quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Opinião | "A Rapariga do Comboio" de Paula Hawkins

A Rapariga no Comboio

Classificação: 3 Estrelas

Muito foi o sucesso que este livro despertou na comunidade leitora. Cruzei-me com muitas opiniões positivas, mas também com opiniões menos favoráveis. Eu gosto de ler as opiniões das pessoas, mas elas não condicionam a minha escolha em ler ou não ler determinado livro. Somos todos diferentes e isso traduz-se em gostos diferentes, por isso, na dúvida dou sempre oportunidade ao livro. 

A Marta do blog I only have emprestou-me o livro e aqui surgiu a oportunidade de leitura. Muito obrigada, Marta. 

Começando por escrever sobre o início do livro, aquilo que eu senti foi aborrecimento. Penso que a autora não consegue cativar com a sua escrita e a narrativa não me pareceu muito interessante. À medida que a leitura vai avançando, vou conseguindo compreender a dinâmica das coisas e entrando mais no universo das personagens. 

Paula Hawkins consegue aqui um panóplia de personagens extremamente pesada. Cada um tem os seus fantasmas e os seus lados mais obscuros. Considero que algumas personagens precisavam de ser mais trabalhas, dar-lhe mais dimensão aos olhos do leitor. Para mim, a mais complexa é Megan. Ela tem um universo emocional muito característico e muito vincado pelo seu passado. Uma mulher completamente insatisfeita no que respeita ao amor. Acho que ela nunca consegui interiorizá-lo no seu ser. Andou demasiado tempo a fugir das sombras da sua vida. Só fiquei triste pela forma como ela nos foi sendo apresentada ao longo do livro. Foi confuso e merecia um maior destaque. 

Rachel e Anna são personagem com quem é muito difícil simpatizar. A primeira porque chega ao um ponto em que não aguentamos mais a sua falta de inércia em relação ao que a tormenta. A segunda porque assume uma atitude prepotente e egoísta. Acho que ela esteve bastante mal no final... Apeteceu-me bater-lhe. 
Apesar de toda aquela carga pesada, eu consegui perceber o que ia dentro dela. No fundo, ela apenas precisava de alguma coisa e de alguém que a arrancasse do poço. 

Se a autora pretendia manter a dúvida em relação ao responsável pelo assassinato, comigo não foi bem sucedida. Desde cedo comecei a desconfiar de quem seria o responsável pelo crime.

O desfecho final foi, em certos aspetos, apressado e pouco satisfatório.

De um modo geral, penso que faltou um pouco mais de complexidade na descrição dos crimes. Do meu ponto de vista houve um excesso de atenção em relação à Rachel e aos seus problemas com o álcool e dramas pessoais. Há uma necessidade de adensar e tornar ainda mais complexa a personalidade de Megan, para isso, era só dar-lhe um pouco mais de protagonismo.

2 comentários:

  1. Olá Silvana,
    Já li este livro e também senti que me desiludiu um pouco. É daqueles exemplos, que é bastante falado e nós criamos muitas expectativas, que depois acabam por não corresponder.
    Confesso que não descobri o culpado mas realmente senti que tudo andou um pouco a "engonhar".
    Que venham melhores leituras =)
    Beijinhos

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    1. Olá Tita,

      Sim, podem ter sido mesmo as expetativas que nos deixam pouco espaço para sentir o livro de outra forma.
      Sim, há coisas que não foram muito bem exploradas. Achei, também, que foram criados muitos estereótipos em volta das personagens. E o final confirmou esse estereótipo.
      E vieram :). Não resisti e já ataquei no "E tudo o vento levou (vol.2)" :) :)
      Beijinhos

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!