segunda-feira, 27 de julho de 2015

Opinião | Infância Perdida


Infância Perdida

Autora: Cathy Glass
Ano: 2008
Número de páginas: 244 páginas
Classificação: 5 Estrelas
Editora: Editorial Presença
Sinopse: Aqui



Opinião
Infância Perdida é daquelas histórias que, sem querermos, se enraízam no nosso pensamento e nos deixam dias a pensar sobre ela. 
Pelo seu conteúdo emocional, não é um livro fácil de ler. Confesso que a repulsa e o nojo foram aumentando gradualmente. Quando pensava que as coisas não podiam ser piores, chegava uma nova revelação que me fazia parar a leitura para assimilar tudo aquilo que ia acontecendo.

Cathy Glass é uma mãe de acolhimento que recebe em sua casa crianças que são retiradas à família por diversas razões. As crianças ficam com ela até a família reunir condições para as voltar a acolher ou quando os serviços judiciais decretam outro tipo de medidas, como a adopção, por exemplo.
Neste livro, Cathy relata-nos os momentos em que viveu com Jodie, uma menina de 7 anos com uma história de vida ainda bastante desconhecida aos olhos das várias famílias por onde passou e onde permanecia por pouco tempo. Cathy percebeu o desafio que lhe estava para chegar às mães, mas agarrou-o com uma mestria e determinação muitas vezes superior à de um profissional.

Jodie apresentou-se como uma criança bastante perturbada. Logo de início, e por aquilo que ia sendo descrito, eu coloquei a hipótese de uma perturbação da personalidade, mas estava muito longe de imaginar os contornos por detrás desta perturbação. 
Foi duro ler sobre aquilo que Jodie foi obrigada a viver. Foi duro ver que, por pouco, aqueles que tanto mal lhe fizeram iam ficar impunes. Mesmo assim, a justiça não foi totalmente feita.
Infelizmente a realidade de Jodie não é a única. São várias as crianças que não conhecem os contornos de uma infância feliz e saudável. Estas histórias enchem-me sempre de tristeza, fazem-me sentir impotente. Eu sei que não podemos querer salvar o mundo. Não está nas nossas mãos conseguir combater tudo aquilo que de mau há no mundo, mas crianças na situação de Jodie mereciam ser salvas o mais rapidamente possível. 

Neste livro, Cathy Glass também nos traz a realidade da má prática profissional. Um(a) assistente social tem, por vezes, um volume de trabalho enorme, mas isso não pode justificar o facto de se desligarem dos casos. A assistente social que tomava conta de Jodie cometeu erros muito grandes e que não podem ser justificados pelo excesso de trabalho. Ela estava completamente desligada da Jodie e em nenhum momento se preocupou em tentar estabelecer uma relação com a criança. Mas, tal como há maus profissionais, há também aqueles que são capazes de atender às necessidades destas crianças e proporcionar-lhes formas de diminuir o sofrimento. Na história de Jodie destaco o papel da assistente social Jill, que apesar do caso não ser da responsabilidade dela, sempre se preocupou com a criança e também o papel da psicóloga que se preocupou genuinamente com a criança e procurou um espaço adequado para o futuro de Jodie. 

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