terça-feira, 29 de julho de 2014

[Opinião] A Cabana


A Cabana

Autor: Wm Paul Young
Ano: 2008
Editora: Sextante
Número de páginas: 238 páginas
Classificação: 3 Estrelas

Sinopse
E se Deus marcasse um encontro consigo?
As férias de Mackenzie Allen Philip com a família na floresta do estado de Oregon tornaram-se num pesadelo. Missy, a filha mais nova, foi raptada e, de acordo com as provas encontradas numa cabana abandonada, brutalmente assassinada.
Quatro anos mais tarde, Mack, mergulhado numa depressão da qual nunca recuperou, recebe um bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar à malograda cabana.
Ainda que confuso, Mack decide regressar à montanha e reviver todo aquele pesadelo. O que ele vai encontrar naquela cabana mudará o seu mundo para sempre.

Opinião
A Cabana é um livro que já estava há bastante tempo na minha estante à espera de ser lido. A primeira vez que ouvi falar dele foi numa reunião de estágios e os comentários tecidos em torno do livro suscitaram a minha curiosidade. 

Perder um filho deve ser uma das piores experiências emocionais. Teoricamente sei as implicações, as dificuldades e as fases de luto pelas quais os pais vão passando. Acho que e fácil compreendermos o sofrimento, mas é extremamente difícil colocarmo-nos no lugar destes pais. Mack e Nan, personagens deste livro, viveram este sofrimento na pele com o desaparecimento da sua filha Missy. Neste caso, o luto é ainda mais difícil de ultrapassar porque não existiu um corpo para chorar. Assim, é mais difícil ultrapassar as diferentes fases sem o elemento concreto da morte de alguém. As pessoas são sempre invadidas por pequenos "ses" que vão tornando as coisas mais complicadas.

Mack foi sobrevivendo... A morte de Missy sempre a transtorná-lo. E eis que recebe um convite de Deus para um encontro com ele na cabana onde foi encontrada uma mancha de sangue e o vestido da Missy. Colocando de parte todas as minhas convicções religiosas consegui olhar para este livro muito para além daquilo que é a Igreja e a religião. Colocou-me a pensar acerca da fé, do perdão e na forma como resolvemos as coisas em nós sem esperar algo do exterior. 
Uma ideia muito interessante do livro é a abordagem da necessidade de controlo dos Humanos sobre várias questões da vida para se sentir seguro e amado. A sociedade impõe-nos tanto esta necessidade de controlo que acabamos por conceber as relações com os outros em termos verticais (alguém que manda e alguém que obedece) em vez de procuramos estabelecer relações horizontais (ausência de hierarquias) em que o mais importante é a nossa comunhão com os outros.

Um outro aspecto que quero salientar do livro, e que o autor aborda muito bem é a facilidade com que fazemos julgamentos, muitas vezes de forma leviana. É fácil julgar, difícil é ver para além do que é óbvio, ver tudo aquilo que faz daquela pessoa aquilo que ela é. Não nos está a dizer para concordar com as situações, o livro simplesmente nos convida a olhar mais além.

Este livro pode não ser do agrado de muitas pessoas. É um livro que toca temas que não são agradáveis em termos de leitura de acordo com os gostos literários das pessoas. É um livro um pouco filosófico que coloca os leitores a pensar em questões religiosas, na relação do Homem com Deus e das relações estabelecidas entre os seres humanos. Por ser um livro com temas muito específicos é provável que alguns leitores não se sintam confortáveis nem agradados com a leitura. Pessoalmente gostei da leitura, gostei da forma como a religião me foi mostrada e consegui questionar-me acerca de alguns aspectos pessoais.

4 comentários:

  1. Tenho este livro, mas estou com algum medo de não gostar... Vou ter de escolher muito bem a altura em que o vou ler!
    Beijinhos! *-*

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    1. Bem, não é uma leitura fácil e como disse na opinião poderá não fazer o género de muitas pessoas. O que te digo é que vás com espírito aberto para a leitura e com disponibilidade mental para ler algo diferente. Este livro é mais uma viagem ao mundo interior das pessoas, um livro que convida a reflectir.
      Beijinhos

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  2. Vi esse livro pela primeira vez numa papelaria e chamou-me logo à atenção. Não li a sinopse, por isso nunca cheguei a saber do que se tratava (até agora).
    Gostei da tua opinião. Não parece ser o tipo de livro que faça o meu género, mas interessaste-me. :)
    Beijinhos!
    *Mistery

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    1. É um livro diferente que requer que adoptemos uma nova perspectiva para entrar na leitura. É ler com espírito aberto e tentar compreender o que vamos lendo, sabendo de antemão que é mais um livro que aborda o interior do ser humano num processo de análise e reflexão. Caso venhas a lê-lo espero que consigas gostar.
      Beijinhos

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!