sábado, 16 de agosto de 2014

[Opinião] O Pacto


O Pacto

Autor: Jodi Picoult
Ano: 2009
Editora: Civilização Editora
Número de páginas: 440 páginas
Classificação: 3 Estrelas

Sinopse
Há dezoito anos que os Harte e os Gold vivem lado a lado, partilhando tudo, desde comida chinesa e varicela até irem buscar os filhos uns dos outros à vez. Quer os pais quer os filhos são melhores amigos, por isso, não é nenhuma surpresa quando a amizade entre Chris e Emily se transforma em algo mais na altura do liceu. Tornaram-se almas gémeas no momento em que Emily nasceu. Quando ligam do hospital por volta da meia-noite, ninguém está preparado para a verdade terrível: Emily, com apenas dezassete anos, está morta devido a um tiro na cabeça, aparentemente resultado de um pacto suicida. A arma contém uma bala que Chris diz à polícia estar-lhe destinada, mas uma detective local tem dúvidas. Os Harte e os Gold, num único momento aterrador, têm de encarar o pior medo de um pai: será que conhecemos mesmo os nossos filhos?

Opinião
O que é que somos capazes de fazer pela pessoa que amamos? Até que ponto estamos dispostos a ir só para acabar com o sofrimento de uma das pessoas mais importantes para nós? Estas são apenas duas das inúmeras perguntas que Chris se deve ter colocado a si próprio quando se deparou com as ideias suicidas de Emily e com o seu pedido.

O Pacto é um livro com uma componente psicológica muito forte, que nos leva por uma viagem ao mundo interior dos adolescentes. Não é uma leitura leve nem fácil... Facilmente somos invadidos por questões e dúvidas.
É apenas o segundo livro que leio da autora, mas a forma como ela aborda os assuntos neste livro é bastantes menos bem conseguida do que no livro anterior que li, Dezanove Minutos. Porque é que eu digo que foi menos bem conseguido? Bem, isto deve-se a algumas falhas e incoerências. Primeiro, há uma falha em termos das idades de Chris e Emily que por si só fazia com que parte da narrativa deixasse de ter sentido. Chris nasceu no dia 24 de Novembro e a Emily nasceu no dia 7 de Maio do ano seguinte. No julgamento é referido que eles têm três meses de diferença, o que é errado. E o que mais condiciona é que ao longo do livro é referido que Chris e Emily frequentavam o mesmo ano escolar, o que só seria possível se Chris tivesse reprovado algum ano, o que pelas descrições que são feitas dele é impossível isso ter acontecido.

Emily era uma adolescente em sofrimento e emocionalmente dependente de Chris, a pessoa com quem partilhou grande parte do seu tempo desde a infância. Não é difícil compreender o sofrimento de Emily, mas a história carece de uma maior exposição dos acontecimentos da sua vida para compreendermos melhor  a necessidade que ela tem de se suicidar.

[INÍCIO SPOILER]
Um dos aspectos que vai limitar a vida de Emily e arrastá-la para o mundo cinzento da depressão é um abuso sexual que ela vai sofrer aos 9 anos na casa de banho de um MacDonalds. O que para mim se tornou irreal e pouco credível foi que ninguém se apercebeu de nada. Emily era uma miúda sensível e que dificilmente escondia aquilo que sentia. Por isso, de certeza que ela viria suficientemente perturbada para que os adultos que estavam com ela, Gus e James (pais de Chris) se apercebessem de que algo não estava bem.

É óbvio que este aspecto, conjugado com a dualidade que Emily sentia em relação a Chris (olhava para ele como namorado e como irmão) a condicionava na exploração sexual. Aqui também senti um pouco que as as coisas não conjugam muito bem. Chris nunca se apercebeu muito bem deste desconforto de Emily e assumiu uma posição um pouco egoísta, algo que não bate muito certo com a dimensão psicológica que ficamos a conhecer de Chris ao longo do livro.
[FIM SPOILER]

Gostei de ver a dedicação de Chris a Emily. Acredito que ele gostasse verdadeiramente dela, mas até eu fico confusa naquilo que hei-de pensar acerca dele perante determinadas atitudes. Mas dá para perceber a forte ligação que existe entre os dois.

Uma parte que achei muito bem conseguida foi o julgamento de Chris. Parece muito real!!! Com os advogados a agirem de uma forma que quase nos sentimos dentro do tribunal a presenciar tudo.

O desfecho de toda a história e a forma como decorrer o suicídio de Emily foi diferente daquilo que eu inicialmente imaginei. Decididamente, fui bastante surpreendida com esta conclusão dos acontecimentos.

Apesar de ter sido surpreendida, as incongruências e a pouca exploração do passado dos dois adolescentes (aspecto muito importante para a compreensão de tudo) não me deixa classificar este livro com mais de três estrelas. Até o considero ligeiramente abaixo das três estrelas, mas como gosto de dar valores arredondados, decidi-me que está mais perto das três estrelas do que das duas.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!