sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Silver Bay: A Baía do Desejo [Opinião]


Silver Bay - A Baía do Desejo

Autor: Jojo Moyes
Ano: 2009
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 416 páginas
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse
Mike Dormer chega a Silver Bay, uma pacata vila costeira da Austrália, com um único e secreto intuito que abalará por completo a vida dos seus habitantes.

Mas Silver Bay reserva-lhe um destino diferente.

Liza McCullen e a sua filha Hannah, de dez anos, residem no familiar Hotel Silver Bay - tão excêntrico como a sua proprietária Kathleen - onde Mike se hospeda. As suas personalidades enigmáticas exercerão um fascínio inexplicável sobre o pragmático executivo londrino, que se deixará envolver irremediavelmente pelos membros da pequena comunidade de Silver Bay e pela magia que descobre no seu modo de vida. Em pouco tempo, Mike sentir-se-á dividido entre a culpa e o desejo, a responsabilidade... e a paixão inesperada. Paralelamente, a vida de Liza sofrerá uma reviravolta inevitável.

Prisioneiros de uma perigosa teia de segredos e mentiras, estarão eles preparados para enfrentar os acontecimentos que se avizinham?

Opinião
Contactei pela primeira vez com Jojo Moyes este ano. O primeiro livro que li foi Um violino na noite e não me arrebatou. Porém Silver Bay superou-o e levou-me numa leitura compulsiva pela noite dentro. Há algum tempo que já não chorava com um livro, mas este chegou e as suas últimas páginas atingiram as minhas emoções de uma maneira que eu não estava à espera. As personagens são muito boas. Cada um a com as suas qualidades e defeitos. Cada uma guardando em si o seus segredos e as suas angústias. Acho que são elas que vão tornando o livro especial, uma vez que a história é contada por todos (cada capítulo é narrado na primeira pessoa e pertence a uma personagem diferentes).

Liza é uma mulher reservada, os seus segredos e as suas dores mais profundas estão encerrados no lugar mais distante do seu coração. Dores com as quais nem sempre é fácil de lidar, mas que parecem adormecias ao mesmo tempo que não se deixam esquecer. É uma mulher sensível que vai buscar toda a sua força de viver à filha Hannah, ao mar e aos animais marítimos (em especial). Esta é a mulher que constitui o grande segredo que preenche cada página do livro. Não é difícil deduzir a forma geral que envolve este segredo, mas deixa o leitor um pouco longe de imaginar os pormenores que preenchem a temática geral que dá forma a este segredo. Na minha opinião, o segredo de Liza foi muito bem construído e coerente.

Mike é o homem que chega para destabilizar a calma vivida em Silver Bay. Gostei muito da evolução dele e da forma como ele passou a olhar para o mundo que o rodeia. A dada altura ele percebeu que aquilo que é essencial a uma vida feliz é invisível ao olhar. Só o coração, o amor e a  amizade permitiram que ele visse quais são bases de uma vida feliz. O dinheiro e a ambição haviam-lhe provocado uma espécie de cegueira sentimental, mas aquela pequena terra Australiana fê-lo ver mais além, fê-lo crescer enquanto pessoa, fê-lo avivar os valores que estavam adormecidos algures nas profundezas da sua personalidade.

Hannah, a filha de Liza é uma jovem adorável. É muito sensível e desde muito cedo vê-se obrigada a guardar as suas próprias dores. Um aspecto curioso é que é ela que acaba por devolver a paz ao lugar onde mora e de uma forma muito inteligente.

Em relação às personagens, quero ainda destacar Kathleen. Uma mulher madura e sensata que consegue ver para além das aparências. Gostei muito dela pelo simples facto de ser uma personagem consciente e prática, que é capaz de seguir em frente depois de uma grande tempestade. 

Penso que este livro tem tanto de previsível como de surpreendente e foi isso que me apanhou desprevenida. Podemos ter uma noção geral do que vai acontecer, contudo as individualidades que dão corpo e estrutura à narrativa não nos deixam indiferentes.

Apesar de ter gostado muito não lhe dei a pontuação máxima porque existem algumas incongruências e o final foi demasiado apressado.
No que respeita às incongruências, essas prendem-se com aspectos temporais. Lara é amiga de Hannah e no início é referida uma certa diferença de idades. Porém, mais ou menos a partir de metade do livro dá a impressão que afinal são da mesma idade e andam na mesma turma.
Outro aspecto é a idade de Hannah. Ela começa o livro com 10 anos. Assinala-se o aniversário dos 11 anos e depois de passar mais de um ano (é essa a sensação que a autora dá porque não existem muitas referências temporais) Hannah continua com 11 anos.

