domingo, 14 de setembro de 2014

Retalhos de uma leitura conjunta


E cá estamos nós para a segunda ronda de perguntas. Pela primeira vez na história das nossas leituras conjuntas (quem ler isto até pensa que eu e a Marta já andamos nisto desde a pré-história) as perguntas foram entregues em mãos (apesar das leituras conjuntas não serem pré-históricas gostaria que elas continuassem por mais tempo). 

Ontem, durante a tarde, num banco dos jardins do Palácio de Cristal, em plena Feira do Livro no Porto, eu entreguei à Marta as minhas questões e ela entregou-me aquelas que vou responder já de seguida. 

1. Quando Sr. Collins se está a despedir de Elizabeth, ele tem grande necessidade de relembrá-la o quanto foi bem recebida, não só em sua casa mas na casa de Lady Catherine. Achas normal que uma pessoa religiosa se preocupe tanto com o que dizem acerca de si e que tem amigos muito reputados?

Tratando-se do Sr. Collins, acho perfeitamente normal!! Vejamos, o Sr. Collins foi rejeitado pela Elizabeth, e por isso não deve ser muito agradável recebê-la em casa. Assim, ele vê no facto de relembrar a Elizabeth o quanto ela foi bem recebida uma forma de mostrar que se ele fosse outra pessoa e depois daquilo que ela lhe fez nem podia nem lhe dirigir a palavras. Mas ele como uma pessoa amigável, tem amigos amigáveis que fecham os olhos às maneiras mais bruscas de Elizabeth e recebem-na como uma rainha. Apesar de ele ser religioso, isso não implica que ele não sinta a sua auto-estima em alta com o facto de ostentar a sua reputação junto de gente mais abastadas. Não nos podemos esquecer que nesta época que as relações estabelecidas com gente importante são uma mais valida para a vivência em sociedade.

2. Que achaste do ataque verbal de Elizabeth a Mr. Dracy, quando ela está a tocar piano em casa de Lady Catherine? Achas que ela tinha razões para lhe dizer o que disse, tendo em com que ele nem sequer a ofendera naquele local?

Razões, a Elizabeth não tinha! Mas a raiva acumulada perante os comportamentos de Mr. Darcy não desaparecem. Acho que ela andava com uma sede de lhe "chegar ao pêlo" que assim que teve oportunidade não se conteve e deixou que as suas palavras saíssem. Mas também penso que, depois daquela carta de Mr. Darcy, ela ficou um pouco arrependida de o ter tratado assim. Arrependimento esse que ainda a acompanha!

3. Pode dizer-se muita coisa de Mr. Darcy, mas porque é que ninguém diz mal de Wickham? Ele não é claramente o bom da fita nesta história, onde é o protagonista.

Acho que aqui é um jogo da autora para manter o mistério em torno de Mr. Darcy ao mesmo tempo que dá o papel de coitado ao Wickham. Desta forma, a autora consegue manter este jogo de mistério versus lamentação para que sejam as pessoas a descobrirem por si próprias o carácter das personagens. 

7 comentários:

  1. Oh Silvana enganei-me completamente na 3º questão, caramba já hoje escreve o nome do Wickham quando quero falar do Bingley!!!Sorry...

    Opá está bem, mas o Mr. Collins poderia ter sido rejeitado mas acho que tendo em conta que é um homem da igreja, não fosse tão mesquinho e sempre a bater na mesma tecla. Acho que a humildade sim ficaria-lhe bem, muito bem. Sim, percebo o estatuto que dá dar-se com pessoas de poder, mas esfregá-lo na cara dos outros, não é uma atitude que espero de alguém religioso (se bem que muitas vezes estes são os piores).

    Não gostei da atitude da Elizabeth, Mr. Darcy nem lhe disse nada e ela ataca-o daquela maneira só para mostrar ao primo dele que não se deixa intimidar pela opiniões dos outros, pois mas pelo visto, com aquela conversa só deu para perceber que ela fica bastante incomodada com tais opiniões.

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    1. Não tem! Olha eu nem notei. Como a Elizabeth anda no meio destes dois.
      Respondo por aqui: Acho que o Bingley anda adormecido, tenho a sensação que ele é capaz de renascer das cinzas mais lá para a frente. Ninguém diz mal dele, porque para todos os efeitos ele foi influenciado. Isto só revela que o rapaz é fraco. Deixa-se levar pelos preconceitos de Darcy e pela mesquinhez daquelas irmãs medonhas.

      Lol, o Mr. Collins é o Mr. Collins. Um ser estranho. E olha que é bem como dizes, por vezes o pessoal da igreja é o pior. Se ele podia ser mais humilde, podia! Mas achas que seria a mesma coisa? Olha eu já não passava sem estas saídas a Mr. Collins. Vamos lá ver se ele volta a aparecer.

      Bem, eu também não gostei muito tendo em conta a personalidade que a autora tem tentado passar da Elizabeth, porém ela andava com demasia raiva acumula. Pronto, explodiu.

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  2. Pois é que o rapaz é foi o vilão da sua própria história, se tivesse decidido ir avante nada do que os amigos e irmãs dissessem realmente importava. Ele é que estragou a sua vida pq quis, mesmo que o Mr. Darcy lhe tivesse dado outras directrizes. É que a Elizabeth tem tanto contra o Darcy e a Jane não quer ouvir dizer mal do Bingley, mas este idiota é que a dispensou pela opinião dos amigos!!

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    1. Não te esqueças que a Jane tem um tipo de personalidade em que só vê o lado bom das pessoas. Não consegue ver maldade nas coisas. A Elizabeth é mais "azeda".

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  3. Primeira pergunta, concordo com a Silvana. Para alguém como Mr Collins reputação e contactos são tudo. O orgulho está ferido e incha-lhe o ego esfregar na cara da Elizabeth "isto tudo poderia ser teu se não fosses uma rapariga tonta! olha o que perdeste."
    Mas na visita aos Collins, na parte única e exclusivamente Collins, o que mais me agradou foi a dinâmica do casal. A mulher foi muito inteligente. Volto a dizer, a Charlotte (?) é subvalorizada: casou porque era o socialmente aceite, porque uma mulher solteira era vista como um fracasso, mas nunca se iludiu relativamente ao marido e ao porquê dele a ter escolhido. Também organizou as coisas para que passassem o dia completamente separado. A única altura do dia em que ela não se via livre do marido era à noite.

    Ohhhh a carta, a carta. Fascinante não é? Como ele fala tão pouco verbalmente, mas solta-se nas cartas. Não só na da Elizabeth mas nas para a irmã também. É como... em público ele se contivesse... mas em privado ele mostrasse a sua verdadeira essência. Adoro

    Quanto aos bitaites o que esperavam? Eles ainda estavam em pé de guerra :P

    O Wickham e o Darcy são duas faces da mesma moeda: Um aparenta ser bom mas é podre por dentro; o outro é frio por fora mas bom por dentro. A sociedade julga o que vê e vê o que quer. Ninguém tenta conhecer a pessoa mais profundamente, o que está à superfície é suficiente para fazer julgamentos

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    1. Sim, a Charlotte agiu com inteligência. E talvez pudesse ser mais valorizada pela autora, mas o foco dela era outro.

      Em relação ao Darcy, foi sempre essa a impressão que fiquei. Um homem reservado, contigo e muito observador. As cartas são deliciosos. Ele tem o dom de mexer nas palavras escritas. Quando é para falar é como se ficasse preso a alguma coisa.

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    2. Eu acho que na Charlotte quem peca é o leitor. Está lá, mas nós é que a subvalorizamos :P

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!