domingo, 3 de agosto de 2014

[Opinião] A Filha do Capitão


A Filha do Capitão

Autor: José Rodrigues dos Santos
Ano: 2004
Editora: Gradiva
Número de páginas: 636 páginas
Classificação: 5 Estrelas

Sinopse
A Filha do Capitão é a história de uma grande paixão em tempo de guerra. Quem sabe se a vida do capitão Afonso Brandão teria sido totalmente diferente se, naquela noite fria e húmida de 1917, não se tivesse apaixonado por uma bela francesa de olhos verdes e palavras meigas. O oficial do exército português estava nas trincheiras da Flandres, em plena carnificina da I Guerra Mundial, quando viu o seu amor testado pela mais dura das provas. Em segredo, o Alto Comando alemão preparava um ataque decisivo, uma ofensiva tão devastadora que lhe permitiria vencer a guerra num só golpe, e tencionava quebrar a linha de defesa dos aliados num pequeno sector do vale do Lys. O sítio onde estavam os portugueses. Tendo como pano de fundo o cenário trágico da participação de Portugal na Grande Guerra, A Filha do Capitão traz-nos a comovente história de uma paixão impossível e, num ritmo vivo e empolgante, assinala o regresso do grande romance às letras portuguesas. O Capitão Afonso Brandão mudou a sua vida quase sem o saber, numa fria noite de boleto, ao prender o olhar numa bela francesa de olhos verdes e voz de mel. O oficial comandava uma companhia da Brigada do Minho e estava havia apenas dois meses nas trincheiras da Flandres quando, durante o período de descanso, decidiu ir pernoitar a um castelo perto de Armentières. Conheceu aí uma deslumbrante baronesa e entre eles nasceu uma atracção irresistível. Mas o seu amor iria enfrentar um duro teste. O Alto Comando alemão, reunido em segredo em Mons, decidiu que chegara a hora de lançar a grande ofensiva para derrotar os aliados e ganhar a guerra, e escolheu o vale do Lys como palco do ataque final. À sua espera, ignorando o terrível cataclismo prestes a desabar sobre si, estava o Corpo Expedicionário Português. Decorrendo durante a odisseia trágica da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, A Filha do Capitão conta-nos a inesquecível aventura de um punhado de soldados nas trincheiras da Flandres e traz-nos uma paixão impossível entre um oficial português e uma bonita francesa. Mais do que uma simples história de amor, esta é uma comovente narrativa sobre a amizade, mas também sobre a vida e sobre a morte, sobre Deus e a condição humana, a arte e a ciência, o acaso e o destino.

Opinião
Este livro mar a minha leitura conjunta da qual vou guardar boas impressões. Já queria ler este livro há muito tempo e depois de alguma conversa da Marta do blog I only have decidimos avançar. Como queríamos dar a conhecer algo diferente avançamos com os nossos retalhos que correram muito bem. Marta, adorei as nossas discussões e as nossas trocas de opiniões. Conseguiste desmanchar-me com esse teu último retalho e ainda bem que ambas queremos matar a D. Isilda. Foi muito bom ter partilhado esta leitura contigo. Espero que seja a primeira de muitas. 

A Filha do Capitão tornou-se, de momento, o meu livro preferido de José Rodrigues dos Santos.
Em termos de escrita é um livro muito semelhante a outros livros do autor. Recorre muito à descrição dos factos, dos locais, das pessoas mas está longe de ser aborrecido. Pessoalmente, consigo sentir-me presa à leitura e às personagens mesmo que o autor de perca em grandes descrições.
No que diz respeito à história em si, posso dizer que é cativante logo desde o início.

Começamos a leitura por conhecer a infância e a adolescência daqueles que serão as personagens principais da narrativa: Afonso e Agnès. Tornam-se em jovens adultos curiosos, bondosos e inteligentes. Conhecem-se em circunstâncias especiais e desde logo as afinidades entre ambos saltam à vista.

