quarta-feira, 11 de março de 2015

Opinião | Em parte incerta


Em Parte Incerta




Autora: Gillian Flynn
Ano: 2013
Número de páginas: 520 páginas
Classificação: 5 Estrelas
Editora: Bertrand
Sinopse: Aqui




Opinião
Só há uma palavras que me vem à mente para descrever esta leitura: BRUTAL!!!
Adorei o livro da primeira à última página. Tudo nele é de uma complexidade que me deixou rendida à forma como a autora deu corpo à sua história. Foi tão intensa que até sinto dificuldades em arranjar palavras para a descrever.

Vou querer esmiuçar algumas coisas na opinião a este livro, por isso, se não gostam de spoilers é melhor não continuarem com a leitura.

Começando pelas personagens, posso dizer que os meus sentimentos foram diversos ao longo do livro. Comecei por gostar de Nick e de Amy. Passei para uma fase em que não gostei muito de Amy e tive pena de Nick. Para num momento seguinte odiar Nick e sentir compaixão por Amy, pela relação extra-conjugal que arranjou e com a forma agressiva com que ele tratava a mulher (pensava eu... tão enganadinha que eu andava). Todo este caleidoscópio emocional começou apenas com a leitura da primeira parte! 

Eis que chega a segunda e constatamos que a primeira parte foi minuciosamente construída para que o leitor fizesse uma determinada interpretação dos acontecimentos e das personagens. E, assim, assistimos a uma grande desconstrução de tudo aquilo que acreditávamos ser uma fatalidade para a querida Amy. Aqui conhecemos a inacreditável e incrível Amy. Este momento marca a perda da pouca simpatia que eu ainda nutria por estes dois. Amy é maravilhosamente horrível e má pessoa. Calcula cada passo que dá, cada frase que diz. Ela é completamente disfuncional. Disfuncionalidade essa que começa logo na relação com os pais. Apesar de os pais aparentarem ser o casal perfeito, muita porcaria se esconde por detrás desta (im)perfeição. É certo que autora não mexeu muito lixo. Eles também não eram os protagonistas. Porém, a mim estes dois provocaram-me uma certa úrticaria literária/psicológica. Eu queria mexer mais nestes dois, ir mais lá ao fundo, para perceber algumas coisas que me iriam ajudar a desconstruir a complexidade que é a personalidade de Amy.
É difícil fazer um diagnóstico de Amy. É certo que ela tem uma perturbação da personalidade e pelos dados que retirei do livro em confronto com a DSM IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) arrisco-me a dizer que ela tem uma Perturbação Anti-social da Personalidade. Embora tenha algumas dúvidas. É apenas uma personagem e não tenho acesso a mais informação. É, sem qualquer dúvida, uma personagem muito bem construída pela autora. Uma personagem feita para surpreender o leitor nos mais diversos contextos. Como já referi, não fiquei com muita simpatia por ela, mas é também isso que me faz olhar para ela com um certo fascínio.

O Nick... é o Nick. Não tem a força da Amy e acho-o um pouco acomodado às situação. Acho que ele facilitou aquele final. Ele não conseguiu antecipar os comportamentos da sua esposa, ao ponto de se lembrar de destruir algo que lhe podia ser valioso. Só me resta ter pena da criança que a Amy vai ter.

Os inquéritos policiais e toda a parte policial do livro estava muito bem construída, tal como tantas outras coisas. Bons diálogos, boa articulação nos papel dos polícias. Penso que estava tudo muito coerente e verdadeiro.

Adorei o livro. Não é uma leitura rápida, por é importante ir absorvendo cada passagem, cada atitude da personagem, cada momento da narrativa para que consigamos captar tudo aquilo que a história tem para nos dar.
E porque é que é tão bom? A cada atitude de Amy pensamos sempre que aquilo pensamos sempre que aquilo é tão mau e rebuscado que não pode ser pior. O problema é que no momento seguinte estamos logo a ser surpreendidos.
Uma leitura fantástica e inesquecível. E daqueles livros que nos ficam agarrados ao pensamento ao longo de muito tempo. 

4 comentários:

  1. Ainda bem que gostaste Silvana :) Também gostei muito e é, tal como referiste, um caleidoscópio emocional :)

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    1. Eu simplesmente adorei o livro. A autora foi uma verdadeira mestre com as palavras, os acontecimentos e a construção das personagens. Dos melhores livros que já li. Fiquei com imensa vontade de ler mais coisas. Já lestes outros livros da autora?

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    2. Não, tenho o Lugares escuros na estante mas ainda não o li. Talvez em Maio

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    3. Fico à espera da tua opinião :).

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!