quarta-feira, 27 de julho de 2016

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Desafio]


Já há muito tempo que ando a dever este desafio à Denise. O facto de ter andado ocupada e a complexidade que este desafio acarretava levaram-me a demorar mais tempo. 
Ao início, pensei que o desafio seria bastante complicado. Contudo, depois de ter pensado nele e de o começar a fazer as coisas começaram a correr melhor. 

O desafio é em relação ao livro Regressar de Catherine McKenzie. 
Regressar

Vidas do avesso
Era uma noite de tempestade. A chuva caía fortemente nas pedras da calçada e o vento assobiava com violência. Acordei de um sobressalto ao ouvir um barulho de algo a partir no quarto ao lado. Levantei-me e rapidamente alcancei a porta de onde conseguia escutar já um barulho mais forte. Rodei a maçaneta e, ao acender a luz, esbugalhei os olhos perante a confusão que se tinha instalado naquele quarto que era, afinal, a minha biblioteca. A janela estava partida e as cortinas esvoaçavam, enquanto deixavam a água da chuva entrar.

Enquanto o meu cérebro fervilhava, tentando perceber o que fazer para remediar aqueles estragos, um trovão fez-se ouvir lá fora no mesmo instante em que se dava um estrondo mesmo à minha direita. Uma das estantes partira-se e foi com grande pavor que vi os meus livros caírem em direção ao chão. Parecia que os meus olhos me mostravam tudo em câmara lenta. E foi assim que vi um enorme e brilhante relâmpago envolver o quarto no preciso momento em que o primeiro livro alcançava o chão. A luz cegou-me durante alguns segundos e, quando finalmente fui capaz de abrir os olhos, a confusão tinha-se instalado no chão à minha frente. Não só os livros estavam espalhados aos meus pés, como também dezenas de personagens pareciam estar a flutuar pelo quarto, perdidas, desorientadas, longe das suas páginas e das suas histórias.

Não fui capaz de me mexer perante aquela situação tão irreal. Em seguida, a luz falhou e, na escuridão, ouviu-se um rebuliço de páginas e vozes sussurradas. A luz voltou e as personagens tinham desaparecido, como se tivessem sido sugadas para dentro dos livros.

A tempestade lá fora amainara e a situação dentro do quarto parecia mais calma. Ajoelhei-me para começar a empilhar os livros, de forma a arrumá-los provisoriamente, contudo um pensamento horrível não me saía da cabeça. Peguei no primeiro livro, abri-o numa página qualquer e procurei aflitivamente os nomes das personagens. Sem querer acreditar no que lia, pousei-o no chão e peguei no segundo. Repeti o processo. Peguei no terceiro, e no quarto, e no quinto… até ter verificado todos os livros que estavam caídos. 

O que eu mais temia, acontecera. As personagens foram sugadas para os livros errados e estavam agora a viver histórias que não eram as delas. E agora?

No momento seguinte, abri os olhos e percebi que continuava deitada na minha cama. Não havia nenhuma tempestade lá fora.
 
Agora é a tua vez:
Tal como aconteceu no livro “Regressar”, Emma voltou a casa seis meses depois e encontrou a sua vida virada do avesso.
Escolhe alguns livros e algumas personagens e vira-lhes a vida do avesso. Imagina que essas personagens eram transportadas para os livros errados. Conta-nos o que estariam a sentir.

As personagens aqui referidas pertencem:
  • Série Bridgerton de Julia Quinn
  • Série Mortal de J. D. Robb
  • Séria Tatiana e Alexander de Paullina Simons

Esta vossa autora não tem tido mãos a medir nesta época. Os bailes, preenchidos de mães casamenteiras (desesperadas) , têm-se multiplicado na alta sociedade londrina. 

O último foi verdadeiramente especial e cheio de material de análise para esta vossa autora. Foi ótimo para quebrar o tédio do último baile na casa da Mrs. Montegomery. 

Podia dizer-vos que Benedict e a sua misteriosa companhia representaram o momento alto deste baile, mas estaria a enganar-vos, caro leitor. Daphne foi quem chamou mais atenção devido ao seu estranho comportamento para com o seu marido Simon, Duque de Hastings. Será esta a primeira crise nos amorosos casamento da família Bridgerton? 

O que é certo é que esta vosso autora continua na ignorância relativamente ao motivo que espoletou tal comportamento da Duquesa, mas longe de mim desejar mal a este jovem casal. Seria uma grande tristeza para Mrs. Bridgerton e para grande parte da sociedade londrina que admira esta família. 

Crónicas da Sociedade de Lady Whistledown 

10 de Maio de 1814

Daphne despertou. Estranho, não se lembrava de ter adormecido. Mas será mesmo de estranhar? Cada vez mais se sentia aborrecida nestes bailes de caça maridos e esposas para onde as mãe a arrastava a si e aos seus irmãos. 

