sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Opinião | As cinquenta sombras de Grey (Fifty Shades #1)


As Cinquenta Sombras de Grey (Fifty Shades, #1)

Autora: E. L. James
Ano: 2012
Número de páginas: 552 páginas
Classificação: 2 Estrelas
Sinopse: Aqui

Opinião
Este livro já me despertava a curiosidade há algum tempo, por toda a controvérsia criada em torno da séria. Há quem odeie, há quem goste e há quem ame. E como eu não sou de limitar as minhas leituras tendo em conta as opiniões de outras pessoas (e até mesmo pessoas em quem confio de olhos fechados) decidi arriscar e ver o que saía daqui. 

Não estamos perante  nenhuma obra prima da natureza, mas isso eu já desconfia que não ia encontrar. No fundo, parti para esta leitura pensando que me ia cruzar com um livro mau. Contudo, não o achei assim tão mau com aquilo que estava à espera,

Aquilo que me permite dizer que não é um livro assim tão mau, é o facto de que foi um livro que me entreteve (cumprindo, assim, um dos propósitos da leitura). Como estou a passar por um período intelectual um pouco exigente, preciso de leituras que me permitam esvaziar o cérebro, leituras que não exijam muito de mim, nem me levem a grandes reflexões. Este livro reúne as condições para responder às minhas necessidades, porque, de facto, não exige muito de nós. É uma leitura fácil, sem complexidades e que entretém durante tempo que estamos a ler.

Sem dúvida que em termos literário é um livro fraco. Possuiu um escrita de baixa qualidade, com más descrições e diálogos muito pobres. Há um recurso exagerado ao calão, o que torna a história entre Grey e Anastasia pouco apelativa ao mesmo tempo que anula qualquer tipo de romantismo que a autora tem intenção de transmitir. 
O curioso foi que estas coisas me fizeram rir e revirar os olhos. A grande responsável pelos meus momentos de riso e revirar de olhos foi Anastasia. A autora queria que o leitor olha-se para ela como uma mulher inteligente, madura, que numa certa dose consegue desafiar o Grey e sai como vencedora. Mas eu não consegui ver isso. Eu achei a rapariga pouco dotada em sinapses de qualidade e sem qualquer poder de desafio perante o senhor todo o poderoso Mr. Grey. É pouco dotada porque: 1) Nunca a vi ter uma conversa inteligente e profunda com ninguém; 2) Não consegue, verdadeiramente, enfrentar o Grey nem estabelece com ele um diálogo coerente e que os levasse a algum lado (parece que só falam em círculo, tudo começa e acaba em sexo, mesmo quando há uma tentativa de procurar falar sobre sentimentos ou sobre a personalidade de cada um); 3) é mentirosa, pois diz que não faz parte da personalidade dela ser submissa, porém rende-se quase por completo ao Grey e, por fim 4) é estúpida porque sabendo tudo o que sabe deste homem ainda lhe faz aquele pedido final e não usa a palavra de segurança. Foi bem feito para ela! Ela só teve o que pediu. 
Grey diz que Anastasia o desafia. que não é uma mulher submissa. Pergunto-me onde ele vê isso, porque basta um olhar dele ou um simples toque para que ela se derreta toda e siga todas as instruções que ele lhe dá.

Uma das críticas feitas ao livro é a quantidade de cenas de sexo. Partindo com esta ideia para a leitura pensei que me ia cruzar com mais do que aquelas com que verdadeiramente me cruzei. Sabendo que é um livro enquadrado no género erótico era de se esperar que elas surgissem. Comparando com outros livros do género, talvez sejam mais cenas. Contudo, se pegarmos em alguns livros de Madeleine Hunter (pelo menos daqueles que já li) também há cenas de sexo em quantidade razoável. Aliás nos livros que li desta autora a tensão sexual entre as personagens é sentida logo no início, mesmo que elas mal se conheçam.

Um dos aspectos que discuti com a Silvéria do blog The fond reader foi o facto de Grey justificar o seu comportamento presente pelos aspectos difíceis que viveu na sua infância até aos quatro anos. Agora que li, posso dizer que concordo com ela por diversos motivos: 1) há uma justificação e descrição muito pobres, logo não dá para perceber o que é que de tão marcante aconteceu; e, 2) as memórias de infância têm muitas especificidades, não posso afirmar com certeza, mas por aquilo que me recordo das aulas de "Psicologia da Memória", as nossas primeiras memórias remetem-nos para os 4/5 anos de idade e, muitas vezes, são memórias re-construídas, ou seja, quando não nos conseguimos lembrar de tudo vamos "tapando os buracos" com aquilo que pensamos que aconteceu. Por estas razões a estratégia utilizada pela autora não me convenceu.

Em relação à continuidade da série, como me ajudou a desanuviar, pretendo ler os livros seguintes. Também fiquei curiosa por saber até onde vai a estupidez da Anastasia. 


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