Em relação ao final acho que ficaram coisas por dizer. É certo que tudo ficou um pouco à imaginação do leitor, mas pessoalmente queria ter visto mais. Faltaram mais descrições acerca da nova vida de Liza, faltou um acerto na relação dela com Mike (só um aparte, mas esta relação merecia ter sido mais explorada logo desde o momento em que começa a ser construída. A autora não lhe dei o protagonismo que ela merecia).  
Este final fez-me questionar o porquê dos autores apressarem os finais... Será cansaço? Será que estão fartos de escrever sobre as personagens? Infelizmente, este final fez-me sentir que a autora estava a despachar as coisas. Na minha opinião, o final podia ter sido mais emocionante se não fossem deixadas tantas pontas soltas.

Por fim, quero apenas referir que todos os aspectos relacionados com as baleias, os golfinhos e o impacto ambiental conferem um toque didáctico ao livro. Aprendi coisas acerca das baleias, assuntos relacionados com a preservação ambiental. Gostei muito de ler estas passagens e o meu carinho pelas baleias aumentou.
Quem olha para este livro pode pensar que é apenas mais um romance, mas não se deixem enganar. Estas páginas vão muito mais além. O título engana um pouco! Acho que seria suficiente colocar apenas Silver Bay (nome da localidade Australiana onde se desenrolam os aspectos centrais do livro), aliás este é o título original, e retiraria a parte d'A Baía do desejo pois não se enquadra muito bem com o conteúdo do livro.

Boas leituras e deixem-se invadir pelas palavras.

12 comentários:

  1. Fiquei curiosa com o livro! Aliás, já tinha lido sobre ele, mas ainda não tinha sentido aquela vontade de querer ler como agora... tenho de o procurar na biblioteca :)
    Beijinho

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  2. Olá Silvana,

    Tenho visto as minhas colegas de emprego a ler estes livros (literatura erótica, penso) e acredito que muitos tenham realmente qualidade mas ainda não experimentei (até tenho quem me empreste :D) mas é que nos homens e em especial aqueles que andam nos transportes públicos podem ter alguns problemas, digamos assim :D, com a leitura destes livros e chorar também não convém, embora já me tenha acontecido no metro com os livros do Nicholas Sparks e não só.

    Se algum dia ler, tem mesmo que ser em casa eheheh

    Bjs boas leituras e bom comentário ;)

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    1. Olá Fiacha,

      Este não é erótico... O título engana. É um romance contemporâneo.
      Compreendo, também ando de transportes públicos e sei que não é fácil. Lool. Vivo numa localidade pequena e bastante conservadora, Imagina o que é ires a ler um livro com um título ou uma capa mais sugestiva num autocarro cheio de pessoas assim, o mesmo se passava quando esperava pelo autocarro. Infelizmente estou desempregada e já não uso transportes com tanta frequência, mas a alternativa que eu arranjei foram as capas para colocar nos livros, assim dificilmente sabem o que estás a ler ;).

      Infelizmente as pessoas têm alguns preconceitos em relação à forma como os homens exprimem os seus sentimentos. Espero que não ligues muito a isso, só mostra que és uma pessoa sensível e isso não te tira bocado nenhum ;).

      Pessoal, livros mais emotivos gosto de ler em casa e sem ninguém por perto. Manias!

      Beijinhos e boas leituras!
      Obrigada!

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  3. Olá,

    Realmente fiz confusão, my bad, e sabe bem volta e meia ler um romance se sabe ;)

    Eu não tenho perconceito, mas não fico indiferente a nós homens podemos ser surpreendidos de uma forma que as mulheres não são....como dizer, bem...é melhor não lol, nãos e trata de chorar ou algo assim é que nós homens não conseguimos esconder o entusiasmo lol....ai que me atrapalhas :P

    E não acho que devemos estar com preconceitos de ler seja o que for, mas compreendo que numa localidade pequena possa existir esse complexo :)

    Bem boa sorte com isso do emprego e que voltes a trabalhar rapidamente :)

    Bjs e boas leituras

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    1. Olá,

      Sim, eu compreendi lool!! Não te queria atrapalhar, sorry! De facto, poderá haver certos livros que é melhor ler sozinhos (ou a dois ;)).

      Eu não tenho problema nenhum, eu não devo nada a ninguém, mas na altura para evitar olhares preferia tapar as capas dos livros.

      Obrigada! Também espero que esta nuvem negra passe depressa!

      Boas leituras :)

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    1. Este foi o segundo que li e é melhor que o primeiro que li! Tens de experimentar... E vai mais um para a Whislist ;)

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    2. *continuo a esquecer-me de mudar o utilizador xD*

      Já tenho todos no Kobo :) 2014 não me escapa! Talvez comece por este :p

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    3. Não tem mal ;).
      Então fico à espera da opinião ;)

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  5. olá Silvana
    este é um dos que tenho na estante a espera de vez!
    e como gostei da tua opinião, acho que o vou por á frente para sair do clube dos encalhados! :P

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    1. Olá Fernanda,
      Obrigada. Espero que goste tanto do livro como eu.
      Fico à espera da sua opinião lá no seu cantinho.
      Beijinhos

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!