quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

[Opinião] A Prisão do Silêncio


A Prisão do Silêncio

Autora: Torey Hayden
Ano: 2009
Editora: Editorial Presença
Número de páginas: 328 páginas
Classificação: 5 Estrelas

Sinopse
A trabalhar no ensino especial, Torey Hayden, psicóloga e professora, procura devolver afecto às crianças perturbadas psiquicamente. A todas une o mesmo sentimento: problemas na infância que as leva a manifestar comportamentos invulgares e preocupantes, geralmente em consequência de algum tipo de maus-tratos. Com o dom de desbloquear estes sentimentos, Torey Hayden foi chamada por um centro de tratamento para ajudar um rapaz a sair da sua prisão de silêncio. Com 15 anos, Kevin ou Zoo Boy não falava, não mudava de roupa, não tomava banho e escondia-se debaixo de mesas construindo uma jaula com cadeiras dentro da qual se encerrava. A professora trabalhou a leitura com Kevin e passo a passo o rapaz foi recuperando e quebrando o silêncio. Sétimo livro de uma autora que já vendeu 100.000 exemplares em Portugal e se encontra publicada em 20 países.

Opinião
Já por diversas vezes dei a conhecer a minha admiração por Torey Hayden aqui no blog, referindo-a em algumas TAGs e numa opinião a um livro seu. Esta minha admiração cresce à medida que vou lendo os livros dela.

Neste livro, Torey conta-nos a história de Kenvin. Um adolescente atormentado por fantasmas de um passado que ficou, durante muito tempo, desconhecido para Torey. Não é uma história bonita, nem fácil de ler e digerir, mas quantos Kevins não andaram espalhados por este mundo? Talvez haja mais Kevins do que Toreys de coração enorme capazes de abraçar os desafios que estas crianças oferecem a técnicos de saúde mental.

Mais uma vez assistimos a uma boa exploração dos acontecimentos. Senti, por vezes, que Torey poderia ter ido um pouco mais longe nas suas reflexões e hipóteses sobre o caso. Oferecendo ao leitor um maior acesso ao seu consciente e ao seu pensamento nas questões ligadas a Kevin, Jeff e Charity.

Foi um livro que mexeu com as minhas emoções e sentimentos. Mexeu de uma forma um pouco inesperada e revi-me em muitas das atitudes de Torey em relação às suas atitudes profissionais. Torey descreve-se como sendo um pouco séptica em relação aos aspectos teóricos que servem como pano de fundo ao trabalho dos psicólogos. Em certa medida concordei com ela. Não sou tão radical como ela, mas reconheço que temos de olhar para as pessoas e para os seus problemas de uma maneira muito mais abrangente do que aquela que as teorias nos oferecem. Do meu ponto de vista é importante ajustar as técnica e os conceitos teóricos às pessoas do que procurar encaixar as pessoas nas teorias e arranjando uma forma de classificar o seu problema. É claro que existem aspectos que há necessidade de serem classificados, como por exemplo as questões relacionais com as doenças mentais, mas a forma de trabalhar com as pessoas deverá ser única. Talvez esteja a ser confusa para as pessoas que estão a ler está opinião de uma área profissional que não se enquadra com estes aspectos, mas no fundo o que pretendo passar, e que é algo bem visível no trabalho de Torey é: as pessoas têm as suas idiossincrasias e merecem a nossa total atenção e dedicação e neste sentido devemos procurar ajustar os nossos conhecimentos àquilo que elas são e representam. Se para isso temos de transpor as barreiras teóricas que nos são dadas a conhecer, deixa de se tornar um facto relevante quando os resultados atingidos com as pessoas são positivos. Naquele momento, o mais importante é estar ali para aquela pessoa, para o seu problema, para aquela forma de ver o mundo. Todos estes aspectos são bem visíveis no trabalho que Torey e Jeff fazem com Kevin. Eles ultrapassam muitas das barreiras teóricas. Interessaram-se genuinamente com Kevin e os resultados, depois de muito esforço, são muito positivos.

A prisão do silêncio activou o meu lado saudosista, transportando-me para lugares do passado. Senti saudades do meu trabalho e daquilo que já fiz, senti saudades de uma relação profissional que se transformou num boa relação de amizade, tal como Torey construiu com Jeff, e que a distancia tem dificultado o contacto.  

Não sei qual a relação que vocês têm com esta autora, mas aconselho àqueles que nunca se deixaram invadir pelas palavras desta senhora que colmatem esta falha e se entreguem aos livros dela. Do meu ponto de vista são particularmente úteis a quem tem uma actividade profissional ligada às crianças.

Boas leituras e deixem-se invadir pelas palavras.

8 comentários:

  1. Já li o A Criança que Não Queria Falar e gostei mesmo muito :) E quero ler mais livros da autora, mas como são histórias tão marcantes e chocantes acabo por nunca o fazer :/

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    1. Eu compreendo. Eu comecei a ler Torey para um trabalho na faculdade, depois fiquei mesmo interessada nos livros dela :). Aprendo imenso! Beijinhos

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  2. Curiosamente nunca li nada da autora mas já ofereci vários livros dela a pessoas que têm profissões mais ligadas a crianças:) beijos

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    1. E foram boas prendas, sem dúvida :). Experimenta ler, acho que vais gostar. Se quiseres posso emprestar-te o que tenho. ;) Bjs

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  3. Esta escritora é magnífica, sem dúvida, e adoro a forma como ela trabalha com as crianças, interessando-se genuinamente por as ajudar e descobrir a causa dos seus problemas.
    Também é uma autora que recomendo absolutamente!

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  4. Mais um para ler e deve ser dos poucos que é com um rapaz, normalmente são mais raparigas :)
    Adoro esta mulher :D

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    1. É verdade, normalmente são raparigas! Talvez haja uma relação entre o mutismo e o género feminino, daí serem mais meninas como protagonistas. Não faço ideia!
      Também adoro :)
      Beijinhos

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!