sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Casada à força [Opinião]


Casada à Força

Autor: Sameem Ali
Ano: 2010
Editora: ASA
Numero de páginas: 272 páginas
Classificação: 3 Estrelas

Sinopse
Abandonada pelos pais, a pequena Sameem Ali passou os seus primeiros sete anos num lar onde conheceu estabilidade e bondade. Mas quando soube que a mãe a queria de volta, ficou radiante por poder começar uma nova vida em família. Porém, em vez de um lar, encontrou uma casa imunda onde foi tratada como uma escrava. Era obrigada a trabalhar sem interrupção e violentamente espancada pela mãe e pelo irmão. Um dia, a mãe decide levá-la a visitar o Paquistão. Sameem nascera na Grã-Bretanha e nunca saíra do país, tinha treze anos e a perspectiva da viagem deixou-a feliz... Mas a sua alegria foi breve. No Paquistão, esperava-a um casamento forçado com um desconhecido que a violou repetidamente. Dois meses depois, a menina estava de volta a casa da mãe, grávida. Esse fora, afinal, o objectivo: forjar um vínculo que permitisse ao marido emigrar para a Grã-Bretanha. Sameem estava só e desesperada quando o inesperado aconteceu: apaixonou-se e, para sua surpresa, foi correspondida. Em casa, os abusos continuaram, mas algo mudara na jovem de dezassete anos: a maternidade dera-lhe força e o amor esperança. Sentindo-se apoiada pela primeira vez, fugiu de casa e da violência que também recaía sobre o seu filho.

Opinião
Por vezes é difícil acreditar que ainda existem países no mundo onde jovens são forçadas a casar com alguém que não conhecem e são "convidadas" a viver verdadeiros cenários de terror!

Sameen conheceu, até aos sete anos, uma realidade baseada no amor, na partilha, no respeito. Foram anos felizes aqueles que passou no lar de acolhimento. Achei esta referência ao lar de acolhimento muito boa e importante no sentido em que é útil para demonstrar que nem tudo é mau numa instituição. Claro que nem tudo é fantástico, mas por vezes a ideia que passa cá para fora denegri muito a imagem deste locais. São locais difíceis onde as emoções de toda a gente (crianças e profissionais) são frágeis e sensíveis a tudo o que possa acontecer. 

Existem aspectos pouco claros no livro, nomeadamente, o abandono de Sameen por parte da família e o seu posterior regresso a casa.

Samenn fica feliz por poder regressar para junto da sua mãe e irmão, mas aquilo por que ela tem de passar ao longo dos anos é horrível! Só me questionava: como é que é possível? 
É indignante ler acerca dos comportamentos da mãe e dos irmãos de Sameen. Por mais que tentamos perceber a dimensão sócio-cultural que está por detrás desta família não há nada que atenue o sentimento de repugnância.

Não é uma leitura fácil. Muita violência, muita indiferença  para com alguém que apenas buscava o amor da sua família, em particular de uma mãe que nunca agia como mãe.

Apesar de o final se revelar positivo para Sameen, aquilo porque teve de passar já mais a vai abandonar. Ficaram-me algumas dúvidas acerca do actual relacionamento com a sua família, em especial com a única irmã que sempre lhe deu um pouco do seu coração, do seu amor e da sua amizade.  

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