Grande parte do livro centra-se no período histórico correspondente à Primeira Guerra Mundial. Um aspecto curioso é que este é o primeiro livro que leio que tem como pano de fundo este conflito, e leio-o precisamente no ano em que se assinalam os 100 anos do início do conflito.
Os cenários e momentos de guerra descritos, a vida nas trincheiras e a relação entre os soldados são tão bem descritos e detalhados que facilmente nos conseguimos imaginas o que ali se passou.
Identifiquei-me muito com algumas expressões e vocabulário (calão) usado. Aqui no Norte ainda hoje é usado.

Eu adorei todas as personagens, porém três deles ficarão por muito tempo na minha memória: Afonso, Agès e  Matias.
Afonso e Agnès por tudo aquilo que já escrevi anteriormente sobre eles e pelo amor que partilhavam. Um romance muito bem conseguido e que conseguiu surpreender. Estava à espera que o destino deles se cruzasse de forma diferente daquela que realmente aconteceu e não esperava determinadas atitudes por parte da Agnès.
Matias é um soldado muito corajoso que consegue criar uma ligação especial com os outros soldados. Tem uma visão muito lúcida da guerra. Esta lucidez é vista ao longo de todo o momento do conflito, mas mais especialmente numa conversa que acontece lá mais para o final do livro com o Capitão Afonso.

O que sinto no final desta leitura é que me faltam palavras que façam justiça à qualidade daquilo que aqui encontrei. A última parte emocionou-me bastante, principalmente tudo o que aconteceu durante e depois do ataque alemão de 9 de Abril de 1918. Senti um falta terrível de Agnès nesta última parte. Ela merecia um maior destaque, mas tendo em conta todas as circunstâncias justifica-se esta ausência.

A todos os fãs dos livros de José Rodrigues dos Santos que ainda não leram este livro, quero apenas dizer que o devem ler porque aqui vão encontrar uma boa história, personagens fortes e um cenário histórico poucas vezes utilizado.

4 comentários:

  1. Oh gostei tanto da tua opinião!!E a parte que me toca :') (e que venham mais leituras conjuntas)

    E percebo bem por que te marcou tanto o Matias, ele sempre foi a personagem mais realista e com pés assentes na terra. Ao contrário do Afonso que até podia reclamar mas pouco se via a alterar o que é que fosse...ao menos o Matias sabia qual era o seu papel e onde é que devia estar.

    É bem verdade, também nunca tinha lido nada com a 1º guerra mundial e calha precisamente no ano do aniversário histórico :D

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    Respostas
    1. Sim, que venham mais!

      É mesmo isso... Eu gosto de ser bastante realista e talvez me tenha revisto no Matias em alguns aspectos. Ao Afonso faltava passar da teoria à prática.

      Uma engraçada coincidência para nós :)

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    2. Venha a próxima, oh e esse vai ser lindo vai ;)

      Sim é verdade, também gosto de ser como o Matias mas acho que acabo por ser mais Afonso LOL
      Por isso, é que a Agnès acabou por me irritar por mudar tanto. Eu sei que é normal, já que são as circunstâncias da vida que te levam a isso, mas ela passou mesmo de um extremo ao outro. Mas não mereceu aquele fim (isto é a parte romantica a falar) mas percebo o ponto de vista do autor, pois se queria falar de um tempo daqueles poucos tiveram finais felizes (parte realista a falar)

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    3. Esperamos que seja :)

      Eu também tenho o meu lado Afonso, mas tento sempre o meu lado Matias sobressaia.
      Eu não me irritei assim tanto com a Agnès. Fez-me confusão e nem sempre compreendia, principalmente quando olhava para ela como sendo alguém bastante racional.
      É claro que concordo com a tua parte romântica e com a tua parte realista. Acho que ele fim acabou por ser o mais realista. Aquele encontro de Afonso com a filha deixa-nos é a salivar por mais.

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!