quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Por detrás do autor | Olinda Gil




Olinda P. Gil



Desta vez , o Por detrás do autor traz-nos uma estreante no mundo das entrevistas. Espero que esta seja a primeira de muitas que assinale os sucessos literários. 

Olinda está poucos dias da apresentação do seu livro Contos Breves. O grande dia será a 16 de Novembro na Biblioteca Municipal de Aljustrel. 



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Em primeiro lugar queria agradecer à Silvana a oportunidade de realizar esta entrevista. Confesso que é a minha primeira entrevista. Deixo também aqui um olá grandes a todos os que a venham a ler.


Quem é a Olinda para além da escritora?
Tenho sido uma jovem como tantas outras. Já passei por vários empregos, já estive desempregada… E depois deixamos de dar importância a isso, há coisas demasiado bonitas na vida para vivermos e devemos dar importância a isso. Gosto muito de estar com a minha família e com o meu companheiro. Gosto de obter prazer nas coisas simples, e, infelizmente, tenho um dote para cozinha tradicional. A criatividade tem sido algo sempre presente na minha vida. Estudei música, mas, há que fazer escolhas quando não temos tempo para tudo. Eu escolhi a escrita.

Como surgiu o gosto pela escrita?
Eu nem sei bem, porque já tinha gosto pela criação de histórias antes de ler e escrever. Aliás, a única memória em que tenho presente não saber escrever prende-se, precisamente, com a criação de uma história. A minha avó é uma grande contadora de histórias, e no fundo, penso que é por causa dela que escrevo.

Durante o processo criativo, por vezes, é necessário travar algumas lutas. A inspiração é algo que surge naturalmente contigo? Tens algo que seja a tua grande fonte de inspiração?

Quando era mais nova costumava procurar escrever em momentos em que me sentia mais inspirada. Nunca tive qualquer fonte de inspiração em especial, mas para que eu escreva preciso de estar feliz. Portanto, não escrevo nada quando, por qualquer razão, me sinto triste. Com o passar dos anos mentalizei-me que tinha de escrever mesmo quando não estava inspirada. Afinal, nós também temos de ir trabalhar quando não nos apetece. E, para dizer a verdade, se praticarmos acaba por resultar. Claro que, para a poesia, preciso mesmo de estar inspirada.


São várias as obras que tens à disposição dos leitores na Smashwords, podes falar-nos um bocadinho delas.

Os contos que tenho na Smashwords são contos que tenho escritos há alguns anos. Estou a fazer com esses contos o mesmo processo que fiz com as micronarrativas. Voltar a ler, fazer alterações se necessário, rever e disponibilizar. As micronarrativas foram republicadas no blog, e isso resultou, mas os contos são grandes demais para a brevidade com que se prendem os blogs. Logo, optei por os disponibilizar na Smashwords. Tenho muitos mais contos para disponibilizar, e o meu objectivo é vir também a fazer uma colectânea com esses contos. O processo tem sido mais lento, por um lado porque os textos têm sido maiores, por outro lado porque tenho tido menos tempo. Contos Breves foi organizado no meu último desemprego, quando tinha muito mais disponibilidade.

Contos Breves é o teu mais recente trabalho. O que é que podes dizer aos leitores acerca dele?
Contos BrevesOs textos de Contos Breves foram escritos entre 1999 e 2007. Portanto eu tinha 16 anos quando escrevi aqueles primeiros textos. Foram textos escritos para o DNJovem, um suplemento para jovens escritores e ilustradores/desenhadores/fotógrafos que o Diário de Notícias possuía. Nem todos os textos que escolhi para o livro foram publicados na altura, e houve muitos outros que foram publicados e que não estão ali. Acontece que, passado anos, quando voltamos a pegar nas coisas, descobrimos textos que gostamos muito e outros que não gostamos nada. E se há textos que estão praticamente iguais, e que foram publicados no suplemento, como é o caso de Liberdade de Escrita, que escrevi com 16 anos, houve outros, que não tinham sido publicados, que estavam maus, mas que tinham potencial de eu os melhorar. Depois havia outros textos, que até tinha publicado, mas que, não estando ao meu agrado, não via como os melhorar, e abandonei-nos.


O que foi mais difícil na elaboração do livro Contos Breves?

Foi escolher os textos. Eu tenho os textos guardados em várias pens, organizados por anos (se bem que tenho textos que estão em mais do que uma pasta e não sei bem de quando foi a versão final). As pens têm todas o mesmo, tenho várias por segurança, mas os textos estavam uma confusão. Tenho textos dos quais tinha várias versões, e foi necessário escolher a que mais me agradava. Foi esse trabalho de andar a escolher os textos, a procurá-los nas pastas, a decidir quais seguiam e quais ficavam que me deu mais trabalho. Até porque acaba por ser emocional. Pode haver um texto muito mau, mas não deixa de ser um texto meu e de estar emocionalmente ligada a ele. E depois havia também textos que não me lembrava de ter escrito.

Em relação a projectos futuros, existe algo em que estejas a trabalhar?  
Isso é um problema, porque eu meto-me em mais projectos do que aqueles em que consigo trabalhar. Para já, para além deste tenho mais 3 livros prontos a sair. Tenho um de poesia que será para ser lançado depois de passar a azáfama de Contos Breves. Pensei em publicá-lo na primavera, mas tudo depende de como correr este agora. Se tiver muitas marcações para apresentações em bibliotecas, e estas se começarem a aproximar muito da primavera terei de deixar o lançamento do livro ou para o início do verão ou para daí a um ano. Outro é de prosa poética e só será lançado depois do de poesia. Tenho um outro de contos cuja publicação foi aceite por uma editora. O livro sairá em ebook, talvez para meados de 2014. A publicação deste também pode influenciar o lançamento do de poesia. Mas isto é tudo o que tenho preparado. 
Em escrita, tenho 2 romances. Um abandonado há uns anos, mas que quero retomar, e outro, que iniciei há poucos meses, mas que tive de parar agora por causa do lançamentos de Contos Breves. Tenho uma novela YA para reescrever (não tenho tido paciência, confesso), e tenho montes de projetos para livros de contos, cada qual com 2/3 contos escritos, pelo menos. Neste momento estou a escrever numa ideia que eu não sabia se iria ser para conto se para novela. Comecei a trabalhar nesta ideia porque era a última ideia para um livro de contos. Tinha de a escrever, para saber se iria ser incluída ou não. Já descobri que não, que vai ser uma novela (para jovens), portanto, este livro de contos será para organizar a seguir ao lançamento de Contos Breves, rever e enviar para editoras. A novela é para escrever e depois ficar a marinar. Só depois disto tudo devo voltar ao romance. 
E claro, continuo a escrever poesia. Tenho poemas soltos, mas também tenho um conjunto que, um dia, será para um livro específico, de poesia erótica.

Muito obrigada pela disponibilidade Olinda e só me resta desejar-te muito sucesso!


Para finalizar deixo-vos o booktrailer do Contos Breves que acabou de ser publicado!
Podem vê-lo clicando aqui.

2 comentários:

Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!