Olhou em redor. Nem a mãe, nem os irmão estavam por perto. Ao seu lado estavam as mulheres casadas e aquelas que, depois de muitas épocas sem sucesso matrimonial, eram atiradas para a prateleira e rotuladas de solteironas.

Uma expressão estranha toldou o rosto de Daphne. Havia aqui qualquer coisa que não estava a bater certo. Por muito que ela fugisse dos caçadores entedientes de jovens casadoiras, jamais se iria juntar àquele aborrecido grupo.

Decidiu ver o que se passava na pista de dança e algo chamou a sua atenção. Primeiro, era um baile de máscaras e ela não estava mascarada (ela cumpria sempre o código do vestuário de cada festa); segundo, os seus irmão mais velhos. Anthony dançava com a jovem Kate trocando olhares apaixonados e beijos de fazer corar os dinossauros da sociedade londrina. No outro extremo da sala, Benidict concentrava todas as suas atenções a uma misteriosa jovem que não consegui reconhecer através da máscara. 

Só então se fez luz na sua cabeça e conseguiu identificar o motivo pela qual não estava vestida a rigor. Antes de ter adormecido, ou que quer que se tenha passado com ela, não estava num baile de máscaras. Mais, Benedict não estava presente e Anthony andava colado àquele seu amigo irritante (mas até agradável à vista), o Simon. Alguma coisa não estava certa. 

Levantou-se para ir beber limonada e limpar as ideias. Sentia-se desconfortável e... pesada. Pesada?? Olhou para o seu ventre e viu um estranho volume, tão estranho que se teve de controlar para não gritar uma série de palavras menos próprias a uma senhora da alta sociedade. O que é que tinha acontecido à sua barriga?

- Ai!! - Daphne não conseguiu controlar um pequeno grito de dor depois da enorme pontada que sentiu nas costas.

- Acho que vem aí mais um rapaz, querida Daphne. Foi um pontapé dos fortes. Digno de homenagear o pai. - disse Lady Dunbury ao mesmo tempo que exibia o seu maior sorriso. 

Dapnhe, alarmada, só exibiu o seu típico sorriso amarelo. Aquele que guardava para os jovens inconvenientes. Agora, grávida! Como podia estar grávida? Casou? Quem seria o seu marido? Teria cometido alguma loucura? Teria sido escolhida para um milagre? Estava desesperada e a noite só poderia piorar. Pois claro que sim, lá vinha o Simon na sua direção com um sorriso de pateta apaixonado. Apaixonado??? Nããããooooo. 

- Querida, onde estiveste? Estou farto de correr por este salão, fitando velhinhas coscuvelheiras, a ver se te encontrava. 

Querida?! Todos os alarmes soaram na cabeça de Daphne, tocavam tão alto que já nem a limonada conseguiu engolir, acabando esta na imaculada camisa de Simon.

- Amor, estás bem? Estás indisposta? - Simon exibia uma genuína expressão de preocupação.

- Querida? Amor? De onde é que vem isso agora, Simon? - Os olhos de Daphne pareciam fogo de artifício de tanta raiva que destilavam. - Acho que aquilo que combinamos foi fazer companhia um ao outro para evitar sermos atirados aos jovens e às jovens em busca de par romântico. 

Simon, riu: - Isso foi à uns bons tempos atrás.

A fúria deu lugar à raiva no rosto de Dapnhe. Estava confusa e sem perceber nada do que se estava a passar. Até que se lembrou de fazer um simples pergunta.

- Simon, em que ano estamos?
- 1814. - respondeu Simon, apesar de confuso e surpreso com a questão da sua esposa. - Dapnhe, tens a certeza de que é limonada aquilo que tens estado a beber? 

Até Simon começava a ficar confuso com o comportamento da sua esposa.

- Simon, acho que aqui, quem anda a beber coisas que não limonada és tu. 1814??? - Daphne estava irritada e aquele olhar amoroso de Simon estava a deixá-la possessa e com vontade de se atirar a ele. - Não, nós estamos em 1812. Eu sou uma jovem debutante e tu és o amigo irritante do meu irmão, e que eu deixei sem palavras no nosso primeiro encontro há dois dias atrás no baile de uma dondoca da sociedade de quem já nem me lembro o nome.

Simon leva a mão à testa da esposa e leva um valente safanão.

- Ei, estava só a ver se tinhas febre. Temos de ter cuidado, tendo em conta o teu estado. E, decididamente, não estás bem... Será melhor irmos para casa e chamarmos um médico?

- Ainda mais essa... - bufou Daphne - o estado em que estou. Como é que isto me foi acontecer?

