domingo, 20 de abril de 2014

Por detrás da tela | I am Sam




Título: I am Sam - A Força do Amor

Género: Drama

Realização:  Jessie Nelson

Ano de Estreia: 2001 (EUA)

Elenco: Dakota Fanning, Dianne Wiest, Loretta Devine, Michelle Pfeiffer e Sean Penn


Há filmes que nos marcam e que nos deixam a pensar neles durante muito tempo. Vi este filme, pela primeira vez em 2008, na faculdade, numa aula de Necessidades Educativas Especiais e revi-o recentemente num outro contexto. Posso dizer que em ambas as vezes, o filme me tocou e me deixou a pensar.

I am Sam conta-nos a história de um homem com atraso mental e com traços autistas que acolhe uma sem abrigo em sua casa. Envolve-se com ela e deste relacionamento nasce Lucy. Logo após o nascimento, a sem abrigo foge e deixa Lucy com Sam. É aqui que começa a grande aventura na vida de Sam, cuidar de uma criança quando ele próprio necessita de cuidados. 

Porém, recorrendo a uma vizinha sua amiga, Annie, que sofre de fobia social, e ao seu unido grupo de amigos (todos eles com características especiais), Sam consegue cuidar de Lucy. Mas chega a uma altura em que Sam é cognitivamente ultrapassado por Lucy e um acontecimento do filme desencadeia um processo em que pretendem entregar Lucy a um orfanato. 

É visível o amor que Sam tem por Lucy e vice-versa. Lucy apercebe-se do momento em que ultrapassou o seu pai e recusa-se a algumas coisas só para não deixar o pai ansioso. 
Com a entrada de Lucy num orfanato, Sam necessita de uma advogada. É muito engraçada a forma como Sam se vai relacionar com a sua advogada. Sam, consegue "ensinar" a sua advogada o que é ser um bom pai/mãe. Parte caricata da situação é que aos olhos do mundo, a advogada tem todas as condições para exercer o seu papel parental e Sam não. Mas Sam tem uma sensibilidade enorme e uma amor por Lucy ainda maior. É uma ternura assistir aos momentos de interacção entre estes dois. 

Destaco o desempenho dos actores nas mais diversas personagens, mas não posso deixar de realçar a brilhante interpretação de Sean Penn como Sam. O actor conseguiu interpretar Sam de tal forma realista que, para quem o vê pela primeira vez como actor, pensa que ele é mesmo assim e que não está a representar.
A grande reflexão deste filme é: Será que uma pessoa com as características de Sam pode cuidar de uma criança? É certo que é algo que gera imensa discussão, por isso vou limitar-me a dar a minha opinião e falar da minha visão sobre o tema. Neste sentido, eu penso que é possível um homem ou mulher com as características de Sam cuidar de uma criança desde que seja activa, em torno desse homem ou mulher, uma rede de suporte social capaz de dar resposta às limitações de cada um. É claro que cada caso é um caso, mas penso que se o meio envolvente conseguir produzir respostas adequadas e ajustadas, alguém com as características de Sam tem condições para amar e cuidar de uma criança.

Não deixem de ver o filme. As interpretações são brilhantes, a história é muito comovente e em cada cena somos convidados a olhar para além do preconceito, a olhar para além daquilo que pensamos ser impossível.

Deixem-se invadir pelas imagens! 

4 comentários:

Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!