quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Por detrás do autor | Patrícia Morais

Já não publicava uma entrevista há muito, muito tempo... É certo, não tenho convidado os autores, nem tenho tido muito tempo para me dedicar a este espaço do blog. Porém é algo que gosto muito de fazer.

Recentemente comecei a estabelecer contacto com a autora Patrícia Morais, que já tem publicado o livro "Sombras", pela coolbooks, e o conto "Um Natal Assombrado", disponível gratuitamente na smashwords. A partir deste contacto surgiu o convite para um entrevista e que ela prontamente aceitou. 
Aqui ficam as perguntas e respostas. 

1. Escolha uma imagem que ache que a caracterize enquanto pessoa. E explique-nos o porquê. Escolheria a imagem de uma floresta. Sou muito dada à natureza e a caminhadas, e ficar fechada em casa é algo que me faz ficar aborrecida e deprimida a longo prazo. Quando preciso de inspiração ou de desanuviar um pouco, naqueles momentos em que a escrita já não esta a ser produtiva, um passeio pela floresta traz-me sempre ideias novas. Às vezes as imagens de florestas na internet também ajudam.

2. O que é que a fascina no mundo da escrita?
Muita coisa. Por um lado, é uma maneira de aclarar a mente; assim que ponho no papel o que me preocupa, parece que me foi tirado um peso de cima. Por outro, são os mundos que crio, de certa forma, igualmente perigosos e fascinantes, mas com outro tipo de perigo. E depois, a forma como posso analisar as pessoas que conheço e as situações que vivi e utiliza-las como inspiração para as cenas que escrevo. Gosto muito de rever os meus livros e relembrar exatamente o que estava a pensar na altura em que escrevi uma dada cena ou a razão pela qual a escrevi.

3. O que é mais tem gostado neste mundo?

Quando o mundo real se torna cansativo ou aborrecido, eu vejo nos mundos que criei uma oportunidade para deixar de ser eu própria e passar a ser outras personagens. Posso ser a Lilly, o Liam, o Louis, entre outros… Naquele momento, a minha mente deixa de me pertencer e pertence a outra pessoa, com outra personalidade, outra vida e outras preocupações.

4. Pelos trabalhos já publicados, podemos ver que tem um carinho especial pela “fantasia”. Está fechada à escrita de outros géneros literários, ou pretende alargar o seu pano de fundo para criação de histórias?

Já mesmo quando toca à escolha de livros para ler, os géneros “fantasia” e “infantojuvenil” são sempre os primeiros elegidos. Mas, sou crente que os escritores só melhoram quando se forçam a sair da sua área de conforto e experimentam outras coisas. Acho que de momento, as minha ideias mais fortes concentram-se neste ramo, mas tenho algumas ideias guardadas que tenciono utilizar um dia mais tarde para explorar outros fundos.

5. Quem acompanha o seu blog, pode constatar que a música é uma grande fonte de inspiração. Explique-nos em que medida consegue inspirar-se na música.

Desde pequena que as minhas duas maiores paixões são os livros e a música. A música, torna as ideias que tenho muito mais reais, e por vezes funcionam como catalisadores para a sua formação. Se eu estiver a ter dificuldade com uma cena mais íntima ou uma cena mais ativa, basta escolher a música apropriada para o plano, fechar os olhos e as palavras parecem que tomam vida própria e escrevem-se sozinhas no papel. 

6. “Sombras” foi o seu primeiro publicado. Como foi o processo de escrita deste livro? 
Acho que é possível dizer que foi escrito à base de música. Uma frase aqui e outra frase ali, apanhadas num momento de distração e tinha um enredo inteiro a formar-se à frente dos meus olhos. 

Inicialmente foi lento. Eu tive a ideia da organização Venator e cheguei a casa para escrever o primeiro capítulo, o momento em que a vida de Lilly é alterado, mas não sabia o que lhe iria acontecer a seguir, então pousei a caneta. Mas aquela ideia não me saia da cabeça, e aos poucos e poucos foram aparecendo mais personagens, primeiro Liam, depois a Zhao, e depois os outros… Conforme eles iam aparecendo, eu ia anotando as suas características, e alguma cenas que tinha em mente para escrever sobre eles. 

Entretanto, fui pesquisando. Fiz uma pesquisa intensiva sobre todas as criaturas mitológicas que conhecia, e com essas pesquisas vieram mais criaturas e mais ideias. Passado um ano já tinha o enredo formado na minha mente, só faltava pôr no papel. 

7. Na sua opinião, o que é que os leitores poderão encontrar em “Sombras” que os deixem agarrados à história? 
«Sombras» é um livro onde existe sempre algo a acontecer, não existe momentos parados e isso leva à curiosidade sobre o que será que vai acontecer a seguir. É um livro que se debate com problemas reais, mesmo que estes estejam disfarçados, rodeados pela mitologia e pelo folclore. 

8. Se tivesse oportunidade de reescrever o “Sombras” alteraria alguma coisa? 

Em termos de personagens e enredo, não, estou muito contente com o resultado final de «Sombras». Talvez, apenas o típico “quem conta um conto, acrescenta um ponto” e reveria alguns pontos. 

9. Neste momento, está a trabalhar num novo trabalho? O que é os leitores podem esperar do seu trabalho no futuro? 
O projeto que estou a trabalhar de momento, e quase a finalizar, é a sequela de «Sombras». O mundo será o mesmo, mas aqui os personagens enfrentam outros problemas, resultantes do final do livro. E, enquanto que o primeiro livro se focava na criação de Lilly e Liam como personagens, neste segundo será possível ver um pouco do restante enredo e ter um cheirinho das motivações que movem tanto os protagonistas como os antagonistas.

Obrigada pela disponibilidade.


Patrícia Morais
Patrícia Morais é uma estudante de tradução na London Metropolitan University. Mesmo enquanto mudava constantemente a sua mente acerca do que seria a sua futura profissão – alternando entre professora, nadadora salva-vidas e até mesmo veterinária –, algo que sempre teve a certeza foi que um dia viria a crescer para ser escritora.

E porque acredita que ainda não passa demasiado tempo à frente de um computador a escrever, ainda regista no seu blog, trishmorais.blogspot.pt, as suas experiências de escrita e traduz os conselhos de outros autores de língua inglesa.

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