quarta-feira, 8 de outubro de 2014

[Opinião] Sepulcro (Languedoc #2)


Sepulcro (Languedoc,#2)

Autor: Kate Mosse
Ano: 2010
Editora: Livros d'Hoje
Número de páginas: 656 páginas
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse
Meredith Martin chega a Domaine de la Cade para fazer uma pesquisa para a biografia de Claude Debussy. Mas tem o desejo de descobrir as origens da sua família, que remontam à região. As únicas chaves que tem são a velha partitura de piano, as fotos antigas que a sua mãe lhe deixou e as cartas em que nunca acreditou. De imediato é cativada pela trágica história da casa, que se diz ser assombrada, e pelo destino de Léonie Vernier – uma jovem que em 1981 rumou a Domaine de la Cade com o seu irmão e que em 1987, no dia de Todos-os-Santos, desaparece sem deixar vestígios. Nessa mesma noite, numa pequena aldeia do vale, um sacerdote idoso e recluso é brutalmente assassinado. As únicas ligações entre os dois acontecimentos são a música fantasmagórica que paira no ar nos antigos bosques da montanha e a carta de tarot colocada na mão do morto: a carta XV, O Diabo. Os assassinos nunca foram julgados e o corpo de Léonie nunca apareceu. Quando Meredith vê um antigo túmulo escondido dentro do recinto e ouve a música fantasmagórica que ecoa durante a noite, percebe que a história das cartas está longe de estar morta e enterrada. Contra a sua vontade, vê-se numa corrida contra o tempo, tanto para encontrar o tarot de Vernier como para solucionar o antigo mistério do desaparecimento de Léonie, sem se tornar ela própria a mais recente vítima.

Opinião
Foi à segunda tentativa que consegui ler este livro. O ano passado, por alturas do Verão trouxe este livro para ler. Ainda cheguei à páginas 140, mas tive de desistir porque não me estava a adaptar à história. Por algum motivo que eu não consigo explicar, estava a ser uma leitura custosa e então decidi abandonar o livro. Quando o fui deixar à biblioteca, o senhor perguntou-me o que é que eu tinha achado, eu disse-lhe o que tinha desistido e ele só me falou bem do livro. Como confio nos gostos do senhor (já de outras vezes me deu boas indicações), esta conversa fez-me anotar mentalmente que seria para dar uma segunda oportunidade a este livro.
E agora, no fim da leitura, não me arrependo.

O livro Sepulcro é o segundo livro de uma série mas, pela minha experiência, podem ser lidos separadamente. O facto de não ter lido o primeiro não afectou em nada a compreensão deste segundo livro. Pelo que fiquei a saber, a única coisa que une a série é o facto de o local da acção ser comum aos diferentes livros, porque o restante diverge.

No livro podemos encontrar duas histórias paralelas separadas no tempo. Por um lado, temos a história de Meredith que decorre no ano de 2007. Esta personagem procura a história da sua família biológica enquanto escreve a biografia de Debussy. Por outro lado, temos a história que decorre entre 1891 e 1987 que nos traz a vida de Léonie, Anatole e Isolde.

A parte recente do livro não é aquela que mais me cativou. No fundo, é sempre uma preparação para a história passada uma vez que há uma ligação familiar entre as personagens do presente e do passado.

Relativamente à história passada tenho a dizer que é bastante interessante. Há muita história e mistério em torno da propriedade de Domaine de la Cade. É para este lugar que Anatole e Léonie vão viver, depois de uns acontecimentos em Paris. Léonie é uma jovem de 17 anos muito inteligente e curiosa e logo que chega a Domaine de la Cade observa e explora tudo aquilo que lhe é possível.
Nestas explorações depara-se com uma espécie de capela na propriedade que é denominada de sepulcro. Em torno desta ruínas a autora desenvolveu um mistério interessante e que tem como chave importante um livro e um baralho de Tarot bastante especial.

É um livro com muito simbolismo, muitas lendas e magia, aspectos associados a ambas as épocas. Eu gostei destes elementos do livro, gostei particularmente das explorações do significado das cartas de Tarot e naquilo que elas representavam para todo o universo do livro.

O que menos gostei e que me desmotivou um pouco foi o excesso de descrições. A autora é muito minuciosa e explora todos os pormenores, chegando a ser extremamente detalhada em alguns momentos do livro. Confesso que em algumas partes me perdia na leitura e tinha de voltar a ler porque entretanto o meu pensamento divergia para outros lados e a compreensão do que estava a ler ficava pelo caminho. Na minha opinião, este é o grande ponto negativo do livro. Se a autora fosse mais objectiva a leitura teria sido bem mais fácil.

Em todo o mistério que preenche as páginas do livro, há certas coisas que são um pouco confusas. Pelo que eu percebi a parte mística, mágica a sobrenatural é a grande explicação para muitos dos acontecimentos. Mas para ele tome outras proporções, é alimentada pelas lendas locais. Porém este paralelismo é um pouco confuso, Às vezes fiquei sem saber onde acabava um e começava o outro. Contudo, a ideia geral do livro ficou.

A parte do romance romântico não tem grande destaque no livro, Há duas histórias de amor principais, e uma quase-história. Uma delas é passada no presente e a outra juntamente com a quase-história no passado. Não me vou alongar muito neste aspecto porque focando-me na história passada iria encher esta opinião de spoilers e que não quero quebrar nem o mistério nem o factor surpresa. É fácil intuir algumas coisas, mas mesmo intuindo e descobrindo antes da revelação a ânsia de querer uma justificação e explicação faz com que se vá avançando na leitura.

Este é daqueles livros ideais para quem gosta de mistério com um toque de sobrenatural.
Pessoalmente, gostei mais dos significados e simbologia em torno das cartas de Tarot, das quais já sabia alguma coisa.
Para conseguir levar esta leitura até ao fim é preciso um pouco de persistência para conseguir ultrapassar os períodos mais aborrecidos do livro. Porém passados esses aborrecimentos, sentimentos completamente envolvidos em todo o mistério.   

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