quinta-feira, 9 de abril de 2015

Palavras Memoráveis


Livro: A filha do Capitão
José Rodrigues dos Santos

Na vida, concluiria um dia, todos têm direito a um grande amor. Uns achá-lo-iam num cruzamento perdido e com ele seguiriam até ao fim do caminho, teimoso e abnegado, até que a morte desfizesse o que a vida fizera. Outros estavam destinados a desconhecê-lo, a procurar sem o descobrirem, a cruzar-se num esquema sem jamais se olharem, a ignorar a sua perda até desaparecerem na neblina que pairava sobre o solitário trilho para onde a vida os conduzia. E havia ainda aqueles fadados para a tragédia, os amores que se encontravam e cedo percebiam que o encontro era afinal efémero, furtivo, um mero sopro na corrente do tempo, um cruel interlúdio antes da dolorosa separação, um beijo de despedida no caminho da solidão, a alma abalada pela sombria angústia de saberem que havia um outro percurso, uma outra existência, uma passagem alternativa que lhes fora sempre vedada.


(...) os melhores casamentos não são os que partem de uma paixão que depressa se extingue, mas aqueles cujo amor vai nascendo com o tempo e amadurecendo como o vinho.


Sabe tanto a religião como a ciência oferecem explicações para o mundo, mas o problema é que essas explicações competem entre si. Para que uma seja verdadeira, a outra tem de ser falsa. É por isso que a religião sempre fez tudo o que podia para desacreditar a ciência e é por isso que a ciência faz agora o mesmo à religião.

Encarando-a deste modo, o capitão começou a perceber que para amar uma pessoa é preciso admirá-la.

Sabe, meu capitão, descobriu que o mais duro não é fazer a guerra. O mais difícil é sobreviver a ela, é viver com ela depois de ter vivido nela.

 

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