizer que tenho encontrado coisas muito graves noutros textos. 
Se por um lado, lamento por todos os que não soubemos ter calma e não fomos devidamente conduzidos, por outro, assusta-me que haja a pouca honestidade de se publicar qualquer coisa sem alertar os autores para aquilo que têm em mãos. 
Não custa nada, ou talvez custe, dar uma opinião sincera, mesmo que negativa. E aí sim, de plena consciência, decidiria o autor se ainda assim queria avançar. 
Se me tivessem alertado, chamado a atenção, teria esperado. Feito a tal pausa. Tido calma. 
Mas não são só coisas negativas. Felizmente muitas foram as pessoas que gostaram do texto e que se abstraíram dos referidos erros e falhas e solicitaram uma continuação. Que a existir já terá todo um tratamento diferente do primeiro livro. 
Sabemos todos que nunca agradaremos a toda a gente, há público para todo o género de conteúdos.


Enquanto escritora o que pensas fazer no futuro? Há ideias na gaveta? Estás com vontade de as desenvolver?
Há algumas, mas neste momento estão em pausa. Profissionalmente estou numa fase exigente e estou focada. Só no verão volto a pensar na escrita. 
Estou com vontade de voltar a tentar, não podemos desistir. E como já havia dito, foram poucas as reacções negativas e muitas as positivas. O que vai dando força. Nunca se sabe quando somos o próximo Nobel da literatura. (risos) Nenhum grande autor ficou grandemente conhecido logo à primeira tentativa. É preciso limar arestas e partir pedra.


Como e quando lhe pretendes dar forma?
Ainda não sei bem.


Porque é que as pessoas devem ler o teu livro?
Quem estiver à procura de um livro descontraído pode lê-lo. Quem quiser um clássico profundo e filosófico não deverá lê-lo. É um livro simples, que se lê rápido. Não exige muito dos leitores. A não ser o exercício de se tentar abstrair das falhas ;)

Vanessa, muito obrigada pela disponibilidade e atenção. 
Votos de muito sucesso profissional, literário e pessoal. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Opinião | "Mais não, papá" de Maria Landon

Classificação: 3 Estrelas

Dentro dos livros de não ficção gosto muito de livros que abordem infâncias difíceis conjugadas com momentos de superação. Dado este meu gosto é um facto que já li imensos livros dentro do género e onde destaco as autoras Torey Hayden e Cathy Glass. São duas pessoas com uma mestria em termos de escrita e narração dos acontecimento e onde conseguem imprimir um toque muito próprio especial, deixando passar uma enorme sensibilidade.
Trouxe este livro da biblioteca na esperança de encontrar mais alguém capaz de me provocar as mesmas emoções das autoras que referi anteriormente. 

Maria conta-nos a sua estória de vida muito, muito difícil. É uma narrativa muito dura e repugnante, porém a forma como a autora a conta nem sempre é a mais clara. Penso que lhe falta uma certa coerência temporal para que tudo ficasse mais claro na minha cabeça ao longo da leitura.

Também espera mais do final, Penso que ainda ficaram muitas coisas para contar.Também penso que os leitores mereciam saber mais sobre como conseguiu dar a volta a tudo aquilo que a assombrou durante muito tempo, de como ficou a relação com a mãe e com os irmãos.

À medida que ia lendo, cada vez mais ia ficando aborrecida com o desempenho dos serviços sociais no caso. Por aquilo que a Maria contou, existiram muitas coisas que ficaram por fazer, houve muita negligência e desinteresse. É certo que na época em que tudo ocorreu não havia uma preocupação tão acentuada com a infância como o que acontece na atualidade. Mesmo assim penso que algumas opções tomadas não foram as melhores.

É um livro em que Maria nos mostra o lado mais negro da sua infância e adolescência e no quanto daquilo que viveu deixou marcas na sua vida, na forma como ela se relacionada com os outros e na forma como ela própria olha para si. Tudo deixou cicatrizes na sua auto-estima e no seu autoconceito. 

Para quem gosta de ler sobre estórias de superação e onde a infância está longe de ser aquele lugar encantado, cor-de-rosa e cheio de sonhos, este livro poderá ser uma boa aposta.