sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O último ano em Luanda [Opinião]


O Último Ano em Luanda

Autor: Tiago Rebelo
Ano: 2008
Editora: Editorial Presença
Número de páginas: 480 páginas
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse
Em 1974, uma revolução em Lisboa apanha de surpresa centenas de milhares de portugueses que vivem em Angola. A partir desse dia inicia-se a derrocada imparável de uma sociedade inteira que, tal como um navio a afundar-se, está condenada à destruição e à ruína. Em escassos meses, trezentos mil portugueses são obrigados a largar tudo e a fugir.
É neste cenário de total desorientação social e de insegurança generalizada que Nuno, um aventureiro que há anos atravessa os céus do sertão angolano no seu avião, Regina e o filho de ambos se movem, numa extraordinária luta para sobreviverem à violência diária, às perseguições políticas, às intrigas e traições que fazem de Luanda uma cidade desesperada. Esta é a história de coragem e abnegação de um casal surpreendido, tal como milhares de outros, num processo de degradação que se deve à recusa do Exército em defender os seus próprios compatriotas, ao desinteresse dos políticos e à intervenção militar das duas potências mundiais envolvidas numa guerra fria .

Opinião
Esta foi a minha última leitura de 2013 e apesar de ter demorado algum tempo a ler, tal não se traduz numa má leitura, muito pelo contrário.

O último ano em Luanda é um livro que reflecte um período da história de Portugal que tanto tece de bom como de mau.
Seis anos antes da Revolução de Abril, Regina e Nuno partem para Luanda. Os laços amorosos que os ligavam não eram sólidos e as motivações de cada um para partirem eram algo divergentes. Regina  pela sua relação com a família, Nuno por causa de um passado pouco transparente. Apesar disto, em Luanda, conseguiram construir uma vida e formar uma família. Nuno aprendeu a olhar para Regina com amor e Regina sempre aceitou os negócios pouco claros de Nuno. Mas isto são apenas os pormenores românticos de um livro que nos oferece muito mais.

Ao longo destas páginas é-nos apresentado o lado menos bonito da conquista da nossa liberdade. Infelizmente, Portugal continuou numa situação económica e social muito precária e por vezes essa parte fica esquecida nos manuais de história e não ficamos a conhecer o outro lado da revolução. 
Foi um período marcado pela instabilidade e por enormes dificuldades. Estas dificuldades foram ainda mais sentidas em Angola, uma colónia Portuguesa que com o 25 de Abril ganhou a sua independência. 
Foi muito difícil para os Portugueses residentes em Angola libertarem-se e abandonarem tudo aquilo que foram construindo. Com a instabilidade política que instalou em Angola, com o aumento constante da violência, os Portugueses sentiram-se ameaçados e largaram tudo e regressaram a Portugal. No livro, todos estes aspectos estão muito bem retratados. O autor conseguiu passar a angústia, o medo, a tristeza, a dor, a perda de uma forma extremamente realista, incapaz de deixar os leitores indiferentes.

Todo o conteúdo histórico está relatado de forma bastante compreensível. Gostei muito de ficar a conhecer o outro lado da história, um lado que nem sempre aprece detalhadamente retratado. 
Temos muito com que nos orgulhar pelas conquistas do 25 de Abril, porém existe um lado mais negro que nem sempre nos recordamos dele, que é facilmente esquecido. Mas é também este lado menos bonito que torna a nossa conquista ainda mais importante. Acho que nos devemos lembrar sempre daquilo que o 25 de Abril nos trouxe, aprender a valorizar a nossa liberdade. Penso que facilmente, nós que não sentimos na pele a opressão, por vezes, não damos muito valor a liberdade e aos princípios de Abril.

Aquilo que menos gostei no livro e que fez com que não lhe atribuísse cinco estrelas foi a forma como o autor narrou toda a história. O autor fez muitos saltos e recuos temporais tornando, por vezes, a história um pouco confusa e dificulta a compreensão mais clara dos factos.

Uma leitura que aconselho. Um livro que nos mostra o lado mais difícil do 25 de Abril, o lado negro da Guerra Colonial, guerra que ainda hoje assombra muitos daqueles que a tiveram de enfrentar.

Boas leituras e deixem-se invadir pelas palavras. 

4 comentários:

  1. Olá,

    Acredito que seja um excelente livro, existem histórias de vida, passadas no 25 de Abril dignas de serem contadas para que se saiba o que muita gente sofreu para que hoje tenhamos muitos direitos que infelizmente o nosso governo atual tão cego anda para tirar tudo e mais alguma coisa...aos mais desfavorecidos, enfim.

    Mas penso que este livro alem de nos mostrar um determinado período do nosso Portugal, é igualmente um romance e que nos deve conseguir cativar e mesmo emocionar ;)

    Bjs e boas leituras

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    Respostas
    1. Olá Fiacha,

      Concordo plenamente contigo!

      Acredita que a parte do romance apesar de nos cativar, acaba por ficar em segundo plano com a intensidade histórica que nos é apresentada.

      Bjs e boas leituras

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!