Simon ria ao mesmo tempo que um ar maliciosa se alojou no seu olhar. Depois, aproximou-se do ouvido de Daphne e sussurrou:

- Oh! Eu sei muito bem como isso aconteceu. Tenho recordações bem vivas dessa noite. Querida esposa, queres que te avive a memória? Aqui? Ou preferes ir para casa e te mostre como isso aconteceu?

Um punho bem fechado e com toda a força atingiu o peito musculoso de Simon. 

- Ai! Isso doeu, querida? Lembraste-te da nossa noite? Costumas ser bem mais carinhosa. Já há muito tempo que não sentia essa tua agressividade. 

Daphne começa a sentir-se esgotada e sem forças para discutir. 

- Simon, por favor, podes explicar-me o que aconteceu? Como é que posso ser tua esposa? Lembras-te, nós não queremos casar!

- Vem comigo. Vamos procurar um lugar mais discreto para tentarmos perceber o que se está a passar. 

Daphne aceitou o braço que Simon lhe estendeu e foram até um banco no jardim, longe dos olhares da sociedade. Sentaram-se e Simon iniciou a conversa. Doí-lhe o coração ver a expressão confusa e perdida da sua adorada esposa.

- Dapnhe, querida, - ao mesmo tempo ia-lhe acariciando a mão para a ajudar a acalmar - nós casamo-nos à dois anos atrás. Inicialmente tinha sido como falaste à pouco, mas nessa nossa fuga às mães casamenteiras, acabamos por nos apaixonar. Desde aí, casamos e temos vivido uma união muito feliz, e estamos à espera do nosso segundo filho.

- Não pode ser, Simon. Antes de eu ter adormecido, desmaiado, ou sei lá bem o que me aconteceu ali dentro, eu estava em 1812, num baile qualquer a evitar um Lorde aborrecido...

Simon olhava para a sua esposa com uma expressão confusa. Não costumava acreditar em coisas do outro mundo, como o seu velho mordomo, mas só isso conseguia explicar o que se estava a passar com a sua esposa.

De repente, algo começou a brilhar à sua frente. E, num instante, aquele ponto de luz transformou-se numa bonita Fada. Duas enormes asas azuis saiam das suas costas, e os seus cabelos cor de mel emolduravam um belo rosto. Mas não tão belo como o de Daphne, pensou Simon.

- Querida, estás a ver o mesmo que eu?? - Simon olhou para a esposa, mesmo a tempo de a ver a acenar positivamente e com a expressão mais estarrecida do mundo. - Então acho que, de facto, andamos os dois a beber algo que não limonada. 

- Tenham lá calma. Eu sou a Fada dos Livros e venho aqui resolver uma pequena troca.

Simon e Daphne começaram a rir feitos doidos.

- Ei... Ei... Deixem-me falar. Vocês são dois personagens de uma série de livros. Porém, são os protagonistas do primeiro volume e só vão aparecendo de vez enquanto nos seguintes. É nesse volume que se conhecem, apaixonam, casam,... e blá... blá... blá.

- Livros?? Simon, nós somos personagens de livros? Essa é boa! - Daphne continuava a rir. 
- Amor, isto não será uma partida dos teus irmão? - perguntou Simon para depois continuar a rir-se de forma histérica. 

- Pfff... Começo a perder a paciência. - A Fada gesticulava com a sua varinha enquanto pedia um pouco mais de atenção dos seus interlocutores. - Olhem, é o seguinte, é melhor despacharmos isto porque tenho uma Daphne no primeiro volume completamente fora de controlo a exigir atenções de Simon e a acusá-lo de traição. E temos um Simon, completamente em pânico desde que Daphne o chamou de marido e exigiu um beijo de boas-vindas.

- Esta minha esposa é verdadeiramente impossível. Ma eu adoro-a. - Simon dirigiu um olhar cheio de amor a Daphne e continuou: - Acreditando no que nos está a dizer, respeitada Fada, faça lá as trocas que tem de fazer, porque agora eu próprio preciso de um grande beijo da minha esposa.

- Com certeza senhor Duque. Desculpem lá o que aconteceu. Os Deuses dos livros zangaram-se, provocaram uma tempestade e algumas personagens desorientaram-se, indo parar a outros livros. Acreditem, o vosso caso nem foi dos piores. Pelo menos ficaram na mesma série, apenas houve pequeno avanço no tempo. Já imaginou se a sua esposa estivesse agora na cama com o Roarke da série mortal? Pois é, foi o que aconteceu à Tatiana da série Tatiana e Alexander. A Eve ia-lhe partindo as costelas se eu não tivesse chegado a tempo. - A fada suspirou. - A vida de Fada dos Livros é difícil. 

Agitou a sua varinha, fez a respetiva troca e desapareceu. 

A Daphne atual regressou ao seu marido.

- Simon, querido, já estava farto de ter ver fugir de mim. É bem melhor este nosso presente, onde me posso perder nos teus braços...

E, assim, tudo voltou ao seu lugar. 


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