sábado, 19 de outubro de 2013

A Prisioneira de Teerão [Opinião]


A Prisioneira de Teerão

Autor: Marina Nemat
Ano: 2007
Editora: Quidnovi
Número de Páginas: 305 páginas
Classificação: 2 Estrelas

Sinopse
Lê-se como um romance, mas a vida de Marina Nemat não se parece mesmo nada com um romance: 1982 foi um ano negro para o Irão. A guerra com o Iraque acendia-se e o novo regime do ayatola Khomeini já rivaliza com o do Xá em brutalidade. Eram perseguidos todos aqueles que se opunham à mão de ferro da revolução islâmica fundamentalista. Marina, que pertencia a uma família católica, tinha apenas dezasseis anos quando, na escola, reclamou que tivessem substituído a aula de matemática pela leitura do Corão e criticou o governo no jornal escolar.
Foi arrancada à família, presa, torturada e condenada à morte por traição, mas um dos seus carcereiros apaixonou-se loucamente por ela e conseguiu que a pena fosse comutada em prisão perpétua. Esse gesto, porém, tinha um preço...
Poéticas, apaixonantes e recheadas de graça e sensibilidade, estas memórias de Marina Nemat são ímpares. A sua busca de redenção emocional envolve os seus carcereiros, o seu marido e a sua família - e  todos ela oferece o maior dom de todos: o perdão.

Opinião (esta opinião poderá conter spoilers)
Confesso que gosto bastante deste género de livros, porém neste senti a falta de alguns aspectos, o que me levou a não atribuir-lhe uma classificação mais elevada. 

O livro é um relato na primeira pessoa. Marina Nemat, uma jovem Russa que vai com a família viver no Irão. Esta mudança de país ocorreu devido à revolução política que se fez sentir na Rússia. Infelizmente, esta família fugiu a uma revolução para, anos depois, se encontrarem com outra. 

Marina, uma católica num país predominantemente muçulmano, é uma jovem inteligente que se questionava sobre aquilo que a rodeia. A inteligência aliada à incompreensão sobre a política do Irão faz com que Marina tente contornar as regras estabelecidas. Esse comportamento conduziu-a à Prisão de Evin.

É um relato duro, marcado pela dor, sofrimento, morte, esperança... que levam o leitor a conhecer as atrocidades que o ser humano é capaz de cometer tendo por base questões religiosas e políticas. É-me difícil compreender como em nome da religião se comentem crimes de uma crueldade impressionante. A visão que as pessoas têm da religião, seja ela qual for, assim como aquilo que os responsáveis das diferentes igrejas transmitem deveria ser fomentadora de paz e de amor e nunca levar a conflitos.

O que, para mim, falhou no livro:
  • Narração cronológica dos acontecimentos
Marina opta por narrar os acontecimentos alternando as diferentes fases da sua vida, ou seja, os acontecimentos não são apresentados ao leitor na sequência temporal em que eles aconteceram. Há muitas analepses e, para mim, foi confuso acompanhar o que ia acontecendo, assim como acompanhar as personagens que se iam atravessando no caminho de vida de Marina.
  • A vida após Evin
 Marina consegue a liberdade, mas não há uma exploração esmiuçada dos sentimentos que esta nova fase da sua vida lhe ofereceu. A estadia de Marina em Evin deixou marcas psicológicas que, de certeza, tiveram uma enorme influência nos primeiros tempos de liberdade. Contudo, esse novo contacto com o mundo e os sentimentos presentes apareceram um pouco camuflados no relato de Marina.
Durante o tempo em que esteve presa, Marina viu-se forçada a casar com Ali, um dos seus interrogadores e aquele que a salvou da pena de morte. Durante o casamento, a jovem foi constantemente violada e quando sai em liberdade e vai ao encontro do seu amor acho estranho ela não reflectir um pouco mais acerca destas questões. Sei que é um assunto extremamente delicado e que, muito provavelmente, Marina queria fugir a estas recordações. Porém, a mim faz com que esta parte do livro soe um pouco vazia em termos de conteúdo psicológicos que seria importante dar a conhecer ao leitor.
  • Final
Este final, do meu ponto de vista, foi um pouco apressado. Merecia uma maior descrição da nova vida de Marina, dos sucessos alcançados, das conquistas, dos sonhos e da sua vida com um homem por quem estava apaixonada.

É um livro que classifico como satisfatório, mas apesar de não lhe ter atribuído uma classificação muito elevada recomendo a sua leitura. 

Deixem-se invadir pelas palavras e boas leituras.

3 comentários:

  1. Respostas
    1. Ainda bem! Não é que tenha desgostado, mas alguns aspectos não me deixaram totalmente convencida.
      Obrigada pelo comentário!

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  2. o seu comentário foi me muito eficaz!

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!